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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Os objetivos do projeto “Assentamentos sustentáveis

Destacam-se no projeto os objetivos gerais, presente em todo o período do projeto como diretrizes, os objetivos específicos que sofreram adaptações ao longo do tempo de acordo com os interesses dos agricultores e os objetivos finais que são os resultados esperados na ausência do projeto. Assim iniciamos pelos objetivos gerais.

4.1.1 Objetivo geral

Potencializar a capacidade de intervenção dos agricultores familiares no desenvolvimento sustentável local, contribuindo para a viabilização da agricultura familiar e da reforma agrária, através da capacitação metodológica, tecnológica e mercadológica dos agricultores e suas organizações, visando o diagnóstico das potencialidades locais, o planejamento e adoção de princípios agroecológicos que permitam a sustentabilidade dos projetos de assentamentos nos quais estão inseridos, através de práticas que estimulem a conversão para sistemas orgânicos, a adequação à legislação ambiental, a recuperação de áreas degradadas, o manejo de sistemas agroflorestais, a agregação de valor à produção, através da adoção de boas práticas de processamento e a identificação de oportunidades em mercados diferenciados (RAMOS et. al. 2004).

4.1.2 Objetivos específicos

Estes foram organizados em no quadro 3, para facilitar a compreensão. Quadro 3. Objetivos específicos do projeto “Assentamentos Sustentáveis”. 1 Capacitar e incentivar agricultores assentados da Reforma Agrária

em três regiões do estado de São Paulo, para atuarem como multiplicadores na aplicação de práticas agroecológicas e na construção coletiva e participativa de instrumentos de Gestão ambiental dos assentamentos;

2 Promover espaços vivenciais de intercâmbio e troca de experiências, que possibilitem a construção, validação e difusão de conhecimentos no âmbito agroecológico e agroflorestal;

3 Contribuir para a formulação de propostas de organização solidária visando à agregação de valor à produção familiar sustentável e para uma inserção diferenciada desta produção no mercado;

4 Divulgar experiências bem sucedidas de manejo integrado dos recursos naturais, que sejam adequadas à realidade socioeconômica e cultural dos assentados, além de adequadas à conservação dos solos, da água e da biodiversidade;

Fonte: Elaboração própria a partir do Projeto “Capacitação sócio ambiental para construção de projetos de desenvolvimento sustentável em assentamentos rurais no estado de São Paulo” Chamada para Seleção de Projetos para Disponibilização e Apropriação de Tecnologias para Agricultores Familiares / MCT/SECIS/MDA/SAF/ EMBRAPA, 2004. Núcleo de Agroecología da EMBRAPA Meio Ambiente.

Esses objetivos gerais e específicos foram traçados a partir das demandas desses assentamentos, realizadas principalmente em reuniões com o INCRA. Portanto apesar de não aparecer explícito o interesse pela participação e emancipação, a própria construção dos objetivos vem na direção de dentro para fora, ou seja, partindo dos agricultores para a empresa de pesquisa.

Além disso, a busca pela intervenção do agricultor (grifado no objetivo geral) reflete o tipo de relação de poder que o projeto pretendia estabelecer junto aos agricultores, promovendo atividades que possibilitassem a escolha daquilo que os assentados acreditavam ser apropriado para o local onde vivem.

A maioria dos objetivos do projeto está relacionada, principalmente ao setor de produção, isso talvez, fosse motivo para não desenvolver a participação. No entanto, como a forma de produção é agroecológica e essa preconiza tecnologias que exigem a discussão de outra organização social, traz em si o questionamento, que ajuda no processo de reflexão daquilo que seria realmente melhor para o local onde vivem em relação à questão econômica, social e ambiental de forma que suas escolhas possam ser sustentáveis ao longo do tempo. Para o final do projeto esperava-se atingir as metas expostas no quadro 4.

Quadro 4. Objetivos finais do projeto “Assentamentos sustentáveis”. 1 Proporcionar a formação de agricultores direcionada para a “re”

construção de uma nova agricultura, baseada no paradigma

agroecológico e associativista, propiciando que os mesmos sejam os facilitadores na implantação de novas tecnologias disponíveis ou que venham a ser geradas futuramente pelas instituições de pesquisa; 2 Capacitar famílias de assentados da Reforma Agrária para estarem

desenvolvendo projetos de gestão ambiental nos assentamentos, a partir de uma orientação agroecológica;

3 Dar suporte técnico para que os agricultores e órgãos de fomento possam desenvolver propostas que já vem sendo discutidas com os assentados.

4 Formar multiplicadores em cada região

Fonte: Elaboração própria a partir do Projeto “Capacitação sócio ambiental para construção de projetos de desenvolvimento sustentável em assentamentos rurais no estado de São Paulo” Chamada para Seleção de Projetos para Disponibilização e Apropriação de Tecnologias para Agricultores Familiares / MCT/SECIS/MDA/SAF/ EMBRAPA, 2004. Núcleo de Agroecologia da EMBRAPA Meio Ambiente.

Esses objetivos para o final do projeto são fruto, principalmente, da discussão intelectual da agroecologia em relação à autonomia dos agricultores perante as instituições agrárias em relação à assistência técnica e ao uso de insumos agroquímicos indústrias, também está relacionada à dimensão política e ecológica da agroecologia no sentido de visibilizar e potencializar as formas de manejo que os assentados já desenvolveram no seu ambiente.

Pois, como afirma Gomes (2012), a participação como metodologia e como concepção de trabalho, representa uma alternativa ao distanciamento dos agricultores familiares na criação e adaptação de tecnologias, causado pelo agronegócio. Além disso, permite desenvolver processos que possibilitem a compreensão de situações complexas e diversas, nas quais os agricultores familiares estão inseridos, contribuindo assim para recuperação e utilização dos saberes locais. O que permite a geração de

tecnologias, que favoreçam a sustentabilidade, à equidade social e a melhoria da qualidade dos produtos.

Por isso, buscou-se trabalhar temáticas que refletissem a demanda já apontada pelos agricultores dos assentamentos em outros momentos. Há princípio o projeto havia sido desenvolvido para trabalhar os seguintes temas agroecológicos por regiões expressados no quadro 5.

Quadro 5. Temas agroecológicos por região.

Sepé Tiarajú Pirituba

Viveiro de mudas comunitária

Unidade de Observação Participativa de Sistemas Agroflorestais (SAFs) Trabalho coletivo, PDS, recomposição

ambiental da paisagem e preservação dos recursos hídricos subterrâneos, Legislação ambiental.

Legislação ambiental e manejo de Sistemas agroflorestais.

Recuperação das matas no entorno dos corpos d’água na área do

assentamento;

Diretrizes para o planejamento do uso e ocupação do solo na área do assentamento, em bases sustentáveis.

Implantação de granja de galinhas poedeiras

Fonte: Elaboração própria a partir do Projeto “Capacitação sócio ambiental para construção de projetos de desenvolvimento sustentável em assentamentos rurais no estado de São Paulo” Chamada para Seleção de Projetos para Disponibilização e Apropriação de Tecnologias para Agricultores Familiares / MCT/SECIS/MDA/SAF/ EMBRAPA, 2004. Núcleo de Agroecologia da EMBRAPA Meio Ambiente.