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Capítulo 3 VOO EM ROTA

3.2 Os passageiros e participantes

Em seguida, apresento ao leitor os participantes da pesquisa, com suas bagagens, perfis e contextos em que estão inseridos, para que possamos compreender melhor as próximas etapas deste estudo.

Os 46 alunos participantes e, também aqui, passageiros, nesta pesquisa, estão vinculados a uma instituição privada de ensino de Belo Horizonte (MG), que tem por filosofia de Educação a orientação franciscana e a religião católica. É reconhecida pela sua imagem de excelência acadêmica e de sólida formação humana e religiosa, ao longo de um século, pela comunidade, mídia e, também, pelos rankings divulgados sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Os participantes deste estudo são alunos da 9º ano do Ensino Fundamental, sendo 25 meninos e 21 meninas, com idades entre 13 e 15 anos, que estudam Inglês há, no mínimo, quatro anos na própria instituição e, concomitantemente, estudam ou já estudaram, em média, cinco anos, em diversas escolas de idiomas da cidade. Todos os alunos estão homogeneamente distribuídos em um nível linguístico, correspondente ao B1-B232; ou seja, alunos que conseguem entender e se comunicar, de forma satisfatória, com nativos e com não-nativos, conforme o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas.

Os pais ou responsáveis pelos participantes-alunos assinaram uma declaração de concordância para participar da pesquisa de doutorado (ANEXO E), que é uma exigência do comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O protocolo de pesquisa foi aprovado e se encontra disponível no ANEXO D.

Foi aplicado antes do início do projeto de escrita colaborativa um questionário (ver APÊNDICE A), que teve o objetivo de conhecer os perfis dos participantes- alunos. Por meio das informações coletadas, pude perceber que os mesmos

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Detalhes sobre o Quadro Europeu de Referência. Disponível em <http://preview.tinyurl.com/lnq8uem>. Acesso em: 12 mai. 2013.

demonstram ter grande familiaridade com as novas tecnologias e suas ferramentas. Do grupo de 46 alunos, 38 (82,6%) disseram conversar muito com amigos e colegas usando redes sociais como o Facebook. Outra ferramenta que se destaca entre os participantes é o YouTube, que desperta muito interesse devido aos variados vídeos e músicas que podem ser acessados. Constatou-se que a ferramenta de busca do Google para fazer pesquisas é a mais usada pelos mesmos. Entretanto, grande parte usa a Wikipedia como primeira opção para procurar algo para fins escolares. Outras ferramentas que não constavam no Questionário 1 (APÊNDICE A) foram mencionadas, como por exemplo, o Twitter.

Em média, os alunos ficam mais de oito horas por semana conectados à

Internet, e alguns mais aficionados por jogos, por exemplo, mais de 15 horas

por semana. A grande maioria dos participantes informou realizar várias atividades simultaneamente, como fazer pesquisas, ouvir música, usar o

Facebook para socialização divulgação de ideias, informações, etc.. Os alunos

também destacaram que preferem jogar em grupos a fazê-lo individualmente. O GRAF. 1, a seguir, ilustra o perfil do grupo em termos de ferramentas mais utilizadas para diversos fins:

GRÁFICO 1 - Ferramentas de comunicação frequentemente utilizadas. Fonte: Informações coletadas e trabalhadas pelo autor.

Em termos linguísticos, os alunos informaram haver uma maior dificuldade na habilidade de escrita e na de compreensão auditiva como mostra o GRAF. 2, apresentado em seguida. Isso, talvez, porque sejam as habilidades menos abordadas em sala de aula, na escola tradicional. Por outro, lado, a habilidade de leitura foi considerada a menos difícil para os alunos.

0 5 10 15 20 25

Listening Speaking Writing Reading

maior dificuldade menor dificuldade

GRÁFICO 2 - Percepções das habilidades linguísticas de maior e menor dificuldade.

Fonte: Questionário 1 – Conhecendo os participantes. Informações trabalhadas pelo autor.

Ainda no Questionário 1 (APÊNDICE A), perguntou-se sobre o que os participantes achavam das aulas de escrita que haviam tido até aquela altura; isto é, antes de começarem a fazer o projeto de escrita colaborativa orientado pelo professor-pesquisador. Do grupo de 46 alunos, 36 (78,2%) tiveram percepções positivas alegando que o writing33 estimula e amplia o vocabulário, ajuda a entender e aplicar a gramática, e amplia outros conhecimentos. Seis alunos (13%) tiveram percepções negativas, alegando dificuldade para escrever e tarefas pouco motivadoras. Apenas dois alunos (4,4%) responderam mais ou menos, relatando pontos positivos e negativos, e outros dois alunos (4,4%) não souberam responder, afirmando que nunca tinham tido aula de escrita. O GRAF. 3 ilustra esses resultados:

33 O termo, em Inglês, “writing” é muito usado entre os alunos e professor nas interações e questionários reflexivos. Por isso, eu o usarei em Inglês, sem qualquer intuito de destacar ou denotar algo específico.

GRÁFICO 3 - Percepções sobre a escrita em L2. Fonte: Questionário 1 – Conhecendo os participantes.

Informações trabalhadas pelo autor.

Do grupo com total de 46, 45 afirmaram gostar de trabalhos em grupo em que haja liberdade de escolha de parceiros e interação, desde que seja feito em pequenos grupos, com o apoio de recursos audiovisuais e que seja possível fazer na internet ou com a ajuda dela. O trabalho em grupo é muito importante no engendramento de projetos colaborativos que têm por objetivo a cooperação, auxílio e compartilhamento entre indivíduos. Foi a partir desse Questionário 1 (APÊNDICE A) que elaborei, especificamente, o projeto de escrita colaborativa que seria implementado, uma vez que a habilidade de escrita é uma das menos trabalhadas em sala de aula e uma das mais difíceis, conforme evidenciaram as respostas dos participantes.

Outras características levantadas sobre os perfis dos alunos deixaram claro que a maioria deles usa as redes sociais e aplicativos de smartphones para a comunicação. Também deixaram claro que a Internet é a primeira fonte em que vão buscar qualquer tipo de informação, utilizando os próprios celulares para obterem informações referentes ao estudo e ao lazer. Boa parte dos informantes utiliza certas linguagens próprias do mundo virtual, como abreviações e emoticons, entre outros. Um fato relevante é que muitos alunos preferem jogos on-line em grupos a individuais. Outro dado instigante é que

eles conseguem realizar várias atividades ao mesmo tempo, como estudar, ouvir música e conversar com colegas por meio de chats.

É relevante destacar que 45 alunos não conheciam a ferramenta do Google

docs34 até então e nunca haviam participado de um projeto de escrita colaborativa no meio on-line

A seguir, no QUADRO 7, apresento um resumo das características dos alunos, afiliados à Cibercultura:

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Google Docs - é um pacote de aplicativos do Google baseado em AJAX (é o uso sistemático de tecnologias providas por navegadores, como Javascript e XML, para tornar páginas mais interativas com o usuário, utilizando-se de solicitações assíncronas de informações. AJAX não é somente um novo modelo, é também uma iniciativa na construção de aplicativos web mais dinâmicos e criativos). Funciona totalmente on-line, diretamente no navegador (browser). Os aplicativos são compatíveis com o Microsoft Office e o OpenOffice.org, e atualmente compõe-se de um processador de texto, um editor de apresentações e um editor de planilhas. http://pt.wikipedia.org/wiki/Google_Docs.

QUADRO 7

Resumo do perfil dos alunos afiliados à Cibercultura.

Entendo afiliação à Cibercultura como fator externo que resulta do crescimento de um movimento coletivo “desterritorializado” (LÉVY, 1999, p. 47), cujas formas de comunicação se diferenciam daquelas que as mídias clássicas nos propõem. É o novo meio de comunicação que surge com a interconexão da rede mundial de computadores, que permite a combinação de vários modos de comunicação provenientes de fontes digitais. Portanto, denominaria indivíduos da Cibercultura a todos aqueles que usufruem da rede mundial de computadores, abarcando também as tecnologias da telefonia móvel, motivados por atitudes ativas e dinâmicas, por um conjunto de técnicas, de práticas, de modos de pensamento próprios do ambiente virtual.

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