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OS ESTÁDIOS PRIMITIVOS DO COMPLEXO DE ÉDIPO

E stá im plícito n a definição fornecid a p or M elan ie K lein da p o ­ sição depressiva que o com plexo de É dip o com eça a se desen­ volver d u ra n te essa fase, da qual é p arte integrante. Q u an d o a m ãe é percebida com o ob jeto total, h á um a m u d an ça n ão ap e­ nas n a relação do bebê com sua m ãe, m as tam bém em sua p e r­ cepção do m undo. A s pessoas são reconhecidas p o r ele indivi­ dual e separadam ente, e com o tendo relações um as com as o u tras; em especial, o bebê se dá co n ta do vínculo que existe en tre seu p ai e sua m ãe. Isso p re p a ra o terren o p a ra o com plexo de É dipo. C ontudo, a p ercepção que o bebê tem das relações de o u tras pessoas é m uito diferente d a percep ção de um adulto ou m esm o de um a criança m ais velha. Como. as projeções alteram todas as suas percepções, q u an d o o bebê percebe o vínculo libi- dinal entre seus pais, p ro jeta neles seus p róp rios desejos libidi- nais e agressivos. Q u an d o está sob o dom ínio de seus pró prios im pulsos poderosos, fa n ta sia que. seus pais estão em relação sexual quase in in te rru p ta, e a n atu reza dessa relação sexual varia- de acordo com as flutuações de seus próp rio s im pulsos. F a n ta sia seus pais tro can d o gratificações orais, uretrais, anais ou genitais, de acordo com a prevalência de seus p róp rios im ­ pulsos, os quais ele p ro jeta neles. E ssa situação, em que o beb ê percebe seus pais nos term os de suas p ró p rias projeções, origi­ n a sentim entos da m ais aguda privação, ciúm e e inveja, de um a vez qu e os pais são percebidos com o dand o constan tem en te um ao o u tro precisam ente aquelas gratificações que o bebê deseja p a ra si m esm o.

A criança reage à situação p o r um aum ento de seus senti­ m entos agressivos e de suas fantasias. Os pais, em suas fa n ta ­ sias, são atacados p o r todos os m eios agressivos à sua disposi­ ção, e são percebidos n a fan tasia com o sendo destruídos. D e um a vez que a introjeção é m uito ativa du ran te esse estádio do desenvolvim ento, os pais atacados e destruídos são im edia­ tam ente in tro jetad o s e sentidos pela criança com o p a rte de seu

m u n d o in tern o . O u seja, n a situ ação depressiva, o b eb ê n ão tem de lid a r a p e n as com u m seio e u m a m ãe intern o s destruídos, m as tam b ém com o casal de pais in tern o d estruído d a situação ed ip ian a prim itiv a.

O s sonhos qu e se seguem ilu stram a situação ed ipiana p ri­ m itiva n u m a p ac ie n te m uito dep rim ida. Os sintom as de que, nessa época, ela m ais se queixava eram sen tim en to de desalento in terio r, in cap a cid ad e de in c o rp o ra r coisas, em especial sua an á­ lise, e sentim ento geral de p aralisia e fa lta de vida. C erto dia relato u três sonhos que tiv era consecutivam ente.

P r i m e i r o s o n h o : sonho u q u e estava com endo geléia de ce­ reja e tin h a u m a h o rrív e l sensação n a b o ca de que ped aços de cereja e suco esco rriam p a ra fo ra. Sentia com o se tivesse m o r­ dido p ed a ço s san grentos de algum a coisa. P en sav a que tu d o era culpa do D r. X.

Sua p rim eira associação foi que n a n oite an terio r ja n ta ra com a Srta. P e que esta lhe c o n ta ra que um certo D r. Y h avia pedido a ela p a ra d a r u m a série de conferências sobre psicolo­ gia em seu h ospital. A p acien te n ão se dava co n ta de qu alq u er ciúm e. D r. X é um h om em jo vem pelo qu al a p acien te esteve ap a ix o n a d a an tes de te r ficado d eprim ida, e de cuja esposa ela e ra in ten sam en te cium enta. A Srta. P é um a figura m uito b o a n a >vida d a p acien te e geralm ente rep resen ta o aspecto bom da a n alista e d a m ãe. M esm o q u an d o está b astan te deprim ida, a p acien te p o d e su p o rta r a presen ça da Srta. P, em bo ra sinta que n ã o p o d e estabelecer q u alq u er co n tacto real com ela ou “ to m ar algum a coisa d ela” . N a n o ite a n te rio r ao sonho, não tin h a ap e­ tite, em b o ra o ja n ta r oferecido p ela Srta. P estivesse m uito bom . S ua segunda associação com o sonho estabeleceu um a conexão en tre o D r. Y e o D r. X , e entre as conferências d a S rta. P e m in has p ró p rias conferên cias no Institu to. C on tu do, o sentim en­ to m ais fo rte do sonho dizia respeito aos pedaços sangrentos a rran c ad o s com m ordidas. Sentia que era nisso que tin h a tra n s­ fo rm a d o o ja n ta r d a Srta. P. À m edida que suas associações prosseguiam , ficou claro que a S rta. P rep resen tava a m im e à m ãe, que o ja n ta r re p resen tav a o seio e que, tão logo o D r. Y foi m encionado, suscitando n a paciente u m poderoso ciúm e edipiano inconsciente, ela sentiu que a ta c a ra o seio com seus dentes e o tra n sfo rm a ra nos ped aços sangrentos rep resen tado s p e la geléia de cereja.

S e g u n d o s o n h o : a p acien te com ia m ingau de aveia num a b o n ita tijelin h a com pequenos pássaros brancos pintados; logo, po rém , que com eçou a com er o m ingau sentiu-se enojada e ate­ m o riza d a p o rq u e encontrou nele três objetos que cortaram seus lábios e ficaram presos em sua garganta. Os três objetos eram u m a p eq u en a cruz q u eb rad a, u m a bolsa rasgada e u m a gaiola com ganchos.

A ssociou os pequenos p ássaro s da tigela com m eu nom e*. Q u a n to aos três objetos, depois de algum a resistência, associou a cruz (c r o s s) com seu p ró p rio m au h um o r ( c r o s s n e s s ) , e a bo lsa com a vagina. T ive de fo rn ecer a sugestão de que a gaiola com os ganchos rep resen tav a a vagina contendo o pênis.

E sse sonho continua a p ô r em relevo o tem a de sua inca­ p ac id a d e de “ in c o rp o ra r” , tal com o relacionada com suas difi­ culdades com o seio, quan d o defro n tad a com a situação edipia- na. A tigela de m ingau rep resen ta novam ente o seio, m as esse seio, p a ra ela, está cheio das p artes sexuais dos pais, com o se a relação sexual ocorresse exatam ente dentro do seio. A rela­ ção sexual é sentida com o m uito m á, e os pedaços dos órgãos genitais dos pais são sentidos não apenas com o danificados (a bolsa rasgada, a cruz q u e b ra d a ), m as tam bém com o vingativos e danificadores. T al com o n o prim eiro sonho, a paciente se de­ fro n ta com a situação n a qual as ansiedades edipianas parecem in terfe rir em sua in co rp o ração d a com ida b oa proveniente da m ãe e das figuras m aternas.

Esses dois sonhos ilu stram a interação entre a relação com o seio e os p roblem as edipianos — o influxo de inveja e ciúme edipianos leva a um aum ento de ataques ao seio e, com isso, a u m a inibição n a alim entação e a um aprofundam ento da de­ pressão. Inv ersam ente, havia o u tro m aterial que m ostrava como sua relação am bivalente com o seio aum entava suas dificuldades edipianas, n a m edida em que a m ãe-seio n unca tinha sido esta­ belecida com o objeto in tern o bom com o qual a paciente p u­

desse identificar-se. 7

O terceiro sonho, o co rrid o n a m esm a noite, lida com outro aspecto de sua depressão — seus sentim entos de paralisia e de-

* A p ro n ú n c ia d e Segai aproxim a-se d a de sea-gull (g aiv o ta). (N . d o T .)

salento. Nesse sonho, ela estava num a festa realizad a num ja r­ dim e viu um hom em que ia a u m bo rd el “fazer ‘jig jig’ D e­ pois, estava num lugar que parecia um jardim secreto, e viu dois pássaros, bico a bico, m as imóveis porque seus bicos estavam transfixados pelo bico de um terceiro pássaro. Os dois prim eiros pássaros eram brancos; do terceiro, que os transfixava, ela não se lem brava claram ente, m as achava que era p reto . Suas asso­ ciações foram com T h e E n d o f t h e Af f a i r , de G ra h am G reene, onde um caso de am or term ina em suicídio. É nesse livro que ocorre a expressão “fazer jig jig” ,-em conexão com um a form a degradada de relação sexual; os dois pássaros foram novam ente associado^ com m eu nome.

H avia um a grande q u antid ade de antecedentes p a ra esse sonho. A paciente costum ava ter suas sessões à noite, pois tivera de ser atendida com certa urgência e eu não dispunha de h o ra vaga durante o dia. N a sem ana anterior, fo ra possível p a ra mim m udar sua h o ra p ara outra, m ais habitual, duran te o dia; ela m e dissera quanto a alegrava pen sar que agora eu po deria passar m inhas noites com m eu m arido no jardim . O jard im secreto em seu sonho é um a referência a um livro que lera n a infância e ao qual se referira com freqüência du ran te sua análise. N as ocasiões de m aior esperança, ela tinha u m sentim ento de que havia um jardim secreto dentro dela, n o qual as coisas eram boas e vivas, e só se pudesse p en e trar nele ficaria b o a d e novo. O sonho deprim iu-a principalm ente quando ela se deu conta, ao acordar, de que em seu sonho en con trara o jardim secreto; os pássaros dentro do jardim não estavam vivos, estavam p a ra ­ lisados.

O sonho representa seu ataq ue a mim e a m eu m arido, que representam os os pais n a situação edipiana. M eu jard im , onde eu passaria as noites com m eu m arido, se to m a a festa no jardim do sonho. N ossa relação sexual se to m a u m caso sórdido, no qual meu m arido vai ao bordel “fazer o ‘jig jig’ ” e se suicida. A alternativa para essa situação é o jardim secreto; nele, ela incorpora os pais em relação sexual — os dois p ássaro s b ra n ­ cos, bico a bico — e os im obiliza, p aralisa a relação sexual deles. O jardim secreto representa seu m undo in tern o e, em especial, seu genital, no qual ela contém as figuras dos pais p a ­ ralisadas, e em identificação com elas tem de ser fríg id a e im ó­ vel. N a situação externa, não pode voltar-se p ara seu pai, que

se to rn o u um objeto sexual m uito m au, nem p a ra sua m ãe, cujo seio é sentido com o d estruído n a riv alidad e edipiana.

E sse sonho tem m ais, m anifestam ente, elem entos genitais do que os dois anterio res; tem tam bém tod as as características d e u m com plexo edipiano b astan te prim itivo, sendo o casal de pais tra ta d o de u m a m an eira típica d a po sição depressiva: ela os atac a am bivalentem ente, intro jeta-o s no m und o interno e se identifica parcialm ente com. eles. A p aralisia do casal de pais e sua idealização deles, nesse estado p aralisa d o , é um a defesa m aníaca.

A s defesas que descrevi com o pertencentes, respectivam en­ te, às posições esquizo-paranóid e e depressiva são desenvolvidas, n atu ralm en te, co n tra a situação de privação , ciúm e, inveja, agu­ d a d estrutividade e a re su ltan te depressão. A negação, a divisão

( s p l i t í i n g ) e a idealização p od em assum ir várias form as. P od e h av er u m a divisão (s p l i t í i n g) entre pais b o n s, assexuais, e pais m aus, sexuais. P o d e h av e r um a divisão ( s p l i t í i n g ) entre m ãe e pai, u m se to rn an d o ideal ao passo que o o u tro é sentido com o perseguidor. E ssa últim a fo rm a de divisão ( s p l i t í i n g ) p ode ser estreitam ente sem elhante a um a situação ed ip ian a genital, com exceção d a extrem a idealização do g enitor desejado è o extrem o ódio e perseguição experim entados em relação ao genitor rival. A lém disso, com esse? extrem os d e idealização e perseguição, o pap el de objeto ideal e perseguidor geralm ente m u d a de um dos pais p a ra o outro.

U m im p o rtan te pap el é desem penhado no com plexo de É dipo prim itivo p ela fa n ta sia dos pais com binados. E ssa fan tasia ap arece prim eiram ente q u an d o o bebê se d á con ta de sua m ãe com o objeto total, m as não diferencia p lenam ente en tre o pai e a m ãe; fan tasia o pênis ou o p ai com o u m a p a rte de sua m ãe e sua idealização dela faz com que ele a veja com o o continente de tu do que é desejável: seio, bebês, pênis ( p e n i s e s ) , .A taqu es invejosos e projeções poderh tran sfo rm ar essa figura n um pec- seguidor am eaçador.

À m edida que os pais se to rn am m ais p len am en te diferen­ ciados e sua relação sexual suscita ciúm e e inveja, a criança, com o defesa, p o d e regredir a essa fan tasia dos pais com binados. O relacionam ento dos pais é negado e, n a fan tasia onipotente, tran sfo rm ad o nu m a figura de pais com binados. A o m esm o tem ­

po , a agressividade d a cria n ça suscitada p ela relação sexual é p ro je ta d a n essa figura. O s pais, em relação sexual o d iada, tor- nam -se u m m o n stro o dioso e am eaçad or. É essa figura terrifi­ ca n te que m uitas vezes fo rm a o núcleo dos pesadelos e delírios d e perseguição d as crianças.

F ic a claro , p elo que eu disse até agora, que, de acordo com o p o n to de vista de M elan ie K lein, a crian ça tom a conhecim ento, desde m uito cedo, ta n to do genital m asculino q uan to do fem i­ nino, e que a fase fálica e a fa n ta sia d a m ulh er fálica são estru ­ tu ra s defensivas — u m a das versões dos pais com binados.

U m a figura de pais co m binad os aparece no sonho que um a paciente, em fase m an íaca, teve p ou co antes das férias de verão. E la sonhou que estava nu m a feira e que havia u m a pequena exibição. A í, u m h om em m o n stru o sam en te gordo, grávido, com enorm es dentes, exibia-se e fazia discursos. T o d o m undo p o r p e rto estava rind o e e la n ão sabia se devia te r p en a do hom em , nojo, ou se devia rir com to d o m undo. A paciente não teve asso­ ciações d iretas com o sonho — coisa p ou co com um em seu caso; p asso u g rande p a rte d a sessão atacand o-m e secretam ente com desprezo e ridículo, em b o ra não houvesse vínculo direto com a situação ridícula do sonho. C o n tu d o , p erto do fim da sessão, m encionou que acab av a de ouvir algo a m eu respeito. A lgum as sem anas antes, alguém lhe c o n ta ra que eu ia fazer u m a co nfe­ rência em C am bridge. P e n sa ra que seria num a das grandes fa ­ culdades, m as ac a b a ra de o u v ir que seria apenas u m a palestra p a ra u m a o rganização de estudantes. E ssa associação esclareceu im editam ente o sonho. A exibição era a organização de estudan­ tes e o hom em grávido e gordo qu e se exibia era eu lendo m i­ n h a p alestra. A sociedade de estudantes, à qual ela n ão p odia ir, se to rn a ra a m iserável e p eq u e n a exibição. Sabem os, a p a rtir de m aterial an terio r, que a pacien te invejava extrem am ente o fa to de eu le r m eus trab a lh o s; isso rep resen tava p a ra ela, a u m só tem po, m in h a p o tên cia m asculina e m in ha fertilidade fe­ m inina. À s vezes, m eus .trabalho s representavam bebês feitos c o n ju n tam en te, nu m a b o a relação sexual, p o r m im e p o r m eu m arido.

A situação de os pais terem b o a relação sexual e de a m ãe p ro d u z ir o b eb ê é p a ra ela o auge de u m a situação de ciúm e e inveja. E la lid a com essa situação co m bin and o os pais num a figura m onstruosa. T am b ém p ro je ta nessa figura sua p ró p ria

agressividade o ral, d o tan d o -a de dentes enorm es. T al figura era freqüentem ente experim entada p ela paciente com o sendo enor­ m em ente am eaçadora e perseguidora. T odavia, nesse sonho,

p o d e lid ar com ela pelo desprezo e ridículo m aníacos. O hom em grávido m onstruoso, en q u an to figura risível, é um a negação de seu ciúm e e inveja d a situação dos pais, um ataque a esta com desprezo e ridículo, e um a negação d a perseguição em relação a essa figura — a qual ta n to é a tac ad a quanto contém a agres­ sividade p ro jeta d a — p o r con tro le e ridículo m aníacos.

T ra ta -se, naturalm en te, de u m a situação extrem am ente p re­ cária, e sonhos posterio res m o straram que, quando o desprezo n ão p o d e ser m antido e o m edo aparece, a paciente lida com este, em sua fase m aníaca, identificando-se com essa figura am eaçad o ra; assim , algum as noites depois, ela teve um sonho em que estava claram en te identificada com um possante cam i­ nh ão cujo controle se perdia.

N o s sonhos que acabei de descrever, provenientes de p a­ cientes que estavam m uito doentes, podem os observar o estádio re alm en te prim itivo do com plexo de Édipo. Esse estádio pri­ m itivo é caracterizado pela agudeza da am bivalência, pela pre­ dom inância das tendências orais e pela escolha incerta do objeto sexual. Seria difícil concluir, a p a rtir de qualquer desses sonhos, qual dos pais é o m ais desejado e qual é tratad o com o rival. A m bos são desejáveis e am bos são odiados, e o ataque predo­ m in an te é dirigido a seu relacionam ento m útuo. N o correr do desenvolvim ento, varia a escolha entre os pais, assim com o va­ riam os objetivos libidinais e agressivos, tan to na escolha do objeto q u an to n a im portância d a zona libidinal. Os objetivos libidinais se desenvolvem a p a rtir do objetivo oral prim itivo — que é a inco rp o ração o ral do seio ou do pênis — , em seguida atrav és dos desejos u retrais e anais, até o desejo genital pleno. A g o ra estam os inclinados a p en sa r que as tendências genitais estão presentes m uito m ajs cedo do que se costum ava supor, em b o ra só m ais ta rd e predom in em no desenvolvim ento do bebê. E sse desenvolvim ento d a posição oral p a ra a genital não ocorre de m odo direto ou lin ear; h á constante flutuação. O próprio desenvolvim ento fisiológico d a criança, bem com o a frustração de seus desejos prim itivos, a im pulsionam p a ra desejos mais adiantados. A fru stração e a ansiedade que aparecem n a nova

posiçãò fazem -na regredir novam ente. Assim, há constantes flu ­ tuações, sobreposição e conflito entre diferentes desejos, até que gradualm ente a suprem acia genital seja estabelecida, e a criança tem de experim entar e elab o rar to do o im pacto do ciúm e ge­ nital. D e m odo análogo, h á constante flutuação n a escolha do genitor predom inantem ente desèjado, e já n a situação oral se estabelece a base tanto p a ra a escolha de objeto heterossexual q u an to p ara a hom ossexual.

T anto para o m enino q uanto p a ra a m enina, o prim eiro objeto de desejo é o seio da m ãe, sendo o pai percebido inicial­ m ente com o rival. C ontudo, em vista das ansiedades persecutó­ rias e depressivas experim entadas p ela criança em relação à mãe e seu seio, o pênis do pai se to rn a rapidam ente, tan to p ara o m enino quanto p a ra a m enina, u m objeto alternativo de desejo -oral, p ara o qual se pode voltar, afastando-se do seio.

P ara a m enina, essa prim eira aproxim ação oral do pênis é um m ovim ento heterossexual, que p re p ara o cam inho p a ra a situação genital e p ara o desejo de in co rp o rar o pênis em sua vagina. A o m esmo tem po, porém , contribui para suas tendências hom ossexuai", já que, nesse estádio de desenvolvim ento, o de­ sejo oral está ^inculado à incorporação e identificação, e o desejo de possuir um pênis próprio.

P a ra o m enino, a aproxim ação do pênis de seu pai com o um a alternativa p ara o seio de sua m ãe é prim ariam ente um m ovim ento para a hom ossexualidade passiva; ao m esm o tem po, porém , a incorporação do pênis de seu pai ajuda a identificação com este e, assim, fortalece a heterossexualidade.

Seria m uito com plicado en tra r em todas as com binações possíveis da relação oral com os pais e nas diversas form as com o ela se desenvolve em relação genital. É suficiente dizer que, bastante cedo, as situações orr.is são acom panhadas po r desejos anais, uretrais e genitais, e que a aproxim ação do pênis d o pai, tanto p ara a m enina q u an to p a ra o m enino, logo se de­ senvolve em situação genital, em desejo de relação sexual com o pai e desejo de receber bebês dele.

A o mesm o tem po, n aturalm en te, os sentim entos genitais crescem em relação à mãe. O anseio p o r recu p erar a relação prim itiva com o seio transform a-se em desejo de união genital; sentim entos depressivos em relação ao dano que se sente ter causado ao corpo da m ãe e ao seio constituem estím ulo p ara

o desenvolvim ento de tendências genitais, e com elas o desejo