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OS DIREITOS DA SEGUNDA E TERCEIRA GERAÇÕES

Os direitos humanos devem ser protegidos, e não apenas fundamentados. Para Bobbio (1992), a tentativa de fundamentá-los faz com que ocorre uma menor proteção, tendo em vista as diversas visões teóricas, da religião e política. Para haver a ampliação dos direitos humanos, é necessário integrar os sistemas doméstico-estatal, internacional-regional e internacional universal.

No século XVII e XIX, devido à perda de poder ideológico, ocasionado pelas grandes desigualdades sociais. O socialismo e outras correntes ideológicas entraram em cena, originárias da Revolução Francesa, que defendiam a igualdade entre os homens.

Para reivindicar providencias em relação às desigualdades sócias, em 1848, Karl Marx e Friedrich (1995), fizeram surgir, através de Manifesto Comunista, duas correntes importantes dentro do movimento social: a primeira, defendida por Karl, entendia os direitos humanos, como direitos burgueses, sendo os direitos econômicos e sociais, mais importantes do que os civis e políticos.

A segunda corrente procurava associar a liberdade e a igualdade na esfera capitalista. Assim, depois da divisão do capitalismo e socialismo, necessário se fazia o rompimento com o Estado Burguês.

Marx (2000) entendia que não havia direitos naturais, mas sim direitos que seriam fruto das lutas burguesas e que seria interesse da classe social e não dos operários. Mas os trabalhadores seguiram rumo, a universalização de direitos e pela cidadania e defesa do Estado de Direito. Estes movimentos resultaram em grandes conquistas, como a universalização do direito ao sufrágio.

Os movimentos que ocorreram no século XIX e XX, objetivavam além da ampliação dos direitos humanos, também a inserção de novos direitos, desconhecidos ate então. Os liberais lutavam para que houvesse a liberdade, sem intervenção estatal na esfera privada. Já os socialistas batalhavam para que houvesse a intervenção do Estado, para minimizar as desigualdades econômicas, sociais e culturais, e assim ocorresse um bem estar social.

No Brasil ocorreram revoluções trabalhistas nos anos de 1917 e 1920, devido a Revolução Russa. Tais revoluções, fizeram com que o Estado interferisse nas relações de trabalho, criando assim, legislações protetoras, como por exemplo, o Código de Menores de 1927, que tinha por fundamento a regulamentação do trabalho de adolescentes.

No ano de 1930 e 1937, comandado por Getúlio Vargas, o país passou por um regime ditatorial, o que fez com que houvesse um grande

avanço nos direitos sociais, em especial dos trabalhadores. Todavia, este regime, excluiu algumas classes, como autônomos e domésticos, que por não serem sindicalizados, não gozariam de proteção legislativa.

Após a queda de Getúlio Vargas, aqueles que proclamavam pelos direitos de primeira geração, se sentiram vitoriosos, pois apesar de o regime garantir alguns direitos, não garantia a sua integralidade de forma indivisível e interdependente. Mas a dignidade da pessoa humana, foi se concretizando aos poucos, através do nascimento eficaz dos direitos humanos, a cada exigência de um momento histórico.

A Constituição brasileira de 1946, além de manter os direitos conquistados, assegurou direitos civis e políticos, reconhecendo entre outros, o direito de greve e o direito do trabalhador em participar dos lucros da empresa. (ARAÚJO, 1998)

Os direitos da segunda geração surgiram após a conquista dos direitos individuais de primeira geração. Eles significaram uma nova fase dos direitos humanos, fazendo com que o Estado tomasse uma posição, diante das necessidades humanas. Portanto, os direitos humanos sociais, culturais e econômicos, agregam os direitos de segunda geração, tanto na esfera individual como coletiva.

A Igreja católica desempenhou grande papel na fase histórica dos direitos trigeracional. Após a publicação da doutrina social, pelo papa Leão XIII, em 1894, a Igreja Católica no século XX, passou a espalhar tal doutrina, e também sua idéia favorável em relação a efetivação dos direitos humanos. Ainda o papa João Paulo II, destacou a importância das Nações Unidas na proteção dos direitos, citando a mensagem bíblica, de que todos foram criados a imagem e semelhança de Deus, sendo irmãos e filhos deste Deus.

Após a Segunda Guerra Mundial, uma nova geração de direitos, voltada ao ser humano e ao destino da sociedade, se originou. Houve a criação das Nações Unidas em 1945, onde 51 países assinaram, proclamando então, os direitos e a dignidade da pessoa humana. Tais direitos ficaram conhecidos como direitos da solidariedade, concluindo o ciclo das gerações de direitos, pela criação da terceira geração.

A terceira geração, é um resumo da primeira e segunda geração, sob o aspecto da solidariedade, em favor do ser humano, seja de qual raça, cor ou credo, for.

A partir desta evolução, o homem passou a ser visto, como um ser que não é vinculado a nenhum Estado, e precisa de paz, de um desenvolvimento econômico e de um meio ambiente sadio. Segundo Kant (2005), o ser humano é insubstituível e se reveste de um fim e nunca de um meio.

O direito de solidariedade se baseia na realização ativa dos direitos anteriores aos quais, se somam outros direitos, agora os direitos difusos, e não mais individuais ou coletivos. Assim, o Estado, como detentor da soberania, deve aceitar como válidos direitos reconhecidos pela comunidade internacional.

A sociedade internacional é necessária neste novo modelo, pois se preocupa com a paz, o cuidado com o meio ambiente e o desenvolvimento, entre outros temas difusos e globais. Assim descreve nossa Constituição em seu artigo 4º, inciso VI, a defesa pela paz, como dilema de que se rege o país.

Deste modo, os aspectos deferentes aos direitos ao desenvolvimento, a autodeterminação dos povos e o direito a um meio ambiente sadio, estão expressos, por exemplo, na Declaração Universal de 1966, da ONU e na Constituição do Brasil, que engloba no seu artigo 4º inciso IX, o direito ao desenvolvimento, no inciso III, o principio da autodeterminação dos povos e no artigo 225, dever de proteção ao meio ambiente.

Assim, o pilar dos direitos humanos, vem as ser, um querer coletivo, com o objetivo de resguardar a sobrevivência e o bem estar da sociedade.

Os direitos que se originaram na Segunda Guerra e da esperança representada pela criação da ONU, fizeram com que o Estado-Nação, se transformasse em Estado Constitucional Cooperativo. Fazendo gerar uma expectativa para a implantação de direitos humanos no plano regional e internacional. Portanto, os direitos de terceira geração, devem ser analisados com o objetivo de diminuir o problema da prestação de direitos fundamentais em cada esfera, sendo a solidariedade um dever e fundamento, para além das fronteiras territoriais dos Estados Constitucionais.

A Agenda-21, desenvolvida através da Conferencia Eco-92, realizado no Rio de Janeiro em 1992, serviu de influência para vários ordenamentos jurídicos internos. Ela descreve prioridades que devem ser seguidas entre países ou órgãos intergovernamentais, no âmbito do desenvolvimento. Além disso, descreve valores, cujo objetivo é preservar a dignidade humana, entre outras diretrizes.

Portanto, atesta Guerra Filho (2000) que a afirmação dos direitos humanos, decorre dos avanços retrocessos da humanidade. Cada geração contribui nas circunstâncias e características dos momentos históricos, influenciando no conhecimento de futuros modelos.

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