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A sociedade vive, hoje, um momento em que estão sendo, e devem ser,

repensadas muitas de suas categorias fundamentais devido a grande amplitude das

transformações em curso, algumas das quais ressaltamos no capítulo anterior,

requerendo, com isso, que se faça uma séria reflexão sobre os relacionamentos

existentes entre economia e sociedade. É a partir dessas preocupações que nos

interessa entender o ressurgir da Economia Solidária, bem como suas novas

experiências e, particularmente, a Economia de Comunhão. Para tanto nos parece

importante fazer o seguinte percurso: entender os limites da chamada solidariedade

estatal, os limites do mercado para, a seguir, introduzir um referencial que nos

permita pensar a mediação e a interdependência dessas esferas.

O debate sobre as relações entre economia e sociedade permeia também

algumas obras do autor francês Pierre Rosanvallon tais como: A Nova Questão

Social, e A Crise do Estado Providência cuja hipótese central é que se faz necessário ultrapassar o quadro do Estado Providência (welfare state) para superar

as tensões que se exprimem a seu respeito. Assim como permeia, também, as obras

de autores como Laville, L’Economia Solidale, Godbout, Lo Spirito del Dono, ou

ainda Caillè com Il Terzo Paradigma e tantos outros.

O que nos interessa da análise de Rosanvallon é que, para ele, o principal

obstáculo ou a principal crise e impasse pelo qual passa o modelo do Estado-

Providência, ou do welfare state, é mais de ordem cultural e sociológica que

necessário desenvolver uma abordagem que renovasse as análises clássicas,

estritamente econômicas, sobre a crise deste Estado-Providência e do welfare state.

A crise atual deveria ser compreendida simultaneamente como a crise de um modelo

de desenvolvimento econômico e financeiro e como crise de um determinado

sistema de relações sociais.

O problema central para Rosanvallon (1997:8) é: se perguntar se “o Estado,

sobretudo o sistema de welfare, enquanto forma social e política, pode continuar a

ser o único suporte do progresso social e o único agente de solidariedade social”.

No nosso entender, essa é uma questão que abre um caminho promissor,

pois o problema passa a ser colocado a partir de uma lógica sociológica podendo se

relacionar, mais à frente, com o ressurgimento da Economia Solidária, sobretudo, a

partir da década de 1990, pois com essa, busca-se justamente imprimir novas

formas de sociabilidade e solidariedade dando maior visibilidade às relações sociais.

A ressalva, porém que gostaríamos de explicitar em relação à idéia expressa

por Rosanvallon é apenas que entendemos que o Estado não pode mais ser a forma

preponderante de suporte para o desenvolvimento dos progressos sociais e,

sobretudo, para as formas de solidariedade social, pois absolutizar o Estado como

único suporte dos progressos sociais e o único agente de solidariedade, como faz o

autor, nos parece um pouco exagerado, uma vez que retira de todas as

organizações da sociedade civil - movimentos sociais, organizações, instituições,

partidos, sindicatos e etc – toda e qualquer possibilidade de terem desempenhado,

ainda que durante a construção e o pleno funcionamento do estado do bem-estar, o

papel de agentes propulsores de progressos e conquistas sociais bem como o papel

Há que se superar, portanto, a dicotomia privatização/estatização. Poder-se-ia

dizer a dicotomia entre estado/mercado, público/privado, problema esse que se

constitui como sendo uma das preocupações desse trabalho.

Com Rosanvallon, vários autores (Santos, Magatti, Caillè, Laville)

compartilham da idéia que a crise dos países sociais-democratas deve-se muito ao

fato de terem, durante muitos anos, se fechado numa concepção excessivamente

estatal da solidariedade. Sendo assim, em seu ensaio A Crise do Estado

Providência, Rosanvallon busca contribuir para a definição daquilo que seria um novo espaço pós-social democrata.

Com o desenvolvimento do que se convencionou chamar de anos de ouro do

capitalismo, a solidariedade - com a diminuição das formas tradicionais de

sociabilidade - se reduziu a uma solidariedade institucional abstrata que, devido ao

fenômeno da burocratização dos serviços sociais, tendeu a ser percebida como um

sistema de seguridade ou de assistência mais do que um sistema de solidariedade

ativa.

A crise instaurada a partir da década de 70, (e que ainda se faz sentir), pode servir para uma recomposição dos relacionamentos entre economia e a sociedade. Como se pode perceber justamente no momento em que a sinergia mercado/estado atingia o seu pleno rendimento, essa foi objeto de uma primeira crise na qual foi recolocado em discussão o consenso do regime econômico do período de crescimento. Esta crise de valores foi seguida por uma segunda crise qualificada como crise econômica. A crise de valores, associada à crise econômica, demonstra que o otimismo progressista segundo o qual graças aos instrumentos de controles econômicos e sociais se poderia construir para todos uma sociedade providência, ou de bem estar, desmorona. (Laville1998:47/9)

Conscientes desta situação, teóricos de diferentes tendências buscam

responder à ofensiva neoliberal propondo a restauração do papel do Estado e a

redefinição dos fundamentos de uma sinergia diferente entre Estado e mercado que

seja mais adequada à nova situação. Para alguns, o Estado deve assumir uma

função de maior estímulo à economia, por exemplo, sustentando a construção da

atividade e dos mercados do futuro como as bioindústrias e as indústrias da saúde

ou engenharia urbana. Para outros, seria uma distribuição mais equânime entre

capital e trabalho que deveria ser reencontrada para romper com as políticas que,

hoje, são muito favoráveis ao capital. Essa medida, unida a uma diminuição das

taxas de lucro, e a uma reforma fiscal constituiria, então, a chave da mudança.

Nas análises mais comuns, sobre a crise do Estado do bem-estar social,

parte-se, geralmente, da existência de um impasse financeiro; uma diminuição da

eficácia social e econômica e; um desenvolvimento contrariado por certas mutações

culturais em curso. A cada um desses elementos corresponderia uma hipótese

explicativa, ou seja, em relação ao impasse financeiro, já ressaltado anteriormente,

os dados são irrefutáveis: o ritmo de crescimento das despesas públicas, ligadas às

políticas sociais e aos mecanismos de redistribuição é, atualmente, muito mais

rápido que o da produção nacional. Ao mesmo tempo diminui-se a eficácia social

uma vez que a sociedade não suporta mais aumentos dos descontos obrigatórios,

ou seja, maior carga tributária. A questão passa a ser, portanto, entender as

mutações de caráter cultural que estão em curso, ou seja, faz-se necessário

entender se esse é um problema apenas conjuntural, ligado a uma situação de

crescimento desacelerado, ou se é um problema mais estrutural. Haveria uma

impossibilidade física e fiscal, ou uma impossibilidade sociológica de ultrapassar

Assumimos, neste trabalho, que a raiz da crise não é tanto de natureza fiscal,

mas, sobretudo, a crise está na incapacidade do modelo de compatibilizar eqüidade

e liberdade.

O fato, portanto, é que, para além das análises econômicas, é prioritariamente

em termos sociológicos e políticos que é preciso abordar as questões atuais. É

sobretudo este aspecto que interessa nesse trabalho pois serve para explicar e

entender melhor todo o ressurgimento da Economia Solidária, a utilidade das

categorias contidas na Escola do MAUSS e, nesse processo, o papel da EdC.

Resumindo, para Rosanvallon (1997:23) tem-se que:

O Estado moderno define-se fundamentalmente como um Estado protetor; o Estado Providência é uma extensão e um aprofundamento do Estado-protetor; a passagem do Estado-protetor ao Estado-providência acompanha o movimento pelo qual a sociedade deixa de se pensar com base no modelo do corpo para se conceber sob o modo do mercado; o Estado Providência visa substituir a incerteza da providência religiosa pela certeza da providência estatal; é a noção de probabilidade estatística que torna praticamente possível e teoricamente pensável a integração da idéia de Providência no Estado.

Os questionamentos sobre o Estado-Providência não podem, portanto, ser

entendidos somente do ponto de vista da regulação dos equilíbrios econômicos que

o regem. Não é apenas a extensão do Estado, ou o peso das despesas sociais, que

está em causa. Esta dúvida manifesta um abalo muito mais profundo, pois o que

estaria em cheque seriam as relações da sociedade com o Estado. A crise

assumiria, desta forma, um caráter cultural pois relacionar-se-ia a uma crise de

valores e esses, como bem poderia dizer Thompson (1988:190/5), não são

a vida material e as relações materiais em que surgem as nossas idéias. São as

normas, regras, expectativas necessárias e aprendidas no habitus de viver, e

apreendidas em primeiro lugar na família, no trabalho e na comunidade imediata

que, na ausência de tal experiência, a vida social não poderia ser mantida. Além

disso, os valores serão sempre um terreno de contradição, de luta entre visões de

mundo alternativas.

As causas principais dessa fissura cultural, em relação à igualdade, seriam

que:

a questão da segurança, hoje, é crucial e a procura pela segurança tende a relativizar a procura de igualdade; hoje os mecanismos de redistribuição e assistência cresceram sem uma intenção política deliberada, como em épocas anteriores, isso causa uma mobilidade social; o pesado peso dos impostos são sentidos como uma injustiça para aqueles que o pagam; começa assim uma criação de um Estado clientelista dentro do Estado Providência. (Rosanvallon1998:30/1)

Até o momento, na avaliação do autor, o Estado-Providência, agiu como

agente central de redistribuição e, portanto, de organização da solidariedade,

funcionou como uma grande interface: substituindo o face-a-face dos indivíduos e

dos grupos. Isolada das relações sociais reais que a estruturam, a organização da

solidariedade, que este Estado-Providência criou, torna-se cada vez mais abstrata.

O Estado-Providência procede automaticamente a um verdadeiro embaralhamento

das relações sociais. É neste sentido que se pode falar de uma solidariedade

automática, uma solidariedade a frio.

Estado-Providência. Ela só pode ser exercida se a moral social que ela traduz

repousar num mínimo de visibilidade das relações sociais. É por isso que, para

Rosanvallon, a crise do Estado-Providência corresponde aos limites de uma

expressão automática da solidariedade social.

Uma política que ignore solidariedades imediatas se torna, inevitavelmente,

teórica, impiedosa e autodestrutiva.

Para compreender, de modo mais profundo, essa questão é preciso

prosseguir com a análise sociológica e examinar as modalidades de “formação” da

sociedade pelo Estado-Providência.

No início, há um reconhecimento intelectual decisivo: o do vínculo que une

historicamente o desenvolvimento do Estado ao do indivíduo. Não há Estado-

protetor pensável e possível sem a emergência do indivíduo como categoria política

e jurídica. Em compensação, o Estado protetor, como Estado fiscal só pode

constituir-se libertando cada vez mais os indivíduos dos grupos sociais reais (família,

relações de vizinhança baseadas na troca, pequenas comunidades e etc) nos quais

se inserem as trocas econômicas que ele não controla. O Estado moderno não pode

existir, em uma palavra, sem economia e sociedade de mercado, isto é, sem

afirmação do indivíduo como categoria econômica e sociológica central.

O Estado-Providência limita-se a prosseguir e a ampliar este movimento de

proteção do indivíduo como figura central do social. Seu objetivo é livrá-lo das redes

de solidariedade constrangedoras e aleatórias nas quais ainda se insere. O Estado

Providência quer libertar o indivíduo simplificando o social. Trata-se, para ele, de

destruir o conjunto de estruturas, profissionais e sociais, que limitam a autonomia do

O Estado protetor transforma-se no Estado-Providência no momento em que

se afirma o indivíduo total. Na França, a Constituição de 1793 dirá que “as ajudas

públicas são uma dívida sagrada”. Uma concepção estatal da assistência é o

corolário do individualismo mais radical em matéria de relações sociais, uma vez que

liberta os indivíduos das relações primárias e imediatas, tornando as relações sociais

o mais impessoais possível.

É a partir daqui que se deve compreender a contradição do liberalismo do

século XIX quando pretende afirmar, ao mesmo tempo, o princípio individualista e

rejeitar a idéia de intervenção do Estado no domínio da assistência e da

beneficência. Isto indica um vazio teórico do liberalismo, de conseqüências

decisivas, pois não há pensamento sociológico possível no liberalismo quando o

postulado sociedade igual à soma de indivíduos, já está formulado no ponto de

partida.

Atualmente, a interface estatal tornou-se muito mais opaca e, sobretudo os

mecanismos de expressão da solidariedade automática, expressa pelo Estado e não

tanto por relações sociais autênticas, estão cada vez mais isolados das formas de

sociabilidade intermediárias.

A solidariedade automática não produz apenas efeitos perversos socialmente,

mas mostra-se também cada vez mais ineficaz economicamente porque inadequada

sociologicamente. A perda da autonomia e o isolamento crescente dos indivíduos

para quem o Estado é o principal recurso alimentam a crise.

Se quisermos falar em termos de limites e de limiar, é necessário compreendê-lo sociologicamente. A crise da solidariedade provém da decomposição, ou, mais exatamente, da deslocação do tecido social de modo

Providência. Já não há “social” suficiente entre Estado e indivíduo. É por isso que os limites precisam ser entendidos a partir de formas de sociabilidade que ele introduz e não a partir do grau de socialização da demanda (porcentagem dos descontos obrigatórios). (Rosanvallon 1998:37)

Para entender em outros termos a relação entre Estado keynesiano e a social

democracia é preciso partir de uma perspectiva que permita perceber a relação entre

Marx e Keynes. Eles têm em comum pensar ao mesmo tempo as relações do capital

e do trabalho, compreender que a “economia” é resultante de sua imbricação.

Porém, Marx analisa este movimento como uma contradição permanente na qual

cada resolução temporária resulta em novas contradições. Keynes, pelo contrário, vê

a possibilidade de se encontrar as condições de um novo equilíbrio econômico

relativamente estável na redefinição das relações entre Estado e economia, e na

reorganização das relações sociais (através da redução das desigualdades e da

supressão da figura do que vive de rendas).

Arriscamos dizer, porém que na realidade, tais visões não se mostram tão

distantes como aparentemente se apresentam, pois se pode tomar como verdadeira

a premissa de Marx segundo a qual a relação capital/trabalho, sendo uma

contradição permanente, produz novos conflitos e contradições a cada resolução

temporária, porém ao invés dessa realidade conduzir a uma superação do sistema

acaba por seguir o raciocínio de Keynes, produzindo um novo equilíbrio, ou

compromisso entre os sujeitos envolvidos. Sendo assim, não se trataria de análises

puramente conflitantes, dicotômicas e excludentes, mas sim complementares.

A social-democracia é baseada, justamente, na idéia de compromisso social,

ligando o Estado, o capital e o trabalho: a classe operária aceita não contestar as

redistributivo e da existência de um sistema ativo de negociações sociais, onde

historicamente a classe operária obteve ganhos significativos (Przeworski 1991).

É por isso que, há mais de 50 anos, há uma diferença de grau, mas não de

natureza entre de um lado as grandes sociais-democracias e de outro os Estados

Providência das outras democracias burguesas, liberais ou conservadoras.

Pode-se, portanto, relacionar os regimes de welfare com modelos de

solidariedade. Existe uma tipologia dos sistemas de welfare elaborada por Titmus

(1986) e reelaborada por Esping-Andersen (2000).

Segundo Titmus podemos estabelecer três modelos de estado social – os três

mundos de welfare capitalism, na terminologia de Esping-Andersen – com base no

nível de responsabilidade e no custo do envolvimento associado do Estado.

Um primeiro tipo é aquele definido por Titmus como residual ou, segundo

Andersen, o tipo liberal. O modo com o qual se apresentam atualmente os modelos

de welfare residual-liberal se “caracterizam pelo empenho em reduzir ao mínimo os

compromissos do Estado, a individualizar os riscos e a promover as soluções de

mercado”. Tendem, portanto, a reconhecer direitos mínimos aos cidadãos. “A política

social liberal prevalece em países nos quais os movimentos socialistas e

democratas-cristãos foram frágeis ou, de fato, ausentes” (Esping-Andersen:

2000;129/30). Tal modelo seria caracterizado, sobretudo por três aspectos: é

residual no sentido que limita a proteção social somente àqueles indivíduos

considerados de alto risco; a sua residualidade se estende também a indicar os

riscos tidos como sociais; são centrais o papel e a promoção do mercado, é,

sobretudo pelo mercado que os atores devem promover sua emancipação. Países

O tipo oposto é o institucional-redistributivo (Titmus) ou, para usar a definição

de Andersen, social-democrático. Esse se coloca no pólo oposto em relação ao

modelo residual, na direção de um continuum imaginário do processo de máxima

redução da dependência dos indivíduos por parte do mercado. Há uma extensão do

universalismo de maneira muito mais ampla que nos outros sistemas de welfare e a

redução ao mínimo possível do “papel da assistência condicionada a verificação da

necessidade”. Os direitos dos indivíduos são, desta forma, baseados na cidadania e

não na prova da condição de necessidade, sobre a contribuição previdenciária ou

relações de trabalho. O objetivo explícito é aquele de promover a igualdade. Pode-

se dizer que são duas as características mais relevantes desse tipo de welfare: o

universalismo e o reduzido papel do mercado, países que o implementaram foram:

Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia.

O terceiro modelo é definido por Titmus “industrial achievement-performance

model” ou remunerativo, meritocrático-corporativo e reassumido por Andersen como conservador-corporativo. Neste modelo, a cobertura ao risco é diferenciada segundo

o grupo ou a condição ocupacional e é fortemente assinalada pelo estadismo

dominante na história dos países da Europa continental de tradição bismarckiana e

da Europa meridional. Este modelo se refere principalmente a Alemanha, Áustria,

França, Bélgica, Itália, Espanha e, sob certos aspectos, buscou ser adotado também

pelo Brasil. Uma segunda característica é o familismo, um welfare state familista se

fundamenta na proteção social que recai sobre o homem uma vez que este é

principal preceptor de renda, atribuindo a família à responsabilidade última do bem

estar dos seus membros e os principais compromissos à saúde.

Assim como na perspectiva do regime liberal, também neste modelo tende-se

primeiro a limitação é devida a ênfase no papel do mercado, no segundo essa

refere-se a atribuição das funções de assistência primariamente à família, antes que

a centralidade da proteção do emprego.

Obviamente deve-se destacar que existem diversos níveis entre esses três

modelos. Esses são, como todos os modelos, quase que “tipos ideais”.

Ferrara (1993) propõe uma tipologia dos sistemas de proteção social por meio

da definição do âmbito de solidariedade que este é capaz de gerar e gerir. A análise

se propõe a identificar diversos sistemas de welfare ressaltando os diferentes

modelos de cobertura que estão na sua base. O objeto de análise se torna assim a

política da solidariedade, quer dizer, o conjunto de dinâmicas através dos quais a

comunidade política gera proteção institucionalizada aos indivíduos.

A análise de Ferrara reassume Titmus e Andersen na individualização de dois

modelos básicos de solidariedade: o universalista e o ocupacional. O primeiro gerou

amplas coletividades redistributivas de alcance nacional cujo critério de inclusão é a

cidadania. O segundo modelo produziu uma pluralidade de coletividade redistributiva

distintas segundo as demarcações tradicionais do mercado de trabalho.

A situação atual deveria, assim, ser formulada da seguinte maneira: é

possível definir uma nova equação econômica-social que produza, hoje, os mesmos

efeitos que a equação keynesiana produziu no passado?

A crise dos anos 1930 produziu o fortalecimento do Estado, a crise atual está

tendendo a produzir liberalismo, ou melhor, neoliberalismo. O Estado, de solução

parece ter se tornado o problema central, com o conseqüente renascimento das

idéias liberais. É sobre a exclusiva base de um cálculo custo-benefício que o

A questão, porém do estado do bem-estar, deveria ser pensada no sentido da

busca de uma alternativa rumo a um modelo civil de welfare segundo o qual as

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