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OS OLHARES SOBRE A EXPERIÊNCIA CÊNICA

No documento THÂMARA MONIQUE CUNHA (páginas 74-113)

Na semana seguinte, após as apresentações, fizemos uma roda de conversa, debatemos sobre como tudo se deu e quais os pontos positivos e negativos, quais as sensações que eles tiveram ao apresentar/assistir a peça. Posteriormente pedi que fizessem uma descrição reflexiva do processo, tentando relembrar o que estudamos desde o início, como foi estudar e fazer Teatro, também enfatizei que eles estavam livres e poderiam ser bem sinceros nessa avaliação. Esse trabalho é, em meio a tantas coisas, uma pesquisa, e eu gostaria que nele outras falas aparecessem, em especial a deles, que foram essenciais nesse processo. Quando entregaram essas descrições, guardei por um tempo e li apenas quando o ano letivo acabou;

emocionei-me incontáveis vezes.

Obtive vinte e três devolutivas do 9º A, dezoito do 9º B e quatorze do 9º C, ao todo cinquenta e cinco reflexões escritas sobre o processo de montagem. Esse material foi transcrito (exatamente como escreveram) e vou utilizar números para me referir aos alunos.

Ao longo do capítulo, veremos sete relatos dos alunos da turma 9º A, que como foi explicado anteriormente, era a turma composta por alunos com e sem deficiência, bem como um caso específico do 9º B, o aluno com disfemia, que também relata sua percepção sobre a vivência do processo10. As dificuldades existentes e relatadas pelos alunos acontecem em diferentes ordens: sociais, cognitivas, espaciais e com alguns elementos da linguagem teatral. E se encontram organizadas e distribuídas neste trabalho, obedecendo o critério de adesão e complexidade. Das maiores dificuldades para as menores e menos complexas.

Um dos alunos envolvidos na montagem tem disfemia, ele é enteado de uma das professoras de Língua Portuguesa da escola e ela me procurou bastante preocupada, questionando se eu sabia, já que havia delegado a ele um personagem com bastante falas. Ele

10 Os textos completos e detalhados estão no apêndice desta dissertação.

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era um aluno muito agitado, tanto quanto era engraçado, adorava as aulas de arte e era compromissado. Na conversa com ela, expliquei que ele estava muito empolgado e que poderia ser um espaço para trabalhar o distúrbio, então ela se comprometeu a ajudá-lo com o texto e foi notório o avanço dele o longo do processo.

No dia da peça, ele ficou muito nervoso e disse que não queria mais apresentar. No primeiro momento, confesso que fiquei muito angustiada, nervosa e triste, respirei e tentei me colocar no lugar dele, um vez que isso também já aconteceu comigo, na minha primeira apresentação eu só queria sumir, travei... Olhei para ele com olhos de quem se vê, disse que estava tudo bem e que ele não tinha a obrigação de fazer aquilo. Todo o processo já tinha valido muito a pena, aquele era o momento de curtir o trabalho, falei que ele poderia assistir e que eu faria o papel. Ele me olhou com olhos de quem se vê, perguntou se eu confiava nele, eu respondi que sim, desde o princípio. Resultado? Ele apresentou, brilhou e se encantou pelo Teatro. Em seu relato ele disse:

Teve pontos negativos que quando chegou na hora da peça eu não quis apresentar e logo eu que sou gago eu me superei e botei minha meta. Pontos positivos é que eu fui eu este meus obstáculos e todos amo minha apresentação. Eu fui cheiroso o dono da peça com cheirosa e agente fico ensaiando um na frente do outro pra aparece mais o brilho. Gostei muito que a professora fico ajudando a gente a não desistir e desde o começo ela não desistiu de nos e prosseguiu com as aulas. Foi cansativo mais valeu a pena obrigado por tudo professora linda. Essa peça me ajudou a entra numa compania de teatro AACG. (Aluno 38).

O aluno relatou que por meio do Teatro conseguiu superar suas dificuldades e teve experiências tão positivas com o fazer teatral que gostaria de permanecer fazendo Teatro. O processo de montagem no contexto escolar permite que cada participante descubra variadas possibilidades de criação, além de promover a convivência entre eles e estimular a comunicação oral, a experiência de trabalhar em coletivo, em que cada indivíduo é responsável pelo processo, e se ver, se enxergar em um personagem, com outro corpo, com outra voz, é o mesmo que apresentar a ele uma nova visão de mundo.

Porém, a experiência não foi positiva para todos os alunos. Lembro mais uma vez que essa montagem foi feita praticamente sem recursos e com prazos curtos. Esses foram os pontos mais problemáticos. Os grupos que ficaram responsáveis pela cenografia tiveram a dedicação de pesquisar, montar, estudar a peça, em especial criar esboços/croquis de maquiagens e figurinos. Considerando esses aspectos e as restrições financeiras e de materiais da escola, não conseguimos materializar e utilizar o que havia sido planejado pelos alunos.

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Foi muito frustrante, não apenas para eles. Abaixo o relato de dois alunos que refletem sobre as dificuldades que enfrentamos com os figurinos:

[...] Agora minha área, o figurino. O descaso que tiveram conosco chegou a ser ridículo, fizemos croqui, que inclusive deram muito trabalho, ao leu sem material para fazer o que estava no croqui, fomos atrás das roupas, já que vocês não fizeram a mínima questão de perguntar à nós se precisavámos de alguma coisa, e levamos ignorância como brinde da dona das roupas, dias antes da apresentação, todos do figurino estavam perdidos, sem informação ou explicação sobre o tal figurino. Agora me fala, todo nosso trabalho foram a toa? Nem pontuados somos em português. Sinceramente decepcionada.

(Aluno 01).

Minha experiencia foi terrível. Não tivemos recursos suficientes para a produção dos figurinos, levamos muito tempo nos croquis (que nem usamos por causa do problema já citado). Em nosso “plano B”, fomos até a casa de Maria (pessoa que tem todo o figurino), porem nem conseguimos, faltando pouco tempo para a peça fomos atrás das peças de roupas na escola, que estava bastante limitada graças ao pessoal do mosenhor que estava levando, ou seja, não tivemos nenhum momento “favorável” nessa apresentação.

(Aluno 04).

Quando li esses relatos me entristeci, tomei para mim toda a responsabilidade da experiência negativa desses alunos. A reflexão que fiz nesse momento foi: poderia ter feito mais? Falhei durante o processo? Todo processo tem suas flores e seus espinhos, mas as circunstâncias dessa montagem foram complicadas, os alunos estão corretos e me conforta que eles se posicionaram, que colocaram suas frustrações e ainda assim, persistiram para que os demais tivessem condições para apresentar.

A escola possui um acervo de figurinos, mas não atendia às nossas necessidades e era insuficiente para atender a demanda de todas as turmas, algumas coisas foram compradas e as funcionárias terceirizadas da escola ajudavam na confecção, mas não tínhamos como produzir todo o figurino da peça, os alunos não tinham condições financeiras de comprar material, eu também não… Está impregnado em nossa cultura a criação ou recriação de peças, a transformação de objetos, a adaptação de peças de roupas e a criação de novas, a partir do que se tem. E fomos conseguindo peças emprestadas dos professores, pais, colegas, conseguindo calças, camisas, sapatos. Alguns precisaram usar o mesmo figurino, por se tratar de uma continuidade em atos, outros preferiram mudar.

A encenação deve ser um processo prazeroso e fluido, para que os alunos não se frustrem ao longo da jornada. É importante sempre valorizar de igual forma todos os ramos do teatro e não apenas a atuação. Tendo ciência que a encenação é uma engrenagem que precisa funcionar no momento da apresentação, mas sem pressão; a apresentação é o momento do

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prazer teatral. O processo requer o envolvimento de todos os discentes e as orientações atentas do facilitador, as escolhas didáticas vão guiar o percurso da montagem. Esse processo com calma e segurança fez com que a apresentação fosse um momento de divertimento para os alunos-atores e não um momento de tensão ou julgamento.

Pensando nisso e na importância de todas as ramificações do Teatro, percebo que em algum momento foquei tanto em dar assistência aos alunos que estavam atuando que posso ter sido ausente no processo prático de outros grupos, como foi o caso do figurino. Essa pesquisa ajuda a refletir sobre a minha prática e nessa ação de refletir, hoje, percebo que em algum momento fui mais cautelosa e atenciosa com a atuação, talvez pelo envolvimento direto, por estar tendo maior contato fora do horário de aula e/ou pela pressão para que o espetáculo acontecesse. Senti isso por ser a professora responsável, a pesquisadora que investiga sua própria prática, além, é claro, da pressão pessoal. Mas esse aspecto foi um dos poucos negativos, em suma, os alunos tiveram uma ótima experiência, cujo itinerário construído nos remete à seguinte reflexão de Ramaldes e Camargo (2017, p. 119):

O artista, para criar sua obra de arte, estabelece uma relação direta com o objeto e dá início ao processo de criação artística, estabelecendo uma relação entre o fazer e o experimentar, o conhecer (undergoing), uma conexão entre razão e sensibilidade. O fazer e o receber, o ser afetado por o sofrer, estabelecem uma relação de troca já que o artista realiza uma ação em interferência contínua com o objeto e, este último, portanto, sofre a ação do artista e se modifica. O artista é influenciado pela própria ação que realizou no objeto e também sofre modificações em seu modo de percepção, continua trabalhando com essa experiência de troca entre fazer e ser afetado até a culminância da experiência. É esta relação que vai conduzindo a experiência para um campo significativo, criativo e estético.

Ainda sobre a experiência, os alunos relataram que:

Para mim, fazer teatro foi uma experiência, nova, pois nunca fiz algo parecido não cheguei a ter muita experiência participando da apresentação devido não ter coragem de se apresentar em publico e também tinha muita gente assistindo. (Aluno 02).

A minha experiência no teatro foi maravilhosa de todas formas. Se tem um coisa que posso dizer é que foi uma sensação totalmente nova para mim. No teatro eu pude enfim me encontrar, me conhecer, e sentir o sentimento que eu quero acolher para o resto da minha vida. Quero com toda certeza, de alguma forma, fazer novamente parte do mundo do teatro e poder me sentir cada vez mais. Foi algo que me ajudou muito, principalmente a interação que tive com outras pessoas, e no problema que tenho, relacionados a timidez. (Aluno 03).

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[...] Na peça eu interpretei a personagem “cheirosa”, foi uma nova e ótima experiência de muito aprendizado, foi a primeira vez que aprendi realmente sobre teatro na escola, e pude ver como ele é encantador. Esse ano foi o primeiro que eu gostei muito da disciplina de Artes. E sem você, Thâmara, isso não poderia ser possível, você é uma ótima professora e nos ensinou de uma forma leve e divertida, muito obrigada! (Aluno 15).

Minha experiencia foi bem diferente, pois eu nunca havia atuado em uma peça de teatro no começo fiquei meio nervoso pelo mesmo motivo que citei sem falar que no começo eu tive um pouco de dificuldade para decorar as falas e também fiquei meio travado na hora da música pois eu estava errando bastante a melodia e sem falar que eu tava tão nervoso que eu não queria que ninguem da família fosse me ver mas na hora deu tudo certo (exceto pelo fato que teve uma hora que eu errei a fala em cena na frente de todo mundo e foi meio constrangedor mas tudo bem) e acabou sendo uma experiencia e que se o melhor e aprender se divertido. (Aluno 21).

Os relatos evocados acima são de alguns alunos que estiveram ou não na atuação, ilustram o envolvimento desses no processo, tendo experiências positivas e novas descobertas.

Conseguiram ampliar sua visão e entendimento de mundo, olhar com novas perspectivas para si e ao redor. Moronari (2019, p. 287) nos diz sobre como o Teatro potencializa o autoconhecimento:

A reflexão sobre si mesmo que o teatro pode propiciar potencializa as descobertas pessoais. No fazer teatral, a intolerância diminui na medida em que o “eu” se coloca no lugar do outro, sente suas dores, alegrias, sentimentos. No teatro, é por meio do não-ser, ou seja do ser que está representando, que se descobre, de fato, o seu ser. No jogo da encenação dentro da escola, é possível trabalhar muitos conflitos específicos.

A presença curricular do Teatro no contexto escolar permite, portanto, auxiliar esses adolescentes a se integrarem e posicionarem criticamente em relação ao lugar que ocupam na sociedade; é mostrar que ele pode contribuir positivamente com o espaço que ocupa, potencializar o seu eu e incentivá-lo a compor a sociedade de forma ativa. Robson Haderchpek (2019, p. 112) nos fala do paralelo entre o diretor e o pedagogo:

Quando Paulo Freire coloca o aprendizado como um processo que deve gerar curiosidade e despertar naquele que aprende um impulso criador, podemos nitidamente estabelecer um paralelo entre o diretor e pedagogo.

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Pois, quanto mais um diretor instigar seus atores, mais criativos eles se tornarão. Entretanto para que isso possa acontecer, o aluno também precisa estar disposto a se desenvolver, e ele não precisa concordar com o diretor o tempo todo, ele terá liberdade para propor e dialogar com seu mestre.

Ao longo de todo processo, procurei instigar os alunos, mas sempre priorizando o aprendizado, as descobertas, plantando neles sementes de curiosidades, alguns estavam mais disponíveis que outros e isso refletiu diretamente nos relatos que vimos acima. O fato é que em todas as situações nos entregamos, completamente doados a esse projeto. Em função disso, o diálogo foi o caminho que escolhemos desde o princípio e todos sabiam que podiam contar comigo. Até então, vimos falas dos participantes mais diretamente envolvidos. A seguir, veremos a fala de alguns professores e colaboradores da escola que viram o processo de forma mais externa, com suas opiniões e contribuições.

Agora nos dedicaremos à percepção dos professores da escola sobre a experiência cênica desenvolvida, a partir dos registros empreendidos por meio de questionário. Com o mesmo objetivo, fiz um questionário11 para que os professores que acompanharam direta ou indiretamente essa pesquisa pudessem dar suas contribuições. Para isso, utilizei a plataforma Google Forms.

As perguntas foram: Qual seu nome completo? / Qual sua idade? / Qual sua profissão/formação? / Ainda trabalha na Escola Benvinda? Se sim, qual função exerce atualmente e qual exercia na época do projeto? / A montagem da peça A Pena e a Lei foi importante para escola? Relate. / Como você avalia o envolvimento de crianças com e sem deficiência na montagem? / A apresentação sem voz gravada foi algo novo para escola? Qual sua opinião sobre? / Você acompanhou o envolvimento dos alunos no processo (ensaios, testes de maquiagem e figurino, produção do cenário e afins)? Relate, por favor. / Comentários Adicionais.

A partir desses dois materiais, irei dialogar com os alunos, as estrelas dessa pesquisa, e com os colegas professores, que foram também espectadores.

Quando perguntei se a apresentação foi importante para escola, eles responderam:

Acredito que foi um aprendizado muito significativo para toda comunidade escolar. Onde toda escola empenhou-se para que o projeto fosse desenvolvido de forma que o aprendizado fosse adquirido. (Francineide Roseno).

11 As respostas dos colaboradores da escola encontram-se no apêndice deste trabalho.

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Importantíssima… O teatro permite que os jovens desenvolvam sua consciência individual e social e sua capacidade de comunicação. Uma manifestação artística capaz de aguçar as mentes ávidas de conhecimento e de novas reflexões. (Flávia Drummond).

Acredito que os projetos interdisciplinares têm a capacidade de envolver os alunos por inteiro, além de envolverem a interdisciplinaridade, aguçam o pensamento crítico e estimulam a criação. Na escola, os projetos são desenvolvidos desde 2017 e fazem parte de sua rotina, os alunos esperam por esse momento bastante ansiosos. Além do projeto de Literatura e Arte, acontecem também a Olímpiada Interna de Matemática e o Projeto de Ciências. Perguntei também aos professores se eles consideravam que a montagem da peça A Pena e a Lei foi importante para a escola e como eles avaliaram o envolvimento de crianças com e sem deficiência na montagem. Eles responderam:

Com certeza! Possibilitou aos alunos e envolvidos o contato com encenação, movimento, leituras e interpretações. Foi muito rico esse projeto educacional! (Odilon Martins).

Sim! Muito importante. Pois envolveu toda clientela discente dos nonos anos em torno de uma literatura propria de nossa cultura alem de permitir aos alunos a produção e atuação em arte cenica, permitindo o desenvolvimento da desenvoltura na linguagem e apresentação em publico! (Elisangela Santos)

O envolvimento aconteceu de uma forma natural, a partir do empenho e dedicação da professora, tanto para os alunos com ou sem deficiência.

(Maria das Vitórias).

Positivamente, pois se observou a inclusão desses alunos de forma igual na produção da peça. (Francisco Canindé).

É perceptível que na visão dos colegas que estiveram diretamente ou indiretamente envolvidos no processo, a montagem foi positiva para os alunos. E a respeito do envolvimento de alunos com e sem deficiência, temos a fala da professora de educação especial que acompanhava uma das alunas e o coordenador pedagógico que representa a Escola Benvinda na Secretaria Municipal de Educação. Ambos afirmam que a montagem foi conduzida de forma orgânica, sem distinções, algo extremamente positivo.

Ao perguntar sobre a apresentação “ao vivo”, sem gravação prévia, foi dito que:

Acredito que sim, pois rompeu algumas barreiras existentes e principalmente ajudou na concentração! (Manuella Nascimento)

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Ache louvável, pois mostrou a dedicação dos alunos em relação ao texto, mostrou foco e compromisso com a atividade. [...] Eu sou o coordenador pedagógico geral dos anos finais no município, e ouvi atentamente os comentários de professores e pessoas que acompanharam de perto todo evento, desde os ensaios até a execução, e foi muito positivo os comentários a respeito da peça. (Francisco Canindé).

Em ambos os comentários, percebemos que foi algo novo para a comunidade e para os alunos, e que os professores consideram que esse feito colaborou para a melhora da concentração dos discentes, foi notável a dedicação, o esforço e a entrega deles para a execução do projeto.

Nessa penúltima seção conseguimos ver como foi o processo final de ensaios, acompanhar a organização da apresentação e falas de alguns dos alunos que participaram do processo, mostrando suas superações, expectativas e frustrações. Por fim, pudemos verificar também um olhar externo à montagem, com a fala de alguns professores/colaboradores.

Verificamos ainda algumas aflições presentes nesse processo e o quanto o ensino de Teatro pode ser relevante na educação básica, nesse caso, no chão da escola pública e ligado a uma prática inclusiva. Na próxima seção, veremos as considerações finais dessa pesquisa.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A primeira seção se tratou de uma apresentação, mostrando como chegamos até esta escrita e os caminhos que foram percorridos antes dela, contando ainda com alguns pressupostos conceituais que ajudaram a nortear e contextualizar esse trabalho. Na segunda seção, foi elaborada a caracterização do campo de pesquisa, município, escola e turmas, e nela também expliquei como foi feita a escolha das turmas, assim como destaquei sobre as escolhas processuais. Na terceira seção, fiz uma descrição dos processos desenvolvidos em sala de aula, das tecnologias da cena e como elas foram utilizadas na montagem. Na quarta e última seção, explanei como a apresentação foi desenvolvida, bem como foram inseridas as vozes dos alunos por meio de um processo reflexivo escrito. Também houve a inserção das falas de alguns professores, que participaram do processo por meio de um questionário.

Considerando isso, conseguiu-se analisar o processo de montagem da peça teatral por intermédio de uma prática pedagógica que considerou o envolvimento de alunos com e sem deficiência. Verificou-se as atividades que vieram antes da montagem, explorou-se as tecnologias da cena como parte integrante da linguagem teatral e refletiu-se sobre a construção cênica e as percepções dos estudantes acerca dessa experiência. Dessa forma, os objetivos dessa pesquisa foram alcançados. Quanto à questão problema (“Quais processos são necessários para garantir a inclusão no processo de montagem?”), acredita-se que os casos devem ser analisados de forma única, no entanto, é preciso considerar que os jogos teatrais foram uma ferramenta fundamental no processo de inclusão, bem como a coletividade que o Teatro em si proporciona.

Com essa pesquisa prática, foi possível desenvolver a formação do espectador na sala de aula, já que simultâneo à montagem teatral, os demais alunos assistiam e entendiam aquele processo, respeitavam o momento da apresentação e se aproximavam da apreciação.

Com essa pesquisa prática, foi possível desenvolver a formação do espectador na sala de aula, já que simultâneo à montagem teatral, os demais alunos assistiam e entendiam aquele processo, respeitavam o momento da apresentação e se aproximavam da apreciação.

No documento THÂMARA MONIQUE CUNHA (páginas 74-113)

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