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CAPITULO I INTRODUÇÃO

1. C ONCEPÇÕES DE ESTÁGIO

1.3. O cenário dos estágios no UNASP

1.3.5. Os estágios do UNASP

Nesse momento pretende-se apresentar o enfoque que permeava o projeto de estágios supervisionados para o curso de Pedagogia do Centro Universitário Adventista de São Paulo – Campus Engenheiro Coelho (UNASP). Para tanto faz-se necessário pensar em como tal proposta foi constituída. Começando a rememorar a constituição da proposta de estágios, pode-se dizer que ela surgiu como uma necessidade de mudar a realidade dos estágios supervisionados.

Até o ano 1999, a coordenação da Faculdade de Pedagogia ficava com a função acumulada de coordenar os estágios do curso. Neste mesmo ano, quando o Centro Universitário recebeu tal título, a nova grade do curso de Pedagogia estava sendo estreada sob a visão formadora do pedagogo generalista (habilitado para a docência e gestão com formação de 4 anos), e retirou a disciplina Prática de Ensino do currículo, deixando cada disciplina envolvida nos estágios com o acréscimo do nome “teoria e prática” (Projeto Pedagógico, p. 73-79). Com essa mudança na grade, todas as disciplinas de docência e várias de gestão teriam seu estágio específico, o que demandaria muito mais tempo de uma coordenação e até maior necessidade dela. Como vários professores participaram intensamente na formulação desta nova matriz curricular, não era novidade o fato de que haveria mudanças. No entanto, como uma construção coletiva que durou um ano com encontros semanais, havia uma expectativa positiva de nova proposta em versão melhorada e para os que não participaram das alterações, embora convidados, houve clima de confiança no trabalho do grupo, até porque muitos deles não eram pedagogos e

não se sentiam em condições de opinar muito sobre a mudança. As duas matrizes curriculares (de especialista e generalista) começaram a conviver juntas durante um período de encerramento da primeira e prosseguimento da segunda, de forma tranqüila, pois a distribuição de carga horária foi feita dentro do mesmo esquema que o anterior. Somente na questão do estágio foi que os professores começaram a se sentir desestabilizados com uma nova forma de tratar e praticar a atividade. Muitos destes docentes vinham no mesmo esquema de estágio havia anos e agora se deparavam com novas solicitações, novas configurações, o que deixou alguns bastante preocupados a princípio. Somou-se também à iniciativa das inovações da grade, uma preocupação consciente do colegiado de curso em promover a conjugação entre pesquisa, extensão e ensino.

No ano de 2000, houve o desmembramento da função de coordenador do curso de Pedagogia e coordenador de estágios supervisionados. Assim sendo, coube a mim a tarefa de coordenar os estágios estreando a função dentro de um setor específico. Até então, prevalecia a idéia de fragmentação da prática onde a Didática constava no início do curso e as Práticas de Ensino e Estágios Supervisionados no final do curso, juntamente com as especializações em Orientação Educacional, Supervisão Escolar e Administração Escolar. Mesmo com a mudança do currículo e distribuição de disciplinas ao longo do curso, o papel da prática pedagógica, permanecia num nível inconsciente, sem que houvesse planejamento reflexivo e conjunto, ficando a cargo de cada professor envolvido com as disciplinas de estágio, determinar tarefas de observação, participação e regência sem que houvesse um norte que direcionasse tais atividades pensando na formação como um todo. Inclusive as fichas cumulativas1 eram separadas e o próprio professor da disciplina era quem as verificava e dava nota. Ou seja, todos individualmente trabalhando para um “bem comum”.

Tanto na formação do especialista até o ano 2001 (na qual o egresso se forma como docente ou orientador, supervisor, administrador – em 4 anos ou mais), como na formação do generalista a partir de 2002 (na qual o aluno sai docente e gestor em pelo menos 4 anos), os alunos tinham muitas ressalvas a fazer quanto ao sistema de estágios praticado no curso de Pedagogia. Eles percebiam a fragmentação existente entre as disciplinas, alguns professores que exageravam em tarefas que muitas vezes os alunos consideravam inúteis para sua formação, a falta de relacionamento entre o curso de Pedagogia e escola de Ensino Básico dentro da própria instituição, quase que impedindo o acesso dos estagiários ao contexto escolar em função de

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As fichas cumulativas são o registro burocrático que o aluno faz ao realizar um estágio obtendo a assinatura do responsável pela supervisão daquele estágio e da Instituição na qual realizou a atividade.

burocracia excessiva para os estágios. Assim sendo, o aluno tinha maior acesso às escolas públicas da região, onde realizava projetos interessantes, que viessem a somar no contexto escolar e fazer o papel da presença da universidade junto à comunidade.

Diante desses problemas no seu conjunto, percebia-se quão tecnicista era o estágio e quão perceptiva aos alunos era esta prática difusa e talvez até confusa. Nesse sentido, com a inserção de um setor de estágios independente da coordenação do curso, teve início a busca de um referencial teórico que embasasse a questão do estágio supervisionado para que se traçassem metas para a construção de um documento que pudesse ser anexado ao projeto do curso de Pedagogia e a partir dele, iniciar as mudanças. Algumas leituras de Pimenta (1994), Piconez (1991), Buriolla (1995), entre outras, proveram o norte delineador do projeto. Posteriormente, o caminho percorrido por Freitas (1996) na Unicamp e a leitura de algumas das bibliografias apontadas por ela em sua obra levaram a uma reflexão mais amadurecida e ao surgimento de novas idéias para aperfeiçoamento do documento pretendido. Dentre todas as questões retiradas das leituras feitas, a indissociabilidade teoria / prática na perspectiva praxiológica saltou aos olhos da pesquisadora, tornando-se uma possibilidade de pesquisa e aprofundamento. Tal estudo deveria iniciar-se pelo conceito dos termos teoria / prática a fim de que eles norteassem o trabalho pedagógico sugerido no projeto de estágios em questão, bem como seu processo de implantação. No entanto, onde parecia haver uma compreensão da totalidade da formação de professores com suas políticas subjacentes e sua respectiva articulação com a proposta de estágios, era simplesmente um mero contato com um material que abria horizontes, mas que ainda não havia sido incorporado por mim enquanto coordenadora dos estágios do curso. Outras leituras iam respondendo questionamentos advindos da realidade e vivência da coordenadora e em outros momentos causavam certa desconstrução e por que não dizer confusão na tentativa de compreender o cenário assim posto. Dentre as leituras teóricas para melhor compreensão da questão da teoria e prática foi a de Vasquez. Outra leitura realizada foi a de Kosik logo após outras, sucessivamente, a fim de compreender os fatos e ao mesmo tempo objetivando a escrita do presente trabalho. A partir das leituras realizadas será tratado o assunto da visão associativa entre teoria e prática.