3 DE QUEM ESTAMOS FALANDO? RELAÇÕES ENTRE OS PENTECOSTAIS, O CONSUMO E A IDENTIDADE
3.2 Os evangélicos e suas particularidades no Brasil
Antes de adentrarmos nesse tema, queremos esclarecer que grande parte dos dados utilizados nesta fase do trabalho foi divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2010. Apesar de já ter se passado quase uma década desse período, utilizamos essa pesquisa, pois foi a última compilada e compartilhada por uma instituição consolidada acerca dos dados demográficos da população evangélica brasileira – devemos lembrar que o Censo do IBGE é realizado a cada dez anos e o último só foi divulgado em 2012. Quando possível, iremos aliar a esta pesquisa dados mais recentes de instituições terceiras, mas que também apresentam, em certo nível, confiança e credibilidade.
21
Aqui encaramos como o consumo das coisas que não são religiosas ou que vão de encontro aos ensinamentos da religião específica em si. Entendemos por secular as coisas que não dizem respeito ao sagrado, mas ao âmbito terreno, que se opõe ao que é religioso. E, por sagrado, as coisas que se referente ao povir, a vida que espera os crentes na eternidade, as coisas relacionadas ao Deus cristão.
Segundo Teixeira (2014), a diversidade religiosa no Brasil vem sendo favorecida pelo importante crescimento evangélico nas últimas décadas. Esse segmento específico, que em 1940 representava apenas 2,6% dos declarantes, teve significativa ampliação dos anos de 1970 a 2010. Em 1970, eram 6,6%; em 1980, 9%; em 1991, 15,4% e, em 2010, como veremos mais adiante, 22,2%. O último censo22 indicou cerca de 42 milhões de evangélicos. Só entre 2000 e 2010 houve um aumento de 16 milhões de adeptos, chegando à marca de 4 mil novos fiéis por dia. Mas quais serão as características e particularidades desse grupo que segue em contínua ascensão no Brasil?
Quando falamos em igreja evangélica brasileira, surgem dois problemas principais. Primeiro, por que no Brasil, os cristãos que não são católicos são muito mais conhecidos como ‘evangélicos’ do que como protestantes ou apenas cristãos, como no restante do mundo? E segundo, como podemos entender a aparente ‘contradição’ que é pensar em uma ‘igreja evangélica brasileira ou no Brasil’, quando sabemos que esse grupo não é formado por uma só igreja, mas por muitas que sobrevivem em contextos, formas e a partir de características muito diferentes – inclusive concorrendo entre si?
A começar pela nomenclatura a que são chamados os cristãos não católicos no país. Na Europa e nos Estados Unidos, principalmente, essas pessoas são conhecidas e se autoidentificam como cristãos apenas, sendo de importância secundária a denominação a qual pertencem. No Brasil, os cristãos protestantes foram inicialmente chamados de ‘crentes’, o que logo se tornou um conceito pejorativo, fazendo com que preferissem se identificar posteriormente como ‘evangélicos’ – aqueles que seguem o Evangelho de Cristo, que têm uma vida evangélica. Sendo essa uma denominação empregada para colocar os protestantes em contraste com os católicos, pois acreditavam que tinham recuperado o verdadeiro e bíblico Evangelho, durante a reforma (HORTON, 2011).
Assim, segundo Mendonça (2011), esse termo ganhou popularidade e hoje é utilizado amplamente pelos veículos de comunicação, pela academia e pelas próprias igrejas. Mas, além de se autodenominar evangélico, parece muito importante para o protestante brasileiro informar a qual igreja é filiado, como se assim o interlocutor fosse rapidamente entender o modo de viver daquele indivíduo e
22
A pesquisa está disponível no portal de internet oficial do IBGE em: <https://bit.ly/2thM353>. Acesso em: 15 out 2018.
com quais coisas ele se identifica. Talvez mais do que a própria religião, a denominação a qual o fiel pertence revela a identidade do sujeito evangélico. Porém, isso nem sempre foi assim.
Logo que ocorreu a Reforma Protestante – na qual adentramos na segunda problematização, havia certa homogeneidade entre os reformadores. Segundo Horton (2011) a Reforma era uma coleção de “Solas” (do latim que significa “somente”). Os cristãos daquele grupo vibravam ao afirmar: (1) “Sola Scriptura” – “Somente as Escrituras”. A Bíblia seria a única regra de fé e prática e todos os cristãos deveriam ter acesso a ela, estudá-la e chegar a um consenso quanto à sua interpretação. O ponto chave dessa primeira proposição é que a Igreja não poderia criar novas regras ou doutrinas fora das Escrituras. Não deveria haver novas revelações nem seguidores de pessoas que diziam ouvir coisas diretamente de Deus.
O segundo “sola” era o (2) “Solo Christus” – “Somente Cristo”, o que queria dizer que os reformadores acreditavam na ideia e concepção da Trindade (Pai, Filho e Espirito Santo), mas que somente Cristo era o mediador entre Deus e os homens e que só Ele era o autor da salvação, em razão do seu sacrifício na cruz. (3) “Sola Gracia” – “Somente a Graça”, era a terceira proposição, que afirmava que sem a graça ninguém poderia ser salvo. Os reformadores acreditavam que a graça não era uma substância que Deus dava aos crentes, mas uma atitude Dele para com estes, que os aceitava como justos por causa da santidade de Cristo. O quarto “sola”, (4) “Sola Fide” – “Somente a Fé”, comentava que, se todos só eram salvos pela graça, a mesma por sua vez, só era obtida por meio da fé. A salvação não seria por meio de boas obras, não seria por meio de indulgências, mas a partir da fé em Jesus Cristo. No momento em que alguém confessasse Jesus Cristo como seu Salvador e decidisse ter uma vida de santidade e viver conforme a Bíblia, estaria salvo e destinado à eternidade;
Finalmente, o quinto “sola” (5) “Soli Deo Gloria” – “Somente a Deus seja a glória”, era a forma encontrada para afirmar que um evangélico deveria ser centrado em Deus, alguém que estava convencido de que Deus havia feito tudo e não restava nada que o homem considerasse seu ao não ser o próprio pecado. Dito isso, os evangélicos que haviam participado da Reforma conservavam esses aspectos em comum, mas com o passar de 500 anos, muito mudou. Hoje, protestantes são
consideradas as igrejas que surgiram durante a Reforma, ou mesmo posteriormente a ela, mas que têm em Cristo o único Salvador. No entanto, atualmente essas instituições não são, nem de longe, um grupo homogêneo, pelo contrário, são formadas por muitas diferenças que culminam em centenas de denominações distintas.
Conforme Horton (2011), muitos dos evangélicos atualmente têm uma visão das Escrituras inferior ao que a Igreja da reforma tinha no século XVI. Algumas igrejas duvidam da infalibilidade da Bíblia, aceitam outros mediadores que não Cristo na sua relação com Deus, e acreditam que apenas a fé não é suficiente. Muitas vezes a autoestima, a própria glória e a centralidade do ‘eu’ permeiam as pregações das igrejas evangélicas atualmente. Para deixar a situação ainda mais complexa, ao contrário da Igreja Católica, onde há uma hierarquia e uma estrutura que responde a um líder máximo – o Papa, a Igreja Evangélica é composta por inúmeras células menores, cada uma com sua própria liderança, doutrina e características.
Por isso, a real dificuldade dos pesquisadores e teóricos acerca desse tema é o de inserir em uma única conceituação, um caldeirão de centenas de grupos que são tão independentes e distintos uns dos outros. No entanto, apesar dessas inúmeras diferenças, que veremos com maior cuidado posteriormente, há algumas definições que podem ser encontradas em todas essas igrejas acerca do que é ser evangélico, como: confessar Jesus Cristo como seu único Salvador e não adorar imagens nem esculturas. Mas, conforme sustenta Lienesch (1993 apud CASTELLS, 1999), na essência do pensamento cristão, evangélico, há o conceito de conversão, ato de fé e perdão pelo qual os pecadores renascem para uma nova vida em Cristo. Nesse processo, toda a personalidade do indivíduo passa por uma reconstrução, tanto do ponto de vista individual como de ordem social. O ‘crente’ passa a fazer parte de uma comunidade e deve caminhar junto com ela, compartilhando os mesmos hábitos.
Segundo Berkhof (1990, p. 478-579, apud PATRIOTA; ANSELMO, 2015), a conversão corresponde a uma experiência consciente de mudança de vida e pode ser compreendida através de vocabulários bíblicos como os hebraicos nacham,
shubh, que significam respectivamente “arrepender-se”, “voltar-se, retornar” e o
grego, “metanóia”, cujo significado principal é a mudança de mente. Ainda conforme o autor:
Converter-se não é apenas passar de uma direção consciente para outra, mas fazê-lo com uma aversão claramente percebida para com a direção anterior. Noutras palavras, metanóia tem, não somente um lado positivo, mas também um lado negativo: olha retrospectivamente e também prospectivamente (...) É uma mudança que tem suas raízes na obra de regeneração, e que é efetuada na vida consciente do pecador pelo Espírito de Deus; mudança de pensamentos e opiniões, de desejos e vocações, que envolve a convicção de que a direção anterior da vida era insensata e errônea, e altera todo o curso da vida. (BERKHOF, 1990, p. 479-481).
Visto a imensidão do campo evangélico no Brasil, é preciso de alguma forma classificá-lo para podermos ao menos identificar as diferenças e semelhanças entre cada grupo. O IBGE já possui uma classificação segundo a origem doutrinária das igrejas. O órgão divide as igrejas evangélicas do Brasil em: Tradicionais (históricas ou missionais), Pentecostais (incluindo os grupos neopentecostais) e outras (denominadas de Origem Não Determinada). A seguir gráfico com sua representatividade no Brasil:
Gráfico 4 – Representação das principais religiões e correntes evangélicas no Brasil em 2010, último censo disponível.
Fonte: Censo IBGE (2010).
Para este trabalho, a fim de não adentrarmos em discussões acerca das múltiplas definições em que são classificados os evangélicos, iremos trabalhar com
Católicos
Sem Religião Outras Religiões De origem Pentecostal Tradicionais Outros Evangélica
as mais recorrentes, por serem expressivas em termos numéricos, a partir da divisão proposta pelo IBGE, porém, tratando as Igrejas Neopentecostais como um subgrupo da primeira (como uma denominação originada da primeira) sem considerá-la igual, mas com suas particularidades, como propõe autores como Mendonça (1990), Mariano (1999, 2005) e outros. Para o nosso estudo sobre o consumo dos evangélicos, quanto mais específicos formos para destrinchar suas identidades, mais assertivos serão os nossos resultados. E para que possamos clarear tais classificações, passaremos a descrever, a seguir, de forma sintética, as principais características dos três grupos aqui citados, mesmo que nosso objeto de pesquisa seja a denominação pentecostal, na qual iremos nos demorar mais um pouco, mais adiante.
A começar pelas Igrejas Tradicionais. Elas compreendem as chamadas Igrejas Históricas/Missionais que se originaram na Reforma Protestante ou bem próximo dela. Mais rígidos na interpretação da doutrina, os evangélicos tradicionais não aceitam as experiências sobrenaturais e dão forte ênfase ao ensinamento teológico e ao trabalho social. Segundo Mendonça (2005, p. 52), o membro dessa denominação “professa uma religião individual, de consciência, que se inspira na interpretação direta e pessoal da Bíblia e pauta suas ações na ética racional do trabalho e na moral burguesa vitoriana”. As igrejas são mais conhecidas como comunidades de fé, onde os crentes aprendem mutuamente. A disciplina se prende mais à questão da ética e da moral, não se preocupando com a rigidez em termos de usos e costumes, como vestimentas e adornos.
Sobre os pentecostais, Mariano (2005), a partir também de outros autores, como Freston (1993) e Bittencourt (1991), os classificam em três ondas: a) o pentecostalismo clássico, composto pelas primeiras igrejas desse ramo no Brasil - Assembleia de Deus e a Congregação Cristã; b) o deuteropentecostalismo ou segundo pentecostalismo, do qual surgiram as igrejas Deus é amor, Brasil para Cristo e Quadrangular. E a terceira e última onda, o Neopentecostalismo que discutiremos posteriormente. Esse grupo religioso (pentecostal) surgiu em 1901 quando alguns membros de igrejas protestantes relataram ter recebido a ‘visita’ do Espirito Santo e passaram a falar em línguas, sendo excluídos de suas igrejas originais e dando início a outras. A grande ênfase teológica dos pentecostais é o
dom de línguas/do Espirito Santo23 e de cura24. O membro dessa denominação acredita ser cheio do poder de Deus, ter dons sobrenaturais e é bastante preocupado com as vestimentas e os costumes.
Por fim, as neopentecostais, como já dito anteriormente, são igrejas oriundas do pentecostalismo original, surgindo sessenta anos após o mesmo, a partir da Igreja de Nova Vida. Dão bastante ênfase ao louvor e são mais flexíveis teologicamente25. É o grupo que mais cresce atualmente no Brasil, o que pode ser resultado do maciço investimento na mídia, a exemplo da Igreja Universal do Reino de Deus e da Igreja Internacional da Graça de Deus (SANTOS, 2014). Segundo Portela (2003), é onde o Evangelho é propagado e demonstrado por sinais e maravilhas sobrenaturais. O dom de línguas, nesse grupo, recebeu menor ênfase do que o de profecias e de libertação de demônios, curas e realização de efeitos especiais e sobrenaturais. O membro dessa igreja crê na cura divina, no misticismo e rejeita o ecumenismo, é praticante da teologia da prosperidade e é mais liberal em áreas como vestuário e embelezamento (FRESTON, 1993 apud MARIANO, 2005).
Como já discorreu Mariano (2005), quando dividimos e classificamos os denominados evangélicos, podemos demarcar ideologias, seus vínculos institucionais e delinear suas principais características. Somos capazes de confrontar suas diferenças e percebermos suas semelhanças. Nosso objetivo aqui, através dos autores já demonstrados, não é revisar uma construção tipológica que dê conta desse universo religioso tão complexo, mas de ordenar o máximo possível
23A inspiração para o nome “pentecostal/pentecostais” é originada no dia de Pentecostes bíblico –
quinquagésimo dia após a Páscoa. Nesse dia, na Bíblia, em uma reunião de oração dos discípulos e primeiros cristãos, foi ouvido um vento impetuoso, quando o Espirito Santo desceu sobre aquele lugar e as pessoas ali reunidas começaram a falar em línguas estranhas. Por isso os pentecostais têm em sua doutrina o falar em línguas ou dom do Espirito Santo que são sinônimos – pois eles acreditam poder realizar essas coisas. No entanto, não são todos os membros dessa denominação que possuem esse dom ou conseguem falar em línguas, o que gera certa rivalidade sobre quem é mais ou menos espiritual por possuir ou não esse dom. Mais informações disponíveis em: <https://bit.ly/2BLxjRD>. Acesso em: 10 dez. 2018.
24
Os pentecostais também acreditam que lhes foi dado o poder para curar, tanto fisicamente, mentalmente quanto espiritualmente as pessoas, com base principalmente em Marcos, capítulo dezesseis, versículos dezessete e dezoito, onde Jesus afirma “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados." (Marcos 16: 17-18). Mais informações disponíveis em: <https://bit.ly/2DYIAzE>. Acesso em: 10 dez. 2018.
25 Em alguns casos, consideradas ‘rasas’ em termos teológicos. Igualmente são classificadas como
‘pentecostalismo autônomo’. Mariano (1995) aponta três características dessas igrejas: 1) ênfase na guerra contra o Diabo e seu séquito de anjos decaídos, identificados principalmente com os cultos afro-brasileiros e espíritas; 2) pregação e difusão da Teologia da Prosperidade e 3) liberalização dos estereotipados usos e costumes externos de santidade.
a realidade, tornando-a passível de análise (MARIANO, 2005). Como já dito, é fundamental para este trabalho lidar com as especificidades das denominações evangélicas para só assim poder entender sua influência na identidade e comportamento de consumo dos seus seguidores.
Voltando à divisão do protestantismo no País, sobre o quantitativo da presença evangélica no Brasil, o Censo IBGE 2010, apresenta cerca de 22,2%26 de evangélicos, um aumento de quase 7% em relação ao Censo anterior (1990) e de 20% em relação aos últimos 60 anos, no Censo de 1959. No cenário brasileiro, os pentecostais respondem por mais de dois terços do total de evangélicos, com base no censo de 2010, chegando hoje a 13,3%. Esse grupo teve um crescimento bastante surpreendente, passando de oito milhões para 25 milhões da população entre 1991 e 2010, abarcando quase a totalidade do território nacional, segundo Teixeira (2014).
Ainda conforme o autor, a dificuldade da precisão analítica nos dados sobre os evangélicos se deve em parte à grande quantidade de evangélicos classificados na categoria ‘não-determinados’. Alguns estudiosos os identificam como aqueles evangélicos que exercem a crença fora das instituições ou mesmo que se consideram pertencentes a múltiplas igrejas. Reagindo a essa questão, o teólogo Altmann (2010 apud TEIXEIRA, 2014) afirma que esse contingente ‘adicional’ pode prejudicar a percepção real dos números referentes às Igrejas Pentecostais e também às Tradicionais, que provavelmente ficam subcontabilizadas.
A seguir, para fins de melhor entendimento, apresentamos um quadro explicativo com o resumo do que tratamos até aqui:
26
De acordo com o Instituto Datafolha, segundo levantamento realizado em todo o País em 2014, o número total de evangélicos chega a 29%, sete pontos percentuais a mais do que o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou. Ainda segundo essa pesquisa, o ritmo de crescimento da população total é de 1,21% ao ano, o de católicos, 1,28%, o de evangélicos, 2,12% e o de pentecostais, 2,20%. Disponível em: <https://bit.ly/2iarogP>. Acesso em: 5 de dez. 2018.
Quadro 3 – Classificação da religião evangélica pelo IBGE e índice de adeptos no Brasil. Evangélicos são 22,2% da população brasileira e se dividem em:
Classificação Igrejas Características %/evan
g27 %/pop 28 Igrejas Evangélicas Tradicionais (Históricas ou Missionais) Batista, Adventista, Luterana, Presbiteriana, Metodista, Congregacional, Anglicana e outras.
Prezam pela ética e moral, não se preocupando com a rigidez em termos de usos e costumes, como vestimentas e adornos. 27% 4,1% Igrejas Pentecostais Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Evangelho Quadrangular, Deus é Amor, O Brasil para Cristo, Casa da Benção, Nova Vida e outras. Acreditam ser cheios do poder de
Deus, ter dons sobrenaturais e são bastante preocupados com as vestimentas e os costumes. 68% 13,3% Igrejas Neopentecost ais Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra e outras. Creem no misticismo e rejeitam o ecumenismo, são praticantes da teologia da prosperidade e é mais liberais em áreas como vestuário e beleza. Igrejas de Origem Não Determinada. As igrejas não determinadas ou sem vínculo institucional. Não se enquadram em características pré-determinadas. 5% 4,8%
Fonte: Censo IBGE, 2010. Autoria própria.
27
Porcentagem das denominações em relação ao total de evangélicos no País.
28
No quadro, as Igrejas Pentecostais, incluindo as Neopentecostais, representam 68% dos evangélicos e 13,3% da população, seguidas das Igrejas Tradicionais que representam 27% e 5% respectivamente. Abaixo, segue gráfico sobre as dez igrejas29 com mais membros no Brasil. Iremos perceber que a Assembleia de Deus, de origem pentecostal está em primeiro lugar com cerca de 12 milhões de membros. O crescimento dessa igreja nos anos de 2000 foi na ordem dos quatro milhões de fiéis. O que impressiona nessa denominação é o seu potencial de alcançar os lugares mais extremos do País, fazendo com que mesmo nos locais mais longínquos haja uma igreja. A isso, segundo Almeida (2005), soma- se a capacidade de criar laços e gerar confiança para com os membros.
Gráfico 5 – As dez maiores igrejas evangélicas do Brasil.
Fonte: Censo IBGE 2010.
No gráfico, a Assembleia de Deus é seguida da Igreja Batista (tradicional – porque existem também Igrejas Batistas renovadas30 de caráter pentecostal), com
29
Não podemos esquecer que as igrejas de origem ‘não determinada’ contemplam cerca de 5 milhões de membros, de acordo com IBGE 2010.
30
Renovadas é uma categoria criada pela pesquisa Novo Nascimento (Fernandes, 1996) do ISER (Instituto de Estudo das Religiões) para classificar as denominações que oriundas de cisões de igrejas protestantes ocorridas desde os anos de 1960, se autodenominam de renovadas e assim como os pentecostais, defendem a crença na contemporaneidade dos dons do Espirito Santo. Renovadas são, portanto, as igrejas protestantes tradicionais que adotam a teologia pentecostal e
0 5.000.000 10.000.000 15.000.000 Assembleia de Deus Batista Congregação Crista Universal Quadrangular Adventista Luterana Presbiteriana Deus é Amor Maranata
aproximadamente 5 milhões de membros. Ainda que ocupem 1º e 2º lugares respectivamente, a diferença, como podemos perceber, é bastante grande. Apesar do constante crescimento do pentecostalismo no Brasil, o mesmo se revelou desigual. A Congregação Cristã e a Igreja Universal, que estão em 3º e 4º lugar no gráfico, declinaram em relação aos anos anteriores, perdendo fiéis em números absolutos. Essas são seguidas da Quadrangular, Adventista, Luterana, Presbiteriana, Deus é Amor e Maranata no gráfico sobre as dez maiores igrejas evangélicas do Brasil.
Como estudamos o comportamento do consumidor nesta pesquisa, é de suma importância saber também o perfil socioeconômico dos evangélicos que estamos estudando. Por isso veremos algumas informações que nos ajudarão a entender esse contexto, a seguir.
O Censo 2010 do IBGE reitera que os protestantes em geral se mantêm com níveis de renda e de escolaridade superior à média nacional. Os pentecostais permanecem progredindo, mas estão situados principalmente na base da pirâmide social: 63,7% dos pentecostais acima de 10 anos ganham até um salário mínimo, 28% recebem entre um e três salários e 42,3% dos acima de 15 anos têm apenas o ensino fundamental incompleto. Os pentecostais – incluindo os neopentecostais, portanto, continuam prevalecendo nas camadas mais baixas da população, com