CAMINHOS PARA A ANÁLISE DAS RELAÇÕES ENTRE INDÚSTRIA DA PESCA, NORMAS E TERRITÓRIO 1
2 OS OCEANOS, A ATIVIDADE PESQUEIRA E AS NORMAS
No planeta Terra, aproximadamente 71% de sua superfície é coberta por mares e oceanos que possuem 98% da água da hidrosfera terrestre.5 Com profundidade média de 3.730 metros, 84% dos fundos oceânicos estão a mais de 2 mil metros de profundidade. Nas águas rasas dos oceanos primitivos ocorreu a origem da vida na Terra. Porém, o ser vivo que hegemoniza o planeta, o homo sapien, é um mamífero terrestre com pequena capacidade natural de sobrevivência nos corpos de água. Durante milênios as grandes massas de água produziram medo, mistério e fantasias. Os seres humanos que habitavam as margens oceânicas, o faziam por absoluta necessidade e não raramente eram considerados párias ou estavam de passagem para fugas, aventuras ou punidos. O litoral que já foi “território do vazio” (CORBIN, 2003), conecta sistematicamente a humanidade com os mares e oceanos do planeta através da ciência, técnica e informação, confirmando que “nos últimos cinco séculos o espaço oceânico foi uma arena central da luta imperial” (MANCKE, 1999, p. 234).
5 Dada a especificidade do texto, não há distinção entre oceanos e mares. As duas palavras serão utilizadas como sinônimos por opção de redação no sentido de uma “extensão de água que cobre dois terços de nosso planeta” como em: HUISSOURD, Pascal y GAUCHON, Jean-Marc. (Coord.). Las 100 palabras de la geopolítica. Barcelona: Akal, 2010, p. 85.
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O longo processo de aproximações e afastamentos dos seres humanos dos oceanos, foi acompanhado de desafios, descobertas, acidentes, tragédias e de inovações que construíram e deram origem a normas. Desde as primeiras viagens oceânicas, com o comércio entre a Grécia e a Ilha de Melo no Mar Egeu (7.250 a.C), várias formações sociais antigas organizaram expedições marítimas: os egípcios que em 4.000 a.C. desenvolveram o que será a indústria naval, e a partir do Mar Mediterrâneo, em 1.492 a.C. navegaram através do Mar Vermelho em viagens de cerca de 5 mil quilômetros; povos da Nova Guiné que emigraram para o Oceano Pacífico (2.500 a.C.); os fenícios com atividades comerciais que das proximidades da atual Síria e Líbano singraram até as atuais Bretanha e Península Ibérica, alcançando provavelmente as Ilhas dos Açores (1.500 a.C.) e circunavegaram a África (600 a.C.); os chineses que podem ter chegado ao que é hoje conhecida como América do Norte (218 a.C.); os árabes que a partir do Mar Vermelho chegavam regularmente à costa ocidental indiana (100 a.C.).
Com a divisão da Terra em 360 graus de latitude e longitude, por Ptolomeu no ano 150 d.C., foram abertas as possibilidade para precisar as rotas e pontos de embarque e de desembarque com o aumento da segurança da navegação. O domínio do conhecimento do Planeta colaborou para aumentar a divisão técnica do trabalho nas embarcações e abriu os caminhos para as expansões sobre os oceanos. O começo da supremacia do conhecimento técnico sobre a experiência dos navegadores intensificou as normas sobre os navegantes com exigências exponenciais de disciplina e hierarquia e a criação de disputas sobre o controle das informações sobre os oceanos.6 Os processos normativos serviram para o domínio da navegação e compuseram o processo de investigação sistemática sobre o que será chamado de recursos marinhos com alcunhas recentes que consideram os oceanos, o
“ouro azul” com desdobramentos como a chamada “Amazônia Azul” no Brasil.
Em uma aproximação sintética, norma é uma palavra com origem no latim: esquadria formada por duas peças perpendiculares, sendo considerada “tipo concreto ou fórmula abstrata daquilo que deve ser [...] regra, fim, modelo (LALANDE, 1999, p. 736). Na Sociologia, a norma está vinculada a determinados padrões que são considerados práticas habituais e ligam atos com sanções e que, a despeito das aparências e comportamentos, são realizados comumente. Daí a identificação, em pesquisas sociológicas, sobre a violação das normas de trânsito e consumo de determinadas substâncias consideradas ilegais, da necessidade da “distinção entre as normas como regras culturais abstratas e os padrões concretos de aparência e comportamento que vemos na vida diária” (JOHNSON, 1997, p. 159).
Na transição de uma definição para um conceito, a norma é colocada como um ajustamento de entendimentos e a consolidação de imposição para ações na direção de padrões de funcionamento com suas múltiplas dimensões nas sociedades ao longo do tempo e no espaço. No sentido estrito esta relacionada a jurisdições que envolvem concertações de pactos ao redor de determinados poderes: “as normas são comparáveis a leis, mas só certos
6 Na navegação e em especial na pesca, há condicionantes que remetem para comportamentos e atividades forjadas durante o trabalho que incluem a adaptação dos trabalhadores para fainas com alto grau de incerteza em relação às capturas e às condições atmosféricas, em ambientes restritos, periculosidade e intensidades variáveis que oscilam de períodos sem a execução de tarefas até a realização de esforços ininterruptos por horas ou mesmo dias. Na literatura, a sensibilidade de alguns autores captou parte desse universo com obras clássica como Moby Dick (1851) de Hermann Melville (1819-1891), Trabalhadores do Mar (1866) de Victor Hugo (1802-1885) e O velho e o mar (1952) de Ernest Hemingawy (1899-1961) que são objeto de versões cinematográficas que destacam as lutas entre os homens e a natureza. Mas, a expressão que ainda sintetiza e seduz é que o homem que trabalha no mar é um “lobo do mar” que veio à tona no romance homônimo de Jack London (1876-1916) publicado em 1904.
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tipos de leis merecem o titulo de normas. Não merecem as leis naturais, que são descritivas, nem as formais [...] deve-se levar em conta que as normas funcionam também à feição de fatos sociais ou institucionais, e que em muitos casos as normas têm lugar em contextos sociais” (FERRATER MORA, 2001, p. 2112).
Entre os usos dos oceanos que são envoltos e são condição para normas, está a pesca. Nas novas descobertas da Arqueologia, há registros de pescarias intensivas e da criação de normas para definir quem, como e onde pescar.
O pescado foi se constituindo socialmente em alimento desde pelo menos 8.000 a.C., com uma divisão do trabalho simples em sua gênese, pois baseada na idade e no sexo (PERLES, 1998; ENGELS, 1977). Passando pelos primeiros e rudimentares modos de conservação como secagem a mais ou menos 4.000 a.C. (ORNELLAS, 2000, p. 12) e depois de uma longa e diferenciada trajetória no tempo e no espaço, que inclui as disputas ancestrais por territórios de pesca, tome-se dois exemplos do processo que indicam as ligações entre os oceanos, o setor pesqueiro e as normas: a Liga Hanseática e na conquista do litoral leste do atual Canadá.
A Hanse conhecida como Liga Hanseática foi criada em Lübeck, na atual Alemanha, no começo do século XIII e elaborou uma série de normas para regular as atividades de produção e comércio que articulavam cerca de 100 cidades no norte da Europa com ramificações ao redor do Mar Báltico e das Ilhas britânicas. A Hanse fazia valer seu controle quase oligopólico com a utilização de frotas armadas e tinha em sua origem o controle de “seu comércio de conservas de peixes” (WINCHESTER, 2012, p. 238). Outra disputa que marcou a história da pesca foi a busca do bacalhau na Terra Nova por armadores bascos, portugueses, holandeses, ingleses e franceses nos séculos XV e XVI, posto que “é a pesca que promove o povoamento, sendo pouco depois substituída pelo comércio de pele” (FERRO, 1996, p.
61). Apesar da abundância natural, a pressão pesqueira nos estoques de bacalhau, conduziu à decadência dos estoques e das pescarias e ao estabelecimento de acordos internacionais no final do século XX para a diminuição de cotas que apontam para a proibição de sua pesca (GREENBERG, 2012).7
O pescado tornou-se efetivamente matéria-prima para a indústria de alimentos desde 1830 (REES, 1994, p. 11). Porém, ainda hoje, o pescado é um alimento muito deteriorável e
“para nenhum tipo de alimento existem tantas provas das perdas graves em todas as fases, desde a recolha até o consumo”.8 Ora, a ação de empresas mundiais indica que, ao atuarem no setor de processamento industrial de pescado, minimizam duas limitações da indústria de alimentos, isto é, a alta perecibilidade e as exigências de armazenagem. Em escala global a afirmação do transporte em containers reffers com capacidade de manutenção de temperaturas de até -35°C, por vários meses, e a difusão de equipamentos domésticos e de estabelecimentos comerciais como geladeiras, freezers, fornos elétricos e de micro-ondas, impulsionaram o comércio de pescado congelado nas várias escalas.
Assim, a indústria de pesca e a pesca são parte dos longos e claudicantes processos que conduziram as ações chamadas de grandes navegações a partir dos séculos XV e XVI com a conquista e incorporação dos amplos territórios que serão nomeados e consolidados
7 Uma parte do debate sobre a capacidade de produção natural de pescado nos mares e oceanos e o ritmo das capturas com exemplos como da pesca do bacalhau no Canadá e dos diferentes tunídeos está no documentário “The end of line”(Reino Unido, 2009) dirigido por Rupert Murruy e roteiro de Robert Clover.
8 FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA AS MULHERES (UNIFEM). Processamento de peixe. Roma: UNIFEM/ONU, 1989. Ver também: MORETTO, E. et alli. Pescado. In: Introdução à ciência dos alimentos. Florianópolis: EDUFSC, 2002. p. 139-148.
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como América, África, Ásia e Oceania. Os circuitos do sistema colonial hegemonizados por alguns Estados Nacionais com suas nascentes burguesias, têm como um dos alicerces a tese da liberdade dos mares defendida pelo jurista Hugo Grocio (1583-1645) em 1609.
Grocio, nascido em Delft nas proximidades de Rotterdã (atual Países Baixos), formulou uma tese coadunada com as condições objetivas de disputas por rotas de navegação e áreas com condições para o estabelecimento de portos que justificava as iniciativas de exploração que culminaram na integração hierarquizada do sistema mundial que contou em sua trajetória com disputas e ajustes advindos de acordos e∕ou conflitos armados.
Com as beligerâncias sobre os mares e oceanos, está a criação de normas como a Leis das Presas de Guerra (LPG), resultado de tratados assinados em Paris (1856) e Haia (1899 e 1907). As normas estavam relacionadas com os confrontos entre embarcações na superfície.
A LPG referia-se à proibição do bombardeio de navios mercantes e à obrigação que, em caso de ataque, haveria avisos e a sua tripulação deveria ser colocada em segurança para o saque. Os avanços no desenvolvimento de submarinos criados no século XVIII na Inglaterra e, posteriormente, ajustados para uso militar como na Alemanha, em 1905, colocaram em colapso os princípios da LPG. Ora, a criação de uma norma para uma prática destrutiva e com alto grau de letalidade encontrou limite nos desdobramentos das duas grandes guerras mundiais cujo marco é o bombardeio do navio de passageiros RMS Lusitania pelo submarino alemão U-2-, em 7 de maio de 1915, na costa irlandesa que resultou na morte de aproximadamente 1.100 pessoas (WINCHESTER, 2012).
Entre o debate doutrinário, que foi iniciado no século XVI até aproximadamente 1945, havia um certo consenso sobre o livre acesso e uso das águas que interessavam às maiores potências. No contexto de descenso desse debate, a Comissão Geral de Pesca do Mediterrâneo (CGPM) foi o acordo de pesca mais antigo do mundo datado de 1949, envolvendo, sobretudo, as espécies de pescado migratórias. De modo geral, há duas inflexões na última metade do século XX no período posterior à Segunda Guerra Mundial: a partir da Conferência de Genebra, de 1958, e da Convenção, de 1964.
Na primeira, Harry Truman (1884-1972), presidente dos Estados Unidos da América (EUA) entre 1945 e 1953, defendeu publicamente o uso exclusivo das águas até o limite da Plataforma Continental pelos países ribeirinhos, quebrando a tradição iniciada no século XVII.
Em conjunto com a política e economia que se imbricam com as normas, há uma história relativamente longa e conflituosa da expansão das atividades de pesca que envolve longos deslocamentos para as capturas de diferentes espécies, com conflitos entre os pescadores e outros agentes, chegando a mortes e tragédias para os trabalhadores do mar, mantendo seu trabalho como “lo más perigloso del mundo” (OIT, 2000).9
A segunda inflexão está na Convenção de 1964, que definiu “el lecho del mar y el subsuelo de las zonas submarinas adyacentes a las costas pero situadas fuera del mar territorial, hasta una profundidad de 200 metros o, más allá de este limite, hasta donde la
9 Uma demonstração dos perigos da pesca, mesmo realizada com os melhores equipamentos e comandantes experientes, está no filme “Mar em Fúria” (Perfect storm, EUA, dirigido por Wolfgang Peterson em 2000).
O filme, centrado nos seis tripulantes do barco pesqueiro Andrea Gail, apresenta seu naufrágio em 1991 durante uma grande tempestade. A embarcação, com 22 metros, atuava a centenas de quilômetros de seu porto localizado em Gloucester, Massachusetts, no nordeste estadunidente. Apesar dos equipamentos modernos, o barco naufragou em um evento extremo e sua tripulação não foi encontrada. No filme são apresentados vários elementos característicos da pesca: a incerteza da captura, um período considerado de azar para um comandante experiente, as disputas internas na embarcação e entre os barcos, bem como a religiosidade registrada nas cenas do final do filme em uma missa e com a listagem de pescadores mortos ou desaparecidos.
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profundidad de las águas suprayacentes permita la explotación de los recursos naturales de dichas zonas” (URTEAGA, 1988, p. 12).
Na Espanha, Gonzáles Laxes (1988) e Viruela Martínez (1995) deram indicações das estratégias dos Estados e dos pescadores organizados para garantir a sobrevivência das comunidades e fazer frente às renegociações do uso das águas do Mar Mediterrâneo propostas pela União Europeia e por Estados Nacionais do Norte da África.
As tensões e conflitos, com base na economia e na política, estavam e estão imbricadas com o escrutínio científico e tecnológico das dinâmicas e formas dos e nos oceanos. Em uma breve síntese, considera-se que a Historie Physique de la Mer, de Luigi Masigli (1658-1730), publicada em 1725, é o primeiro tratado moderno com a sistematização dos conhecimentos sobre as águas oceânicas e que está na origem de uma ciência autonomizada da Geografia:
a Oceanografia (GALLO; VERRONE, 1993). O amplo movimento que firma as descobertas sobre o funcionamento das águas, seus entornos, suas profundezas e dos seres vivos aquáticos, apontam para a ecumenização do Planeta, seja pelo uso efetivo, ou por determinadas decisões que impedem o seu uso. Ora, seja pelo uso ou pelo não uso, normas são criadas e praticadas com diferentes intensidades.10
Os oceanos e mares foram tomados por movimentos exploratórios e experiências.
Exemplos? Os mapeamentos da costa da Antártida e das ilhas do Oceano Pacífico somente foram realizados entre os anos de 1838 e 1842 por seis embarcações estadunidenses (PHILBRICK, 2005). A expedição do Challenger foi realizada entre 1872 e 1876 cobrindo todos os oceanos, além de descobrir cerca de 700 novos gêneros e 4.000 novas espécies e relevar aspectos do fundo oceânico, permitem afirmar que somente com a Primeira Guerra Mundial e, especialmente, com a Segunda Grande Guerra, que foram desenvolvidos os equipamentos e as técnicas de pesquisa nos oceanos. Os exemplos são abundantes: a ecossondagem iniciada em 1920 no Mar do Norte; em 1934, os zoólogos Willian Beebe (1877-1962) e Otis Bartan (1899-1992) observaram a vida marinha em uma batisfera a 923 metros de profundidade; em 1943, Jacques Cousteau (1910-1997) e Emile Gagnam (1900-1979) desenvolveram o escafandro autônomo; em 1951, o navio britânico Challenger II descobriu a maior fenda do oceano, 11 quilômetros abaixo da superfície, próximo a Guam.
O aumento do conhecimento científico sobre os mares e oceanos acelerou os seus usos com novas tecnologias, e em especial, relacionadas aos seres aquáticos, com a aceleração de conflitos entre as frotas de diferentes nacionalidades. A aceleração dos processos combinados possui uma marca em 1969, quando John Ryther (1922-2006) apresentou uma estimativa da quantidade de total de peixes que os oceanos poderiam produzir: cerca de 100 milhões toneladas ao ano. Para fins de comparação, no século XXI a produção pesqueira anual oscila entre 80 e 85 milhões de toneladas∕ano com desperdícios que podem chegar a cerca de 30 milhões de toneladas∕ano (bay-catch). Ou seja, aproximadamente 120.000.000 de toneladas são pescado ao ano, cerca de 20% acima da estimativa de Jonh Ryther (PAES, 2002).
No contexto da Guerra Fria, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou, em 1977, uma Convenção do Direito do Mar em que foi referendada a tendência na expansão
10 Dado o objetivo e a limitação de páginas, o texto evita apresentar outras possibilidades de usos dos mares e oceanos como a geração de energia por ondas e vento, bem como a produção de água para consumo humano, de minerais disponíveis nos fundos ou águas e os acordos sobre navegação.
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dos mares territoriais de três para 200 milhas.11 Nessas áreas próximas às costas estão concentrados alguns dos estoques mais capturados por frotas de diferentes nacionalidades e capacidades de atuação. Entre as reações sobre a Convenção está a posição dos EUA que proclamaram a chamada lei de Gestão e Conservação de Magnuson Stevens (Magnuson Stevens Fishery Conservation and Management Act), proibindo a pesca de embarcações europeias no Banco Georges nas proximidades da Nova Inglaterra. Nos EUA, no começo do século XXI, há cerca de 500 espécies manejadas a nível nacional através da recomendação de oito conselhos regionais de gestão de pescarias (Regional Fisheries Management Councils) que desenvolvem planos de manejo de acordo com dez normas nacionais para a gestão pesqueira.
Na combinação entre as normatizações com ciência, técnica e informação há a expansão dos limites na direção de limiares, que permitiram, por exemplo: a) a produção de mapas tridimensionais da costa brasileira e, com forte financiamento, mantêm-se a identificação de espécies marinhas como os micro-organismos vivos no ponto mais profundo da fossa das Marianas no Pacifico Sul em fevereiro de 2004;12 b) o “Censo da Vida Marinha”, que envolveu cerca de mil cientistas de 70 países, apontou a existência de 106 espécies de peixes desconhecidas; c) em novembro de 2004;13 no Brasil, o “projeto Biota-Bentos Marinhos”, financiado em R$ 2,5 milhões pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) identificou 70 novas espécies de animais marinhos no litoral paulista.
A combinação não apenas da identificação de novas espécies, mas da comprovação de suas conexões com o conjunto do Planeta vêm produzindo debates e a formalização de normas para o uso ou a proteção dos ambientes marinhos e∕ou de contato com as terras emersas.
Quais serão os limiares? Há indícios que as normas e as empresas industriais do setor sejam imperativas em relação aos oceanos?