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Os makers e os hackers

No documento RODRIGO MALCOLM DE BARROS MOON (páginas 116-126)

Como o simples fazer, o mero tesão pelas coisas, a felicidade pequena, representa a resistência mais viva ao neoliberalismo?

Figura 29: placa Arduino R3, com descrição dos componentes. Disponível em:

https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-836912899-placa-arduino-uno-r3-com-cabo-usb-design-original-italiano- _JM. Acesso em 03/02/2020.

Figura 30: Maker Faire Rio de Janeiro 2018. Disponível em:

https://www.facebook.com/makerfairerio/photos/a.2450943464933859/2450944428267096/?type=3&theater. Acesso em 03/02/2020.

Poderíamos retroceder e linearizar os acontecimentos: o início das Maker Faire, a invenção do Arduino, a popularização da impressão 3D, o surgimento do site Instructables. Podemos dizer que tudo isto começou com a cultura do Do It Yourself (DIY) nos anos 30, com a popularização da computação pessoal, possibilitada pelos desenvolvimentos de microprocessadores, intensificada pelas redes de comunicação e principalmente pela internet. Isto pode fazer surgir os hackers como figura portadora de uma nova ética, analisada por Himanen (1999). Podemos voltar ao CBA no MIT, a criação da Make Magazine, a expansão da rede de FAB LABs, a FAB Foundation e a FAB Academy, mas tudo isso seriam apenas discursos de um enunciado maior.

Mas por ora focaremos de fato nas mudanças qualitativas que tudo isso ocasionou, aos quais resumiremos nos pontos que abordaremos a seguir. Ao que nos parece, a grande síntese do maker é a ideia de uma nova pragmática, aquela mesma a qual Deleuze se refere em Foucault. Neste sentido, pensar e fazer constituem a mesma coisa: o trabalho da ação nos planos virtual e atual, ou o que chamaremos de complexidade da ação. O estado da arte da humanidade permite que vociferemos: estamos no ápice do desenvolvimento humano, quebramos barreiras históricas constantemente, o que nos leva a crer que superamos a própria história como

modeladora: paradigma pós-histórico (FLUSSER, 2011). Nós estamos no controle, Homo Deus, a realidade é nosso laboratório. E devemos experimentar com tudo, de todas as formas, para todas as finalidades. Colocaremos alguns pontos prévios, expressos pelo agora, para entender este panorama:

Projetos como instruções: executar uma ação tende a seguir um protocolo criado a partir do saber humano em relação ao seu ambiente de atuação. As condições durante a execução tendem a se manter, de tal maneira que as variações nas instruções são pequenas – e podem ser alterados e modificados, customizados por qualquer pessoa e ser colocado online para que outros atualizem. A capacidade de disponibilizar projetos em rede como instruções permitem que qualquer ação possa ser executada como uma receita de bolo, de qualquer lugar do mundo. Passo-a- passo, a ação se completa e o trabalho é empregado. Se produz algo;

Cultura do faça-você-mesmo: assim, diversas pessoas pelas redes começaram a difundir tutoriais, vídeos explicativos. Hoje podemos observar como tal meme dominou as redes sociais, com receitas culinárias, processos artesanais de customização de objetos ou de produção de coisas simples, o universo da maquiagem. O sonho de Neil virou realidade. Cada dia mais se empodera o indivíduo a executar reparos, customizações e criações sem a ‘expertise’ necessária. O artesão enquanto figura especializada está caindo mediante a ascensão do artesão digital, buscando métodos por um repositório de saber prático;

Trabalho assistido por máquinas: o artesão digital está capacitado a operar sua criação no nível do código, permitindo que a atualização seja efetuada por máquinas de fabricação digital. Isto altera sobremaneira a noção de criação, de fabricação e de produção como entendida num lócus industrial e num logos de produção em massa. A customização de modelos virtuais permite que as possibilidades de criação sejam virtualmente infinitas, dada o número de parâmetros que são possíveis flutuar. O diagrama das produções humanas está em seu ponto de mutação, em direção a uma entropia elevadíssima;

Customização de objetos e máquinas: os modelos industriais de decisão de produção em massa homogeneizaram as máquinas ao nosso dispor. Por isso, podemos sim evocar um tal modus vivendi industrial com suas máquinas desejantes,

seus tais modos de subjetivação. A possibilidade de configurar sua assemblage (D&G, 2012) maquínica permite que cada corpo funcione segundo suas operações internas, projetando seus desejos através de suas ações e seus agrupamentos tecnológicos, tal como discursa Preciado. A máquina vira órgão e compõe a sobrevivência do corpo, e a customização se torna uma forma de intervir diretamente nas máquinas que compõem sua realidade;

Novos modos de subjetivação: este empoderamento do corpo e da mente através das máquinas permitem que novos modos de subjetivação surjam de maneira customizada, individualizada. Tanto as máquinas, quanto os desejos, quanto o código e a linguagem utilizados para configurar este sistema tornam cada corpo uma molécula com propriedades compartilhadas cada vez menores com as outras. A cultura local, a experiência compartilhada que antes nos unia em localidades geográficas, agora está globalizada, dispersa pelas redes digitais. Nossas comunidades se organizam em torno de eixos de interesse, tags dispostas em rede. E de tag em tag, nos tornamos nossos avatares;

Novos modelos de organização: a sociedade está mudando cada vez mais rápido conforme as tecnologias intensificam as relações humanas. As interações entre avatares, os processamentos de dados humanos, as novas formas de produção, consumo e troca farão com que as formas como nos organizemos mudem drasticamente. A principal reviravolta é que cada vez mais os novos modos virão de baixo, e não de cima: emergências das redes tomarão o lugar de institucionalizações; Novas finalidades humanas fora do domínio do capital: nossas formas de troca se fazem efetivamente pelo trabalho empregado em algo e sua relevância perante a sociedade, que lhe atribui um valor. Num pêndulo entre escassez e abundância, os valores sobem e descem. Porém, como pontua Harari, não temos falta de nada. Produzimos tudo em excesso, de tal forma que temos que movimentar o consumo a fim de não produzir excedentes. Tais finalidades guiaram as ações humanas desde a ascensão do capital, segundo os regimes de produção. Hoje, sob novos modelos, organizamos todas as nossas produções em detrimento dos desejos de quem consome, de uma narrativa de consumo. Cada vez mais nossos desejos conseguem escapar dos aparelhos de captura (D&G, 2013) e correr livres pelas superfícies de registro dos afetos que a potencialização da subjetividade promove;

Nova economia dos desejos: a nova economia será das produções subjetivas, dos desejos, da ordem dos corpos e dos assemblages. Com uma ausência cada vez maior de limites nos objetos, processos e máquinas que podemos querer, haverá necessidade de cuidado com o que desejamos. Como já esboçamos, a ontologia da máquina de guerra coloca em xeque as finalidades que se projetam virtualmente em nossa cultura. A economia das produções será feita mediante o que cada um produz e para quais fins de acordo com uma ética do comum;

Novas modalidades de expressão humana: se cada pessoa se empodera a produzir segundo seus desejos, a expressão humana adquire novos domínios, fazendo fervilhar de inovação qualquer lócus produtivo. A questão de fato é em quais pontos haverá concentração e evidência: na medida em que verticalmente estes espaços se instauram historicamente, de qual maneira vamos operar tal economia dos desejos em escala global com uma horizontalidade inaugurada pelas redes? Como organizaremos quais desejos poderão aflorar e se fazer polinizar? Como será a comunhão de desejos moleculares numa molaridade que nos é comum?

A fusão das forças do homem e do silício: de fato, somos ciborgues. Quais desejos se produziram na intersecção entre sapiens e máquinas? Quais potenciais de ação que aqui se inauguram, na iminência de um rompimento histórico? Forjamos um material, e dele construímos um mundo. Um mundo humano, povoado por humanos e robôs – cuja humanidade é absurda – e que criam novas redes sobre o mundo. Quando o rizoma aflorou, o mundo começou a refletir as ações individuais de cada um. Como afirma Harari, já temos o poder de Deus;

A complexidade do mundo na ação humana: nenhuma ação é ou será isolada. Bertalanffy (2010) explora a termodinâmica e aponta: todo sistema é aberto e possibilita trocas de energia com outros. O sistema sempre pode ser expandido, reduzido e trabalhado por nossas mentes, de tal maneira que somos presenteados com uma escolha: qual é a extensão das consequências de suas ações? Conhecemos cada vez mais nosso ambiente, nosso mundo, e sabemos que certas ações não são ecológicas. E habitamos diversos ecossistemas: humano, animal, climático, oceânico... não deveríamos cuidar de todos? A tendência da mente humana é complexificar tudo o que há, mas não podemos nos dar ao luxo de viver presos nas redes;

A simplicidade da natureza no mundo humano: o processo evolutivo é um dos melhores algoritmos de simplificação. Eliminando o excesso, provando durante muitos experimentos quais traços são melhores que outros, como aperfeiçoar os mecanismos e eliminar o peso, tornar mais apto. Complicamos demais o mundo em torno de sistemas de verdades e crenças, com o perdão da palavra, esquizofrênicas. Não refletem o mundo que se observa! Há de se ter uma redução drástica nos mecanismos humanos para que enxerguemos a Terra novamente, sem a delinquência de transformar irreversivelmente o clima do mundo sem sequer conseguir prever as consequências disso – ou pior, ignorar tais previsões;

O saber que não distingue ciência e espiritualidade: a crença em algo é o que orienta uma produção coletiva. Por eras, o que era científico e o que era religioso digladiaram por propostas de mundo. O positivismo científico depositou suas esperanças nas máquinas imanentes; o positivismo religioso depositou suas esperanças em entidades do transcendental. Hoje, porém, a quântica acabou com quaisquer verdades, os deuses caíram por terra. Nietzsche já havia postulado: Deus está morto. Dado que todo saber orienta uma ação, não importa de onde venha a crença em alguma verdade – efêmera –, o que realmente importa é qual a produção no mundo que isto fará. Observamos, de uma maneira simplificada, que o que importa realmente na crença é que ela reflita o mundo no qual se vive. Diversos foram os fracassos de um e de outro, e chegou o momento de se unirem os esforços, trabalhar as máquinas e o espírito;

Para cada forma de ver, um mundo diferente: ao invés de adotarmos somente um regime de verdades, visão universalista, o agora exige que se hibridizem os pontos de vista numa perspectiva circunstancial. O mundo é feito pela convergência de vetores epistemológicos. É o mesmo mundo, descrito segundo códigos completamente divergentes entre si. Nunca foi possível se fundar uma epistemologia do real enquanto ciência. Reconhecendo a multiplicidade do real, libertamos os acontecimentos de determinações eternas. O saber humano também se liquefará, dado que já foi volatilizado pelas nuvens. Nossas formas de ver o mundo se adaptarão ao mundo que queremos criar;

Novos possíveis se inauguram pela tecnologia: McLuhan conseguiu abrir os precedentes que nos permitisse teorizar sobre os meios como palco de ação dos

memes. A hibridização de ideias, através das tecnologias digitais de comunicação, permite que uma ideia isolada ganhe um mundo – qual tipo de seleção se faz aqui? Segundo quais critérios? Permite, também, que o desejo percorra espaços nunca vistos em busca de um ato de criação (DELEUZE, 1999) cibernético. As limitações práticas que a experimentação no campo da atualidade permite são desconhecidas em ambiente virtual, de tal maneira que nosso potencial criativo adquiriu limites inauditos. Dado tamanho empoderamento, os possíveis se distribuem entre um bem e um mal, polarizados pelas ações humanas frente às suas ecologias de signos, obrigando-nos a tratar este assunto com uma devida importância, desenvolvendo uma discussão sobre a ontologia da máquina de guerra;

Ética das redes: Himanen nos situa dentro deste universo das redes e das emergências etológicas e éticas frente às experimentações no virtual, o que nos permite entender que uma nova forma de consciência está emergindo, pensando com a máquina. A moral se dissolve em uma rede de comportamentos retroativos segundo um código que minimiza os atritos e permite que a diferença se situe. O avatar, eliminando o corpo, elimina todo o encargo de signos que uma subjetividade carrega. As interações nuas no virtual permitem que os regimes de verdade entrem em contradição. Daí emerge uma nova ética das redes;

A necessidade de um projeto de mundo: é claro que existe uma necessidade latente de que se convirjam os vetores de desejo dos encarregados pelas tomadas de decisão; ou numa instância utópica, que se convirjam os vetores de todos os que habitam nosso mundo. Os rumos díspares entre indústrias vizinhas revelam que, se o projeto do moderno de fato existiu, que foi falho em diversos aspectos, embora tenha impulsionado o desenvolvimento humano em escala global. Criamos sociedades doentes, um mundo doente, embora a cabeça dos sapiens elitizados habite o estado da arte. Temos uma capacidade projetiva incrível, com algoritmos que preveem estados futuros de sistemas complexos e dinâmicos. Através de algum enfrentamento, há de se tomar a direção e projetar para onde todos nós caminhamos;

A emergência de redes de colaboração: mediante qualquer projeto, diversas pessoas colaboram para a construção virtual de certos projetos, que, colocados em prática, se provam muito mais bem estruturados do que projetos universitários. Os projetos trabalham as escalas pessoais e locais, mas em breve as formas de

organização em rede possibilitarão a organização regional, e quem sabe a utopia de uma aldeia global se constitua? A força empregada para realizar certos processos em coletivos, como foi o caso da criação do sistema Linux, provou que redes de colaboração podem ter a mesma força que gigantes multinacionais. A questão é a convergência de desejos em prol de algum projeto;

A dissolução de fronteiras e a abertura ao múltiplo: os territórios sempre foram um dos problemas da humanidade. O território permanece intacto contanto que um regime de forças permita a manutenção de sua extensão e de sua intenção. Esta nova organização humana permitirá que a multiplicidade determine qual será a natureza da humanidade, e não mais a natureza do bom e do belo. Não mais seremos impedidos de acessar determinados espaços, estados, afetos. O corpo poderá se libertar dos grilhões que o prendem, a mente romper com o limite e adentrar ao vazio do exterior, anterior a qualquer interioridade que tenha nos permitido levantar a muralha do Eu, tão defendida pela psicanálise;

A convergência das ações no devir do mundo: adentraremos ao panorama do molar-molecular. As experiências em rede continuam nos provando que existem sempre novas maneiras de nos organizarmos, de se situar, acessar, agir. Isto é um fato: através de uma altíssima conectividade, a integralidade do sistema humano continua a crescer, permitindo novas funcionalidades, e por fim, novas organizações. Não sabemos o que poderá vir, e nem convém especular. Conjecturamos uma utopia como premissa de contestação de nossa atualidade: se existem alternativas, existem críticas. Quanto maior a integralidade, maior será a unidade do rizoma, maior será a potencialidade do devir do mundo. Carl Sagan era fascinado pela Terra enquanto partícula: olhe como é pequena, olhe como significamos nada frente ao universo. Nós enxergamos como molécula gigantesca, cuja molaridade é ainda maior. Estamos apenas começando a aprender quais são os verdadeiros potenciais do agora.

É claro, portanto, que não importa quantas ‘previsões’ façamos, as potências do amanhã dependem das ações de hoje. Por isso chamamos a atenção ao maker para propor um novo paradigma para os potenciais de ação: a partir da premissa de uma realidade quântica, a construção de estados possíveis é exclusivamente probabilística, ou seja, quanto mais trabalho empregado para a resolução de algum sistema em uma organização projetada, maiores as chances.

Um maker é um indivíduo que possui um desejo por fazer, capaz de acessar o conhecimento necessário à realização do projeto em uma rede de computadores, que o permitem trabalhar um projeto virtual e, através de máquinas de precisão, atualizar objetos que até outrora eram impossíveis de serem produzidos. Um maker possui um desejo de mudança ativa de seu entorno, ele é um nômade, utilizando o que lhe convém, quando lhe convém, tendo em mente que sua ecologia é frágil, o que transforma e limita as ações em benefício de uma causalidade maior. A cultura maker possibilita que o conjunto de características de um maker adquira um lema: just do it. Assim, o maker não só constrói coisas, mas também futuros. O empoderamento do projeto como ferramenta de construção de desejos é algo que tornará o maker ruma figura subjetiva de grande valor.

E um hacker é alguém que possui domínio de certa tecnologia ou ferramenta e faz uso subversivo dela, explodindo com o aparelho em função de novas máquinas, novos usos. A ética hacker surge das experimentações de fraternidade em rede por usuários dos primórdios das redes de computadores. Um hacker possui a habilidade de ressignificar, reestruturar e reorganizar sistemas em detrimento de finalidades eticamente levantadas. Suas finalidades são endereçadas a futuros ecológicos, sob os preceitos de uma abertura dos sistemas e uso livre de tecnologias. Opera segundo graus de liberdade: quanto mais se sabe, mais estados potenciais podem ser atualizados. Assim, hibridizando esses graus de liberdade, o hacker pode contrariar qualquer diagrama, agenciando linhas de fuga por onde passa.

Reunindo uma série de tecnologias, metodologias, espaços e uma nova ética, os makers possuem qualidades e características que reconfiguram a natureza humana, nos fazendo elaborar uma nova imagem. Vasculhamos os arquivos da cultura, e, de maneira irônica, encontramos o exemplo perfeito de um maker, nos aproximando desta imagem:

Figura 31: Emmet, personagem do filme "The Lego Movie".

A figura do mestre construtor é uma metáfora perfeita para o maker: a capacidade de transformas qualquer objeto em peça, engrenagem de uma nova máquina. O maker não é inventor, é maquinista: ele maneja máquinas, organiza-as segundo projetos produtivos, esquemas e diagramas mentais. O maker é aquele que possui as habilidades para rejeitar livremente as quadriculações de seu respectivo diagrama, oferecendo linhas de fuga por onde passa. O maker porta a diferença em seu pensamento e em suas ações. O maker é infrator, ele segue somente sua própria razão de desejo. Mas acima de tudo, um maker opera seus desejos somente segundo modelos ecológicos, e por tal, é um mestre-construtor. Tudo o que produz constrói, semeia algo. Mas há algo interessante, subjacente a tudo isso: o movimento maker cria um empoderamento desejante, na medida em que se deseja o fora, o outro, o novo, algo diferente. Fugindo dos limites do Estado, o maker deseja algo que somente pode vir de baixo. Criam-se máquinas que permitem conjecturar novos mundos, novos

métodos, novas deontologias para o caos que vivemos. Cansados de nos acostumar, de estarmos de corpos sedados, chegou o momento de contrariamos isso. Não há segredo: o desejo coletivo de mudança deverá ser a condição a priori para qualquer mudança.

No documento RODRIGO MALCOLM DE BARROS MOON (páginas 116-126)