• Nenhum resultado encontrado

4 IMPACTOS DOS SETORES AVÍCOLA E SUCROALCOOLEIRO NAS DINÂMICAS

4.2 OS IMPACTOS ECONÔMICOS: CRESCIMENTO OU DESENVOLVIMENTO?

Segundo dados do IBGE (2009), o setor agropecuário representou 10% do Valor Adicionado Bruto a preços básicos que foi de R$ 2.784.407 do município, ou seja, R$ 273.425,04. Os setores da indústria e de serviços contribuíram em 38 e 52%, respectivamente. É importante ressaltar que os dois últimos setores também estão diretamente ligados a atividade agrícola.

104 A evolução do Produto Interno Bruto a preços correntes foi crescente no intervalo dos últimos 10 anos como notado na tabela 12 a seguir. O mesmo para o PIB per capita que ficou em média R$ 15.464,66, isso não significa a distribuição igualitária como sugerida nesse cálculo que é feito dividindo o PIB total pelo número de habitantes.

Tabela 12 - Evolução do PIB do município de Rio Verde.

1999 2001 2003 2005 2006 2007 PIB (R$ mil) 847.793,79 1.291.857,14 1.986.363,97 2.353.796,17 2.704.748,86 3.083.919,46 PIB per capita (R$) 8.349,42 10.657,13 15.615,46 17.667,03 19.854,43 20.644,52

Fonte: IBGE (Agência Rio Verde, 2010); SEPLAN/SEPIN (2009).

A empresa Perdigão não revelou a sua participação na arrecadação do ICMS do município, porém é sabido que a empresa é a maior contribuinte.

A Secretaria municipal da Fazenda afirma não possuir dados da participação de cada um dos setores estudados. Este tipo de levantamento fracionado se iniciou no ano de 2007, quando foi feita a repartição em setores: da indústria, prestação de serviços, produção pecuária, extrator mineral e fóssil, comércio varejista e atacadista/distribuidor. Dentre estes, a indústria representou 39,5%, 56,33% e 47,0% no triênio de 2007/2008/2009 sobre a arrecadação de ICMS.

Pela série histórica feita pela Secretaria de planejamento de Goiás (2009), a evolução da receita do município foi crescente nos últimos dez anos, e foi acompanhada pelo crescimento das despesas totais. No intervalo de dois anos, entre 1998 e 2001, a receita quase dobrou, passando de 39.167 reais para 71.541 reais (Tabela 13).

Tabela 13 - Evolução da Receita e despesas do município de Rio Verde.

1998 2001 2004 2007 2009

Receita Total (R$mil) 39.167 71.541 153.984 227.150 290.154

Despesas Totais (R$ mil) 40.601 69.957 146.824 208.658 251.805

Fonte: SEPLAN (2009).

A receita total e a despesa total estimadas possuem o mesmo valor para o ano de 2010, sendo de 374.716.278,47 reais. Tanto a receita quanto a despesa foram estabelecidas pela Lei Municipal 5742/2009. O Fundo municipal da saúde e a secretaria de obras são as unidades administrativas com maior representatividade nos gastos, sendo de 17,7% e 14% respectivamente.

105 Os setores, avícola e sucroalcooleiro, também foram responsáveis, juntamente com outros setores, no impacto sobre o custo de vida e preço de imóveis (casa e terra). Ribeiro (2005) destaca em seu estudo a colaboração da produção de grãos que:

Os valores de imóveis, automóveis e outros bens de consumo são cotados em soja e sofrem oscilação de acordo com os preços do grão no mercado internacional de alimentos. Isso indica a discriminação, a segregação e a exclusão dos demais setores da sociedade, não envolvidos com a exploração agrícola tipo exportação, da vida social, comercial e política, bem como dos espaços públicos e privados da cidade. Esta realidade se estende, e é de certa forma padronizada, a outros municípios produtores de grãos do Sudoeste de Goiás (RIBEIRO, 2005; p.197).

Uma ação que ratifica o exposto pela autora é percebida nos contratos entre agricultores e a usina sucroalcooleira em Rio Verde, com preços estipulados em sacas de soja. O superintendente do meio ambiente, Lázaro de Almeida confirma que o custo da terra em Rio Verde é o mais alto no Estado de Goiás e o indexador é a soja com preço do alqueire29 entre 2.000 – 2.200 sacas.

Segundo empresários rurais, as terras tidas como de maior potencial agronômico estão localizadas em solos do tipo latossolo e custam 15.000 reais o hectare (40.000 reais o alqueirão goiano). As terras mais argilosas estão em torno de 8.000 reais o hectare. O tipo de solo determina a organização e o uso do solo na região, dependendo da aptidão da terra. Em 2002, em sua pesquisa, Wehrmann & Duarte atribuíram à expansão das atividades agroindustriais, a influência na elevação dos preços da terra de US$ 500,00 o hectare, em 1989/90, para US$ 1.000,00, em 1994/95.

Para alguns atores sociais, a expansão da cultura da cana e a utilização da prática de arrendamento colaboraram com a supervalorização no preço da terra na região. Já a instalação da Perdigão e a vinda de trabalhadores contribuíram com o aumento do custo de vida em se tratando da alimentação, lazer, estudo, saúde, aluguel e imóveis.

O impacto sobre a renda da população

De acordo com a tabela 1 (página 33) os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD, 2000) mostra um aumento da renda per capita média e a redução da pobreza. Isso para o período compreendido entre 1991 a 2000.

No entanto, para o ano de 2003, como exposto por Ribeiro anteriormente, mostra que a situação passou a ser crítica, se comparada ao cenário de 2000. Mesmo porque foi a partir de 2004 que nota-se maior migração em busca de emprego, tanto no setor avícola quanto no setor sucroalcooleiro da região.

29

106 Como vimos neste capitulo, o crescimento econômico advindo do setor agrícola do município de Rio Verde traz conseqüências sociais e econômicas. Na publicação de Muls (2008), ele trata sobre os efeitos que o desenvolvimento econômico causa e da necessidade da abordagem sistêmica no processo de desenvolvimento e na interferência das instituições públicas na economia.

O papel das instituições e a necessidade de uma abordagem mais sistêmica são aspectos cada vez mais reconhecidos. O processo de desenvolvimento econômico provoca transformações dinâmicas não apenas nos modos de produção e na tecnologia, mas também nas instituições sociais, políticas e econômicas. A questão não é mais a da escolha entre princípios alternativos e exclusivos de coordenação: o mercado ou o Estado. Reconhece-se que uma dosagem apropriada entre o Estado e o mercado é necessária à promoção do desenvolvimento. (MULS, 2008; p. 3).

Ribeiro (2005) afirma que o desenvolvimento no Sudoeste de Goiás se dá em virtude da prática agrícola intensiva em capital e em tecnologia, já que isto não significa alterações no capital humano e no capital social. O que parece haver é um crescimento econômico, que difere, na sua essência, de desenvolvimento social. A autora fundamenta sua afirmação citando Franco (2002): “todo desenvolvimento é desenvolvimento social, se assim não o for, não é desenvolvimento”.