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OS PLANOS BÚDICO E NIRVÂNICO

No documento Annie Besant - Sabedoria Antiga PT (páginas 96-158)

CAPÍTULO IV O PLANO MENTAL

OS PLANOS BÚDICO E NIRVÂNICO

Vimos que o homem é um ser inteligente autoconsciente, o “Pensador”, revestido de envoltórios ou corpos pertencentes aos planos mental inferior, astral e físico. Resta-nos estudar, agora, o Espírito que é o seu Ser mais interno, a fonte de onde ele procede.

O espírito Divino, um raio emanado do Logos e que de Seu Ser essencial

participa, tem a tríplice natureza do próprio Logos, e a evolução do ser humano como tal, consiste na manifestação gradual destes três aspectos que se

desenvolvem do estado latente ao estado ativo, reproduzindo assim, em miniatura, no ser humano, a própria evolução do Universo. Eis por que ele é chamado de microcosmo, sendo o Universo o macrocosmo; também é chamado de espelho do Universo, a imagem ou o reflexo de Deus (1). Finalmente, o

axioma antigo: “Como encima, é embaixo”, exprime a mesma correspondência. É nesta Divindade que está a garantia da vitória final do ser humano. Esta é a força motriz que torna a evolução, ao mesmo tempo, possível e inevitável; a força ascensional que lentamente domina todos os obstáculos e todas as dificuldades. Ela é a “Presença” que Matthew Arnold percebia vagamente quando escreveu que “é do Poder, e não de nós mesmos, a tendência para a perfeição”, mas ele se enganava ao pensar “não de nós mesmos”, porque o mais íntimo de todos os Seres, não os nossos seres separados, é na verdade o nosso Ser. (2)

Este Ser é o Uno, eis por que o chamamos de Mônada (3), e devemos nos lembrar que esta Mônada é a vida projetada do Logos, contendo em si, em germe, ou em estado de latência, todos os poderes e atributos divinos. Estes poderes vão se manifestando pelos choques provenientes do contato com os objetos do Universo, no qual a Mônada é projetada. Do atrito produzido nascem respostas vibratórias da Vida submetida aos seus estímulos, e as energias

desta vida passam, uma a uma, do estado latente ao estado ativo. A Mônada humana, assim chamada para distinguí-la, apresenta, como já dissemos, os três aspectos da Divindade, porque ela é a imagem perfeita de Deus; no ciclo

humano estes três aspectos desenvolvem-se sucessivamente. Estes aspectos são os três grandes atributos da Vida Divina, como se manifestam no Universo: a existência, a bemaventurança e a inteligência (4) que os Três Logoi (5)

manifestam respectivamente com toda a perfeição possível, dentro dos limites da manifestação. No ser humano estes aspectos se desenvolvem em ordem inversa: a inteligência, a bemaventurança e a existência, a existência implicando a manifestação dos poderes divinos. Até o presente, em nosso estudo da

evolução humana, temos observado o desenvolvimento do terceiro aspecto da Divindade oculta, em que a consciência se apresenta como inteligência.

Manas, o Pensador, a alma humana, é a imagem da Mente Universal, do Terceiro Logos, e toda a sua longa peregrinação nos três planos inferiores é consagrada à evolução deste terceiro aspecto, o lado intelectual da natureza divina do ser humano. Enquanto esta evolução ocorre, podemos considerar que as outras energias divinas, a fonte oculta de sua vida, estão como que mais em preparação, pairando sobre o ser humano do que desenvolvendo ativamente suas forças dentro dele. Elas atuam entre si, imanifestas. No entanto, a

preparação destas forças para a sua manifestação prossegue lentamente, elas estão sendo gradualmente despertadas dessa vida imanifestada, que

chamamos de latência, pela energia sempre crescente das vibrações da inteligência. O aspecto de bemaventurança começa a emitir suas primeiras vibrações, as tênues palpitações de sua vida manifestada fazem-se vagamente sentir. Esse aspecto de bemaventurança é chamado “Buddhi” na terminologia teosófica.

Este nome é derivado do termo sânscrito que significa sabedoria, e o princípio assim designado pertence ao quarto plano do Universo, o plano búdico, onde a dualidade ainda subsiste, mas onde não há mais separatividade. Em vão, busco palavras para exprimir esta idéia, pois elas pertencem aos planos inferiores, onde a dualidade e a separatividade estão sempre ligadas, embora uma concepção aproximada possa ser atingida. É um estado em que cada um de nós se sente uma individualidade, com uma nítida e viva intensidade que não pode ser alcançada nos planos inferiores, e onde cada um, no entanto, sente que encerra em si todos os seres, que é uno com todos eles, de modo

inseparável (1). O que mais se aproxima disto na terra é a condição de duas pessoas unidas por um amor puro, intenso, que as faz sentirem-se enlaçadas como uma só pessoa, de forma tal que pensam, sentem, agem e vivem como uma só pessoa, sem enxergarem barreira alguma, nenhuma diferença, nem o “meu” nem o “teu”, nenhuma separação (2). É uma longínqua ressonância deste plano que faz com que os seres humanos procurem a felicidade na união entre eles e o objeto de seus desejos, qualquer que seja este objeto, o isolamento completo é a perfeita miséria. Achar-se nu, despojado de tudo, suspenso no abismo do espaço, numa solidão total nada mais havendo senão o indivíduo solitário; sentir-se isolado de tudo, encerrado no seu “eu” separado…não pode a imaginação conceber horror mais intenso. A antítese deste inferno é a união, e a união perfeita é a perfeita felicidade.

vibrações, estas, como nos planos inferiores, atraem a matéria do plano em que funcionam, e assim se forma gradualmente o corpo búdico ou corpo de

bemaventurança, como é chamado mais propriamente (1). A única maneira pela qual o ser humano pode contribuir para a elaboração desta forma gloriosa é cultivar o amor puro, desinteressado, universal e beneficente, o amor que nada pede para si, isto é, que nem é parcial, nem procura algo em troca do amor. Esta efusão espontânea de amor é o mais característico dos atributos divinos que nada pede. O puro amor trouxe o universo à existência, o puro amor o mantém, o puro amor o eleva para a perfeição, para a bemaventurança. E cada vez que o ser humano irradia amor sobre todos os que dele necessitam, sem fazer nenhuma diferença, sem preocupação de recompensa, na alegria pura e espontânea dessa efusão, desenvolve o aspecto de bemaventurança da

Divindade que nele reside, e prepara esse corpo de beleza e alegria inefáveis com o qual se elevará o Pensador, liberto dos entravés da separatividade, consciente de sua própria identidade e sentindo-se, no entanto, uno com tudo que vive. Esta é “a morada que não foi feita por mãos, eterna nos céus”, de que fala São Paulo, o grande iniciado cristão. Ele exaltava a caridade, o amor puro, acima de todas as outras virtudes, porque somente desse modo pode o ser humano contribuir na terra para a edificação desta gloriosa morada. Por uma razão análoga, os budistas chamam a separatividade a “grande heresia”, e a “união” é o objetivo a que se propõem os hindus. Atingir a libertação é

desprender-se das limitações que nos dividem e o egoísmo é a raiz do mal, o qual uma vez destruído é a destruição de toda dor.

O quinto plano, o nirvânico, é o plano do mais alto aspecto humano do Deus que está em nós, e este aspecto é chamado pelos teosofistas de Atma ou o Ser. É o plano da existência pura, dos divinos poderes em sua plena

manifestação em nosso quíntuplo universo. O que existe mais além, no sexto e sétimo planos, está oculto na inconcebível Luz de Deus. Esta consciência átmica ou nirvânica é a que atingem os Grandes Seres, as primícias de nossa humanidade, que concluíram o ciclo da evolução humana, recebendo, então, o nome de Mestres (1). Eles resolveram por si mesmos o problema que consiste em aliar a essência da individualidade à ausência de toda a separatividade, e vivem como Inteligências imortais, perfeitas em sabedoria, amor e poder.

Quando a Mônada humana emerge do seio do Logos é como se, do luminoso oceano de Atma, um minúsculo fio de luz se destaca de tudo o mais por uma película de matéria búdica, e do qual pende uma centelha que fica encerrada em um invólucro ovóide de matéria pertencente aos níveis sem forma do plano mental. “A centelha pende da chama pelo fio mais tênue de Fohat”. (2). À

medida que a evolução prossegue, este ovo luminoso se torna maior e mais opalescente, e o fio tênue se transforma em um canal de largura crescente,

através do qual flui, cada vez mais abundante, a vida átmica. Finalmente, estes três elementos se fundem: o terceiro no segundo, e estes dois assim em

conjunto, no primeiro e permanecem unidos como chamas que se confundem, sem que seja possível mais distinguí-los.

A evolução humana, no quarto e quinto planos, pertence a um período futuro de nossa raça, mas os que escolhem o caminho árduo do progresso mais rápido, podem

fazê-lo agora, conforme será explicado mais tarde. (3). Neste caminho, o corpo de bemaventurança evolui rapidamente e o homem começa a viver conscientemente nesta região sublime e conhece a felicidade produzida pela ausência das barreiras

exclusivistas, a sabedoria que o invade quando desaparecem as limitações da inteligência. A alma fica, então, liberta da roda que a liga aos mundos inferiores e

pode assim antegozar a liberdade perfeita do plano nirvânico.

A consciência nirvânica é a antítese do aniquilamento. É a existência elevada a uma realidade e intensidade inconcebíveis para quem apenas conhece a vida dos sentidos e da mente. Comparar a consciência nirvânica à do homem ligado à terra é pôr o esplendor do sol do meio-dia ao lado do clarão de um pavio de vela. Querer confundir a consciência nirvânica com aniquilamento, sob o

pretexto de que no Nirvana os limites da consciência terrestre desaparecem, é assemelhar-se a alguém que, tendo apenas contemplado candeeiros, afirma que nenhuma luz pode existir sem ser produzida por uma mecha imersa em cera. O Nirvana existe e Aqueles que ali entraram e participam desta gloriosa vida, deram testemunho, outrora, nas escrituras do mundo e hoje continua esse testemunho por outros da nossa humanidade, que já transcederam a escala sublime da humanidade perfeita e ficam em contato com a terra a fim de que a nossa humanidade, em sua ascenção possa, sem vacilações vencer todas as dificuldades.

No Nirvana residem os Seres poderosos que concluíram a sua evolução humana em universos anteriores, e surgiram com o Logos, quando Ele se manifestou para trazer à existência o nosso universo. Eles são Seus ministros no governo dos mundos, os agentes perfeitos de Sua Vontade. Os Senhores de todas as hierarquias dos Deuses e os seres, que servem sob suas ordens e que vimos trabalhar nos planos inferiores, têm aqui sua residência, porque o Nirvana é o coração do Universo, de onde irradiam todas as suas correntes da Vida cósmica. Daqui o Grande Alento emerge, a vida de todas as coisas, e aqui este Alento imergirá quando o Universo atingirá o seu termo. Nirvana é a Glória perfeita, sem nuvens e sem véus, o Fim Supremo.

A Fraternidade da Humanidade, ou melhor, a Fraternidade de todos os seres, encontra nos planos espirituais, átmico e búdico, a sua base verdadeira porque somente neles existe a unidade e somente neles existe a afinidade perfeita. O

intelecto é, no ser humano, o princípio separativo, que distingue o “eu” do “não- eu”, que tem a consciência de si mesmo, e considera tudo o mais como exterior e estranho, o princípio combativo que luta e se afirma e, a partir do plano do intelecto o mundo nos apresenta um cenário de conflitos, tanto mais ásperos quanto maior for a parte que o intelecto tomar. A natureza passional não atua espontaneamente, mas quando é instigada pela sensação do desejo e se

depara com algo que se coloca entre ela e o objeto de seu desejo; ela torna-se crescentemente agressiva à medida que a mente inspira sua atividade, porque, então, procura assegurar a gratificação de desejos futuros e busca apropriar-se cada vez mais das reservas da Natureza. Já o intelecto é espontaneamente combativo, é próprio de sua natureza essencial afirmar-se diferente dos outros, e aqui encontramos a raiz da separatividade, a fonte inesgotável das

dissenções humanas.

Mas a unidade é percebida imediatamente quando o plano búdico é atingido, é como se passássemos de um raio isolado, divergente em relação a todos os outros, para o próprio Sol, fonte única de todos os raios. Supondo um ser

vivendo no Sol, inundado de sua luz e tendo por missão espalhar essa luz, ele não sentiria nenhuma diferença entre os diversos raios, mas derramaria a luz de modo equânime em todas as direções. Assim também para o ser humano que atingiu conscientemente o plano búdico, Ele se sente como sendo a

fraternidade que para os outros é um ideal apenas verbal, e ele se irradia para qualquer pessoa que necessita assistência, dando-lhe auxílio mental, moral, astral ou físico, conforme a necessidade. Considera todos os seres como sendo ele mesmo e sente que tudo que possui é deles na mesma medida ou, em

muitos casos, mais deles, porque necessitam mais por serem mais fracos. É assim que numa família os mais velhos suportam todos os encargos,

protegendo os mais novos dos sofrimentos e das privações.

Pelo espírito da fraternidade, a fraqueza é um reclamo à assistência e à

proteção amorosa e não uma oportunidade de opressão. E por terem atingido este estado e outros mais elevados, os grandes fundadores das religiões sempre se caracterizaram por sua perene ternura e compaixão, atendendo as carências físicas, como também as espirituais das pessoas, conforme as

necessidades individuais. A percepção desta unidade interna, o reconhecimento do Ser Uno, que reside igualmente em todos, é o único fundamento seguro da Fraternidade. Qualquer outra base é frágil.

Esta percepção, além disso, é acompanhada pelo conhecimento de que o nível de evolução de cada ser, humano ou não, depende principalmente do que

podemos chamar sua idade. Alguns começam a sua peregrinação através dos tempos, muito mais tarde do que outros e, embora as potencialidades sejam as mesmas em todos, alguns as desenvolveram de modo mais completo do que

outros, e isto apenas porque tiveram mais tempo do que seus irmãos jovens. Censurar e menosprezar as almas germinais ou infantis que nos cercam por não terem atingido o nosso grau de evolução é o mesmo que menosprezar e censurar a semente por não ser ainda flor, o broto por não ter dado fruto, a criancinha por não ser já adulto. Nós não nos repreendemos por não sermos semelhantes aos Deuses e sabemos que com o tempo alcançaremos o grau que ocupam hoje nossos irmãos mais Velhos. Então, por que censurar as

almas mais jovens que ainda não são semelhantes a nós? O termo fraternidade implica, pois, identidade de origem e desigualdade de desenvolvimento e,

portanto, representa exatamente o laço que existe entre todas as criaturas do Universo, o da identidade da vida essencial e diferenças de grau na

manifestação desta vida. Somos unos em nossa origem, unos no método de nossa evolução, unos em nosso objetivo, e as nossas diferenças de idade e de nível não podem senão encorajar a formação dos laços mais delicados e

íntimos. Tudo que um homem fizer por seu irmão carnal, a quem ama mais que a si mesmo, deve fazer a todos os que com ele partilham da Vida Una. Os seres humanos excluem os seus irmãos de seus corações por diferenças de raça, de classe, de país, mas quem é sábio pelo amor, coloca-se acima de todas essas diferenças mesquinhas. Vê que a vida de todos os homens flui da mesma Fonte e considera a todos como membros de sua própria família.

A percepção intelectual desta Fraternidade, e o esforço para vivê-la

praticamente, estimulam a tal ponto a natureza superior do homem, que se tornou o único objetivo obrigatório da Sociedade Teosófica, o único artigo de crença que devem aceitar todos os que queiram associar-se a ela. Viver esta fraternidade, mesmo em uma pequena medida, purifica o coração e aclara a visão, e vivê-la perfeitamente seria apagar todas as manchas da separatividade, fazendo irradiar em nós, como através de um cristal sem mácula, a pura luz do Ser.

Jamais esqueçamos que esta fraternidade existe, mesmo que os seres

humanos a ignorem ou a neguem. A ignorância humana não muda as leis da Natureza, nem pode alterar sua marcha contínua e irresistível na medida da espessura de um fio de cabelo. Suas leis esmagam todos que se opõem a elas, destruindo tudo que não está em harmonia com elas. Eis por que nenhuma nação pode subsistir se ultrajar a fraternidade, nenhuma civilização pode perdurar se basear-se em sua antítese. A fraternidade não está para ser feita, ela existe. Depende de nós harmonizarmos as nossas vidas com ela, se

quisermos que nós e nossas obras não pereçam.

Pode parecer estranho a alguns que o plano búdico, para eles algo vago e irreal, influenciasse assim todos os planos inferiores a ele, e que suas forças reduzissem a pedaços tudo o que não pode se harmonizar com elas nos

mundos inferiores. Entretanto, é assim porque este universo é uma expressão de forças espirituais, e elas são as energias reguladoras e modeladoras que a tudo permeiam e que, lenta, mas seguramente, trazem todas as coisas sob seu domínio. Daí se conclui que esta Fraternidade, que é uma unidade espiritual, é muito mais real que qualquer organização exterior. Não é uma forma, mas uma vida que “com sabedoria e doçura, ordena todas as coisas”. Pode revestir-se de inumeráveis formas, adequadas às épocas, mas a vida é una. Felizes os que veêm a sua presença e se tornam os canais de sua força vivificadora.

___________________

O estudante tem agora diante de si os componentes da constituição humana e as regiões às quais esses componentes pertencem, respectivamente. Uma recapitulação resumida lhe possibilitará ter uma idéia nítida deste conjunto complexo.

A Mônada humana é Atma-Budhi-Manas, que se traduz algumas vezes pelos termos Espírito, Alma Espiritual e Alma do ser humano. O fato de que estes três são os aspectos do Ser, torna possível a existência imortal do ser humano e, embora estes três aspectos se manifestem separada e sucessivamente, a sua unidade substancial permite à Alma imergir na Alma Espiritual, dando à última a essência preciosa da individualidade e permite a esta Alma Espiritual

individualizada imergir no Espírito, matizando-o, se assim posso exprimir-me, com as nuanças oriundas da individualidade, sem prejudicar sua unidade

essencial com todos os outros raios do Logos e com o próprio Logos. Estes três aspéctos são o sétimo, sexto e quinto princípios do ser humano e os materiais que os limitam ou que os envolvem, isto é, que tornam possível sua

manifestação e sua atividade, são retirados, respectivamente, do quinto

(nirvânico), quarto (búdico) terceiro (mental) planos do nosso universo. O quinto princípio toma para si um corpo inferior no plano mental a fim de entrar em

contato com os mundos fenomênicos, e assim se entrelaça com o quarto princípio, a natureza de desejos, ou kama, pertencente ao segundo plano, o astral. Chegando, enfim, ao primeiro plano, o físico, temos o terceiro, segundo e primeiro princípios, isto é, a vida especializada, ou Prana, sendo o duplo etérico o seu veículo; o corpo físico, que se põe em contato com os materiais mais densos do mundo físico.

Já vimos que Prana nem sempre é considerado como sendo um princípio, e os corpos mental e kâmico entrelaçados são classificados em conjunto sob o nome de Kama-Manas; a mente pura é chamada Manas superior, e a mente

desvinculada do desejo, é chamada de Manas inferior. A concepção mais adequada do ser humano é a que talvez apresente mais exatamente os fatos em relação à vida una permanente e as diversas formas nas quais essa vida una atua e que condicionam as suas energias, causando a variedade na

manifestação. Temos, então, o Ser e a Vida una, fonte de todas as energias, e suas formas são os corpos búdico, causal, mental, astral e físico (etérico e

denso). (1)

Estabelecendo a comparação entre estas duas maneiras de examinar a mesma coisa, podemos construir o seguinte quadro:

Princípios Vida Formas

Atma ….Espírito Atma Corpo de bemaventurança Buddhi……Alma Espiritual Corpo Causal

Corpo mental Manas Superior Alma Humana

ü

Manas Inferior

ý

þ

Kama………Alma Animal Corpo astral Linga Sharira (2) Duplo Etérico

Sthula Sharira Corpo físico

Veremos que a diferença é simplesmente questão de nomes, e que o sexto, quinto, quarto e terceiro princípios são somente Atma agindo nos corpos búdico, causal, mental e astral, enquanto o segundo e o primeiro princípios são os próprios dois corpos mais inferiores. Esta brusca mudança na nomenclatura pode causar confusão na mente do estudante, e como H.P.Blavastsky, nossa veneranda instrutora,

expressou muita insatisfação com a nomenclatura então aceita, considerando-a confusa e desorientadora, desejou que outros, inclusive eu, tentassem melhorá-la,

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