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PARA SUA ERRADICAÇÃO

2.4 OS DIREITOS DA PERSONALIDADE DO TRABALHADOR

A personalidade é definida como a propensão de ser titular de direitos e obrigações jurídicas, estando os Direitos da Personalidade vinculados a

outros direitos, sem os quais restaria uma suscetibilidade completamente irrealizada, privada de todo o valor concreto, pois mostram-se como direitos sem os quais todos os outros direitos subjetivos perderiam sua razão de ser e o indivíduo e a pessoa não existiriam como tal (CUPIS, 2008, p. 19-24).

De acordo com Daniela Paes Moreira Samaniego:

[...] os Direitos da Personalidade são direitos subjetivos, que têm por objeto os elementos que constituem a personalidade do titular considerada em seus aspectos físico, moral e intelectual. Tem como finalidade proteger, principalmente, as qualidades, os atributos essenciais da pessoa humana, de forma a impedir que os mesmos possam ser apropriados ou usados por outras pessoas que não os seus titulares. São direitos inatos e permanentes, uma vez que nascem com a pessoa e a acompanham durante toda a sua existência até a sua morte [...] (SAMANIEGO, 2000).

Direitos da Personalidade são dotados de caracteres especiais que visam proteger de modo eficaz a pessoa humana e seus bens mais elevados, razão pelo qual o ordenamento jurídico não consente que deles se despoje o titular, emprestando-lhes caráter essencial. (BITTAR, 1999, p. 11).

Os direitos da personalidade são “[...] bens jurídicos em que se convertem projeções físicas e psíquicas da pessoa humana por determinação legal, que os individualiza para lhes dispensar proteção” (GOMES, 1966, p. 41). Assim são características dos Direitos da Personalidade:

[...] direitos inatos (originários), absolutos, extrapatrimoniais, intransmissíveis, imprescritíveis, impenhoráveis, vitalícios, necessários e oponíveis erga omnes, transcendendo o ordenamento jurídico, porque ínsito à própria natureza do homem como ente dotado de personalidade, independente de relação imediata com o mundo exterior ou outra pessoa, sendo intangíveis pelo Estado ou por particulares (BITTAR, 1999, p. 11). Os Direitos da Personalidade são os direitos à honra, a dignidade, a intimidade, a imagem, vida e integridade física, liberdade, vida privada, entre outros considerados inerentes à condição humana. E, portanto, são denominados inatos, subjetivos, essenciais ou personalíssimos, direitos subjetivos absolutos, incorpóreos e extrapatrimoniais, correspondentes aos atributos físicos, intelectuais e morais da pessoa (BELMONTE, 2002, p. 125). Nas últimas décadas, ocorreram transformações no direito, no sentido de valorizar o ser humano em sua plenitude, com a preservação daqueles direitos que são inerentes à sua personalidade (CAHALI, 2011, p. 521), contudo apesar das inúmeras garantias conquistadas ao longo do tempo, ainda é grande o contingente de violações aos Direitos da Personalidade.

Considerando serem os Direitos da Personalidade de suma importância, merecem especial tutela e efetividade, com ênfase ao Direito do Trabalho, que contêm especificidades contratuais.

A proteção aos Direitos da Personalidade encontra-se prevista no art. 5°, “caput” da Constituição Federal de 1988, que garante a tutela ao direito à

vida, liberdade, igualdade e segurança e arts. 11 e 12 do Código Civil de 2002, os quais consignam serem os Direitos da Personalidade, intransmissíveis e irrenunciáveis, podendo reclamar indenização por perdas e danos quando houver ameaça ou lesão.

O direito mais importante garantido ao ser humano é o direito à vida, conjuntamente com a integridade física, que deve ser mantida para promover uma vida plena e saudável, o direito a liberdade, também de suma importância, consistindo no direito de ir e vir, e indiretamente garantidor de outros direitos como a livre associação sindical, também previsto no texto constitucional.

Desta forma, o contrato de trabalho estabelecido entre as partes deve respeitar direitos personalíssimos do trabalhador, como forma de promover um convívio saudável no ambiente laboral, visto que tal relação contem diretrizes distintas de outras espécies contratuais, como por exemplo, a subordinação do empregado ao empregador e imposição do poder diretivo.

O empregador em decorrência de sua posição privilegiada na relação trabalhista, por vezes extrapola o poder diretivo e consequentemente descumpre o estipulado no contrato, desrespeitando a verdadeira função do trabalho que é dignificar o homem.

Nas palavras do doutrinador Alexandre Agra Belmonte, a relação entre as partes é definida da seguinte forma: “O empregado e empregador tem deveres recíprocos provenientes das características da bilateralidade, pessoalidade, alteridade, fiduciariedade e sucessividade” (BELMONTE, 2002, p. 107).

Por esta razão, práticas abusivas devem ser repudiadas em busca de um trabalho decente que preserve a dignidade do trabalhador e cumpra a função social do contrato, considerando que a proteção à dignidade da pessoa humana está entre os fundamentos preconizados pelo Estado Democrático de Direito, juntamente com os valores sociais do trabalho e a livre iniciativa (art. 1°, CF/88), complementado pelo art. 170, “caput” da Lei Maior que garante a proteção ao trabalho, registrando ser a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, assegurando a todos uma existência digna, nos moldes da justiça social.

Ainda, é garantida a igualdade perante a lei, a qual “[...] não deve ser fonte de privilégios ou perseguições, mas instrumento regular da vida social que necessita tratar equitativamente todos os cidadãos” (MELLO, 2014, p. 10).

Nítido que um “[...] meio de trabalho não edificante apresenta sérios riscos aos Direitos da Personalidade, visto que tais direitos são inatos e inerentes à pessoa humana de forma perpétua”, razão pelo qual se mostra necessário proteger a saúde do profissional, com o fim de evitar danos à sociedade como um todo (SILVA; PEREIRA, 2013, p. 16).

Assim, resta clara a proteção concedida ao trabalhador, contudo também aparente o descumprimento de inúmeras disposições, figurando-se reiteradamente o uso de trabalho escravo nos meios de produção, que na contramão das legislações trabalhistas torna-se cada vez mais recorrente,

degradando o meio ambiente de trabalho e causando imensuráveis prejuízos ao trabalhador escravizado e a toda sociedade.

2.5 O TRABALHO ESCRAVO OU ANÁLOGO AO ESCRAVO NA

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