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4 APROFUNDAMENTO DO TEMA

4.6 AS FONTES INSTITUCIONAIS

Correspondente às organizações sem fins lucrativos ou grupos sociais, a categoria

“institucional” é a segunda fonte menos ativa na cobertura do CB sobre o atendimento na rede

pública de saúde. Das 18.235 palavras computadas, apenas 633 (3,47%) correspondem a

declarações dadas por essa classe. Já quanto a todas as palavras publicadas pelo jornal durante

a cobertura, não somente as extraídas de depoimentos, 1,74% é de origem de tal conjunto.

Figura 18 – Comparação entre as fontes institucionais e as demais no decorrer dos meses.

As organizações sociais estão presentes em seis das 63 matérias lançadas pelo periódico.

Quatro delas são de janeiro e duas dos início de fevereiro. De 12 de fevereiro a 11 de abril, essa categoria não participa mais de nenhuma reportagem. Nos seis textos mencionados, atuam quatro instituições: o Sindicato Brasiliense de Hospitais, Casas de Saúde e Clínicas, por três vezes; a Associação de Funcionários do Hospital Regional de Santa Maria, o Movimento SOS HUB, de estudantes dos cursos de saúde da Universidade de Brasília; e o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal.

Mas, se por um lado as fontes institucionais participam de quase o mesmo número de matérias que as especializadas (item 4.4), por outro, a atuação dos dois grupos é bastante diversa. E isso se reflete nas estatísticas – enquanto o primeiro conta com 3,47% das declarações, o segundo alcança quase o dobro. Como mostrado no item 4.4, quando os especialistas são ouvidos pela reportagem, eles recebem um espaço significativo no texto. Isso, contudo, não acontece com as organizações sociais.

Nas oportunidades em que as instituições se manifestam, elas ficam restritas a questões

pontuais e, assim, têm pouca expressão no material jornalístico. Na reportagem “Agnelo

pedirá socorro federal” de 4 de janeiro, por exemplo, o Sindicato Brasiliense dos Hospitais

surge apenas no último parágrafo fornecendo um dado: o valor do débito acumulado pelo

GDF com a rede privada. Com isso, ele totaliza somente 27 das 764 palavras das matérias e é,

assim, a fonte menos participativa. No dia 8 do mesmo mês, em “Contratações para a saúde”,

há uma situação parecida. A Associação de Funcionários do HRSM encontra-se no penúltimo

parágrafo e fala de uma sondagem que fizera entre os servidores do hospital, sobre a intenção de continuar a trabalhar na unidade. A fala do grupo corresponde apenas a 54 das 459 palavras da matéria, o que deixa a categoria novamente na posição de menos ativa.

Em “Turbinada na saúde”, de 5 de janeiro, e “Sinal verde para contratações”, de 11 de fevereiro, repete-se o quadro. As fontes institucionais trazem apenas informações e comentários relativos a questões trabalhistas e figuram como coadjuvantes. Logo, em nenhuma das reportagens citadas, o grupo está presente no lide ou sublide. A única vez em que isso acontece é na matéria de 8 de fevereiro “Hospitais negam irregularidades”. Nessa ocasião, o Sindicato Brasiliense de Hospitais não apenas está no início do texto, como também é a fonte mais ativa, com 363 de 519 palavras. Isso ocorre porque o foco da matéria é uma suspeita de superfaturamento nos contratos firmados entre os hospitais particulares e o GDF. Como o referido Sindicato reúne boa parte das entidades privadas do Distrito Federal, é o diretor-executivo da organização, José Daher, que dá as explicações requeridas.

Nesse caso, apesar do destaque, o papel da instituição é passivo, assim como acontece em outras reportagens, pois a fonte fica restrita a dar respostas. Mas no dia 20 de janeiro, em

“GDF e UnB juntos na saúde”, o movimento SOS HUB consegue colocar seus temas de interesse no jornal, de uma maneira mais ativa. Durante a visita do governador Agnelo Queiroz ao Hospital Universitário, cerca de 70 pessoas do grupo fazem uma manifestação.

Por meio desse protesto, eles conseguem ser atendidos pelo petista e também expressar suas reivindicações no CB: a organização pede pode mais funcionários no centro hospitalar e pela reabertura do pronto-socorro. Ainda assim, a participação do movimento de estudantes é modesta na matéria. Eles somam 80 das 457 palavras, enquanto Agnelo reúne 133.

Dessa maneira, o grupo “institucional” configura-se como uma fonte acessória na cobertura do

Correio Braziliense. Graças ao poder de representar certa classe de indivíduos, como os

funcionários de um hospital, ele fornece ao jornalista informações sobre o posicionamento ou comportamento daquele contingente associado. Mas esses dados, na maioria dos casos, não chegam a ser o foco das matérias, apenas algo complementar.

4.7 O GRUPO EMPRESARIAL

Correspondente aos representantes da iniciativa privada, a categoria “empresarial” é a fonte

menos ativa na cobertura do CB sobre o atendimento na rede pública de saúde. Das 18.235

palavras computadas, apenas 151 (0,83%) correspondem a declarações dadas por essa classe.

Já quanto a todas as palavras publicadas pelo jornal durante a cobertura, não somente as extraídas de depoimentos, 0,41% é de origem de tal conjunto. No total, o grupo é ouvido em três matérias, todas lançadas em janeiro.

Figura 17 – Comparação entre o grupo empresarial e as demais fontes no decorrer dos meses.

Como tal setor relaciona-se a organizações particulares e o foco da cobertura analisada é uma questão pública, é natural essa pequena expressividade. Nas matérias das quais participam, a categoria trata apenas de dois assuntos: a contratação pelo GDF de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de centros privados e a situação do Hospital Regional de Santa Maria, administrado pela Real Sociedade Espanhola. As entidades que se manifestam nas reportagens são os hospitais privados, com destaque para o Hospital Santa Helena, e a Real Sociedade, representada pelo seu advogado.

A primeira matéria da qual o grupo participa é a de titulo “Decisão garante leitos em UTIs”,

de 7 de janeiro. Nessa ocasião, o Hospital Santa Helena comenta a situação litigiosa entre o

governo e as organizações particulares graças ao aluguel de leitos nas Unidades de Terapia

Intensiva e fala também sobre a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e

Territórios (TJDFT) a respeito do tema – o órgão determinara que os centros privados

mantivessem o atendimento dos pacientes provenientes da rede pública. Na reportagem, o

Santa Helena surge no último parágrafo e é a fonte menos participativa. Ele soma 54 palavras,

menos que o secretário Rafael Barbosa (82) e o TJDFT (68).

Também é no final do texto que aparecem os hospitais particulares em outra reportagem sobre esse assunto, lançada no dia 21 do mesmo mês com a chamada “Governo paga dívidas com UTIs”. Os hospitais ocupam as últimas dez linhas da matéria comentando a atitude do GDF de negociar o débito existente com as empresas e iniciar o pagamento do montante acumulado. No entanto, apesar de estar no encerramento da reportagem, a fonte encaixa-se no sublide, porque a matéria possui apenas dois parágrafos. Essa situação contraditória é a responsável pela única menção do grupo nos parágrafos principais do texto.

Em “Hospital reduz atendimento”, de 20 de janeiro, novamente a categoria encontra-se no final do relato. Mas o tema abordado nesse momento é outro: o convênio firmado entre o GDF e a Real Sociedade pela administração do HRSM. O advogado da organização, Renato Sampaio, comenta sobre o interesse da corporação em encerrar a referida parceria. A declaração do interlocutor corresponde a uma pequena parcela do texto, já que contabiliza somente 54 palavras, de um total de 748. A gestante Andrea Natal é a mais participativa na ocasião, com 122, seguida pela secretária de Comunicação Samantha Sallum, com 85 palavras.

Assim, na maioria das vezes, o grupo é tratado como coadjuvante. E isso se reflete na

diagramação: em nenhuma das três participações da classe na cobertura, ela recebe algum

destaque gráfico, como testemunhos ressaltados em aspas isoladas da matéria. Mesmo no

corpo da reportagem, os depoimentos do grupo não são tratados como fundamentais. Na

verdade, a decisão de colocá-los sempre no encerramento do texto deixa a entender que a

consulta ao setor privado é mais um protocolo necessário. Imperativo, pois as fontes estão

relacionadas diretamente ao assunto abordado. Mas ainda assim sem grande importância para

o desenrolar das matérias, pois a fala dos representantes da iniciativa privada não chega a

ganhar repercussão.

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