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2. CAPÍTULO 1: O AUTOR, A EDITORA E O LIVRO

2.5 OS PARATEXTOS

Aqui trouxemos uma apresentação detalhada da estrutura do livro já que ele não está disponível no Brasil. Tomamos o cuidado de analisar cada paratexto de acordo com as teorias de Genette (2009) nos apresenta no livro Paratextos Editoriais.

O primeiro paratexto editorial da obra Nações Pretas e Cultura é composto pela capa, com fundo preto, o nome do autor na parte superior em letras brancas, o título grafado de cor laranja, parte da imagem dos afrescos gravados na tumba de Ramsés III°

- imagem que continua no verso do livro, e o nome da editora, escrito em letras brancas, acima da imagem.

Na imagem percebemos duas pessoas com vestimentas diferentes, uma pessoa com o tom de pele escuro e outra com o tom de pele amarelado. A imagem continua no verso do livro, conforme segue.

Imagem retirada do site Journey to the source (https://www.journeytothesource.info/egypt.html)

No verso do livro vemos outra pessoa com tom de pele escuro e outra com barba e tom de pele claro. Aqui percebemos que não se trata evidentemente de um mesmo povo, primeiramente pelos traços físicos e também pelo tipo de vestimenta. Logo nas primeiras páginas Diop descreve essa imagem nos dando mais detalhes de onde ela foi encontrada o que ele representa. Antes mesmo de abrir o livro podemos perceber que ele aborda esses diferentes tipos de pessoas, antigamente vistos como raças diferentes.

Na lombada do livro, vemos o nome do autor grafado em letras brancas, o nome do livro grafado em cor laranja, e o logotipo da editora desenhado em cor branca, sobre o fundo preto.

No verso, um curto resumo escrito em letras brancas sobre o fundo preto, a continuação da imagem da capa, sobre a imagem o código de barras e logo abaixo o código ISBN (International Standard Book Number).

Na primeira página, há somente o título resumido Nações Pretas e Cultura. E no verso a descrição e um pequeno resumo da imagem na capa. Em seguida, o editor apresenta a página de rosto, com o nome do autor, na parte superior, seguido pelo título principal da obra, em caixa alta, e o subtítulo em letras menores. O número da edição logo abaixo. No final da página, o nome da editora e o endereço. No verso, vemos a menção da bibliografia do autor, o ISBN, o nome da editora e os anos de publicação da obra.

Seguido das menções legais sobre os direitos autorais.

Toda essa organização de informações e imagens nos leva para o assunto a ser tratado, é um conectivo entre o extratexto e o texto, uma zona de transação, que direciona o leitor para o texto, segundo Genette (2009). São as imagens, a disposição do título, as cores de capa e contracapa que convidam o leitor a folhear o livro e posteriormente acessar seu texto.

O livro apresenta o sumário na página que se segue, e na página 9 a lista de ilustrações. Em seguida, começam os prefácios, que Genette (2009, p. 145) define como

“toda espécie de texto liminar (preliminar ou pós-liminar), autoral ou alógrafo, que

consiste num discurso produzido a propósito do texto que segue ou que antecede”. O primeiro sendo a apresentação da edição de bolso de 1979, o texto mais recente apresentado na obra.

Essa apresentação, escrita pelo próprio Cheikh Anta Diop, retraça o período de 25 anos atrás dessa edição de Nações Pretas e Cultura, quando a primeira parte do texto foi lida por Aimé Césaire, escritor martinicano, que ficou maravilhado e buscou apoiadores dispostos a defender as teorias revolucionárias para aquele momento. O autor informa sua decisão de manter o texto da obra, tal como está, já que o desenvolvimento e as melhorias de suas teses foram feitos em outras publicações posteriores. Ele justifica essa escolha de apresentar aos jovens o árduo trabalho de pesquisa com o objetivo de inspirar os jovens a manter a esperança. Dessa forma, o autor nos convida também a aprofundar mais ainda em seus escritos para acompanhar a continuidade de seus estudos.

Na página 13, temos o prefácio da primeira edição de 1954. Este é mais longo e se estende por dez páginas. Esse texto apresenta um tom revolucionário e irônico, uma forma de despertar da alienação imposta pelo colonizador, que nesse momento, domina as produções sobre a história do continente africano e principalmente Egito. Ele nos traz as dificuldades de sustentar sua tese, entre os estudiosos, já que as teorias sobre a formação das grandes civilizações africanas só seriam possíveis se contassem com a participação do homem branco. Nesse texto ele convida principalmente os africanos a se debruçarem sobre os estudos de sua própria história, é preciso conhecer melhor a evolução de seu povo. E dessa forma, tornar inofensiva a arma de dominação cultural do colonizador que recria a história do colonizado. Ele divide três subtítulos de tendências de opiniões africanas: os cosmopolitas-científicos-modernizantes, o intelectual que não cultivou sua formação marxista e os anti-nacionalistas formalistas. E para fechar o texto, Diop nos informa que ele não pretendeu julgar da veracidade nem da religião muçulmana e nem cristã, para que seu livro não fosse tido como uma blasfêmia.

Na página 24, Cheikh Anta Diop nos apresenta mais um prefácio, dessa vez para edição de 1964, quando a publicação completa 10 anos. Com um discurso mais ameno, ele descreve o momento de escrita da obra, momento de luta anticolonial (1948-1953) e pela independência dos países africanos. Aqui ele cita algumas imperfeições, mas reafirma seu posicionamento e seu compromisso com as teorias apresentadas. Algumas correções sobre o conteúdo apresentado nessa obra foram feitas no livro Anterioridade das Civilizações Pretas – Mito ou Realidade. (Antériorité des civilisations Nègres – Mythe ou réalité).

O preâmbulo se apresenta na página 27, com um curto parágrafo explicando a divisão do livro em duas partes, onde a primeira trata da história da africana e a segunda, traz outros aspectos culturais. A partir disso, o autor questiona a forma que a história africana tem sido apresentada com algumas incongruências lógicas.

E finalizando os paratextos, temos a introdução do livro, que se mantém parecida com o preâmbulo, onde o texto é composto de suposições e questionamentos sobre como a história africana e a origem da civilização foi contada até aquele momento.

A organização do texto adotada pelo Diop até esse momento do livro nos mostra o direcionamento que ele nos trouxe para nos encantar e despertar toda a curiosidade para adentrar no texto. O que é até esse momento se mostra bastante convidativo. Segundo Genette, esses paratextos estão em

“lugar privilegiado de uma pragmática e de uma estratégia, de uma ação sobre o público, a serviço, bem ou mal compreendido e acabado, de uma melhor acolhida do texto e de uma leitura mais pertinente – mais pertinente, entenda-se, aos olhos do autor e de seus aliados.” (GENETTE, 2009, p. 10)

Porém a leitura desses paratextos não se faz obrigatória, qualquer leitor poderia simplesmente ir diretamente ao texto da obra. E nesse caso, viemos concordar com Genette que esses paratextos apresenta notas dirigidas para certos leitores. Nesses peritextos, vemos informações importantes sobre a história da obra e os posicionamentos do escritor ao longo do tempo, além de também sermos convidados a aprofundar em outros trabalhos do mesmo autor.

Ao final da obra, ele ainda nos oferece um quadro de vocabulário comparado do uolofe, do serere e do francês. Além de mais um peritexto com anotações sobre os termos arqueológicos utilizados na obra. A tradução desses dois paratextos exige uma pesquisa mais aprofundada não somente sobre a obra, mas também sobre a arqueologia. Decidimos aprofundar essa pesquisa em um momento posterior.

Trabalhamos o último texto apresentado que nos traz notas sobre a biografia de alguns autores citados. O que foi de grande utilidade para entender as citações e o momento e contexto que elas foram escritas. Trabalhar esse texto nos ajudou muito na compreensão da primeira parte da obra. Como as buscas sobre as produções em língua portuguesa nem sempre foi evidente, obter essas anotações feitas pelo próprio autor nos ajudou a compreender sua linha de raciocínio.

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