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Os maiores contributos do TPIJ para a Justiça

No documento A globalização e a justiça internacional (páginas 97-100)

2. A Convenção Europeia dos Direitos do Homem (CEDH) e o

4.3 As relações entre o Tribunal Penal Internacional e o

5.1.2 Os maiores contributos do TPIJ para a Justiça

comparativamente a todos os outros tribunais internacionais. Na realidade, mesmo o TPI que foi instaurado posteriormente pode ser considerado como um recuo relativamente ao TPIJ, designadamente no que toca à figura do Procurador, à relação deste Tribunal com os Estados e à sua relação com as jurisdições nacionais, pois um TPI estabelece um sistema que funciona em complementaridade dos os sistemas nacionais.

5.1.2

Os Maiores Contributos do TPIJ para a Justiça Internacional

Este Tribunal tem tido um papel fundamental no processo de responsabilização de indivíduos, independentemente da sua posição hierárquica, por crimes de guerra e outras violações de direito internacional. Graças a este Tribunal foi possível responsabilizar indivíduos com posições políticas importantes. Este tipo de acusações tem como consequência, caso o indivíduo seja julgado culpado, o seu afastamento permanente de cargos políticos. Ao julgar estes indivíduos com base na responsabilidade individual, seja ela directa ou indirecta, o TPIJ personaliza a culpa e evita que comunidades inteiras de pessoas sejam colectivamente responsabilizadas pelo sofrimento causado a outros.

Pela primeira vez na história da Justiça Internacional, foi aberto um processo pelo procurador do TPIJ, contra um chefe de Estado – Slobodan Milosevic – por crimes cometidos enquanto estava em funções.

À medida que os trabalhos do Tribunal prosseguem, inúmeros elementos acerca deste conflito têm vindo a aparecer. Inúmeros factos, que antes ainda eram incertos, foram estabelecidos pelo Tribunal.

Os julgamentos do TPIJ têm abarcado crimes e incidentes que ocorreram por toda a antiga Jugoslávia durante os anos 90. Muitas confissões também

contribuíram para o estabelecimento dos factos. A determinação destes factos é fundamental para combater a negação dos mesmos e evitar recursos e revisões de sentenças. Hoje é impossível negar o que aconteceu em Dubrovnik, Sarajevo, Srebrenica e Zvornik.

Através do seu trabalho, o TPIJ trouxe um sentido de realização da justiça às milhares de vítimas destes crimes. As vítimas têm um papel de grande importância nos processos, servindo de testemunhas, e contribuindo para o estabelecimento da verdade através dos seus testemunhos.

O Tribunal também tem contribuído para a concretização do Direito Internacional. Durante os seus 12 anos de existência, tem ajudado a desenvolver o direito internacional penal e humanitário e tem provado que a justiça internacional é possível. Este Tribunal tem tido uma acção pioneira e estabelecido um número significativo de precedentes legais.

O TPIJ tem incentivado a reforma do poder judicial na antiga Jugoslávia e tem sido um elemento catalisador para a criação de tribunais especializados em julgar crimes de guerra na região. Os tribunais na região beneficiam até hoje da experiência deste tribunal.

Este Tribunal continua a apoiar o estabelecimento do Estado de direito, o Tribunal está envolvido em acções de formação para profissões jurídicas para permitir a estes profissionais julgar estes tipos de crimes de guerra de acordo com os modelos internacionais.

O Tribunal também contribuiu para mostrar que a sua jurisdição é concorrente à dos tribunais nacionais, pondo em prática mecanismos que permitem a transferência de casos para os tribunais nacionais.

Os juizes e membros do Tribunal têm partilhado as suas experiências com outros tribunais internacionais, tais como o TPIR e o TPI.

Concluindo, o maior contributo do Tribunal tem sido a promoção do respeito pela justiça e pelo estado de direito.

5.2 O Tribunal Penal Internacional do Ruanda (TPIR)

5.2.1 Introdução

O continente africano tem um papel fundamental no fenómeno da globalização da justiça. Este continente é, e sempre será, um dos mais afectados por este fenómeno.

O TPIR foi o primeiro contacto que África teve com o fenómeno da globalização da justiça em geral, e com a justiça penal internacional, em particular. Este Tribunal foi criado pela Resolução 955 das Nações Unidas, a 8 de Novembro de 1994, com o fim de julgar os responsáveis pelo genocídio e outras violações de direitos humanos cometidas no Ruanda e por nacionais do Ruanda em países vizinhos, durante o ano de 1994. Num período de três meses, durante a guerra civil no Ruanda, estima-se que tenham sido mortos 500 000 indivíduos, maioritariamente Tutsis e Hutu moderados.

O estabelecimento deste Tribunal foi um dos efeitos práticos da globalização da justiça, assim como a introdução da responsabilidade penal internacional em África, pois o TPIR foi o primeiro tribunal internacional criado para lidar com as consequências de um conflito armado não internacional. Apesar do conflito no Ruanda ser uma guerra civil, as suas consequências em termos de refugiados, instabilidade política e conflito espalharam-se por toda a região dos grande lagos em África. Esta aplicação de direito humanitário internacional a um conflito não internacional significou um grande avanço para o direito internacional, e teve ainda maior significado em África, uma região onde até à data a maioria dos conflitos são guerras civis com consequências drásticas a nível internacional.

A globalização vista como um conceito aplicável à justiça também teve relevância com a criação deste Tribunal por outra via: assim como o TPIJ, o TPIR foi estabelecido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, como uma resposta ao conflito no Ruanda considerado como uma ameaça à paz e segurança internacional. Ao tomar esta decisão o Conselho de Segurança, tal como na Jugoslávia, iniciou uma intervenção judicial utilizando o sistema internacional pós 2ª guerra mundial, oferecendo a possibilidade de se constituir um tribunal baseado num tratado internacional, que de outra forma teria demorado anos a estabelecer.

O Tribunal de Arusha, desde que começou as suas actividades em finais de 1995, tem sido uma das faces visíveis do emergente sistema de justiça penal internacional, e tem responsabilizado e julgado inúmeros indivíduos por crimes contra os direitos humanos. Os vários sucessos deste tribunal, assim como as suas limitações e dificuldades têm sido um importante contributo à globalização da justiça.

5.2.2 Os Maiores Contributos do TPIR para a Justiça

No documento A globalização e a justiça internacional (páginas 97-100)