Os factores de competitividade são aqui compreendidos como os factores que determinam ou condicionam a competitividade empresarial. Os factores de competitividade que se apresentam nesta secção, como que se de uma breve conclusão se tratasse, resultam do estudo da empresa e da competitividade, abordados nestes dois primeiros capítulos, sendo desenvolvidos de forma mais detalhada nos Capítulos 3 e 4 da presente dissertação, onde será também estudada a sua relação com a vantagem competitiva e o sucesso.
Com base na resenha dos conceitos estudados nas secções anteriores, em grande parte, assentes na revisão bibliográfica dos trabalhos citados de Catroga (2002), Cooke, Boekholt e Tödtling (2000), Davis e Wessel (1998), Dionízio et al. (2000), Krugman (1994a, 1994c), Lança (2000)81,
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Visto aqui no sentido de Oferta. 81
Num dos estudos desenvolvidos por Lança (2000:5), com o propósito de analisar a evolução da competitividade industrial portuguesa entre 1970 e 1996, foram considerados como factores contributivos para um “regime de competitividade específico”: o regime cambial, as políticas aduaneiras, a política industrial e tecnológica, a relação salarial e o tipo de concorrência prevalecente nos mercados domésticos. Foi tido em consideração que estes elementos variam com o tempo em virtude da articulação da economia nacional com o exterior (por exemplo, a integração da economia portuguesa na economia Europeia e a crescente internacionalização e depois globalização das actividades económicas e
Lopes (2001); Mateus (2004); Melo e Duarte (2001), Porter (1993), Vet (1993), Fórum para a Competitividade (1995) e CE (1993) são diversos os factores susceptíveis de influenciarem e determinarem a competitividade empresarial.
Alguns factores dependem do objecto de aplicação, como, por exemplo, das características intrínsecas das empresas e do estádio em que estas se encontram no seu ciclo de vida; da evolução da economia; ou do maior ou menor grau de intervencionismo do Estado. Podem, também, depender da localização da empresa, ou de aspectos macroeconómicos82. Todos os factores competitivos, mesmo os de âmbito estrutural, sofrem a influência do tempo, numa constante interacção com o meio envolvente em evolução, pelo que deve estar subjacente a adaptação contínua à mudança.
Assim, pode-se concluir que são múltiplos os factores que influenciam a competitividade das empresas: tecnologia; inovação e I&D de produtos e processos; marketing; qualidade; recursos humanos; internacionalização (exportação); responsabilidade e preocupações sociais e ambientais; internacionalização; empreendedorismo e espírito de iniciativa dos dirigentes; conhecimento e aprendizagem organizacional; estrutura e características organizacionais; sistemas de informação e comunicação; imagem e reputação da empresa; imagem de marca; políticas de benchmarking; cultura organizacional; flexibilidade; design; sistema de relações com clientes, fornecedores, outras empresas e entidades; fusões e aquisições de empresas; localização; o meio envolvente sócio- político-económico, entre outros (Figura 2.4).
O sistema educativo e de formação de um país, ou de uma região, apresenta-se, também, relevante para a competitividade, pois influencia directamente as competências e a qualidade do desempenho dos recursos humanos repercutindo-se na produtividade do trabalho. Quanto mais elevado for o grau de habilitações melhor o desempenho, as competências técnicas e de gestão, a produtividade e, consequentemente, a competitividade.
Na Figura 2.5 representam-se os múltiplos factores susceptíveis de influenciarem a competitividade das empresas e da economia com base na pirâmide da competitividade territorial (Dionízio et al., 2000:38; Mateus, 2004:7).
financeiras) e das transformações endógenas (por exemplo, a tentativa de implementação voluntarista e tardia de elementos sociais do fordismo, na década que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, e o esforço de modernização das estruturas produtivas e das infra-estruturas após a adesão à Comunidade Europeia e com apoios comunitários).
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Como sejam, por exemplo, superar uma crise, políticas governamentais, impostos e taxas de juro, os níveis de educação e formação, saúde e segurança social, transportes e comunicações, obras públicas, energia, comércio e turismo, infra- estruturas.
A m b i e n t e E n v o l v e n t e (sócio-político-económico) • Tecnologia • Inovação, I&D • Marketing • Qualidade • Investimento • Internacionalização • Recursos Humanos • Preocupações Ambientais e Ecológicas • Espírito de Iniciativa Empresarial / Empreendorismo
• Conhecimento e Aprendizagem Organizacional • Estrutura e Características Organizacionais
• Sistemas de Informação e Comunicação • Políticas de Benchmarking
• Cultura Organizacional • Crescimento Empresarial • Política de Fusões e Aquisições
• Imagem • Outros Factores E M P R E S A Relações com fornecedores Relações com clientes Estado
(políticas nacionais, educação, incentivos)
Relações com outras organizações (empresas, associações, etc)
Figura 2.4 - Modelo Relacional dos Factores Competitivos
Demografia Dinâmica Mercado de
Trabalho (qualificações, competências, mobilidade)
Nível de Vida (PIB per capita)
Taxa de Utilização dos Recursos Humanos
Taxa de Actividade Taxa de Emprego
Investimento Imaterial Inovação Infra-estruturas de apoio à Actividade Produtiva (Investimento Material) Flexibilidade Especialização Produtiva Produtividade Organização e empreendedorismo Progresso Tecnológico
Fontes: Dionízio et al. (2000:38); Mateus (2004:7)
Capítulo 3
As Actuais Tendências Empresariais como Factores de Competitividade e
de Vantagem Competitiva
“Os conhecimentos, tecnologias e recursos que existem num determinado momento só se aplicam se existir, também, capacidade de organização e empresarial. O desenvolvimento empresarial é, assim, explicado através de uma tripla concordância entre as variáveis sociais de legitimação da actividade empresarial, o sistema de estímulos económicos e as bases educativas e tecnológicas da sociedade.”.
Álvaro Cuervo García
3.1 Introdução
As empresas, à semelhança dos organismos vivos, seguem um ciclo evolutivo de nascimento, crescimento, maturidade, declínio e, eventualmente, morte. Para atingir mais depressa a maturidade, ou para evitar o declínio, as empresas procuram, permanentemente, uma adaptação ao meio, de forma a conseguirem obter uma nova curva do ciclo de vida que melhor viabilize a adaptação e o desenvolvimento constante. Para tal, necessitam de conhecer o seu meio envolvente, interno e externo, de modo a que a troca e o relacionamento permanente com o meio permitam uma melhor percepção e conhecimento das suas necessidades, dos pontos fortes e fracos, das ameaças e das oportunidades emergentes.
A visão estratégica torna-se um ponto fulcral para a adaptação da empresa e, consequentemente, para a sua sobrevivência. A visão resulta da criatividade e espírito de iniciativa dos gestores e dirigentes, com que empreendem, analisam e percepcionam o ambiente externo e interno da empresa (Lefebvre, Mason e Lefebvre, 1997). No caso das pequenas empresas, o dirigente tem um papel crucial no desempenho empresarial (Harrison, 1992)
As novas tendências empresariais estão intimamente relacionadas com o meio envolvente, com a percepção e capacidade constante de adaptação. A forma distinta como os diferentes dirigentes e gestores interpretam o mesmo meio ambiente externo, leva à formulação de políticas distintas e de acções inovadoras diferenciadas, o que, em conjunto, acaba por se reflectir na performance organizacional (Lumpkin e Dess, 1996; Zahra, 1993).
Vários atributos, característicos de cada empresa, podem gerar performances superiores a médio e longo prazo, o que torna possível que algumas empresas, pertencentes a uma dada indústria, obtenham desempenhos superiores baseados em diferentes vantagens competitivas
(Lippman e Rumelt, 1982), sendo a vantagem competitiva uma construção multidimensional de vários contribuidores (Flynn, Schroeder e Sakakibara, 1995:682) que constituem factores que determinam ou condicionam a competitividade empresarial.
Os factores de competitividade são essencialmente elementos qualitativos, em grande parte, determinados pelas estratégias das empresas que reflectem as condicionantes do meio envolvente sócio-político-económico. Sendo que mesmo os factores de âmbito estrutural, sofrem a influência do tempo, onde além da constante interacção com o meio envolvente está subjacente a adaptação contínua à mudança. Pois, como se constatou no capítulo anterior, os factores de competitividade, sofrem a influência, além das características intrínsecas das empresas e do estádio do ciclo de vida empresarial; da localização, da evolução da economia, do grau de intervencionismo do Estado, e de outros aspectos macroeconómicos.
O carácter contingencial da empresa estabelece, assim, uma relação directa com o meio envolvente interno e externo. O que faz depender a eficácia organizacional da capacidade constante de adaptação dos factores de competitividade, quer pela formulação de políticas distintas e de acções inovadoras diferenciadas, quer pelo desenvolvimento de competências sustentadas e de novos produtos e serviços que criem sistematicamente vantagens competitivas orientadas para liderar a complexidade e a dinâmica do mercado actual e futuro. As quais, em conjunto, acabam por se reflectir no desempenho organizacional influenciando a competitividade da empresa e da indústria, e segundo alguns autores, das regiões e das nações.
Com já se disse na secção 2.8, são múltiplos os factores que influenciam a competitividade das empresas. Pelo que, o presente capítulo tem como objectivo efectuar uma resenha das principais tendências empresariais como factores de competitividade e vantagem competitiva, com base numa recolha bibliográfica, para posterior aplicação no estudo empírico.
Enquanto tendências, são analisados neste capítulo os factores: tecnologia; inovação de produtos e processos; I&D; introdução de novos produtos; qualidade; recursos humanos (experiência, qualificações, competências, motivação, criatividade); marketing; preocupações sociais e ambientais; empreendedorismo e espírito de iniciativa dos dirigentes; estrutura e características organizacionais; internacionalização; sistemas de informação e comunicação; imagem e reputação da empresa; cultura organizacional; experiência, serviço prestado ao cliente; políticas de benchmarking, capacidade de rápida adaptação às exigências e tendências do mercado; satisfação de consumidores e trabalhadores; o sistema de relações com clientes, fornecedores, outras empresas e entidades, públicas e privadas (associações, institutos, Universidades, centros tecnológicos, empresas nacionais e estrangeiras); alianças estratégicas, fusões e aquisições de
empresas; aprendizagem organizacional; flexibilidade; design; imagem e reputação empresarial; outsourcing.