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5.3 O UNIVERSO DA PESQUISA

5.3.1 Os participantes da pesquisa

De acordo com dados da Plataforma Nilo Peçanha (BRASIL, 2019), em 2018 o quadro de trabalhadores da educação do IFSC era composto por 2.534 servidores. Destes, 1.390 eram docentes efetivos, 215 docentes substitutos e 1.144 técnicos administrativos em educação. Dos docentes efetivos, 98,85% eram contratados em regime de dedicação exclusiva, não podendo exercer outra atividade remunerada, seja em esfera pública ou privada.

Buscando compreender a totalidade que envolve os diferentes olhares dos trabalhadores da Educação Profissional e Tecnológica, essa pesquisa envolveu servidores docentes, técnicos administrativos e gestores. Os critérios de seleção de cada sujeito participante da pesquisa para envio do convite tomaram como referência os seguintes parâmetros:

1. Docentes – Participação de dois docentes de cada campi na pesquisa. Como critério de seleção, foram convidados docentes que lecionam disciplinas com maiores e menores índices de aproveitamento dos alunos (aprovação e permanência x retenção e desistência). No caso de oferta de mais de um curso subsequente na área de Controle e Processos Industriais no campus, o critério de convite foi, primeiramente, para os docentes do curso com maior índice de abandono.

2. Integrantes da equipe pedagógica – Participação de um servidor da equipe técnica pedagógica de cada campus. Como critério de seleção, foi convidado o servidor que atuasse diretamente nos cursos pesquisados, preferencialmente aquele que participasse diretamente nos conselhos de classe, reuniões de curso, revisões de Projetos Pedagógicos de Curso, entre outras atividades ligadas ao curso pesquisado.

3. Membros de Comissão de Permanência e Êxito ou do Núcleo de Permanência e Êxito (NUPE) – nos campi que possuírem essa Comissão ou Núcleo, foi convidado o coordenador do grupo.

4. Gestores - Participação de um membro da equipe diretiva de cada campus. Como critério de seleção, foi convidado para participar da pesquisa, preferencialmente, o Diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão, por ter relação direta com o processo ensino aprendizagem. No caso do Campus Florianópolis, onde a organização dos cargos é diferente, foi convidado o Assessor de Ensino, pela relação mais direta do cargo em relação aos outros gestores.

Após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos (CEP) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e adequação do roteiro de entrevista depois da aplicação do teste piloto, iniciou-se o agendamento das entrevistas, que seriam realizadas no campus do entrevistado.

O primeiro desafio da pesquisa apareceu no momento do acesso às informações dos docentes para enviar o convite conforme critério de seleção. Os dados de aprovação e retenção por disciplina não são públicos e a instituição, em 2018, estava em fase de implantação de sistema novo de acompanhamento acadêmico, migrando do antigo sistema acadêmico, denominado de ISAAC, para o novo sistema, denominado Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA - IFSC), e nem todos os campi já haviam finalizado a migração.

Para acesso aos dados e devido à não conclusão de migrações, foi solicitado à Diretoria de Estatística e Informações Acadêmicas (DEIA) o acesso aos mapas de conceitos36 do sistema ISAAC. Após liberação e acesso ao sistema, foram consultados os mapas de conceito referente ao 1º e 2º semestres de 2017, período em que todos os campi ainda utilizavam o sistema ISAAC.

É importante registrar que cada campus do IFSC tem um site específico e nem todos divulgavam nomes dos docentes que lecionavam nas disciplinas e/ou contato (e-mail institucional) dos servidores. Em busca dessas informações, foram verificados, na página da reitoria do IFSC, na área da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), os dados dos coordenadores e diretores na lista “Quem é quem do IFSC”. Uma saída para o contato com os sujeitos da pesquisa, quando não apontados no site do campus, portanto, foi o envio de um e-mail aos coordenadores de curso, coordenadores pedagógicos e diretores de ensino, pesquisa e extensão, explicando a pesquisa, apresentando a aprovação institucional e do Comitê de Ética e solicitando o contato dos servidores.

Em relação aos docentes, novamente apresentou-se uma dificuldade de acesso aos sujeitos elencados para aplicação da pesquisa, pois não houve retorno destes dados em alguns campi, e/ou alguns cursos (casos em que havia oferta de mais de um curso subsequente na área de Controle e Processos Industriais).

É importante registrar que dos doze docentes previstos para a aplicação da pesquisa no critério inicial, foi possível realizar a entrevista somente com um docente, que lecionava a disciplina com maior retenção e abandono do curso. A impossibilidade de aplicar aos demais

36 O mapa de conceito é um documento gerado o sistema acadêmico ISAAC com dados de aprovação, retenção e

abandono por aluno e disciplina de cada turma do curso. Nesse documento é possível acessar notas finais do semestre e frequência de cada aluno por disciplina.

docentes elencados para participar da pesquisa deveu-se à ausência de dados para contato ou não aceitação em participar.

Após a negativa e dificuldade superada, foi enviado o convite para os coordenadores de curso subsequente na área de Controle e Processos Industriais, para participar como docente (todos os coordenadores lecionam nesses cursos) e para apresentar a dinâmica do curso, criando assim, novo critério de seleção dos sujeitos docentes. Nos campi que possuíam mais de um curso, primeiramente foi enviado o convite ao coordenador do curso com maior índice de abandono e na ausência de resposta ou negativa deste, enviado aos demais em ordem crescente da taxa de abandono. Seguindo esse critério, seis coordenadores, um de cada campus se disponibilizou em participar da pesquisa.

Em busca de entrevistar no mínimo dois docentes de cada campus, foi enviado e-mail para os que lecionavam nos cursos desses coordenadores. Primeiramente, foi enviado o convite para os docentes que ministravam aulas nos primeiros semestres do curso, período em que se verificou o maior abandono, e na negativa ou não resposta destes, para todos os docentes do curso. Assim, depois de vários e-mails, contatos por telefone e necessidade de viajar algumas vezes em alguns campi, foi possível entrevistar doze docentes que lecionam nestes cursos.

Essa dificuldade de aceitação e retorno do convite com o público proposto das equipes pedagógicas apresentou-se em apenas um campus, fato que levou convidar todos os servidores do setor e houve aceitação para participar da pesquisa de um servidor que não atuava diretamente nos cursos pesquisados. Nos demais campi, participaram da pesquisa o servidor que atuava diretamente nos cursos propostos. Em dois campi, mais de um servidor demonstrou interesse em participar da pesquisa, totalizando assim oito entrevistas nas equipes pedagógicas.

Em relação aos gestores, todos os diretores/chefes de ensino, pesquisa e extensão e/ou assessor de ensino convidados aceitaram participar da pesquisa, totalizando seis gestores.

Referente aos participantes que são membros das Comissões de Permanência e Êxito ou Núcleo de Permanência e Êxito (NUPE) é importante esclarecer que durante a aplicação das entrevistas, foi aprovado o Plano Estratégico de Permanência e Êxito dos Estudantes do IFSC (IFSC, 2018a) e houve a implantação de Comissões de Permanência e Êxito37 em todos os

37 O Plano Estratégico de Permanência e Êxito dos Estudantes do IFSC apresentava dentre suas ações, a instituição

de uma comissão de Permanência e Êxito dos Estudantes no âmbito da Reitoria (CAPE Central) e Comissão de Acompanhamento das Ações de Permanência e Êxito dos Estudantes (CAPE Local) em todos os campi do IFSC. De acordo com o documento do Plano, cada unidade ou campus do IFSC constituiu uma Comissão de Acompanhamento das Ações de Permanência e Êxito dos Estudantes (CAPE Local), designada pela Direção-Geral do campus, com a seguinte composição mínima: Diretor Geral; Dirigente de Ensino e/ou Chefe de Assuntos Estudantis; um Coordenador de curso de graduação, no mínimo; um Coordenador de curso técnico, no mínimo; dois Servidores da Coordenadoria Pedagógica, sendo um Assistente de Aluno; Coordenador de Pesquisa; Coordenador de Extensão; um discente de curso de graduação; um discente de curso técnico, (IFSC, 2018)

campi do IFSC. Esse Plano foi aprovado somente em agosto de 2018, período que já estava encerrando a aplicação das entrevistas, portanto fizeram parte dessa pesquisa dois grupos instituídos antes dessa exigência institucional, oriunda da necessidade dos campi, com o objetivo de compreender como se deu a construção desses grupos e quais ações e desafios eles vivenciavam. Esses grupos foram: a Comissão de Permanência e Êxito do campus Itajaí e o Núcleo de Permanência e Êxito (NUPE) de Criciúma. Participou também da pesquisa uma servidora da reitoria que já havia atuado em diversas comissões de permanência e êxito institucionais, tanto em nível de reitoria, quando nos campi de São José e Florianópolis, em diferentes momentos históricos da instituição.

O foco da entrevista foram os coordenadores desses grupos, no entanto, em um dos campi, o coordenador convidou os membros que desejavam participar da pesquisa e vários demonstraram interesse. Nesse caso foi realizada uma entrevista em grupo, direcionada pela pesquisadora, baseando-se no roteiro de entrevista. Participaram da entrevista em grupo oito servidores, totalizando, assim, dez entrevistas dos participantes do Núcleo de Permanência e Êxito.

É importante relatar que todos os 36 participantes da pesquisa concordaram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) e o termo de consentimento para uso de imagem e som de voz (TCUISV) (apêndice 2) e receberam uma cópia desse documento juntamente com o termo de Compromisso, de Confidencialidade de Dados e envio do relatório final (apêndice 3); e que todas as entrevistas, gravadas em gravador de áudio e, posteriormente, transcritas na íntegra para análise dos dados, foram realizadas no ano de 2018.

Com o objetivo de assegurar o caráter anônimo dos dados coletados nesta pesquisa, as identidades dos participantes foram protegidas, sendo caracterizados nas análises como: Docente + nº sequencial, para identificação dos docentes; Pedagógico + nº sequencial, para identificação dos técnicos administrativos das equipes pedagógicas; Permanência + nº sequencial, quando corresponder às falas dos membros da Comissão ou Núcleo de Permanência e Êxito; e Gestor + nº sequencial, para identificação dos diretores/chefes de ensino, pesquisa e extensão e assessor de ensino. Para garantir o anonimato, o número sequencial foi atribuído por ordem de aplicação das entrevistas, ou seja, não seguindo nenhuma ordem definida.

6 COMPREENDENDO O ABANDONO E A PERMANÊNCIA NA EPT: COM A PALAVRA, O TRABALHADOR DA EDUCAÇÃO DO IFSC

A expansão e interiorização da Rede Federal de Educação Científica e Tecnológica oportunizou o acesso a um número de estudantes, que viram, nessa nova instituição, uma oportunidade de acessar cursos técnicos de nível médio e, mesmo os IFs não sendo universidade, também cursos superiores. Ao mesmo tempo que se concretiza essa oportunidade, evidenciou-se elevados índices de abandono da Educação Profissional e Tecnológica, o que tem gerado desafios, tanto para entender esse processo de abandono, quanto para superá-lo.

Entender esse processo, entretanto, exige um olhar para um objeto complexo, pois, conforme apontado por Schmidt e Garcia (2008), a escola não é um conjunto de dados sociais, mas sim o resultado de determinada ação social, que pode ser de dominação e conflito e, do mesmo modo, como um lugar de ações e relações.

Além dessas dimensões, essas análises compreendem também, conforme destacam Enguita, Martínez e Gómez (2010), que os sujeitos atribuem significados ao abandono e a permanência nas narrativas de suas experiências, questão que se faz importante observar para compreender a complexidade desse fenômeno. Nesse sentido, analisar esse processo pelo olhar dos trabalhadores da educação e buscar compreender os múltiplos aspectos que envolvem o fenômeno na Educação Profissional e Tecnológica é o desafio a que se propôs esse trabalho.

6.1 OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA (EPT):