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OS DIVERSOS GRAUS E RAMOS DO ENSINO

No documento Revista Completa (páginas 55-62)

E DA HISTÓRIA

OS DIVERSOS GRAUS E RAMOS DO ENSINO

A educação primária destina-se a dar uma educação integral à in- fância, proporcionando-lhe as técnicas instrumentais da aprendizagem e esse mínimo de cultura geral que exige a nação para sua conservação e progresso.

A Lei de Educação Primária Obrigatória, que estrutura este ensino, data de 1929. A anterior, de 1920, suscitou memoráveis campanhas na opinião pública antes de ser sancionada pelo parlamento. As disposições da legislação vigente não mais satisfazem, porém, às necessidades cul- turais do pais, razão pela qual está sendo discutida uma nova lei que, a par de atualizar e reformar a educação primária, visa codificar, num todo orgânico, o sistema educacional do país. E' uma iniciativa do ex- ministro da Educação, Sr. Claro Velasco.

O ensino secundário atende a uma cultura geral mais intensa da adolescência, preparando-a para o ingresso em cursos superiores e espe- cializados. Data de 1879 a lei que o organizou, acrescida mais tarde de

disposições complementares, relativas a programas, planos de estudos, agrupamento de ramos afins, nomeações, etc.

O ramo do ensino profissional compreende os diferentes ensinos re- lacionados com a formação para o trabalho, tais como o comercial, in-

dustrial, técnico feminino, de mineração, de pesca c artesanal, e tem

por objetivo permitir aos jovens, através de atividades e aprendizagens adequadas, a aquisição de um ofício ou profissão. Ingressam nos cur- sos profissionais os alunos egressos da escola primária ou os que, por motivos diversos, sejam levados a abandonar o 1.° ciclo secundário. Vá- rias escolas deste tipo dependem de outros ministérios.

O ensino normal depende diretamente da Direção Geral de Educa- ção Primária, achando-se as escolas normais, que dele fazem parte, re- gidas por disposições especiais.

A educação extra-escolar se realiza por meio de vários organismos de direção e controle que se empenham em difundir a cultura na massa popular. Esta atividade compete, especialmente, à Direção Geral de Bibliotecas, Arquivos, Museus e Monumentos Nacionais, cabendo à Direção Geral de Educação Primária o trabalho de alfabetização, por meio das escolas para adultos.

O ensino superior ou universitário tem organização autônoma e dispõe de recursos próprios. Para ingresso nesse curso, deve o aluno possuir o diploma de bacharel, obtido em exame de Estado, depois de lhe ter sido concedida pela Diretoria de Educação Secundária a licença se-

cundária.

Orgãos centrais de administração do ensino no Chile.

Todos os graus e ramos acima enumerados, salvo o último, depen- dem diretamente do Ministério da Educação, estando sob sua orien- tação, direção, administração e controle.

Faz-se necessária, sem dúvida, a promulgação de uma lei orgânica que coordene e sistematize todos os ramos e graus da educação pública e que crie, ao mesmo tempo, um órgão como a Superintendência de

Educação, a fim de conjugar e harmonizar a educação universitária com as demais. O projeto de tal lei está atualmente em discussão nas câmaras, devendo tornar-se lei da República, em futuro próximo.

O R I E N T A Ç Ã O , DIREÇÃO E A D M I N I S T R A Ç Ã O E D U C A C I O N A L

Todo o serviço educacional, mantido pelo Estado é administrado e dirigido por um Ministério da Educação.

São órgãos de administração, desse Ministério: o Gabinete do Mi- nistro e a Subsecretária de Educação.

O trabalho de orientação c direção, e de administração especial de cada grau e ramo da educação, realiza-o o Ministério através das Dire- torias Gerais. Estas são quatro: Diretoria Geral de Educação Primaria e Normal, Diretoria Geral de Educação Secundária, Diretoria Geral de Educação Profissional e Diretoria Geral de Bibliotecas, Arquivos, Museus e Monumentos Nacionais.

A) Subsecretária de Educação — E' o órgão superior de adminis-

tração geral dos serviços educacionais e tem ainda a faculdade de apre- sentar parecer sobre sugestões dos diretores gerais. Compõe-se de vá- rias secções que atendem aos diferentes aspectos administrativos: Gabinete do Subsecretário; Secção de Contabilidade; Secção de Cultura e Publi- cações ; Secções L.ocais e de Construções Escolares; Secção de Material e Mobiliário; Secção do Pessoal da Educação Primária, Secundária e Profissional; Secção de Estatística; Secção de Informações e Arquivo; Secção de Administração de Estádios.

B) Diretorias Gerais — São os órgãos de administração especial e

de orientação técnica do ensino. Compõe-se, também, cada Diretoria Geral, de várias secções e serviços, encontrando-se sob sua direção e con- trole todos os estabelecimentos escolares e as repartições que atendem a funções especificas de cada grau e ramo da educação pública.

DIRETORIA GERAL DE EDUCAÇÃO P R I M Á R I A E N O R M A L

Esta Diretoria compõe-se de: Gabinete do Diretor Geral; Secretaria Geral; Secção de Inspeção; Secção Pedagógica; Secção de Ensino Nor- mal e Aperfeiçoamento; Secção de Ensino Rural; Secção de Ensino Vocacional; Secção de Educação de Adultos, Secção de Ensino Par- ticular ; Secção de Controle e Orçamento; Secção de Bem-Estar e As-

Cada uma destas Secções tem um trabalho específico a realizar e são os órgãos por meio dos quais o Diretor Geral orienta e controla a tarefa educativa que lhe incumbe.

Articulação dos diversos graus e ramos do ensino, no Chile.

A Secção de Inspeção, por exemplo, coordena todo o trabalho de inspeção dos estabelecimentos educacionais primários e complementares, trabalho este executado pelos Inspetores Provinciais e Locais, distri- buídos por todo o país. Dela dependem, também, os Visitadores Gerais. diretamente subordinados ao Diretor Geral, e os Inspetores Especiais de certas matérias, como Desenho, Trabalhos Femininos e Economia Doméstica, Trabalho Manual, Educação Física, e Música e Canto.

A Secção Pedagógica trata de todos os assuntos e problemas essen- ciais de técnica pedagógica: programas, métodos, organização escolar, experimentação pedagógica, pesquisas educacionais, textos escolares.

Dependem dela diretamente o Instituto de Investigações Pedagógicas, as Escolas Experimentais, a Rádio-Escola e algumas instituições de educação especial.

A Secção de Ensino Normal e Aperfeiçoamento controla a Escola

Normal Superior, que se encarrega da formação e aperfeiçoamento dos administradores escolares e professores especializados em educação pri- mária, e, ainda, da formação do professorado das escolas normais urbanas e rurais, do país.

Há, atualmente, em todo o país, além da Escola Normal Superior, doze escolas normais, a saber: uma mista (Antofagasta), cinco mas- culinas (Capiapó, Santiago, Chillao, Victoria e Valdivia) e seis femi- ninas ((Serena, duas em Santiago, Talea, Angol e Ancud). Algumas destas escolas estão situadas na zona rural.

A Secção de Educação Rural ocupa-se do ensino tipicamente rural, estando sob sua jurisdição as escolas-granjas e as escolas-quintas. Em colaboração com a Secção Pedagógica, encontra-se. no momento, proce- dendo a uma experimentação do ensino rural, na jurisdição escolar do Departamento de San Carlos (província de Nube), já declarada "zona experimental" e posta à margem da regulamentação das escolas comuns. Trata-se de uma zona com 45 escolas, quase todas de caráter rural. O objetivo é estudar e organizar "tipos" de escolas que se enquadrem nas realidades social-econômicas da zona rural.

Dirige esta experimentação o educador Víctor Troncoso, inspetor da jurisdição local, líder da reforma educacional de 1928 e ex-diretor da Escola Normal de Santiago.

A Secção de Educação de Adultos superintende as escolas diurnas, noturnas e dominicais para adultos, e mantém "cursos ambulantes" destinados às populações rurais de pequena densidade.

A Secção de Ensino Vocacional controla os estabelecimentos e or- ganiza os cursos de continuação, onde se dá à adolescência orientação profissional de acordo com suas aptidões e aspirações. A ela estão su- bordinadas as escolas profissionais.

A Secção de Bem-Estar c Assistência Social atende ao amparo e à assistência social de professores e alunos dos serviços de educação pri- mária. Secção relativamente nova, organiza e controla as Colônias Es- colares e de Professores, a Junta de Auxílio Escolar, e t c , dispondo, para os seus fins, de internatos, colônias de férias e serviços para ali- mentação e vestuário dos escolares.

A Secção de Controle e Orçamento elabora o orçamento geral da educação primária, salvo os vencimentos, gratificações e pensões do professorado, e controla os gastos e suas inversões. Superintende, tam- bém, as despesas das Juntas de Auxílio Escolar.

A Secção de Escolas Particulares registra e fiscaliza as escolas par- ticulares declaradas "cooperadoras na função educacional" do Estado. Distribui e fiscaliza as subvenções concedidas às escolas particulares re- conhecidas, para admissão de alunos gratuitos.

A Secretaria Geral é o órgão centralizador de todo o serviço de expediente, documentação e arquivo da Direção Geral.

I N S P E T O R I A S DE EDUCAÇÃO P R I M A R I A

Existem no país, aproximadamente, 5.000 escolas primárias de diferentes tipos, distribuídas pelas 25 províncias. Sua fiscalização é feita pelas Inspetorias Províncias e Locais de Educação. Em geral, há uma Inspetoria Local em cada departamento em .que se subdivide a província, sendo maior o seu número nas regiões densamente povoadas, como as de Santiago e Valparaíso.

Aos inpetores cabe, não só a superintendência e administração do serviço escolar em sua jurisdição, como, também, o apreciar e dar a conhecer os resultados técnicos da educação.

Em cada escola há um diretor responsável pelos resultados dos tra- balhos do estabelecimento, o qual, nas escolas de 1.ª classe, é assessorado por um Conselho de Professores.

Conforme foi dito anteriormente, compete à Escola Normal Su- perior a formação de Inspetores Locais, sendo os Provinciais escolhidos dentre estes. O cargo de Inspetor Provincial é o término da carreira docente, após 20 a 25 anos de serviços dedicados ao magistério.

E S T A B E L E C I M E N T O S DE EDUCAÇÃO P R I M Á R I A

Dependem da Diretoria Geral de Educação Primária:

a) os estabelecimentos de educação pré-escolar;

b) as escolas primárias masculinas, femininas e mistas ( 1 ) ;

c) as escolas experimentais;

d) as escolas primárias especiais, para anormais, em geral;

(1) As escolas primárias podem ser: completas, ou de 1.ª classe, cujos cursos são do 6 anos; e incompletas, ou de 2.a e 3.ª classes, conforme tenham 4 ou 2 anos de estudos.

c) as escolas normais, urbanas e rurais, e as de aplicação;

/) a Rádio-Escola;

g) os internatos, ou "escolas-lares"; h) as escolas-granjas e escolas-quintas; i ) as escolas profissionais;

j ) as escolas de adultos e os cursos ambulantes;

l) o Instituto de Investigações Pedagógicas;

m) a Escola Normal Superior e o Instituto Central de Aperfei-

çoamento .

Em 1944 havia um total de 4.714 estabelecimentos de educação primária registrados, além de 43 jardins de infância, 52 escolas pro- fissionais, 20 escolas-lares, 7 escolas experimentais, 10 escolas-granjas, 56 escolas-quintas, 11 escolas normais com as respectivas escolas de aplicação e mais de 260 escolas para adultos.

OS EDUCANDOS

Toda criança de 7 a 15 anos deve freqüentar a escola primária, onde realiza um curso mínimo de 6 ou 4 anos, conforme o estabeleci- mento seja urbano ou rural. Somente a falta de escola no local, ou havendo impedimento de caráter físico ou mental, se exime a criança desta obrigação. E'-lhe, porém, facultada a prestação de exames perante bancas oficiais, independente da freqüência escolar. O ensino secun- dário e o especial não são de natureza obrigatória. Em geral, são inicia- dos aos 12 anos, recebendo o aluno, ao término do 6.° ano de huma- nidades, um certificado de licença secundária.

Todos os ramos do ensino são gratuitos, sendo paga, porém, anual- mente, uma taxa de matrícula, salvo no ensino primário. Neste ramo, a gratuidade é, não apenas nos colégios oficiais, mas, também, nos par- ticulares, para o que recebem eles subvenção do governo.

A taxa de matrícula anual importa em 50 pesos, enquanto que as subvenções são no valor de 150 pesos mensais per capita. O Estado gasta atualmente mais de 10 milhões de pesos por ano com subvenções a colégios particulares.

O ensino secundário particular, por sua vez, é pago, e pelo seu alto custo, só o podem freqüentar os filhos de famílias abastadas.

Embora não exista, ainda, uma lei que determine a correlação entre- os diferentes graus e ramos do ensino, há certa ligação entre o curso primário e o secundário; entre o primário e as escolas profissionais, e entre o secundário e estas últimas.

Um aluno que termine o 6.° ano da escola primária pode prosse- guir seus estudos nos liceus (curso secundário), nos institutos comer- ciais, nas escolas industriais ou nas normais. Pode fazê-lo, também, em outras escolas como as agrícolas, as de minas, e as técnicas femi- ninas .

Perduram, ainda, as "escolas preparatórias" ou "escolas primárias anexas aos liceus", as quais dependem da Direção Geral de Educação Secundária e educam os filhos da classe média, desejosos de fazer estudos de cultura geral no liceu. A Lei de Educação Primária Obri- gatória estabelecia sua supressão, mas elas continuam existindo, não obstante ter a educação primária melhores escolas, melhores programas e pessoal bastante idôneo.

No documento Revista Completa (páginas 55-62)