ANEXO XII Valores das escalas de navios de passageiros no Porto do Funchal
Capítulo 2 – História e economia dos cruzeiros
2.2. Os modernos navios como playgrounds multi etários
Segundo a mesma CLIA, o potencial de crescimento desta industria é e manter-se-á enorme, uma vez que não só a idade média do passageiro desceu dos valores em torno dos 60 anos, como vimos antes, para os cerca de 45/46 anos, o que potencia extraordinariamente as novas atracções introduzidas nos navios lançados entre os anos de 2006 e 2010, caso do VISION OF THE SEAS, da ROYAL CARIBBEAN, dotado de patinagem no gelo, parede de escalada, uma moderníssima galeria interior de lojas e boutiques de luxo, a que se juntaram novos conceitos de camarotes, numa zona hiper selectiva do navio, que o não são já, mas verdadeiros apartamentos, podemos dizer, villas de luxo, com mordomos privados, piscinas próprias e demais luxos e exclusividades.
A tendência crescente do luxo e da exclusividade, ainda que cada vez mais democrática e cobrindo os diversos extractos etários e os diferentes elementos constituintes de uma família, desde os avós, passando pelos filhos e chegando aos netos, mesmo que de tenra idade, veio confirmar que o turismo de cruzeiros tem um cada vez maior potencial de atracção, em contraste como o que se passava com os cruzeiros de um passado recente.62
Tal espírito ainda se mantém, nos cruzeiros tipo boutique de luxo, nos quais e nos sites de marcação de viagens é expressamente declarado que não é permitida a viagem a menores de 21 anos e isto não por razões jurídicas mas única e simplesmente para cobrir
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Idem, ibidem, pág. 112
62 XIE, HUI (Jimmy), KERSTETTER, Deborah L., MATTILA Anna S., (2012), The attributes of a
cruise ship that influence the decision making of cruisers and potential cruisers, International Journal of Hospitality Management, Volume 31, Issue 1, March 2012, Pages 152-159
49 o leque de utentes a quem se revela penoso o viajar entre gritos e risos de crianças, mas e igualmente porque estes navios não podem nem querem comportar a valência de suporte a crianças, que os grandes navios, pelas dimensões e nova vocação comportam com toda a facilidade e proveito.
Desta forma, as companhias têm conseguido aquilo a que podemos chamar a quadratura do círculo, ou seja, obter clientes de nível médio e por vezes médio baixo, que permitem criar volume, “juntando-os” em navios onde há uma zona confortável e ao nível de um bom hotel, muitas vezes com características de hotel familiar, com a prática do tudo incluído, embora este tudo seja muito relativo, à qual se junta, mas reservada e exclusiva, uma zona de alto luxo, onde o tudo é mesmo tudo ou quase tudo.
Isto foi possível com o recurso a navios cada vez maiores, criando efeito de escala, com uma tripulação que em número pouco difere do dos navios da geração anterior, de menor tonelagem e menor capacidade de hotelaria, com muita automação e meios de frio, com vários restaurantes e serviços temáticos, muitos deles em regime de buffet, o que reduziu a necessidade de tanto pessoal, nomeadamente na área hoteleira de Comidas & Bebidas, uma vez que na área profissional de marinha, a automação da manobra e da navegação havia já reduzido muito, e há muito, as necessidades de tripulação.
Estes navios estão equipados, não já, como antes, de meras áreas comerciais em regime de duty free, mas sim de verdadeiros centros comerciais, quais souks de luxo, em galerias a céu aberto, uma vez que os navios passaram a estar providos de pátios interiores, ao longo de toda a sua supra estrutura, zonas essas onde os passageiros compradores/consumidores, muitos deles adictos de marcas de luxo, não apenas podem ver, mas e principalmente tocar e adquirir, assim como jogar e perder ou ganhar em casinos com centenas de máquinas, com recurso ao cartão interno, que lhes é entregue, contra o seu cartão VISA, no acto de registo, logo após o embarque.
Ao comércio ou ao mero merchandising de produtos e marcas de produtos de luxo, devemos juntar cada vez mais a adopção de marcas no ramo do F&B, ou seja da alimentação e bebidas, que encontramos em terra, em todos os locais do conceito de Centro Comercial de luxo, caso do que encontramos no designado Boardwalk, ou seja o designado bairro ao ar livre, conforme Lisa Bauer, a Vice-Presidente das Operações Hoteleiras na ROYAL CARIBBEAN CRUISE LINES, nos diz, onde podemos encontrar áreas, melhor dizendo, estabelecimentos do tipo Cantina Mexicana, a Rita‟s
50 Cantina, ou do estilo Brasileiro, com rodízio, o Samba Grill, com preços suplementares de 25 US Dólares, por passageiro, sendo que este tem a sua refeição já paga na marcação original do cruzeiro, o que representa um acréscimo de receita não despiciendo.63
Falámos de comércio, de restauração e cafetaria, mas podemos também juntar a associação cada vez mais proveitosa entre a indústria dos cruzeiros e a do entretenimento, de tal forma crescente e importante que, na festa do lançamento do navio ALLURE OF THE SEAS, a madrinha do navio, não foi como em Southampton no lançamento do QUEEN ELISABETH III, a Rainha de Inglaterra, mas sim a Rainha Fiona, a estrela da DreamWorks e do filme Shrek, a qual orgulhosa e nada virtual, posou ao lado dos presidentes da ROYAL CARIBBEAN, Adam Goldstein e Richard Fain, assim como do comandante do navio, Hernan Zini.
Esta parceria entre a DreamWorks e a RCCL permite que as personagens do universo do cinema, ainda que personagens virtuais, caso do Shrek, do Panda Kung-Fu, dos personagens da série de filmes Madagáscar, melhor dizendo, dos vários e sucessivos Madagáscar, possam viajar pelos 7 mares, contribuindo para uma parceria que se iniciará com a sua visão em 3D, para o merchandising dos personagens, para a sua interacção com os passageiros, enquanto estiverem, e não só, a patinar no recinto de patinagem no gelo, de que estes navios se encontram dotados, numa parceria que os responsáveis por ambas as companhias consideraram ideal. (Citação 029)
Chegou-se, nos nossos dias e nestes modernos navios, à contratação de espectáculos que estão a ser lançados em simultâneo na Broadway, caso do que se passou e se mantém no ALLURE OF THE SEAS, o qual estreou na sua viagem inaugural e na sua sala de espectáculos Amber Theater, com a capacidade de 1380 lugares, o espectáculo Chicago: The Musical, o qual foi estreado em simultâneo em Londres e em Nova Iorque.