Capítulo I – Problema, Objetivos e Hipóteses
Capítulo 4 – Os millennials em contexto de trabalho
4.7. Os millennials e a carreira profissional
As aspirações de carreira dos millennials, conjugadas com as atitudes que têm com o trabalho e com o conhecimento que possuem das novas tecnologias, estão a alterar a cultura e o conceito de trabalho. Segundo um estudo da PwC (2011), em 2020, os millennials serão cerca de 50% da força de trabalho do mundo, sendo que a sua carateristica mais diferenciadora é a afinidade que têm com o mundo digital. Esta é a primeira geração que está a entrar no local de trabalho mais bem preparada do que aquelas que já lá estão. O estudo da PwC evidência que as rigidez das estruturas organizacionais não lhes agrada, causando-lhes desconforto, visto terem o ansejo de progredir rapidamente na organização.
Quando nesta pesquisa (PwC, 2011) foram questionados sobre o beneficio que mais valorizam na escolha de uma profissão, referiram: treino e desenvolvimento (22%), flexibilidade no horário de trabalho (19%), vencimento (14%) e seguro de saúde (8%). Uma outra conclusão deste estudo é que os millennials querem que o seu trabalho tenha um proposito, que contribua para uma causa justa, de forma poderem orgulhar-se dele. Verificou- se que evitam trabalhar para setores que consideram que têm uma imagem negativa. Por este motivo, 14% dizem não querer trabalhar no setor petrolifero. Na Irlanda, 30% não querem trabalhar no setor financeiro, 26% dos chineses não querem trabalhar na segurança e 49% dos africanos dizem não querer trabalhar no setor público. Na análise geral, verifica-se que a industria petrolifera, a defesa, a segurança e o setor publico são setores que devido à imagem negativa são evitados pelos millennials.
Em Portugal, são cerca de 23% da população ativa e de acordo com o Millennials@Work: Expetativas sobre as empresas e liderança em Portugal” (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, 2017) trabalham para viverem sem necessidades, mas não têm o objetivo de enriquecer. Estão dispostos a ter mais do que um emprego e não querem um emprego para a vida. Pretendem carreiras boomerang, ou seja, a possibilidade de entrar e saír sucessivamente da mesma empresa, ocupando lugar identico quando regressarem.
Para Gonçalo Simões (Mateus, 2017), sócio e líder de recrutamento da Deloitte Portugal, a geração millennial trouxe para as discussões no âmbito da GRH conceitos como: gestão do talento; flexibilidade; projeto de carreira; equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. Para este diretor de RH os millennials provocaram uma revolução nos métodos e formas de gerir e atrair pessoas para as organizações. Tornaram as chefias mais próximas e abertas aos colaboradores e a gestão dos talentos estendeu-se a toda a cadeia de valor.
O Bentley University`s Center Women&Business (2016) conclui que ser bem remunerado é um dos principais objetivos laborais dos millennials. A par desta conclusão, apurou-se que na escolha de uma profissão elegem como prioridade a segurança financeira a longo prazo e a possibilidade de construir riqueza. A estes fatores, segue-se a oportunidade de aprenderem e desenvolverem as suas competências, nem que para isso tenham de fazer alguns sacrifícios, sempre com o fim último de garantir a estabilidade financeira e o desenvolvimento profissional.
O estudo demonstra ainda que os millennials privilegiam profissões onde são valorizados e reconhecidos, sendo que só uma pequena percentagem (30%) está disposta a trabalhar em locais com que não se identifique. Elegem como fatores mais importantes da vida ser bem-sucedido no casamento (63%) e ser bom pai (57%), pelo que a carreira ideal é aquele que permite passar algum tempo com a família (Bentley University, 2016).
O mesmo se concluiu no “Managing the Multigenerational Workforce” (CompTIA, 2015) quando se apurou que no momento da procura de um emprego o salário conta menos do que o equilíbrio entre a carreira e a vida pessoal. Verifica-se uma mudança nas prioridades, sendo privilegiado o equilíbrio entre a carreira e a família.
O “How the Millennials want work and live” da Gallup (Clifton, 2016) conclui que os cinco fatores mais importantes na escolha de uma profissão, são: “oportunidades para aprenderem e se desenvolverem; qualidade do chefe, qualidade da gestão, tipo de atividade e oportunidades de promoção”. É de salientar que entre os fatores mais elegíveis para a escolha de uma profissão não consta a remuneração.
Será que os millennials são mais idealistas do que os antecessores? Talvez não, visto que têm uma relação ambígua com o dinheiro. Consideram que “têm dinheiro para comprar aquilo que precisam, mas não chega para comprar aquilo que gostariam de ter” (Bentley University, 2016). Isto é, o vencimento é muito importante, porém, não é tudo. Existem muitas outras variáveis que contam, tais como o propósito do que fazem ou a identificação com os valores e práticas da organização, no qual se inclui o feedback. Feedback, que para estes nativos digitais é extremamente importante, embora esta nem sempre aconteça como desejam.
Embora nas pesquisas apresentadas o equilíbrio entre vida profissional e pessoal seja muito valorizado, o “Millennial Survey 2016” (Deloitte, 2016), demonstrou que os fatores de índole económica (vencimento e benefícios financeiros) são os que mais pesam na escolha de um futuro emprego. Só a seguir vem a possibilidade de conjugar vida profissional e vida pessoal, bem como a possibilidade de progredir ou assumir cargos de liderança. A possibilidade de ter um regime de trabalho flexível, o desenvolvimento profissional e a razão de ser do trabalho classifica num terceiro grupo.
No que respeita a Portugal, o “Kelly Global Workforce Index”, da Kelly Services (2015), conclui que 75% dos trabalhadores portugueses na hora de escolher entre dois empregos opta por aquele que melhor concilia a vida pessoal com a vida profissional. Em
comparação com 2012, verificou-se um aumento de 30%. O estudo revela ainda que 34% dos trabalhadores portugueses está disposto a sacrificar o vencimento em troca de horários mais flexíveis e trabalho remoto.
Este estudo demonstra ainda que os programas de bem-estar proporcionados pelas empresas são muito valorizados, pois, concorrerem para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Existe ainda uma percentagem elevada de trabalhadores (45%) que valoriza a participação em projetos inovadores, como por exemplo voluntariado. Embora o estudo respeite a todas as faixas etárias, é na geração millennial que estas tendências mais se evidenciam.
Estes dados são confirmados numa investigação realizada pela Spark agency (2016), com jovens estudantes universitários portugueses de gestão e economia. Esta pesquisa, designada “As Empresas Mais Atrativas de Portugal”, apurou que os principais objetivos de carreira para esta geração são: equilíbrio entre trabalho e vida pessoal; ter segurança e estabilidade no emprego; e trabalhar num local competitivo, onde se sintam desafiados intelectualmente.
Para concluir e com base numa pesquisa da SHRM (Society for Human Resource Management, 2014), refere-se que para os millennials estabilidade significa carreira sólida, segurança, independência e crescimento profissional e não acomodação, vida fácil e emprego. A estabilidade encontra-se ainda associado à felicidade, ao crescimento, ao desenvolvimento, ao dinamismo, ao conhecimento e aos desafios. Para esta geração, qualidade de vida significa bem-estar físico, emocional e social, tempo para a vida pessoal, equilíbrio entre trabalho, família e lazer, nível de pressão equilibrada e fazer o que se gosta.