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5 O TRAJETO PERCORRIDO

5.1 Os estudos analisados

Do total dos 26 estudos analisados, descritos anteriormente no Quadro 5, 25 são dissertações e apenas uma tese. Conforme mostra o Gráfico 1, a única tese incluída nesta pesquisa foi produzida em um programa de doutorado acadêmico . 96,2% dos estudos90

analisados foram dissertações, sendo que mais da metade foi produzida em cursos de mestrado profissional.

Gráfico 1​ - Distribuição dos estudos por tipo de programa de pós-graduação

Fonte: Elaborado pelo autor.

90 A expressão ​doutorado acadêmico passa a fazer sentido devido à instituição da modalidade de ​doutorado profissional em 2017 pelo Ministério da Educação e regulamentada em 2019 pela Portaria nº 60/2019 da

CAPES. Disponível em:

<http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=22/03/2019&jornal=515&pagina=26>. Acesso em 04 jan. 2020.

A natureza aplicada do problema desta pesquisa, que busca descrever as possíveis contribuições dos estudos de letramento científico para as práticas de pesquisa na Educação Básica, parece, à primeira vista, encontrar ressonância no contexto de produção de mais da metade das dissertações incluídas neste estudo, que foram produzidas em cursos de mestrado profissional, em que se exige a elaboração e o desenvolvimento de produtos educacionais. Após análise esses estudos, merece destaque a atuação de alguns programas e orientadores. O Programa de Pós-Graduação em Letras e Programa de Mestrado Profissional em Letras, ambos da Universidade Federal do Tocantins (UFT), produziram quatro dissertações incluídas nesta pesquisa, todas orientadas pelo Prof. Dr. Wagner Rodrigues Silva. Outros dois programas de mestrado profissional se destacam com três dissertações cada: o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com destaque ao Prof. Dr. Elton Casado Fireman, que orientou as três dissertações, e o Programa de Pós-Graduação em Educação para Ciências e Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG). Essas são as instituições que mais produziram estudos de letramento científico voltados às práticas de pesquisa na Educação Básica. Outras 14 instituições tiveram produções incluídas no período investigado, conforme se pode conferir no Gráfico 2.

Gráfico 2​ - Distribuição dos estudos por instituição

Fonte: Elaborado pelo autor.

Conforme pode-se verificar no Gráfico 3 a seguir, houve um aumento significado dos estudos de letramento científico que propõem ou investigam práticas de pesquisa na escola. A partir dessa tendência de aumento do número de teses e dissertações publicadas sobre o tema no campo, é possível projetar um crescente interesse na pesquisas sobre letramento científico no contexto da Educação Básica.

Gráfico 3​ - Distribuição dos estudos por ano

Fonte: Elaborado pelo autor.

Ao analisarmos as áreas de pesquisa aos quais programas de pós-graduação estão vinculados, percebemos que a maioria dos estudos são relacionados às Ciências da Natureza e Ciências Exatas. Somados, os programas nessa área totalizam 16 estudos. Os outros trabalhos foram produzidos em programas relacionados às áreas de Educação e Letras sendo, respectivamente, 6 e 4 estudos incluídos nesta pesquisa.

A predominância do termo ​alfabetização científica pode ser interpretada como um reflexo dessa predominância das Ciências Naturais e Exatas, que preferem essa expressão como tradução de ​scientific literacy​. 20 estudos utilizam ​alfabetização científica enquanto 6 usam​letramento científico​; destes, 4 foram publicados na área de Letras, 1 na área de Ensino de Ciências e 1 em Educação Tecnológica.

A partir de uma leitura interpretativa das teses e dissertações, classifiquei as contribuições desses estudos em duas categorias ​pesquisa no contexto de sala de aula e

pesquisa no contexto de iniciação científica, feiras de ciências e clubes de ciências ​,

distribuídas da seguinte forma no Gráfico 4, a seguir.

Gráfico 4​ - Distribuição dos estudos por categoria

Fonte: Elaborado pelo autor.

Nessa primeira categoria de estudos intitulada ​pesquisa no contexto de sala de aula​,

considerei os trabalhos que propuseram ou investigaram práticas de pesquisa que foram conduzidas no contexto das aulas dos componentes curriculares, seja como o desenvolvimento de uma abordagem específica ou como um projeto de pesquisa para resolver algum problema. Dos 26 estudos analisados, 20 estão nessa categoria (OLIVEIRA, 2010; BRITO, 2014; DEL CORSO, 2014; GOULART, 2014; BAPTISTA, 2015; ISSA, 2015; MAGALHÃES, 2015; AZEVEDO, 2016; CARVALHO, 2016; GRANDI, 2016; NASCIMENTO, 2016; REIS, 2016; CARDOSO, 2017; LOPES, 2017; SILVA, E., 2017; COSTA, 2018; SILVA, 2018; LORENZON, 2018; MARTINS, 2018; TEDESCHI, 2018).

E, na segunda categoria intitulada ​pesquisa no contexto de iniciação científica,

feiras de ciências e clubes de ciências ​, considerei os trabalhos que propuseram ou

investigaram práticas de pesquisa que foram conduzidas especificamente nos contextos destacados. Nessa categoria estão 6 trabalhos (GHEDIN, 2013; ARAÚJO, 2015; SANTOS, 2015; FERNANDES, 2016; SANTOS FILHO, 2018a; TEODORO, 2018).

Conforme se pode ver no Gráfico 5, a etapa da Educação Básica que mais recebeu investigação dos estudos de letramento científico foi o Ensino Fundamental, com destaque aos Anos Iniciais com 11 produções. 8 trabalhos foram desenvolvidos no contexto dos Anos Finais do Ensino Fundamental e 7 no Ensino Médio, sendo um deles um curso técnico. Um dos trabalhos investigou práticas tanto nos Anos Finais do Ensino Fundamental como no Ensino Médio (por essa razão, a soma dos valores nesse gráfico é 27, e não 26, número total de estudos analisados). Merece destaque o interesse dos pesquisadores pelas duas etapas iniciais da Educação Básica: a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. Se somados, os trabalhos desenvolvidos nesse contexto representam 74% do corpus analisado, totalizando 19 estudos.

Gráfico 5​ - Distribuição dos estudos por etapa da Educação Básica

Fonte: Elaborado pelo autor.

A partir dessa visão geral das pesquisas — onde foram desenvolvidas (universidade e tipo de curso de pós-graduação: acadêmico ou profissional), em quais contextos (sala de aula ou iniciação científica, feiras de ciências e clubes de ciências) e em relação a quais etapas da Educação Básica (Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio), na próxima seção exponho e discuto os trabalhos de maneira particular considerando os dois contextos em que foram desenvolvidos, entendendo, como discutido na seção 3, que os objetivos das práticas de pesquisa podem variar em atividades curriculares e não curriculares.