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Os distintos processos de circulação nas redes sociais de Macedo e Santiago

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4.3 A circulação dos discursos religiosos

4.3.4 Os distintos processos de circulação nas redes sociais de Macedo e Santiago

A circulação oferta um espaço/lugar de produção, operacionalização e regulações dos sentidos. Como já destacado, a circulação passa a ser um espaço gerador de potencialidades com efeitos indeterminados, já que sua atuação se dá nas interfaces da produção e recepção, por meio de negociações e apropriações de sentido. Assim, como destaca Fausto Neto (2010b, p. 63), a circulação: “[...]é nomeada como dispositivo em que se realiza trabalho de negociação e de apropriação de sentidos, regidos por divergências e, não por linearidades”.

Desta forma, neste último momento da pesquisa procurou-se trabalhar com os processos circulatórios que são perpassados por lógicas midiáticas, trabalhadas na primeira categoria analítica e de apropriação, também analisadas no tópico da verificação do contrato. Com este último ponto de destaque, consegue-se compreender como os dois primeiros aspectos se juntam para a formação da circulação que resultará em lógicas de recepção.

Com os sistemas midiáticos de Santiago percebe-se que a circulação ocorre mais por motivações dos fiéis do que por incentivo do líder religioso. O apóstolo não tem como estratégia a chamada de usuários para redirecionamento, ou seja, ele não procura divulgar links com descrições do que sejam, nem pede para que o usuário entre em

138 contato com outras mídias da IMPD. O que ocorre são formas indiretas de fazer com que conteúdos e meios de comunicação circulem.

Já as postagens de Macedo são mais diretas nas suas estratégias de divulgação e ao mesmo tempo que interpela o fiel para que ele circule por entre seus veículos de comunicação, promove estratégias de adesão, como visto no capítulo da verificação do contrato. O bispo Macedo, ao contrário de Santiago, convida os fiéis para interagir e tem suas redes sociais atualizadas, mantendo formas de contato constante em todos os canais.

Ainda no caso dos sistemas midiáticos utilizados por Santiago, há uma integração maior do Facebook com o Twitter, pois as postagens no Twitter redirecionam o fiel ao perfil do apóstolo no Facebook, o que não ocorre com os sistemas usados por Macedo. Macedo ampara suas estratégias no Twitter com foco nas pregações de moral ou links que remetem ao portal. O sistema midiático de Santiago consegue levar o fiel até seu perfil promovendo uma completude na circulação, contudo, o líder religioso não chama para fazer isso, deixando o contrato de leitura, a adesão, em segundo plano, como um laço fraco que “não sustenta o nó”.

O sistema midiático de Macedo trabalha mais com os vínculos que dão sustentação à IURD e à aceitação de sua autoridade. A circulação ocorre de forma mais difusa, com divulgação de links dos meios de comunicação próprios (no caso de seu blog) e da instituição nas duas redes sociais. Esta estratégia de divulgação funciona mais do que no caso de Santiago que apenas apresenta links, sem remeter ao que são. Contudo, o fiel, ao acessar qualquer dos caminhos ofertados pelo sistema midiático de Macedo, não retorna ao perfil nas redes sociais.

Neste sentido, observa-se que Macedo investe mais nos canais da Igreja e prioriza os vínculos com os fiéis, com produção de conteúdo e chamadas constantes para acesso nestes canais. Já Santiago se apoia mais na apropriação de conteúdo de outros canais e quase não tenta uma aproximação com os fiéis, já que produz pouco conteúdo para as redes. Ele usa seus perfis como um “bate e volta”, ou seja, o Twitter é apenas um espaço para divulgar o que ocorre no seu Facebook e no seu perfil do Facebook ele se apropria de conteúdos do Face da IMPD.

A partir do gráfico criado (figura 31), pode-se demonstrar como a circulação se faz presente em ambos os sistemas, Facebook e Twitter. Sobre as tensões (ligação 8) entre Santiago e Macedo, salienta-se que no período observado não foram encontrados embates, mas como já mencionado nesta investigação, a observação das redes sociais é

139 anterior aos meses escolhidos para análise (julho, agosto, setembro e outubro de 2014). Assim, no dia 22 de fevereiro de 2014, uma postagem (no blog e nas redes sociais de Macedo) evidencia essa disputa por legitimação e autoridade religiosa. Num vídeo divulgado por Macedo70, há uma narração de como seria o fim dos tempos. Nele, várias pessoas desaparecem dando a entender que foram arrebatadas, contudo, Santiago faz parte dos “não escolhidos”. Ele, então, é citado como um dos que permanecem na terra. A repórter que conduz o vídeo fala que entrou em contato com um dissidente da IURD que abriu sua própria Igreja, no caso Santiago, mas este não quis se pronunciar. Ela também destaca nesta espécie de reportagem que evangélicos que não foram arrebatados se arrependiam por não ter levado Jesus a sério.

Os embates religiosos demonstram que o sincretismo está longe de ser estabelecido. Mesmo com as semelhanças de origem neopentecostais, as estratégias discursivas acabam por diferenciá-las ao ponto de se tornar um aspecto conflitante entre as mesmas.

Com estas considerações sobre a circulação, entende-se que o campo religioso funde-se com o midiático a partir de interpenetrações (LUHMANN, 2010) promovidas pelas redes sociais através de zonas de contato como os espaços de interação (curtidas, comentários, compartilhamentos). Este processo promove uma ligação com o sistema dos usuários, que também produz conteúdos e não só participa das redes sociais.

70 O bispo Macedo publica um vídeo sobre o arrebatamento no qual sugere que o apóstolo Valdemiro

Santiago não será arrebatado. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Aang1MAwC4w. Acesso em 17/12/2014.

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