Na organização da feira, principalmente na de 20 de novembro de 2008, tive a oportunidade de ouvir os alunos atentamente. As conversas que circulavam livremente antes e no dia dessa feira entre os participantes (professores, estudantes, ex-estudantes e comunidade presente) serviram como material de análise.
As feiras, para um grupo de estudantes, representam uma oportunidade de estar junto com os outros, para outros grupos representa a oportunidade de comercializar seus produtos. Nessas ocasiões de comercialização circulam as trocas de aprendizados, afeto, sonhos, notícias de amigos, parentes, receitas de remédios, chás, convites de casamentos, festas de quinze anos... “A troca não é um edifício complexo, construído a partir das obrigações de dar, de receber e de retribuir, com o auxílio de um cimento simbólico afetivo e místico (Mauss, p. 40, 2003)”.
A relação de troca estabelecida pelos estudantes representa uma síntese dessa comunicação entre si e os elementos que se relacionam com outro. Os objetos dessa relação social dialogam constantemente; desenhando um outro caráter “competitivo” de economia, que se destina na passagem de seus objetos de um a outro.
Trazendo a realidade das feiras para o modelo sócio econômico presente, onde o “capital de investimento só visa o lucro”, visivelmente notaremos as contradições que ocorrem com o comercializar nas noites das feiras entre os estudantes. Para um grupo de estudantes participar das feiras significa: trocar conhecimento, comercializar seus produtos de forma descontraída, ver os amigos, a família, a exposição de seus trabalhos, prestigiar os trabalhos dos colegas, estar em sintonia com convidados e professores, ganhar e dar elogios.
Nessa temporada das feiras, o espírito da estima, do prestigio pulsa animado. São mensagens se encaixando na poesia da invenção. Mas não para todos participantes. Aqueles que pensavam vender toda sua produção e ter uma margem de lucro acima dos seus investimentos, comumente chegam à frustração. Nesses casos de incompreensão, “com esse novo modo de pensar economia”, vinha o desinteresse em expor novamente seus produtos. O que gerava prazer para uns, não necessariamente agradava os demais. Na tentativa de captação de um maior número de expositores, alguns professores e colegas de turma (estudantes) faziam a publicidade das feiras, explicando o compasso dessa outra disposição de comercializar: uns vendem outros não, o maior lucro é a participação, a troca de aprendizados a divulgação de seus produtos para os colegas e os “visitadores” da comunidade.
Dentro desse contexto a lucratividade torna-se uma roda de acordos viáveis. Que não se afirmam exclusivamente nas relações de rentabilidade. As feiras têm demonstrado que existem alternativas ao mercado formal. que se diferenciam da hostilidade mercantilista que vivenciamos. Os feirantes levam na equipagem: práticas, alegrias, esperanças, alegria, sonhos, beleza e muitas surpresas... Nesse ritual embrionário passa a circular o “Dom”, ou seja, o dar, receber e retribuir. Nessa natureza as rupturas com a lógica do mercado balizam uma economia muito semelhante a da dádiva de Mauss (2003).
Desde o início uma das atividades das feiras foram os desfiles de “modas”: dos mais belos e das mais belas, “jovens negros (as) e jovens brancos (as)” da escola. No novembro de 2008, uma colega professora de português havia conseguido como patrocínio o empréstimo de algumas roupas de uma “loja popular” de Porto Alegre, para os estudantes desfilassem. Loja popular que comercializa roupas femininas e masculinas (moda jovem senhora) a preços acessíveis, possibilitando uma futura aquisição pelos estudantes, pois um número significativo da comunidade estudantil do “noturno” encontrava-se penalizada pelo desemprego e apresentava uma baixa renda familiar.
Nesses desfiles repetidas vezes eram os mais jovens e “bonitos” que participavam. Um pouco incomodada com essa rotina sugeri para supervisora da escola, e para os demais colegas, que mudássemos essa ordem desigual. Propus um “desfile de belezas” compartilhado entre os estudantes negros, brancos, bonitos, feios, jovens, adultos e idosos. A sugestão foi acolhida. Fui passando nas salas de aula convidando os estudantes para participar do “desfile de belezas”. Observei alguns risos, mas não desanimei. Muitas perguntas, e a cada uma delas, explicava como seria o desfile: primeiro não haveria premiação, segundo todos que tivessem desejo de desfilar e mostrar sua beleza teriam a oportunidade de candidatar-se, pois beleza, nesse desfile, implicava sentir-se belo, bonito.
Em todas as turmas havia estudantes com idade de 16 a 70 anos, gordo, magro, alto, baixo, brancos, negros, cabelos liso, encaracolados... Junto com a divulgação foi explicado para eles “estudante” que quem faria os ensaios para esse desfile seria a supervisora Micheline Michel, que segundo “ela” os preparativos das feiras e dos desfiles eram momentos prazerosos. Os estudantes tinham muita simpatia pela Micheline e sentiam-se muito à-vontade com ela. O ritual desse desfile dividia-se em três momentos. O primeiro momento constava de um ensaio geral. Esse ensaio aconteceria numa noite de aula, numa sala de aula desocupada, ou na biblioteca. Os candidatos seriam chamados pela supervisora encarregada dos ensaios. Algumas regras deveriam ser cumpridas, não faltar aulas, informar ao professor o porque do seu afastamento da sala de aula, não faltar aos ensaios para o desfile. No segundo momento todos ensaiariam juntos, depois de um em um, uma vez só os homens, uma vez só as mulheres.
Faziam parte dos ensaios: postura, música escolhida para passagem na passarela, elegância, tempo na passarela, passos, olhares e sorrisos. O terceiro momento era uma espécie de pré-apresentação dos candidatos que deveriam estar convictos que não desistiriam no dia da apresentação. Ficou combinado com os candidatos que no dia do desfile, desfilariam primeiramente com roupa própria e depois com as roupas escolhidas e experimentadas da referida loja. Foi um coçar de cabeças e um bombardeio de perguntas sobre o
seguimento do desfile. Os estudantes demonstravam insegurança, mas mesmo assim encorajaram-se. E como num desprender-se de si foram inscrevendo-se para o “desfile de belezas”. De todos os estudantes convidados do noturno que demonstraram interesse em desfilar, somente doze se inscreveram e participaram. do “desfile de belezas”. As belezas foram se revelando no percurso dos ensaios e da feira.
Os desfiles adicionados às feiras representam mais um dos recursos de aprendizado utilizado pelos educadores. O desfile de “belezas” é mais um alargamento da feira, um acender da auto - estima dos envolvidos. É uma ocasião esperada por muitos, pais, amigos, colegas e namorados.
Nos dias de feira os desfiles descrevem o encantamento de quem o prepara e de quem participa. A formosura de homens e mulheres, jovens e idosos transformam o palco em sala de aula, o lúdico desse momento desencadeiam outros conhecimentos que se estreitam através das emoções. Outras relações começam brotar. É um mostrar-se sem se esconder, conhecer mais o outro, estar mais próximo e também longe, mas não distante - estar junto, pois o outro me revela, me encoraja, me desafia e me faz desejar. Os candidatos pintam uma nova tela. Nessa tela de imagens as pessoas são retratadas simbolizando os seus sonhos e esperanças por melhor tempo. O desfile na escola mantinha a cultura de embelezar os eventos. O desfile de “belezas” nas feiras da EJA, especialmente esse que ocorreu em novembro 2008, alargou as reflexões sobre os sonhos e desejos dos estudantes. Para alguns estudantes essa é uma oportunidade única de estar na passarela, de ser a estrela, de brilhar no mundo encantado. E para os educadores esse momento de brilhos e sonhos representa uma fissura com aprendizagem.
Nos ensaios os candidatos vinham com suas melhores roupas, perfumados felizes, alegres e ansiosos. No dia do desfile hora antes: muito nervosismo, maquiagem, cuidado com as roupas e os seus pertences, atrasos, risos, inseguranças. As colegas mais jovens maquiavam as mais velhas e vice versa os rapazes pedem para mulheres maquiá-los, alguns dizem que não entram
mais nas roupas porque deram uma “engordadinha”. As numerações das roupas já haviam sido separadas na loja, uma semana antes do desfile por mim e por Micheline, de acordo com os tamanhos fornecidos por “eles”: pequeno, médio e grande.
Os estudantes num breve ensaio, brincam, dançam, improvisam a passarela, e o camarim. Para troca de roupas usam a sala da supervisão. Simulam mais um ensaio rápido, é momento de descontração. Parece inexistir vergonha dos seus corpos, um ajeita o outro na roupa, há trocas de elogios. Comentam entre eles que se sentem como se estivessem num desfile de verdade: pois iriam pisar nas passarelas. Entre risos reclamam do cheiro de “chulé e da asa” de alguns colegas: muitas risadas. Falam dos filhos, dos namorados, pais e amigos. É um momento de cumplicidade e respeito entre eles. Para os doze estudantes participantes parecia um momento único...
Chega o momento do desfile, muita aclamação e assovios do público. O desfile acontece ao som de músicas: cada um escolheu uma música para passar na passarela. Os vencedores foram os mais aplaudidos. Todos nessa noite receberiam uma lembrancinha: uma camiseta masculina e uma blusa feminina cortesia oferecida pela da Loja e os demais objetos existentes na escola como: capa para celular, meias, camisetas... Ao final do desfile, muitos aplausos. E em cada fala dos estudantes ficou o gosto de quero mais.
3. 2 Dialogando com professores, funcionários, estudantes e ex-
estudantes
É necessário dialogar com “comunidade escolar”. A dimensão do trabalho coletivo, que acontece dentro e fora da escola a partir das relações compartilhadas nas feiras. Através das vozes dos estudantes e do cotidiano escolar, as feiras na escola propõem um ligar forças contra o mal-estar do
desemprego. Inicio esse diálogo com auxílio da comunidade escolar através da ex-estudante Vera e com os outros, que constituíram a feira de geração de trabalho, renda, arte na escola.
Numa das tantas noites de trabalho, enquanto me direcionava a escola, converso com a ex-estudante Vera. Em meio ao bate-papo, aproveito para encomendar uma boneca de pano negra para dar de presente. Quero saber como andam as vendas, a confecção das bonecas... Vera vai descrevendo e explicando o significado de “fazer” bonecas.
Vera: Para mim é uma arte, pois compro a cabeça das bonecas, ganho retalhos e com os retalhos vou inventando o corpo, os cabelos, o vestuário, às vezes compro outros enfeites, e até mesmo invento, alguns de crochê, de fitinhas... Mas gosto de fazer bonecas negras. O “bebe” boneca é tão bonitinho... – tenho uma amiga que às vezes vende minhas bonecas na Redenção em Porto Alegre / RS. Tem dias, que passo horas fazendo as bonecas: faço outras coisas também! Cuido da casa, saio... A arte de fazer bonecas negras. Dá para ganhar um dinheirinho nas feiras da escola, com as encomendas, sempre ajuda... (diário de campo, anotações 2002 - 2008).
Marli do Canto (professora alfabetizadora há 19 anos, na escola desde 1990): em meio a uma conversa, descreve que quando o ensino noturno era regular eram realizado provas de seleção para o “Supletivo”, ou seja, ela já era professora do ensino regular noturno ajudando na construção do ensino supletivo na escola à noite. Lembrando da época das provas de seleção da Modalidade Supletivo, vai narrando a sua chegada na escola:
Vim para escola para trabalhar com os alunos que não passavam nos testes, para ingresso na modalidade supletivo. Principalmente nos testes de matemática, história e português. “Tive turmas com 70 alunos”. Teve ano que abriram duas salas, pois eram muitos alunos – e os alunos eram os primeiros a notar que a educação tinha uma continuidade.
Hoje os alunos desistem porque não há uma compreensão dos conteúdos, também por terem maiores dificuldades. [...] havia um pavilhão de madeira e o primeiro pavilhão novo, que temos hoje, onde é a secretaria da escola era uma sala de aula . Na morada do Vale I - Gravataí / RS não era assim, aqui era tudo mato. Aqui, onde hoje é a nossa escola era tudo mato. Nesse terreno, onde fica nossa escola era uma empresa chamada de Guerino. A escola funcionava no terreno dessa empresa num barracão. A associação dos moradores tomou conta da escola, até que a prefeitura construísse um prédio. As aulas funcionavam nesse pavilhão de madeira que já falei. O prédio! As aulas funcionavam nesse pavilhão de madeira. A escola que foi construída pela prefeitura era somente dois prédios de madeira. (anotações do diário de campo 11 de dezembro de 2008)
fig. nº 4 Construção do prédio da Escola
fig. nº 5 Festividades na Escola
Sonia M. Rodrigues (62 anos, supervisora da escola) descreve as feiras como uma das oportunidades de geração de renda, ao mesmo tempo em que portuniza os alunos expor e vender seus trabalhos:
Levanta a auto-estima deles. Eles [alunos] ficam numa felicidade quando alguém pergunta na feira como é que fez o seu trabalho de pesquisa. É que eles fazem seus produtos , além disso tem exposição de trabalhos e o aluno expõe o que sabe fazer. (Exclamou as feiras são uma alegria só). As feiras são uma alegria: porque os alunos em si são e ficam alegres com a gente – com a nossa presença. Citou que a aluna Olésia, (aluna da alfabetização) que parecia que fazia tudo com muito carinho – mostrando seus produtos com felicidade desde o bolo as bonequinhas. As feiras são alegres para mim é um dia de muita alegria. Parece que se torna festiva também. Eu vejo uma alegria da alma – porque se vê nos olhos deles – aquilo que sabem fazer. Em todos os sentidos as feiras contribuem para o aprendizado dos alunos , não é só o trabalho feito em aulas que é aprendizagem: o trabalho que ele faz ele vê e já pode oferecer para os vizinhos nas horas difíceis eles podem vender o que fazem – um artesanato, ou uma comida. E como equipe pedagógica sempre dou força e colaboro com a divulgação, auxilia com sugestões e busca de patrocínio (faixas), porque quem está mais próximo dos alunos são os professores que trabalham com eles em sala de aula. É uma questão de afetividade, pois não existe aprendizagem sem afetividade (entrevista realizada por mim em 17/11/2008).
Maria Edth (orientadora educacional, militante sindical e pessoa importante na construção do ensino noturno na E. M. E. F. Presidente Getulio Vargas), para ela as feiras são maravilhosas a escola fica viva e alegre, os alunos tem um outro brilho no olhar, outro entusiasmo, diz: “os alunos aprendem sim. Imagina! No dia a dia para vida deles, é uma aula de vida, cada um com suas experiências e suas coisas – além das pesquisas realizadas por eles”.
Eliana Porto Ferreira (professora de ciências e matemática, 48 anos), diz que as feiras são importantes para divulgação dos trabalhos em sala de aula.
As feiras possuem o poder de informação a todos os participantes sobre os assuntos de ciências . Exemplo: saúde, educação ambiental, prevenção de doenças etc:..Além da integração, e uma estreita relação entre teoria e prática destaca-se as relações de trocas de experiências. Os alunos apresentam motivação para o aprendizado. As feiras contribuem para o aprendizado, pois nossos alunos pesquisam sobre os assuntos. As feiras são momentos indispensáveis para as trocas de experiências, informação e crescimento. (anotações dessa entrevista no meu diário de campo novembro, 2008)
Rosane S. Fagundes (professora de ciências, biologia e Especialista em EJA, 48 anos). Fala de como é preparar seus alunos para o evento feira: “aproveito o conteúdo que estou trabalhando nos meus períodos com as turmas”.
Faço assim não me preocupo com conteúdo em si, mas como os “conteúdos” irão contribuir para vida dos alunos. Exemplo: procuro dar significado aos alimentos - (exploro o valor nutritivo), que eles dizem ser comida de pobre: arroz, feijão e polenta...” Faz um comentário e pede para não escrever” Do tempo que participa das feiras visualiza que falta mais arte. Apresentar mais arte que seja mais prazeroso – desfiles, coisas próprias, sem muita obrigatoriedade, pois os alunos valorizam seus trabalhos e se orgulham de vê-los nas feiras. Para o aprendizado dos alunos: é a auto-estima, a sociabilidade, a integração entre as turmas. Observo que a feira é necessária, pois a desenvoltura deles fica melhor, se expressam mais oralmente é um exercício para fora da escola em termos de comunicação.
Ivone L. W. de Castro (professora de Estudos Sociais e Especialista em EJA, trabalhando com história e geografia na escola).
Diz que preparar seus alunos para as feiras é sair do comum, é buscar, pesquisar, levá-los a pensar, produzir em casa e na sala de aula – trabalhar em equipe. “Penso que as feiras, são ótimos meio de integração e aprendizado e que as contribuições desse evento para os alunos resulta nas trocas de experiências e na busca constate pelo aperfeiçoamento”.
Selma Cardoso (professora de português, formada em Letras, 59 anos).
Penso que as feiras têm importância: cultural, afetiva, criativa, união dos alunos com colegas – professores e comunidade. Na disciplina de português os alunos desenvolvem habilidades de leitura e interpretação de vários assuntos. A feira contribui para o aprendizado de nossos alunos, pois através das feiras o aluno tem comunicação com todos os setores da escola, adquirem conhecimentos gerais de outras disciplinas, sempre há algo interessante e novidades para eles (anotações entrevista diário de campo 2008).
Valdoir (professor de matemática, Especialista em Educação Ambiental e Sanitária – trabalha com Química).
Diz que as feiras apresentam uma oportunidade para os alunos divulgarem e compartilharem seus conhecimentos.
De modo a estimular o interesse nas áreas de ciências e tecnologia. As feiras contribuem para o aprendizado dos alunos quando os objetivos são bem definidos. Desde que o professor seja um autêntico mediador, no encaminhamento de um
projeto de pesquisa, que vise contribuir com as necessidades sócio-ambientais locais. É necessário fazer trabalhos voltados para comunidade a fim de contribuir com a comunidade local (das anotações, diário de 2008).
Maria de Lurdes da Silva (funcionária da escola), em conversa me conta, que trabalhava na Empresa CDG – Centro de Desenvolvimento de Gravataí / RS que era uma parceria com a Prefeitura Municipal de carteira assinada: com concurso para auxiliar de serviços gerais. E que também era artesã e fazia chinelos bordados, crochê, doce e salgados, pão feito em casa, panetones, trabalhos em EVA e toalhas bordadas. Comenta já ter participado de duas feiras na escola como convidada. Para ela financeiramente não valeu, mas divulgou seu trabalho, as pessoas reconheceram mais ela e seu trabalho – acha que as feiras funcionam, mas não deu sorte.
Venda sem dinheiro só para os professores “no fiado” para o pessoal de fora não dá. Tem que ter mais feiras pela integração da comunidade com a escola, pois aproxima mais, trocar idéias com os outros expositores – brinca! Trocar figurinhas como se diz. Gostei mas é necessário que seja mais aberta sempre no pátio, pois só participei das que aconteceram nas salas de aula. As feiras no pátio, não tive oportunidade de participar. As oficinas! Interessante seria que os produtos feitos, dessem para vender, não só aprender a fazer. Os participantes “alunos” acham que as feiras não são só para ganhar dinheiro. Gosto mesmo é de fazer o artesanato não sou muito de vender explica. Também não é só para ganhar dinheiro, dá prazer, amo o que faço “artesanato”. Não sei ensinar, só sei fazer, eu adoro quando as pessoas olham meu trabalho e dizem que é lindo (minhas anotações diário de campo 2008).
Marlene Faedrich (trabalha há dez anos na escola, têm 61 anos e acha as feiras uma coisa muita boa).
“Existe uma interação entre funcionários, alunos e professores. As feiras aproximam as pessoas, se conversa”. Diz:
...pena que não tenho tempo para participar mais! Acho que os alunos aprendem, não se pode desvalorizar, pois cada um mostra o que sabe fazer, seja no artesanato ou na culinária. Se experimentar um alimento e gostar já pego a receita com os alunos e faço, pois é a minha área cozinhar: sempre aprendo algo diferente nas feiras. Adoro as apresentações: os desfiles, as músicas, sempre tem as roupas típicas – é bom quando as músicas agradam, gosto das feiras, mas acho que o artesanato e a culinária têm pouca compensação por ser um trabalho diferente feito com mais trabalho (anotações entrevista diária de campo 2008).
Essas falas da comunidade vão legitimando a continuidade e a permanência das feiras. Associado a esses discursos convido os ex-estudantes a descreverem o gosto pela escola. Ao chegar na escola no fim da tarde “novembro 2008” encontro dois ex-estudantes da noite no pátio: que estão reunidos com mais quatro colegas seus. Pergunto como estão, se continuam estudando... Entre sorrisos e bate papos, com os demais colegas, falam que estavam no ensaio da Banda, e que sempre que podem estão na escola, principalmente para participar