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OS DOCENTES/PROFESSORES FORMADORES E SEUS ALUNOS.

CAPÍTULO 1. ANTECEDENTES HISTÓRICOS.

1.3 OS DOCENTES/PROFESSORES FORMADORES E SEUS ALUNOS.

De acordo com o Regulamento da Escola de Educação Física do Espírito Santo (EEF-ES, 1947), o corpo docente responsável pelas disciplinas do Curso de Monitor de Educação Física e Curso de Monitores Técnicos Desportivos tinha como principais funções: Dirigir o ensino das aulas; registrar nas cadernetas de freqüência, à tinta, os comparecimentos e as faltas dos alunos; assinar, após as aulas, o livro de freqüência, registrando o assunto lecionado; avaliar os alunos de forma oral e através de provas práticas mensais e entregar, ao Diretor, com cinco dias de antecedência, os programas destinados aos exames.

Nesse período, 1947, o corpo docente da Escola tinha um número restrito de professores, principalmente na categoria professor titular-catedrático, sendo então abertas inscrições para admissão de professores assistentes e auxiliares de ensino, cujas "... funções de assistentes e auxiliares de ensino só serão preenchidas por

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pessoas habilitadas como técnicos em Educação Física e por indicação do Diretor da Escola" (EEF-ES, 1947, p. 09). Dentre os professores que receberam tal convite, posso citar Carlyle Netto e Guilma Machado Sant'anna. A professora Guilma Machado Sant'anna15 relatou 16l, a sua contratação dessa forma:

... quando eu me formei no curso de Educação Física Infantil, eu fui nomeada para o Elvicina Santos [Escola Estadual]. Naquela época, escola de primeiro grau, Maria Elvicina Santos, aí fundaram a obra social São José, dos

padres, favorianos, lá em Santo Antônio17, centro de

Vitória, (...) escola dirigida por padres, o professor Aloyr me mandou chamar no gabinete dele e me pedindo se eu queria assumir a cadeira de Educação Física lá, nos padres, favorianos, e ele sabia que eu era uma pessoa de religiosidade, eu era religiosa, eu era católica, e de uma moral que ele tinha certeza que eu não ia fazer nada que fosse difamar a Educação Física me convidou, então eu fui removida para lá, fora de concurso, de nada, por causa disso ele me convidou. E de lá foi que eu saí para fazer curso superior no Rio, quando eu voltei ele me convidou para trabalhar na Escola.

Ou seja, apesar da legislação exigir um processo de seleção, ocorria a indicação de pessoas para contratação, a convite, por parte dos antigos professores das cadeiras e do próprio diretor da Escola.

Os aprovados para o cargo de professor-assistente tinham como funções: substituir o professor efetivo; fiscalizar a frequência dos alunos, zelar pela boa ordem e disciplina dos alunos nas aulas práticas e lecionar turmas suplementares. Já os auxiliares de ensino, indicados por professores, tinham como função substituir os assistentes e auxiliar nas aulas práticas.

Analisando os currículos dos docentes atuantes nos primeiros anos da Escola; percebi que ser professor da instituição nesse período tinha a sua importância, o seu prestígio, não importava a categoria em que o docente se

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SANT’ANNA, 2002.

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Para a digitação dos relatos utilizei como fonte a letra ZapfCalligr BT. A escolha por esse tipo de fonte ocorreu devido a semelhança com a letra datilografada constantes nos documentos utilizados nesta pesquisa

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encontrava. Tal percepção advém do fato que boa parte dos docentes da EEF-ES advinham da camada economicamente favorecida da sociedade e já possuíam experiência em escolas públicas. Tudo isso em um Estado que possuía três faculdades que priorizavam a formação de bacharéis de Direito, de Filosofia e de Medicina.

Apesar disso, era difícil no período encontrar profissionais que possuíssem currículo apropriado para ministrar as disciplinas da Escola. Para sanar tais dificuldades, mesmo alguns professores que não passaram pelo processo seletivo, foram convidados a fazer parte do corpo docente da Escola, como foi o caso do professor Carlyle Netto18 que descreveu sua contratação da seguinte forma:

Eu tinha acabado de me formar na Escola de Educação Física do Exército, em 1946. Então, o diretor da Escola, o professor Aloyr Queiroz de Araújo, que era parente do comandante da Polícia Militar, .por essa influência familiar, me recrutou para a Escola de Educação Física, e eu passei a dar aula de Esgrima e de Atletismo na Escola, isso eu fiz de 1947 até 1983 quando me aposentei...

Assim como o professor Carlyle Netto, outros professores foram convidados a exercer docência na Escola, como dito anteriormente. Esses convites partiam sempre do professor Aloyr Queiroz de Araújo, diretor do Serviço de Educação Física no Estado (cargo em que ficou de 1945 a 1961)19 e da EEF-ES (1946 a 1970)20. Gerir tais órgãos era controlar de fato a Educação Física no Espírito Santo, em todos os seus níveis de ensino. Tal fato dava amplos poderes a esse professor, como afirma a professora Guilma Machado Sant'anna 21

18 NETO, 2003 19 BARROS, 1997, P 21 20 BORGO, 1995, p. 343 21 SANT’ANNA, 2002

Nesses cargos, o professor Aloyr Queiroz de Araújo estava no centro das decisões a respeito da Educação Física no Estado, pois ele, como diretor do Serviço de Educação Física no Espírito Santo, era o responsável por enviar professores da Escola ou da rede estadual de ensino para representar o Estado em seminários, cursos e eventos organizados pelo Governo Federal. De acordo com a professora Guilma Machado Sant'anna22

Ele tinha um entrosamento muito grande com a... como é que se diz? Ele sempre teve um relacionamento muito grande com as autoridades, sabe, então ele administrou o Serviço de Educação Física com a Divisão de Educação Física do Ministério, estavam sempre... de acordo, sempre em contato. Então o que aparecesse o Ministério comunicava para ele.

Ao retornarem, esses docentes socializavam o conteúdo apreendido, ainda segundo a professora Guilma Machado Sant'anna 23:

O professor Aloyr vibrava tanto com a Educação Física que quando ele era diretor da Divisão de Educação Física do Estado, que era o Serviço de Educação Física, nós tínhamos os nossos horários na Escola de segunda a sexta feira, aos sábados, nós tínhamos um encontro, no Estádio Governador Bley, todos os professores, para atualizar, atualização (...) Ele passava tudo, tudo, assim como ele exigia que a gente quando voltava era obrigado a passar (...) ele fazia tipo um seminário, entendeu, reunia os . professores todos, explanava o que ele viu, depois pedia que os professores procurassem se interarem e discutir sobre os assunto, o que podia aproveitar e o que não podia (...) os próprios professores, àqueles que saiam para fazer curso fora então ele tinha esses encontros aos sábados para passar aos colegas aquilo que se viu fora, que ainda não era conhecido aqui.(...)

Esse relato da professora Guilma Machado Sant'anna demonstra o entrosamento do professor Aloyr Queiroz de Araújo e a Divisão de Educação Física do MEC, no cumprimento da proposta de Educação Física planejada pela União.

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A mudança para o novo espaço ocorreu no ano de 1965, mesmo com as obras ainda inacabadas, pois ainda não existiam os pavilhões onde seriam ministradas as aulas de ginástica rítmica, a piscina e o ginásio de basquete. Tal fato forçou os professores a adequarem suas práticas de ensino aos espaços disponíveis para suas disciplinas.