Capítulo 3 O sistema penitenciário do Estado do Rio Grande do Norte
3.2. Os estabelecimentos penais do Rio Grande do Norte
o Estado do Rio Grande do Norte o principal órgão da execução penal é a Coordenaria de Administração Penitenciária (COAPE). Este órgão está diretamente subordinado à Secretaria de Justiça e Cidadania (SEJUC). Ele é responsável pela administração do sistema carcerário estadual. Entre outras, suas atribuições são: planejar e executar as políticas implantadas nas unidades penais; definir a destinação dos estabelecimentos penais; fiscalizar a execução penal nos estabelecimentos penais; manter o controle sobre os estabelecimentos penais, bem da população carcerária do RN.
Consoante definição do Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias, os estabelecimentos penais são todos aqueles utilizados pela Justiça, com a finalidade de alojar as pessoas presas, a título provisório ou com sentença definitiva, ou ainda aquelas que estejam submetidos à medida de segurança. Consoante esse órgão, os estabelecimentos penais são classificados em:
a) estabelecimentos para idosos: são estabelecimentos, secções ou módulos
autônomos, incorporados ou anexos a estabelecimentos para adultos, destinados a abrigar pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.
b) cadeias públicas: são estabelecimentos destinados ao recolhimento de
pessoas presas, em caráter provisório, ou seja, que ainda não foram julgadas.
c) penitenciárias: são estabelecimentos destinados à reclusão de pessoas
presas, com condenação à pena privativa de liberdade, em regime fechado. As penitenciárias são classificadas como:
c.1) penitenciárias de segurança máxima especial: são estabelecimentos
destinados a abrigar pessoas presas, de alta periculosidade, com condenação definitiva à pena privativa de liberdade, em regime fechado, dotados exclusivamente de celas individuais e equipamentos de segurança que permitem o monitoramento especial do reclusos.
c.2) penitenciárias de segurança média ou máxima: são estabelecimentos
destinados a abrigar pessoas presas com condenação definitiva, à privação de liberdade, em regime fechado; são dotados de celas individuais e coletivas.
d) colônias agrícolas, industriais ou similares: são estabelecimentos
destinados a abrigar pessoas presas que cumprem pena em regime semi- aberto.
e) casas do albergado: são estabelecimentos destinados a abrigar pessoas
presas que cumprem pena privativa de liberdade, em regime aberto, ou pena de limitação de fins de semana.
f) centros de observação criminológica: são estabelecimentos, de regime
fechado e de segurança máxima, onde devem ser realizados os exames gerais e criminológicos, cujos resultados serão encaminhados às Comissões Técnicas de Classificação, as quais indicarão o tipo de estabelecimento e o tratamento adequado para cada pessoa presa.
g) hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico: são estabelecimentos
penais destinados a abrigar pessoas submetidas à medida de segurança. Ou seja, aquelas pessoas consideradas inimputáveis, não podendo, portanto, serem recolhidos em penitenciárias.
Os estabelecimentos carcerários em funcionamento no RN são a Penitenciária Estadual de Parnamirim, localizada no município de Parnamirim; a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada no município de Nísia Floresta; a Penitenciária Complexo Penal João Chaves, localizada na zona norte do município de Natal; a Penitenciária Regional do Seridó, localizado no município de Caicó; a Colônia Agrícola Dr. Mário Negócio, localizada no município de Mossoró; o Presídio Regional de Pau dos Ferros, situado no município de Mossoró; a Unidade Psiquiátrica de Custódia e Tratamento localizada na zona norte da capital, além de três cadeias públicas localizadas nos municípios de Natal, uma em Caraúbas e uma Mossoró.
Nos estabelecimentos penais do RN são desenvolvidas diversas atividades laborais, artísticas, oficinas e cursos, nem sempre vinculados a uma finalidade econômica, tais como, o projeto Mente Livre executado na penitenciária Parnamirim89, e o Teatro do Oprimido, estendido a quase todas as penitenciárias do estado.
Na penitenciária agrícola Dr. Mário Negócio, no município de Mossoró, encontramos um projeto de apicultura, onde é produzido mel de abelha, destinado à comercialização. Paralelamente, funcionam um setor de panificação e duas pequenas fábricas, produzindo detergentes e velas. Há oficinas destinadas ao conserto de cadeiras, à produção de sandálias, à confecção de artesanatos e às atividades do grupo teatral “Teatro dos Oprimidos”. Já na penitenciária de Alcaçuz, funcionam uma fábrica de bolas de futebol e um projeto de capacitação profissional, em parceria com o Sistema Nacional de Empregos.
O complexo penal Dr. João Chaves é destinado, particularmente, aos condenados que cumprem pena em regime semi-aberto e aberto. Em regime fechado funciona apenas o pavilhão feminino, onde foram desenvolvidos, entre os anos de 2005 e 2006, cursos de bijuteria, pedraria, “fuxico”, arte em retalhos e de alfabetização. Em novembro de 2005 foi realizado um desfile de modas para expor os modelos criados pelas reclusas. No setor masculino, destaca-se projeto “Vida e Esperança”, coordenado pela Dra. Lena Rocha (juíza da vara criminal, da zona norte do Natal), cuja finalidade é o de oferecer empregos aos reclusos, por meio de convênios com empresas privadas, bem como a captação de financiamento para viabilizar pequenos empreendimentos dos apenados inseridos no projeto.
O Complexo Penal Dr. João Chaves é a penitenciária mais antiga do estado do RN. Sua construção foi iniciada em 1959, durante o governo do Dr. Sílvio Pedroza e concluída em 1968, durante o governo do Mons. Walfredo Gurgel. Em agosto de 2006, esse estabelecimento foi parcialmente
89 As atividades e projetos desenvolvidos na penitenciária de Parnamirim serão descritas e
desativado. Toda a ala destinada aos reclusos que cumpriam pena em regime fechado foi desativada e destruída, em decorrência da falta de segurança e das condições precárias de sua estrutura física. Todos os presos que cumpriam pena em regime fechado foram distribuídos entre as penitenciárias de Parnamirim e Alcaçuz.
Na penitenciária de Pau dos Ferros estão em execução os cursos de alfabetização e supletivo, destinados aos reclusos analfabetos ou àqueles que não possuem ensino fundamental. Os outros projetos são de jardinagem, confecção de artesanato e manutenção hidráulica. Na Penitenciária Estadual do Seridó, encontra-se em execução um curso de alfabetização de adultos, com a adoção do método Paulo Freire, e a oficina de teatro e artesanato. Há, ainda outros projetos que já foram aprovados pelo DEPEN/Ministério da Justiça, mas os recursos não foram liberados, a exemplo do projeto de criação da “Escola Penitenciária do RN”, coordenado pela ouvidora do sistema penitenciário, Drª. Gilmar Veras, cujo objetivo é investir na qualificação profissional do agentes penitenciários.
II . PARTE
RETRATOS DA REALIDADE PRISIONAL DENTRO DA PENITENCIÁRIA ESTADUAL DE PARNAMIRIM