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Os paradigmas da sustentabilidade versus o mito

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2. A AGRESSÃO LONGITUDINAL AO MEIO AMBIENTE GOIANO,

2.2. Os paradigmas da sustentabilidade versus o mito

Com relação à insustentabilidade do modo de produção capitalista, jamais devemos nos afastar dos estudos de Karl Marx (1986, p.423-4) que declarou que a questão ambiental é o fator limitante real do modo de produção

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capitalista, “portanto, a produção capitalista só sabe desenvolver a técnica e a combinação do processo social de produção solapando ao mesmo tempo as duas fontes originais de toda riqueza: a terra e o homem”.

Marx (1986, p.423-4) explica a impossibilidade da sustentabilidade desse modelo econômico, quando declarou que “cada passo que se dá na intensificação da fertilidade do solo dentro de um período de tempo determinado é por sua vez um passo dado no esgotamento das fontes perenes que alimentam tal fertilidade. Também sustentou que o capitalismo somente vê os recursos naturais como matérias-prima:

Em consonância com Marx, Alvater (1992, p.25) e Burkett (1996, p.64) dizem que

o mercado é uma construção social e econômica. O mais formoso dos pássaros ou uma velha árvore em uma selva tropical ou o ferro em uma mina não são mercadorias; somente se convertem em mercadorias por meio de um processo de valorização (Inwertsetzung; mise-em-valeur). É o trabalho o que obtém a metamorfose da natureza em mercadoria. Mas não é o trabalho em si mesmo, o trabalho sans phrase, mas sim a força de trabalho consumida sob a forma social do capitalismo e sob a condição social de estar subjugada ao processo capitalista de produção de valor e mais-valia.

De acordo com informação extraída do site <www.ambientebrasil.com.br>, convencionou-se chamar de ‘desenvolvimento sustentável’ aquele que satisfaz necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem as suas próprias necessidades, desde que a primeira ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland, em 1987, chefiou a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento para

estudar o assunto. O documento final desses estudos denominou-se Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland8.

A Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, inovou ao tratar de temas como a Convencão sobre Diversidade Biológica e as conseqüências do aquecimento global (Convenção Quadro sobre Mudanca do Clima).

Da Declaração da Rio/92, um dos princípios mais comentados é o princípio n. 1, que sustenta que “os seres humanos estão no centro das preocupaçòes com o desenvolvimento sustentável, têm o direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza” e o também o n. 9 que determina que “os estados devem cooperar com vistas ao fortalecimento e capacitação endógena para o desenvolvimento sustentável”.

Para Maurice Strong, Secretário Geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (1973), Ecodesenvolvimento significa o desenvolvimento de um país ou de uma região, sustentado em suas próprias potencialidades (portanto endógeno, sem dependência externa), tendo como fim responder à problemática da harmonização dos objetivos sociais e econômicos com uma gestão ecologicamente prudente dos recursos e do meio ambiente.

Na atual conjuntura, qualquer leigo percebe que a ciência vem alardeando a possibilidade próxima de uma ruptura ambiental em razão da extrapolação da capacidade ambiental de carga da terra, gerada por poluição, contaminação, degradação, esgotamento de recursos naturais não-renováveis e

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Disponível em:

<http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./gestao/index.html&conteudo=. /gestao/artigos/sustentavel.html>.

de energéticos e crise de alimentos. Está claro que um dos impactos mais relevantes sobre o meio ambiente é causado pelo modo de produção dos bens de consumo e pela produção de rejeitos, e isso leva à degradação ambiental, que é, portanto, uma troca ecologicamente desigual, falando no linguajar da administração: uma diferença entre o input e o output.

Diante disso, é necessário que conheçamos mais sobre sustentabilidade, a começar pelas suas cinco dimensões, de acordo com Sachs (apud Montibeller Filho et al., 2001):

1. A sustentabilidade social, cujo principal objetivo é diminuir as diferenças de classes que hoje se avultam;

2. A sustentabilidade econômica, cujo desafio é propiciar o aumento da produção e riqueza, mas garantindo que a jornada de trabalho seja suficiente para assegurar qualidade de vida ao trabalhador; 3. A sustentabilidade ecológica, que deve ensinar ao homem respeitar

os ciclos temporais da natureza no seu processo de equilíbrio e ter prudência na utilização dos recursos para manutenção da capacidade de suporte. Assim, esse princípio nos coloca diante de uma nova postura como consumidores e nos atribui o dever de praticar os cinco R’s:

• Repensar; • Reduzir; • Reutilizar; • Reciclar;

4. A sustentabilidade espacial ou geográfica, cujo escopo é o estudo de uma fórmula de equilíbrio entre a concentração/expansão e a harmonia da relação cidade/campo no que se refere a aspectos como a alta densidade dos aglomerados urbanos, a ênfase para as pequenas cidades auto-suficientes, a democratização dos meios de transporte, a ampliação das redes de informação e comunicação para gerar a conectividade mundial e o esforço para distribuição de benefícios centrípetos. Apesar de tudo isso, é imperativo tentar estabilizar o clima (conter o efeito estufa e as emissões de gases) e as populações, melhorar a educação em escala global e implantar novas políticas. 5. A sustentabilidade cultural, que se encarrega de assegurar o

respeito aos ecossistemas e às suas especificidades e também o respeito à formação cultural comunitária, estimulando a transmissão de valores regionais, conhecimento acumulado e a preservação da auto-estima dos povos.

O tema sustentabilidade é muito amplo, mas, ao mesmo tempo, celular e visceralmente intrínseco à sobrevivência e evolução do homem, uma vez que é a busca incessante de certos povos pelo padrão de vida com aceitável qualidade, evitando-se que a vida na Terra seja transformada num sofrível desafio diário para as populações sob a incerteza do que irão conseguir produzir para comer, de onde irão abrigar-se dos eventos climáticos severos e de quais outras dificuldades terão de superar para sobreviverem como espécie humana, ameaçada por pragas e assolações de toda ordem.

Assim, em resposta ao desafio de preservar a saúde ambiental do planeta e garantir o crescimento econômico, na ótica do desenvolvimento sustentável, foi proposta a formação de um Pacto de Ação em Defesa do Clima, que, entre tantas medidas, tentará reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, divulgando as fontes energéticas limpas, a importância de hábitos racionais de consumo e enfatizando a importância dos mecanismos políticos, jurídicos e econômicos, visando a não esvaziar o conteúdo aspirado pelo Protocolo de Kyoto.

Nesse entendimento, frisa o documento que, infelizmente, o Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa no planeta. Cerca de 75% de nossas emissões são provenientes de mudanças do uso e da ocupação do solo e da agropecuária e, em especial, do desmatamento da Amazônia.

O autor Eduardo Coral Viegas (apud Benjamin et al., 2008, p.157), no artigo O Desenvolvimento Sustentável como Sobreprincípio, explica que a

ética do liberalismo (ou neoliberalismo) está fundada na liberdade individual. Cada qual deve buscar sua felicidade e, assim, a da sociedade como um todo. Aqueles que tiverem melhores condições vencerão... sendo a natureza composta por recursos com valor econômico, sua finalidade é a de satisfazer as necessidades e desejos do ser humano, que se encontra fora do sistema natural; de um plano diferenciado ele comanda, determina, impõe sua vontade.

Todavia, esse modelo entrou em crise, pois o crescimento econômico descompromissado com os impactos ambientais da ação humana mostrou-se autodestrutivo. Em tal contexto, a única possibilidade de êxito ante a crise ambiental em curso é a adoção do desenvolvimento sustentável, que preconiza o equilíbrio entre crescimento econômico, proteção ambiental e melhoria da qualidade de vida.

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