2 QUADRO TEÓRICO CONCEITUAL
2.4 Os Indicadores Científicos
Silva, Menezes e Pinheiro (2003) definiram os indicadores científicos como indicadores criados para possibilitar a avaliação dos resultados dos investimentos feitos em Ciência em um país ou em uma instituição. Gutiérrez (1998) afirma que os indicadores científicos estão baseados na análise estatística das variáveis que caracterizam o comportamento da produção científica e são utilizados com o propósito de avaliar os processos de geração, propagação, uso e impacto da literatura científica.
Macias-Chapula (1998) ao discutir o papel dos indicadores alega que os indicadores científicos são apropriados para macroanálises, como por exemplo, a participação de um país na produção científica global, em um determinado período, e em uma determinada área; e também, para microanálises, visando entender o papel de uma instituição na produção de artigos em um campo da ciência muito restrito. O autor arremata afirmando que esses indicadores, combinados a outros, podem ser bastante úteis na avaliação do estado atual da ciência, e nos processos de gerenciamento de pesquisa.
Avançando nas motivações por trás dos indicadores científicos, Kondo (1998) discute a função dos indicadores, e destaca que estes são importantes para o estabelecimento de políticas e prestação de contas à sociedade sobre os gastos públicos em CT&I, concluindo com a afirmação de que uma das boas razões que devem influenciar escolhas políticas são as necessidades sociais do país.
Dessa maneira, na perspectiva de análise dos indicadores, pode se pautar nas necessidades regionais e sociais. Neste ambiente social, espera-se que um Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical seja relevante na construção de CT&I para o desenvolvimento de soluções adequadas à nossa realidade.
No aspecto metodológico e analítico, Schubert e Braun (1996) ressaltaram que a avaliação de indicadores científicos é prejudicada pelos padrões diferentes que são adotados em campos científicos distintos e seus subcampos. Para estes autores, só podem ser comparados indicadores de campos diferentes depois de selecionar um padrão de referência corretamente escolhido. Já Silva e Bianchi (2001) alertam que a
fidedignidade destes indicadores dependerá substancialmente do seu uso adequado e do conhecimento de suas limitações e das condições ótimas de aplicação.
Outro elemento que chama a atenção na construção de indicadores científicos é o padrão de dados adotado. Atualmente existem várias bases de dados científicas que servem como repositório de armazenamento para a informação científica, e isto repercute em uma grande variedade de formatos que dificultam o tratamento bibliométrico para a construção de indicadores.
No processo de obtenção dos registros de produção científica, os dados de entrada, que servem de insumo para a geração dos grafos de colaboração e indicadores científicos são chamados de inputs, sobre isto, é comum recorrer às bases de dados que possuem capacidade de exportação de dados num formato bibliométrico. Este formato está estruturado, em geral, em arquivos de texto com uma estrutura que delimita os campos de cada produção da base, utilizando recursos de separadores e tabulação que ajudam o sistema de processamento a entender cada categoria informacional.
Nas Bases de Dados brasileiras não é comum a existência de recursos funcionais que permitam a criação de registros bibliométricos. Geralmente, nota-se uma excessiva preocupação nos recursos de consulta e armazenamento, esquecendo-se que estas bases também dispõem de um grande potencial para a geração de indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação à medida que armazenam parte da produção científica nacional.
Tendo em vista tal problemática, é comum nos estudos bibliométricos recorrer a recursos internacionais. Como exemplo disto, verificamos os estudos de: Souza (2013); Santin; Brambilla e Stumpf (2013); Barbastefano et al. (2013); Vieira e Wainer (2013).
Mesmo no cenário da produção científica nacional, os autores optaram pelos recursos disponíveis nas bases: Web of Science; Scopus e Google Scholar.
Em meio a estas limitações do setor de CT&I no país, surgem perspectivas genuinamente nacionais para a geração de indicadores científicos a partir de dados armazenados em bases de dados brasileiras. Dentre as iniciativas mais importantes, nota- se a criação da ferramenta Script Lattes.
O scriptLattes é um sistema que
baixa automaticamente os currículos Lattes (em formato HTML) de um grupo de pessoas de interesse, compila as listas de produções, tratando apropriadamente as produções duplicadas e similares. Em seguida, são gerados relatórios, em formato HTML, com listas de produções e orientações separadas por tipo e colocadas em ordem cronológica invertida. Adicionalmente, a ferramenta permite a criação automática de grafos (redes) de coautoria entre os membros do grupo e um mapa de geolocalização dos membros e alunos (de pós-doutorado, doutorado e mestrado) com orientação concluída. (MENA-CHALCO; CESAR JUNIOR, 2013, p.111)
Por mais que esta ferramenta represente um grande avanço na exploração de uma Base de Dados nacional para fins bibliométricos, todavia, ainda existem aperfeiçoamentos que precisam ser realizados, principalmente, porque sua ênfase maior está na coleta e processamento, e não na visualização e análise dos indicadores. Mesmo as ferramentas mais avançadas existentes no contexto de CT&I, possuem um foco na estruturação e cruzamento dos dados, porém, no aspecto visualização de indicadores, se mostram pouco eficientes, de tal modo, que se faz necessário o uso de outras ferramentas complementares para a criação de gráficos e realização de análises.
Mesmo os recursos gerenciais de análise dos indicadores científicos podem ser aplicados numa perspectiva social, visando mitigar algum problema prático da sociedade, tendo em vista que a Ciência, em geral, provê soluções nesta direção. Spinak (2001)
afirma que a Cientometria pode estabelecer comparações entre as políticas de investigação dos países com a análise de seus aspectos econômicos e sociais.
Inclusive, se assim não fizer, perde parte do seu sentido, tendo em vista que os indicadores científicos não se constituem como um fim, mas como um meio para o entendimento de uma determinada realidade e caminho para a construção de soluções para os problemas dos diversos segmentos sociais.