7 MÉTRICA OFICIAL REGULATÓRIA PARA A AUTORIZAÇÃO,
9.1 Os Modelos e Experiências do Ensino Superior a Distância no Brasil
É importante destacar os diferentes modelos do ensino superior a distância no Brasil para que se possa dimensionar o universo desta pesquisa, compreendendo que o objeto de pesquisa estudado representa apenas a ponta de um “iceberg” que pode ser explorado em suas diversas dimensões.
Neste aspecto, resgata-se Moran (2009a) no que se refere aos principais modelos do ensino superior a distância no Brasil, principalmente quando o aspecto a ser destacado está incluso no modelo mais adequado para cada instituição. Sendo assim é possível destacar três deles (modelo teleaula, modelo web e modelo videoaula), evidentemente que não os únicos, mas os sobressalentes nesta fase que ainda é de amadurecimento e de reconhecimento de novas combinações na EAD.
Basicamente e segundo o que Moran (2009a) relata no modelo teleaula os alunos são reunidos em uma sala de aula na qual um professor transmite uma ou duas aulas por semana ao vivo. Conforme aponta o autor, após esta aula, os alunos se reúnem em telessalas, nas quais ocorre o desenvolvimento de atividades de discussão sob a supervisão de um mediador, sendo que durante a semana são acompanhados via ambiente de aprendizagem nas atividades que serão propostas para reforço de conteúdo. Para este modelo e segundo o que o autor relata é necessária a transmissão, a tecnologia via satélite, a multiplicação de polos, nos quais estão alocadas estas telessalas.
No caso do modelo web, Moran (2009a) afirma que existem instituições que tem na Internet o principal suporte, representados neste caso pelos cursos de curta duração, que basicamente disponibilizam o conteúdo pela Internet, CD ou DVD. Já no modelo vídeoaula, a instituição foca mais a produção audiovisual e impressa pronta, ou seja, as aulas são produzidas em estúdio.
Salienta-se que, subsequentemente, as IES e seus respectivos polos de apoio presencial, objetos de pesquisa aqui contextualizados, estão enquadrados no modelo teleaula, pois além de toda a infraestrutura tecnológica disponibilizada aos alunos com a teleaula durante a semana, o aluno tem acesso ao material impresso, a plataforma virtual de aprendizagem pela qual poderá acompanhar as atividades no decorrer da semana e, além
disso, tem suporte nas atividades individuais e de grupo desenvolvidas durante o semestre letivo.
Gomes (2008) traz contribuições importantes no que se refere às gerações da educação a distância enfatizando que a primeira geração está relacionada à data de 1833, correspondente à publicação no periódico sueco Lunds Weckoblad de um anúncio relacionado à mudança de endereço das remessas postais de quem estudava, ou a data de 1840, correspondendo à criação, pelo Inglês Isaac Pitman de um sistema de ensino de taquigrafia à base de fichas e intercâmbio postal entre professor e alunos. O autor ressalta ainda, que esta é a geração do ensino por correspondência (cf. GARRISON, 1985; NIPPER, 1989; TYLOR, 1999, 2001; GOMES, 2003,2004 apud GOMES, 2008).
Neste caso, Gomes (2008) retrata uma geração em que a mediatização dos conteúdos ocorre via documentos impressos por serviços de correio postal, sendo importante salientar que nesta fase, a comunicação entre aluno e professor era muito reduzida e de grande defasagem temporal, pressupondo neste caso, a defasagem temporal entre o tempo do envio de uma mensagem e o recebimento do feedback à mesma.
Já na segunda geração da educação a distância, Gomes (2008) enfatiza os recursos intensivos às emissões radiofônicas e televisivas, sendo que o recurso ao telefone torna-se uma alternativa à comunicação que até então acontecia via correio postal. Nesta geração e, segundo o que é apontado pelo autor passa-se de uma modalidade de interação assíncrona e com grande defasagem de tempo para uma modalidade de comunicação de tipo síncrono e com recursos que envolvem uma linguagem híbrida e linear em seus diversos aspectos, seja ela de ordem audiovisual, somente por áudio ou somente por vídeo.
A terceira geração apresentada por Gomes (2008) considera o surgimento e expansão dos suportes digitais informáticos e das comunicações por meio de redes de computadores em que o recurso de multimídia na linguagem de mediatização de conteúdos reconsidera novas possibilidades de representação da informação e de construção do conhecimento por parte dos alunos. Em resumo, esta geração apresentada por Gomes (2008) caracteriza a existência de condições para um nível de interação diferenciado entre aluno e professor, principalmente no que se refere à facilitação do uso de correio eletrônico, facilitando também a comunicação aluno/aluno. (NIPPER, 1989; GOMES, 2003, 2004 apud GOMES, 2008).
Na quarta geração designa-se a “aprendizagem em rede” que de acordo com Gomes (2008) hoje designamos como e-learning; ou seja, a nova geração de serviços da web se transforma num espaço de publicação, partilha e construção colaborativa de conhecimento. Já na quinta geração, o autor apresenta a geração de telefones com Sistemas wireless e tecnologia de banda larga e funcionalidade de RSS (Really Simple Syndication - formato baseado na linguagem XML utilizado na distribuição de conteúdos).
Na sexta e última geração apresentada por Gomes (2008) é contextualizado o ritmo desenfreado das mudanças tecnológicas e sociais que vem ocorrendo e o autor emite um alerta no sentido de que ainda não temos perspectivas claras de todo o potencial das tecnologias existentes, principalmente no que se refere ao potencial de seu domínio na educação/formação e nos novos serviços e tecnologias que propõem desafios constantes e oferecem novas potencialidades. Gomes (2008, p. 198) considera esta geração ainda em construção partindo do princípio que a designa como pertencente a uma fase de “mundos virtuais e imersivos”.
Para tratar das experiências em EAD no Brasil e pensando em aspectos importantes de sua evolução é preciso citar Kenski (2010) contemplando o pioneirismo dos cursos criados pelo Instituto Universal Brasileiro em 1941 em que o ensino a distância acontecia em caráter supletivo além de cursos profissionalizantes por meio de correspondências. De qualquer forma, a autora considera que foi pelas ondas de rádio que a primeira experiência de EAD ocorreu, na qual em 1923, a Fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro transmitia programas cujos temas estavam relacionados à literatura, radiotelegrafia e telefonia, línguas e outros, sendo que em 1939 era criado o Instituto Rádio Monitor que se preocupava basicamente em utilizar o rádio para ensinar.
Kenski (2010) acrescenta ainda, que somente no início da década de 70 o suporte televisivo começou a ser utilizado pela educação a distância com o Projeto Saci (Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares) que tinha como objetivo estabelecer um sistema de educação, via satélite, sendo que logo em seguida, precisamente em 1978, esta iniciativa foi seguida por um projeto denominado Telecurso de 1º e 2º graus orientado primordialmente à melhoria do ensino na Educação básica e nos cursos profissionalizantes.
Indo um pouco mais além, e de acordo com o que apresenta Kenski (2010), os projetos realizados nos anos 80 tinham como proposta a utilização dos recursos da informática para a formação e capacitação dos professores e o desenvolvimento de cursos presenciais e a distância.
Reconhecendo apenas algumas experiências desta trajetória da EAD é possível perceber que a construção da modalidade a distância veio sendo realizada ao longo dos anos, na perspectiva de se oferecer uma educação em possibilidades distintas de interação com recursos que flexibilizassem, principalmente, a demanda de aprendizagem no país.