2.2 Os modelos de exportação e importação
2.2.2 Modelos empíricos setoriais
2.2.2.2 Os modelos de importação
A partir do final dos anos 80 e intensificado com o Plano Real, o processo de abertura comercial promoveu um aumento considerável das importações, contribuindo para os sucessivos déficits na balança comercial brasileira. Desta forma, torna-se relevante a análise do comportamento da demanda brasileira por produtos importados.
Para as importações, Zini Júnior (1988) supôs que o modelo de economia pequena (oferta de importação infinitamente preço-elástica) era válido e estimou uma função na forma log linear como:
lnMtd=c11+b12ln (et PMtt/PDt)+ c13 lnTRt + c14lnUt + c15lnYTt + u6t (26)
onde Md é a quantidade demandada por importação, PM é o preço dos bens em dólares, PD é o preço doméstico dos produtos substitutos da importação, YT é a renda doméstica tendencial (linha de tendência do logaritmo da renda real), U é o índice de ciclos domésticos (utilização da
capacidade instalada), TR é a tarifa média (razão entre a arrecadação tarifária e o valor das importações), e é a taxa de câmbio nominal, u6 é um termo de distúrbio aleatório.
Leamer e Stern (1970) consideraram a função de demanda por importação como: = Pd Y Pd Pm f Mit , ou Mit = f( Yp, ) (27)
onde: Pm= preço do produto importado; Pd=preço do produto doméstico; M=quantidade do produto importado; Pm / Pd = P= preço relativo importado e Y / Pd = Y = renda real.
Espera-se uma relação inversa entre os preços internacionais e as importações. Uma relação direta pode ser esperada entre os preços domésticos e as compras externas. Além desses preços, as importações estão sujeitas, assim como as exportações - porém no sentido inverso – aos efeitos da taxa de câmbio (proxy dos preços relativos) e do PIB. Neste último ponto, se a renda doméstica aumentar e o consumo doméstico aumentar mais rapidamente que a produção doméstica, aumentará a quantidade de importados. Já se a renda doméstica aumentar e o consumo doméstico diminuir mais rapidamente que a produção doméstica, reduzirá a quantidade de importados (OSAKI, 2003).
Carvalho e Negri (2000) estimaram equações de importação e exportação de produtos agropecuários para o Brasil de 1977 a 1998 através do ajustamento de um modelo uniequacional. As formas funcionais alternativas para o modelo estrutural da quantidade demandada foram:
Md = f (Y, E.Pm. (1+T) / Pd, Y/Yp) (28)
Md = f (Y, E.Pm. (1+T) / Pd, Yp) (29)
onde E é a taxa de câmbio nominal; Pm é o preço das importações; Pd, o preço o preço doméstico; T, a tarifa de importação; Y/Yp,é a utilização da capacidade instalada; Yp , é o produto potencial; Y, é a renda interna. Os autores concluíram que as importações do setor são dependentes da taxa de câmbio real e da taxa de utilização da capacidade instalada.
Santos (2004), analisando o mercado lácteo, definiu o modelo de importações como:
t t t mt dt dt P P E Y D D M =θ0+θ1 +α2 +α3 +α4 +γ1 1+γ2 2 +ε (30)
onde: Md= quantidades mensais de importação de lácteos no período de 1991 a 2003;θ0 =
coeficiente autônomo; θ α α α β γ γ1, 2, ,3 4, , ,1 1 2 = coeficientes associados às variáveis explicativas;
Pdt= preços mensais e leite em $/1000 litros no período e 1991 a 2003; Pmt = preços mensais de
importação de lácteos em US$/1000 litros no período de 1991 a 2003; Yt= produto interno mensal
per capita deflacionado pelo IGP-DI no período de 19991 a 2003; D1= estabilização monetária no
mês de julho de 1994 (0 até junho de 1994 e 1 nos demais meses do ano); D2= medidas anti-
dumping a partir de janeiro de 1999 (0 até dezembro de 1998 e 1 nos demais meses); εt= um erro
aleatório. Segundo a autora, a literatura sugere que se aplique o modelo duplo-logaritmo.
O nível de atividade e os preços relativos representam as variáveis condicionantes que foram consideradas na análise empírica de Castro e Cavalcanti (1997) citada no item anterior. Os procedimentos econométricos utilizados deram atenção à não-estacionariedade das variáveis sob análise, e se basearam nos modelos de co-integração e análise de erros.
Para analisar as importações de cebola da Argentina pelo Brasil, Osaki (2003) utilizou o método dos mínimos quadrados em dois estágios e considerou a oferta e a demanda por importações em dois modelos: um modelo de economia fechada e outro de comércio entre duas regiões. Em ambos, a demanda seria determinada pelo preço e pela renda; já a oferta, pelo preço.
De maneira geral, dentre os determinantes para a demanda de importações, destacam- se: a taxa de câmbio, o preço das importações, o preço doméstico, uma tarifa de importação, a utilização da capacidade instalada, o produto potencial e a renda interna.
3 METODOLOGIA
3.1 O conceito de agronegócio e a balança comercial do setor
O estudo de Tomich et al. (2001) constitui o alicerce para a construção da balança comercial do agronegócio. Isso se deve à forma de agregação dos setores. Primeiramente, encontram-se os fatores de produção – cuja análise é essencial, principalmente do lado das importações, ao se aprofundar na questão do trade-off entre crescimento econômico e desvalorização cambial, pois ao mesmo tempo em que esta contribui ao superávit comercial via exportações, encarece os produtos importados, essenciais para toda a cadeia produtiva. Em seguida, os produtos agropecuários, no qual se incluem, por exemplo, as commodities agrícolas, nas quais o país apresenta, em geral., vantagem comparativa. Posteriormente, os segmentos de maior valor agregado ou agroindustriais, sendo a indústria de alimentos a mais representativa. Através dessa estrutura, será possível analisar os principais grupos de produtos do agronegócio brasileiro e destacar suas importâncias.
As mercadorias consideradas neste projeto podem ser encontradas no Anexo A. Buscou-se considerar os setores classificados pela ESALQ / CNA e ABAG já que possuem um maior rigor proporcionado pela análise da matriz insumo produto. Para os itens correspondentes a fatores de produção, a classificação do IEA auxiliou no processo de classificação devido à necessidade de respaldo de um conhecimento técnico mais aprofundado e adequado. Além disso, a classificação do MAPA também forneceu grande auxílio no caso, principalmente, das mercadorias incluídas em Agroindústria (2).
Portanto, a balança comercial do agronegócio, elaborada segundo os critérios anteriores, organizar-se-á da seguinte forma:
I)Fatores de produção: fertilizantes, máquinas (incluindo tratores) e defensivos. II)Agropecuária: produtos agrícolas e produtos de origem animal.
III)Agroindustriais
IIIa) Agroindústria (1): indústria de alimentos, bebidas, fumo, gorduras e óleos e ceras animais e vegetais, produtos químicos.
IIIb) Agroindústria (2): fabricação de calçados, indústria têxtil e artigos de vestuário, borracha natural, madeira e mobiliário e celulose, papel e gráfica.
Em relação aos dados trimestrais de importação e exportação, todos foram obtidos através do Sistema Aliceweb (Brasil, 2006). Todos os valores foram deflacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor dos EUA, tendo como base o ano de 2004 e podem ser encontrados anexo.