3.4 Os conteúdos multimídia (OEDs) do PNLD/2015
3.4.2 Os OEDs do MEC: conteúdos multimídia complementares
A abertura do currículo do EM para conteúdos digitais, vinculadas aos LDP impressos, tem suas raízes como já discutido anteriormente, com a publicação do Edital 01/2013 do PNLD 2015 que objetivou avaliar e selecionar coleções de livros didáticos a serem escolhidas pelos professores das escolas públicas brasileiras para uso no triênio 2015-2017.
Entre as inúmeras alterações sofridas pelo PNLD e já destacadas neste capítulo, a que se torna mais significativa e que interessa às discussões desta tese, diz respeito à incorporação dos OEDs aos livros impressos. Nesse sentido, quanto ao Edital de 01/2013, direcionado para aprovação de livros didáticos do EM, a respeito dos tipos de coleções, foi permitida a inscrição de coleções do tipo 1: Obra Multimídia composta de livros digitais e livros impressos e coleções do tipo 2: Obra Impressa composta de livros impressos e PDF. Interessante destacar que em relação às obras multimídia, conforme o Edital 01/2013, os livros digitais deverão apresentar o conteúdo dos livros impressos correspondentes integrados aos OEDS e deveriam conter um índice de referência a esses objetos.
Vemos ainda que em relação à definição do que é seja um “conteúdo multimídia”, o Edital deixa claro no subitem 4.2.3 (Edital 01/2013) a ideia que os OEDs são compreendidos como “vídeos, imagens, áudios, textos, gráficos, tabelas, tutoriais, aplicações, mapas, jogos educacionais, animações, infográficos, páginas da web e outros elementos”. Essa ampliação aproxima-se das (in)definições feitas por alguns autores sobre OAs.
Para melhor sistematização do que foi proposto pelo MEC, no Quadro 8, apresento alguns excertos dos editais do EF e do EM, com os quais é possível compreender o que foi proposto como conteúdos multimídia – OEDs (destaques nossos):
Edital 06/2011 – PNLD/2014 – ENSINO FUNDAMENTAL
3.1.1 As coleções serão inscritas de acordo com as seguintes composições:
Coleção Tipo 1 Conjunto de livros impressos Coleção Tipo 2 Conjunto de livros impressos acompanhados de conteúdos multimídia.
3.3. Entende-se por conteúdo multimídia os temas curriculares tratados por meio de um
Edital 01/2013 – PNLD/2015 – ENSINO MÉDIO
3. Das Obras Didáticas
3.1. As obras didáticas deverão ser inscritas em um dos seguintes tipos de composição:
3.1.1. Tipo 1: Obra Multimídia composta de livros digitais e livros impressos.
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conjunto de objetos educacionais digitais destinados ao processo de ensino e aprendizagem. Esses objetos devem ser apresentados nas categorias audiovisual, jogo eletrônico educativo, simulador e infográfico animado; ou congregar todas ou algumas dessas categorias no estilo hipermídia, devendo cada objeto ser identificável individualmente, armazenável em mídia e passível de disponibilização em ambiente virtual.
3.4. Os conteúdos e atividades dos livros que compõem as coleções devem permitir, independentemente dos conteúdos multimídia, a efetivação autônoma e suficiente da proposta didático- pedagógica da coleção.
3.4.1.Os conteúdos multimídia deverão ser elaborados tendo em vista o uso tanto coletivo (em sala de aula, sob a orientação do professor) quanto o individual (fora de sala de aula).
3.5. Os objetos educacionais digitais contidos em cada conteúdo multimídia são complementares e devem estar articulados com o conteúdo dos volumes impressos, tanto no que diz respeito ao livro do aluno quanto ao manual do professor.
3.7. Os conteúdos multimídia devem primar pela diversidade de objetos interativos e de possibilidades de uso por parte do aluno e do professor. 3.9. Cada DVD ROM que acompanhar os volumes da coleção do Tipo 2 deverá conter entre 10 e 20 conteúdos multimídia. Cada conteúdo multimídia deverá ter de 1 a 5 objetos educacionais digitais, escolhidos entre as categorias: audiovisual, jogo eletrônico educativo, simulador ou infográfico animado.
[...]
3.11. Cada objeto educacional digital só poderá ser apresentado em uma única coleção e em um único volume dessa coleção.
4. Da Disponibilização dos Conteúdos Multimídia do DVD ROM
4.2. Os conteúdos multimídia aprovados deverão ser disponibilizados no Portal do Professor ou em outro ambiente virtual do Ministério da Educação por meio de links que direcionem aos endereços das editoras com coleções aprovadas, sem ônus adicional.
4.3. Os endereços das editoras deverão ser específicos para o PNLD 2014 e serem disponibilizados no formato: www.nomedaeditora.com.br/pnld/anos finais. A hospedagem, a manutenção e a administração desses endereços serão de inteira responsabilidade da editora. O acesso aos conteúdos multimídia, entretanto, só será possível por meio de portais do MEC, conforme definido no subitem 4.2 deste edital.
[...]
4.6. Os endereços das editoras citados no item 4.3 poderão disponibilizar, dentre outros, os conteúdos multimídia já disponíveis no Portal do Professor
de livros impressos e PDF 4.2. Das obras do Tipo 1
4.2.2. Os livros digitais deverão apresentar o conteúdo dos livros impressos correspondentes integrados a objetos educacionais digitais.
4.2.3. Entende-se por objetos educacionais vídeos, imagens, áudios, textos, gráficos, tabelas, tutoriais, aplicações, mapas, jogos educacionais, animações, infográficos, páginas web e outros elementos.
4.2.4. Os livros digitais deverão conter um índice de referência dos objetos educacionais digitais.
4.2.5. Os objetos educacionais digitais deverão ser acessados tanto pelo índice de referência como também pelos ícones nas páginas onde são referidos.
[...]
4.2.7. Nos livros impressos deverá haver, ainda que iconográfica, uma identificação visual dos objetos educacionais digitais que estão disponíveis nos livros digitais correspondentes.
[...]
4.2.12. A pertinência dos livros digitais será avaliada em termos de sua utilidade pedagógica, sem distinção de complexidade entre as obras digitais que forem aprovadas.
[...]
4.2.18. Os alunos e professores deverão ter livre acesso aos livros digitais correspondentes aos livros impressos escolhidos pela sua escola.
4.2.18.1. O acesso deverá ocorrer por meio de login e senha a serem fornecidos pelo editor para cada exemplar impresso.
4.2.20. Os livros digitais deverão ser utilizados sem a necessidade de conexão à internet, exceto por ocasião do primeiro acesso ao material.
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(http://portaldoprofessor.mec.gov.br/recursos.html) e TV Escola (http://tvescola.mec.gov.br/), cuja catalogação está estruturada por nível de ensino, áreas do conhecimento e formatos das mídias, respeitados os direitos autorais no uso de materiais de terceiros. Esses conteúdos, selecionados pela editora, deverão ser publicados por meio de links e não serão passíveis de qualquer tipo de remuneração.
Quadro 8. Orientações sobre inscrição de obras para Ensino Fundamental e Médio. Fonte: Adaptado de Brasil (2011) e Brasil (2013).
Vemos nos excertos do Quadro 8, com relação à definição do que é seja um “conteúdo multimídia”, houve, do Edital 06/2011 para o Edital 01/2013, alterações a respeito desse tipo de objeto, sendo que no Edital do EF o conceito trata de categorias de OEDs (audiovisual, jogo eletrônico educativo, simulador e infográfico animado).
Já no Edital de obras para o EM a definição de OEDs apresentada no subitem 4.2.3 (Edital 01/2013) é ampliada, sendo propostos como OEDs: “vídeos, imagens, áudios, textos, gráficos, tabelas, tutoriais, aplicações, mapas, jogos educacionais, animações, infográficos, páginas da web e outros elementos”. Todavia, o aspecto central na diferenciação dos OEDs em relação aos OAs é o fato de que aqueles devem ser vinculados às obras impressas, isto é, materiais satélites, secundários e complementares e, portanto, dependentes do conteúdo dos livros impressos (ROJO, 2014; CHINAGLIA, 2016).
Assim, como já discutido anteriormente, das 17 coleções que passaram pelo processo avaliatório no PNLD 2015, foram aprovadas 10, sendo que nove são do Tipo 2, constituindo- se de seis volumes impressos — três destinados ao aluno (LA), três ao professor (MP) — e de uma versão correspondente em PDF. Complementando as coleções aprovadas, uma coleção do Tipo 1 foi aprovada, vindo acompanhada, portanto, de um DVD com atividades e materiais complementares em meio digital – os OEDS –, os quais ficariam disponíveis, posteriormente, no portal da editora para acesso pelos alunos e professores a partir de login e senha.
A obra aprovada com OEDs é da Editora Leya47, cujo título é Português – Linguagem em conexão, das autoras Maria da Graças Leão Sete, Márcia Antônia Travalha e Maria do Rozário Starling de Barros, submetida a primeira vez à avaliação ministerial. A descrição detalhada da coleção será apresenta na metodologia e análise dos dados.
47 De acordo com dados do seu site, a Editora LeYa nasceu em 2008 como grupo editorial no qual se integram
algumas das mais prestigiadas editoras de língua portuguesa. Líder do mercado editorial português, angolano e moçambicano, a LeYa está também presente em Portugal e no Brasil, onde assumiu uma posição de destaque na área de edições gerais e atuando, igualmente, no setor da Educação e das tecnologias aplicadas ao Ensino. Disponível em: http://www.leyaeducacao.com.br/digital/. Acesso em 12 de janeiro de 2016.
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Quanto aos critérios avaliativos da coleção tipo 1, o Edital de convocação de obras apresenta critérios pedagógicos e técnicos (pouco claros) em relação aos OEDs. Esses critérios deveriam ajudar aos professores no desafio da análise de aspectos já consagrados na avaliação dos LDPs (gráficos-editoriais, proposta metodológica, objetos/eixo de ensino), porém, agora no que diz respeito aos OEDs e deveriam ter maior atenção por parte da avaliação feita pelos professores, já que antes não existiam objetos digitais.
Assim, o guia do PNLD/2015 propôs de um modo geral e, a meu ver, pouco sistemático, questões gerais para a avaliação dos OEDs, considerando se:
● As atividades dos OEDs contribuem para o trabalho com a escrita?
● As atividades dos OEDs contribuem para o ensino-aprendizagem do eixo da oralidade?
● As atividades dos OEDs contribuem para o trabalho com o eixo dos conhecimentos linguísticos?
● Traz orientações para o professor nos OEDs? (Manual do Professor)
● Os conceitos, informações e procedimentos – no material impresso e nos OEDs – são apresentados de forma contextualizada e atualizada, sem erro ou indução a erro? (BRASIL, 2015, p. 93-100).
●
Como o interesse desta tese está relacionado aos OEDs de leitura, destaco os critérios relativos a esse eixo de ensino presentes no guia do PNLD/2015 a partir da Ficha de Avaliação, conforme figura 8:
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Figura 8. Recorte de partes da ficha de avaliação. Fonte: Brasil (2015, p. 93- 95).
Conforme a Figura 8 é perceptível que tanto no Edital quanto no guia do PNLD 2015 de Língua Portuguesa, os critérios a respeito dos OEDs parecem ser insuficientes e pouco claros para avaliação dos OEDs de leitura. Assim, buscando apresentar contribuições a essas lacunas, julgo pertinente destacar que para que aprendizagem e desenvolvimento de capacidades de leitura que possam ajudar no desenvolvimento de letramentos multissemióticos, letramentos críticos e protagonistas (MOITA-LOPES; ROJO, 2004) com nossos alunos do EM a partir de materiais didáticos digitais, é necessário que se proponham, como defendem Araújo e Filho (2009) tarefas significativas para o aluno, tanto do ponto de vista do próprio aprendizado de leitura, quanto do ponto de vista do interesse pela tarefa e da qualidade dos materiais que são apresentados aos alunos.
Nessa perspectiva, penso que se faz necessário que critérios pedagógicos mais claros e sistemáticos sejam considerados no momento tanto da elaboração quanto da avaliação de materiais didáticos digitais. Assim, considerando a escassez de critérios na literatura da área, a
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seguir, apresento um conjunto de critérios que servirão como categorias para geração e análise dos dados obtidos a partir dos OEDs de modo geral, mas também para análise específica daqueles voltado para leitura presentes na coleção aprovada pelo PNLD/2015.
O conjunto de categorias de análise proposto foi adaptado de Ribeiro (2013) e Araújo (2013), aos quais foram acrescentados outros no que diz respeito a aspectos didático- pedagógicos de avaliação relacionados a OEDs. A esses critérios foram acrescidos outros, relacionados mais especificamente ao processo de hibridização e intercalação de linguagens que podem aparecer na constituição do design visual/digital dos OEDs, sendo que para a constituição desses critérios relacionados com hibridização e intercalação de linguagens, tomo por base a discussão feita por Santaella (2001) de linguagens híbridas, conforme já discutido nesta tese.
CATEGORIA - 1) DIDÁTICOS-PEDAGÓGICOS: a) Concepção (ões) de linguagens;
b) Objetivos de aprendizagem;
d) Estrutura da atividade e do conteúdo; e) Concepção epistemológica de aprendizagem; f) Tipo de OEDs;
g) Função/objetivo do OEDs;
h) Capacidades de leitura favorecidas; i) Interatividade/interação;
j) Constituição multissemiótica.
Essas categorias/procedimentos para análise são retomadas, de forma detalhada, na metodologia e na análise dos dados, conforme veremos no próximo capítulo.
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4 ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS
Neste capítulo, são apresentados os procedimentos metodológicos da pesquisa, sendo retomadas as questões de pesquisa e objetivos propostos para o estudo. Assim, o capítulo está dividido em três momentos. No primeiro, discuto a respeito do campo da Linguística Aplicada e a possibilidade de realização de pesquisa de caráter documental de natureza qualitativo-interpretativista nessa área. Em seguida, apresento os critérios para seleção e geração do corpus e, por fim, os procedimentos para análise dos dados a partir das categorias elaboradas com base no referencial teórico que embasa a pesquisa.
Assim, como discutido na introdução desta tese, o objeto de investigação desta pesquisa é o tratamento da multissemiose a partir dos textos de gêneros discursivos multissemióticos e atividades de leitura presentes em duas coleções de livros didáticos do Ensino Médio, aprovadas pelo PNLD/2015, tendo uma dessas coleções OEDs, sendo focalizado para este estudo apenas aqueles voltados ao eixo de leitura.
Dessa maneira, buscando encontrar encaminhamentos para o estudo desse objeto de pesquisa, o objetivo geral desta tese é: analisar como são mobilizadas capacidades de leitura de textos de gêneros discursivos multissemióticos em duas coleções de LDP do Ensino Médio (uma com OEDS e outra sem), verificando se essas capacidades auxiliam no desenvolvimento de letramentos tanto multissemióticos (multiletramentos) quanto críticos e protagonistas no que tange à leitura. Partindo desse objetivo mais geral, são objetivos específicos:
1. Identificar os textos de gêneros multissemióticos mais recorrentes na coleção de livros didáticos em relação aos demais gêneros a fim de evidenciar o peso dado à multissemiose nas coletâneas de gêneros que compõem as coleções;
2. Analisar um conjunto de atividades de leitura propostas para esses textos/enunciados multissemióticos nos livros impressos e os tipos de OEDs de leitura e/ou relacionados a esse eixo, comparando gêneros em que há predomínio da modalidade da linguagem verbal (escrita) e gêneros multissemióticos presentes nas coleções e comparando gêneros multissemióticos entre coleções;
3. Delinear capacidades de leitura exigidas em materiais didáticos impressos e em OEDs, a partir da análise do que propõem as coleções e os objetos digitais, que
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possam ajudar no trabalho com letramentos multissemióticos e críticos para o ensino de leitura em sala a partir desses materiais.
Para o desenvolvimento desses objetivos, três questões de pesquisa foram elaboradas:
1) Quais sãos os textos de gêneros discursivos multissemióticos mais presentes nas coleções e de que âmbitos/práticas de letramentos e esferas são?
2) Quais os tipos atividades de leitura são propostas para o trabalho com os textos de gêneros multissemióticos nos livros impressos e nos OEDs e se essas atividades favorecem a mobilização de capacidades de leitura que podem ajudar o aluno a construir significados tanto para a constituição multissemiótica quanto para assumir posicionamentos críticos (réplica ativa e letramento crítico) em relação ao que é proposto como leitura?
3) Que capacidades de leitura envolvendo letramentos multissemióticos e críticos podem ser pensadas a partir do que já é proposto pelos LDP analisados e OEDS?
Apresentados os encaminhamentos metodológicos da pesquisa, na próxima seção, discuto as contribuições das pesquisas em LA, inclinando a discussão para as contribuições dessa área no trabalho com materiais didáticos, em especial, os de Língua Portuguesa.
4.1 A pesquisa em Linguística Aplicada e os materiais didáticos (impressos e digitais) de