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Para realizar o estudo dentro da maior fidedignidade, tive a preocupação de usar a triangulação de várias fontes e métodos de recolha de dados, de acordo com orientações de autores como Miles e Hurberman (1994) e de Yin (1994), a saber: entrevistas90 individuais semi estruturadas; entrevistas de grupo; observações registradas em caderno de campo e fotos e filmagem de situações e ambientes de jogos para suporte de análise.

5.3.1 ENTREVISTAS INDIVIDUAIS

O roteiro da entrevista semi estruturada foi composto por duas partes: uma, em que o jovem jogador fala sobre si, a qual denominei de U 5B 5 D U (anexo1) e a outra, em que foram abordados como assuntos principais os games, os ambientes de jogos e os pares, e que denominei de U 5B (anexo 1). A parte em que o jovem fala sobre si tem o

90 Ressalto aqui que, após o consentimento dos sujeitos da pesquisa, todas as entrevistas U sejam individuais,

sejam em grupo U foram conduzidas, realizadas, gravadas, e transcritas integralmente pela autora da investigação.

objetivo de levantar dados sócio demográficos: idade, sexo, etnia, naturalidade, escolaridade e nível sócio econômico N. S. E.91.

Para avaliar o nível sócio econômico, utilizei o índice de Graffar – Méndez Catellano (1994)92. Trata se de uma classificação social internacional estabelecida pelo professor Graffar, adaptada por Méndez Castellano, que se baseia no estudo, não apenas de uma característica social do indivíduo, mas num conjunto de cinco critérios:

1) profissão; 2) nível de instrução; 3) principais fontes de renda familiar; 4)conforto no alojamento e 5) aspecto da zona residencial. Como se trata de uma amostra de jovens , considerei a profissão dos pais como indicadores do seu N. S. E.

Já no que diz respeito à segunda parte da entrevista, no item que concerne ao tempo que os jovens jogam no console, no computador ou nos salões de jogos, baseei me no estudo de Dominick (1984) e de Funk e Buchman (1996), que avaliaram o tempo a jogar videojogos por semana, numa escala de Likert. Desse modo, o número de horas, por semana, que os sujeitos jogam games em consoles, computadores e/ou LAN Houses foi avaliado através de seis opções de resposta, segundo o modelo de escala tipo Likert, com uma graduação crescente que variou entre "nunca” e “mais de dez horas” por semana.

A entrevista teve como principal objetivo recolher informações que me dessem a caracterização dos jogadores assim como quanto tempo jogam, onde jogam, com quem jogam, que tipo de jogos, como consideram a aprendizagem com os jogos, o que pensam da LAN House e quais as relações que estabelecem entre conteúdos escolares e o que aprendem com os games.

As entrevistas com os componentes do grupo brasileiro foram realizadas em salas de aula disponíveis da Universidade Federal da Paraíba – Centro de Educação, de onde a jovem jogadora do grupo é aluna. A escolha de horário e sala foi de acordo com a disponibilidade de espaço e de tempo dos jovens jogadores. No início de cada entrevista, foi pedido consentimento para a gravação e, quando, por algum motivo, eles pediam para que eu não gravasse, procurava anotar, da forma mais integral e fiel, as informações fornecidas.

As entrevistas com os componentes do grupo português foram realizadas em gabinete disponibilizado pela direção da Escola Secundária Frei Gonçalo de Azevedo, e outras, em LAN Houses. Os locais e horários também foram escolhidos de acordo com as disponibilidades de tempo dos jovens jogadores.

91 Como o estudo se direciona a dois grupos de jogadores, o objetivo de levantar dados sócio demográficos e

nível sócio econômico deteve se na importância de avaliar grupos o mais homogêneos possível.

92 MÉNDEZ Castellano H, MÉNDEZ M C. Sociedad y estratificación. Método Graffar Méndez Castellano.

5.3.2 ENTREVISTAS DE GRUPO

As entrevistas de grupo procederam se com base num roteiro93, constituído por três perguntas abertas. Cada entrevista teve um grupo de cinco participantes (KRUEGER ; CASEY, 2000)94, tanto em João Pessoa, quanto em Lisboa. Esse número foi estabelecido dadas as características do estudo e dos sujeitos para garantir da melhor forma a fala de todos.

As entrevistas duraram aproximadamente 3 horas, para as quais procurei seguir as diretrizes sugeridas pela literatura do grupo focal, enquanto técnica de pesquisa que coleta dados por meio da interação grupal, cujo tópico abordado é determinado pelo(a) pesquisador(a). Na essência, é o seu interesse que proporciona o foco, contudo os dados são trazidos pela interação grupal (MORGAN,1997 apud SILVA, 2005).

Geralmente, iniciava a entrevista com um agradecimento pela presença dos entrevistados; em seguida, fazia minha apresentação, mostrando o porquê de meu interesse pela temática e os objetivos da entrevista.

Quando da elaboração das perguntas, tive a preocupação de começar com uma questão aberta mais geral, que subdividi em duas perguntas, que permitiu conhecer com a profundidade possível, as particularidades do pensamento de cada um dos jogadores em relação aos games. “Quais são as informações, os saberes, os valores que os games mediados pelo computador, vos proporcionam?” e “Essas informações, esses saberes são apreendidos de que forma: colaborativa, competitiva ou cooperativa?”. Uma pergunta longa, mas que dava oportunidade para que os jovens falassem de si e daquilo do que eles mais gostam.

Já a pergunta seguinte, embora aberta, era mais específica, pois abordava sobre o significado do nick para cada um dos jovens jogadores. “O nick (avatar) tem algum significado especial que gostaria de destacar?”.

A entrevista terminava sempre com um espaço para os participantes acrescentarem alguma informação que achassem conveniente.”Em relação aos aspectos que foram aqui focados, vocês gostariam de acrescentar mais alguma coisa?”. Encerrava com meu agradecimento pela importante colaboração

93Roteiro que serviu de guião para conduzir as entrevistas, com o objetivo de uniformizar minhas intervenções

enquanto entrevistadora, quer em termos de instruções precisas para indício do encontro, quer em termos das questões a serem formuladas.

94O número de pessoas para um grupo de foco varia. Os autores sugerem somente 4 a 6 pessoas. Diferentemente

de outras técnicas com grupos ou entrevistas, a interação do grupo também é um dado da pesquisa a ser considerado, e não, simplesmente, o processo de pergunta e resposta (KRUEGER e CASEY, 2000).

Antes da realização dos grupos, aconteceram reuniões de preparação. No estudo de caso 2, tive que pedir autorização à Direção da escola e ao departamento jurídico, justificando o interesse e objetivo da minha investigação, apresentando projeto e declaração da Universidade de Lisboa, para ter permissão de ocupar e realizar as entrevistas naquele espaço.

A escola forneceu todo o apoio, em termos logísticos (material necessário para a realização das entrevistas, como: papel, lápis, canetas, etc.) e de ambiente (disposição de ambiente confortável, silencioso, água, chá bolachas, etc.). Em João Pessoa, o grupo usufruiu das salas do Centro de Educação – UFPB U e, o material para entrevistas e lanche para melhor conforto dos participantes foram por mim providenciados.

5.3.3 NOTAS DE CAMPO

A recolha de dados: aplicação das entrevistas U seja em grupo, seja individual, abarcou um longo período de tempo. Envolveu muitas caminhadas, visitas, telefonemas, abordagens que nem sempre resultaram em entrevista. A investigação necessitou de várias tentativas e aproximações empíricas, visitas que demoraram entre 2 a 3 horas cada uma(em Portugal, visitei 5 LAN Houses, das quais selecionei 3, pois eram as mais freqüentadas pelos jovens entrevistados. No Brasil, visitei 5 e acabei acompanhando os jovens em uma, a que eles mais freqüentam), mantive contatos através do telefone e de e mail e conversas informais até conseguir chegar aos locais.

As notas de campo começaram desde as primeiras aproximações empíricas em João Pessoa, que iniciaram em maio de 2004, para fins exploratórios e de construção do instrumento de pesquisa. Incluíram informação variada, desde informações sobre aspectos das LAN Houses (observação dos locais, espaço físico, infra estrutura, contatos com proprietários), comentários realizados pelas pessoas contatadas, até sentimentos mais subjetivos, como o receio dos donos das LAN Houses, pensando que eu era da fiscalização95 ou jornalista; conversas informais com os jovens jogadores (como as que realizei durante o campeonato internacional em Guimarães/Portugal) e até sentimentos mais subjetivos, como a empatia ou dificuldades iniciais de aproximação por parte dos jovens jogadores. Todas as notas de campo foram identificadas com o nome do local, a data e a cidade.

95As LAN Houses são inspecionadas com regularidade, seja nos aspectos de licença dos jogos que oferecem,