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2. A IPB, A IPCC E OS “ROCHEDOS”

2.8 O “PG DOS ROCHEDOS”

2.8.1 Os membros do PG

O “PG dos Rochedos” é destinado exclusivamente aos jovens rapazes da comunidade, outro aspecto formal da estrutura do grupo. A principal justificativa, por eles apresentada, ao serem questionados sobre a não participação das moças em suas reuniões, argumenta que a presença exclusiva de rapazes, da mesma faixa etária, permite que eles compartilhem, de maneira mais fluida, experiências e anseios, e afirmam que não se sentiriam a vontade de falar certas coisas na presença das garotas. Em duas ocasiões, ao longo da pesquisa de campo, pude observar a presença das namoradas de alguns dos membros nas reuniões. Elas participaram das atividades normalmente, mas pude notar um cuidado dos demais presentes em relação à brincadeiras e comentários normalmente comuns nestes encontros.

Entre eles, não existe uma regra fixa que estabelece uma idade mínima para a participação no grupo. No nosso levantamento, a faixa etária dos membros atuantes vai dos dezessete aos vinte e seis anos. O número de membros atuantes é bastante flutuante, já que, a cada semestre, há a chegada de novos membros e, ocasionalmente, a saída de outros. Durante os meses da pesquisa, vinte e três rapazes integravam as reuniões e demais atividades do PG.

Segundo os relatos dos rapazes, o processo de inserção de novos membros ao grupo se inicia, na maior parte dos casos, através de convites que podem ser feitos por qualquer um dos componentes. Tanto a minha inserção, quanto a de outros rapazes - que pude observar durante a pesquisa de campo -, ocorreram desta forma. No meu caso, após frequentar os cultos semanais e algumas outras atividades destinadas aos jovens da igreja por cerca de um mês, fui apresentado a Cláudio, líder do “PG dos Rochedos” na época, que me fez o convite para participar das reuniões do grupo. Apesar de ser a mais comum, essa não é a única forma de inserção no grupo. Como o próprio Cláudio destacou:

“o PG tá aberto a todos os rapazes da igreja que queiram participar. Claro que a gente tem um grupo de interesse que são os caras de dezessete até, sei lá, a minha idade, vinte e seis, vinte e sete. Mas claro que se chegar um cara de trinta e cinco anos a gente não vai botar pra fora. Mas isso não acontece, porque nessa fase o cara já tá interessado em discutir outras coisas, tem outros interesses. E tem também outros PG’s que vão atender melhor a necessidade dele. Agora se o PG crescer muito, tipo quarenta pessoas, aí a gente tem que ver se não é melhor separar em dois grupos. Pra não ficar aquele negócio muito disperso.” (Cláudio, 26 anos, Líder do PG)

Tanto na minha inserção no grupo, como na de novos membros – pelo menos aquelas que pude acompanhar - a primeira reunião, da qual participa o novo integrante, assume, em partes, a função de cerimônia de boas-vindas. Apesar deles sempre reforçarem que não há uma regra estabelecida de como deve ser a apresentação, e inserção, de um novo membro, pude também perceber a manutenção de um padrão cerimonial nestas ocasiões. Conduzida pelo líder do grupo, a “cerimônia” começa com uma apresentação inicial do novo “Rochedo”, feita por ele mesmo, numa rápida descrição autobiográfica. Em seguida o grupo “se apresenta”, já que, individualmente, todos os componentes se identificam e proferem alguma mensagem de boas- vindas que vão desde um “seja bem-vindo” até uma rápida descrição de sua entrada no grupo e da importância em suas vidas.

Dependendo do grau de proximidade, anteriormente, estabelecida entre o novo membro e os demais participantes, este processo pode assumir uma configuração mais formal ou mais flexível, aberta a brincadeiras. No meu caso, pelo fato de não conhecer boa parte do grupo e, mesmo com aqueles que já mantinha contato, este ainda era muito recente, a receptividade a mim foi mais contida, quando comparada a outros rapazes que já faziam parte da igreja e já mantinham contatos com os demais participantes do grupo. Ao final deste processo, é feita uma oração “pela vida” e “em agradecimento” pelo novo membro do grupo. Em seguida dá-se início a estrutura ordinária das reuniões do grupo.

Em termos de distribuição geográfica por local de residência, constatou-se uma certa diferença entre os jovens. Nem todos os membros são residentes do bairro de Casa Caiada, na verdade apenas cinco membros residiam em Casa Caiada. Alguns residiam em outros bairros de cidade de Olinda como: quatro em Rio Doce, quatro em Jardim Atlântico, três em Jardim fragoso e dois em Jardim Brasil. Já em bairros de outros municípios vizinhos, dois residiam no município de Paulista – um em Maranguape e outro na Vila Torres Galvão -, e dois no município do Recife – um nas Graças e um no Espinheiro.

No tocante à escolaridade, cinco deles, em função da idade, ainda estavam concluindo o ensino médio e se preparando para prestar o vestibular. Apenas três membros, os mais velhos, já haviam concluído a graduação, um em arquitetura e dois em direito. Os demais estavam todos cursando ensino superior em diversas áreas de atuação – três em direito, dois em ciência da computação, dois em engenharia, e respectivamente um em contabilidade, física, biologia, história, letras, jornalismo e administração de empresas. Apenas um dos rapazes, Gabriel, o único negro pertencente ao grupo e oriundo de uma família de classe média baixa, havia abandonado o ensino médio, mas, devido ao incentivo dado pelos demais membros do grupo e outros membros da IPCC, ele concluiu o ensino médio através de supletivo e, durante o período da minha pesquisa de campo, ingressou no Seminário Presbiteriano do Norte, para cursar a graduação em teologia.

Como já mencionado, todos os pequenos grupos possuem uma liderança previamente designada pelo Conselho Local. Essa liderança possui a liberdade para decidir, em acordo com os demais membros do grupo, como e quando serão realizados os encontros e demais atividades. Obviamente essa liberdade é mediada pelo zelo dos princípios bíblicos, da doutrina reformada e o empenho para alcançar o objetivo central dos pequenos grupos, que é a ampliação do conhecimento sobre as doutrinas evangélicas, através de um contato mais próximos entre os membros. Além disso, o Conselho da Igreja, especialmente através dos pastores auxiliares, mantém um diálogo com a liderança do grupo, participando de algumas atividades e conduzindo algumas reuniões. Durante a primeira fase da pesquisa de campo, o PG era liderado por seu membro ativo mais antigo. Com a sua saída, motivada por uma mudança de cidade, o grupo ficou temporariamente sob a liderança de outros dois membros, autorizados pelo Conselho, que, naquele momento, já haviam concluído o curso para formação de novas lideranças, organizado pelo ministério Comigo.