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CHAPTER III A LÍNGUA INGLESA NO BRASIL: APONTAMENTOS

3.1 OS PRIMÓRDIOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA E A CONEXÃO COM

Os primórdios da educação no Brasil remontam ao Período Colonial, quando os primeiros jesuítas, da Companhia de Jesus, em 1549, foram os encarregados de organizar as primeiras escolas e se tornaram os responsáveis pela educação escolarizada. O principal objetivo dos religiosos era o evangelismo, porém tais educadores ensinavam também princípios de comportamento e os ofícios que fossem necessários para a economia da época. De início eram os indígenas o foco dessas intervenções com intenção da submissão e dominação destes à cultura européia. Em seguida, a educação jesuítica foi transferida para as escolas de humanidades, que se voltava para os colonizadores e seus filhos, bem como os mestiços.

Os filhos dos colonos e dos mestiços também recebiam instruções dos jesuítas, através dos subprodutos das escolas de ordenação criadas pelo Padre Manoel da Nóbrega. No séc. XVIII, os jesuítas contavam com 17 colégios e seminários, 25 residências e 36 missões, além dos seminários menores e das escolas de alfabetização presentes em quase todo o território. Os colégios de formação religiosa abrigavam os filhos da elite; [...] posteriormente, os jesuítas também catequizaram e instruíram escravos (BESERRA; BARRETO, 2014, p.169).

O ensino da Língua Portuguesa, até então estrangeira para os nativos, desde o século XVI, começou baseado em métodos tradicionais, onde o objetivo era simplesmente catequizar e instruí-los, impondo um novo modo de vida. De acordo com Piletti (1991) a educação jesuítica se dava em "clima de total desconfiança e medo" (p. 30), baseada no ensino das línguas clássicas, o grego e o latim. Ressalva- se que o colonizador europeu sempre buscou impor uma nova língua.

Nas aldeias, ou em escolas ambulantes improvisadas, os índios recebiam dos europeus conhecimentos enriquecedores e novos que vinham sempre, da parte do colonizador, acompanhados da intenção de aprisioná- los ao mundo e à cultura do homem branco, retirando-lhes a autonomia (PILETTI, 1991, p. 31).

Depreende-se que a educação no Brasil era responsabilidade dos jesuítas, no entanto, o Marquês de Pombal, em 1579, movido pelo espírito científico reinante expulsa os religiosos do Brasil, de Portugal e suas colônias, por crer que a educação oferecida por eles era antiquada e centralizadora, uma vez que o ensino focalizava a religião. A saída dos jesuítas fez com que o sistema educacional sofresse um atraso e ficasse desorganizado, apesar das novidades impostas pela Reforma Pombalina a qual criou as aulas régias, marco do surgimento do ensino público oficial e laico.

de D. João VI e sua corte para o Rio de janeiro em 1808. Portanto, com a chegada da família Real no Brasil, mudanças profundas aconteceram no país, inclusive na área educacional (STEPHANOU, 2005).

Ribeiro (2005) destaca que as mudanças ocorridas objetivavam tão somente ofertar educação para a aristocracia que compunha a corte portuguesa, já que não havia interesse da elite na escolarização básica da população geral, pois a economia era agrária, sustentada pela mão-de-obra escrava, fortalecida pela centralização do poder político nas mãos da oligarquia rural.

No mesmo sentido, Romanelli (2002, p. 38) expõe que:

A preocupação exclusiva com a criação de ensino superior e o abandono total em que ficaram os demais níveis de ensino demonstram claramente esse objetivo [proporcionar educação para uma elite], com o que se acentuou uma tradição – que vinha da Colônia – a tradição da educação aristocrática.

Destaca-se que com o passar do tempo, mesmo com o desenvolvimento do Império advindo da vinda da família real, a educação ainda era pautada na metodologia jesuítica, que era a de ensinar mediante as línguas gregas e latinas. Associado a isso se impunha também a tradição e cultura europeia. A partir de 1809, se impulsionou o ensino de línguas vivas8, sobretudo, o inglês, o francês e o italiano. Assim, uma tendência universal passa a ser disseminada, com o intuito de ensinar novas culturas e ideologias, mas especialmente voltada para os acordos internacionais que Portugal mantinha com a Inglaterra e a França (POLIDÓRIO, 2014).

Neste período, vários cursos superiores foram criados. Entretanto, a preocupação com a educação era atender aos interesses da monarquia, iniciando a construção de fatores decisivos que culminariam com a independência política do país, alguns anos depois. É criado, por exemplo, um dos primeiros cursos superiores não-teológicos, para a formação de profissionais qualificados, tais como oficiais e engenheiros, civis e militares (a Academia de Ensino da Marinha, em 1808, e a Academia Real Militar, em 1810); curso de medicina (na Bahia e do Rio de Janeiro, em 1808), curso de arquitetura (Escola Real de Artes, Ciências e Ofícios, em 1816).

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Língua viva é a língua usada na comunicação cotidiana, por exemplo, dos diversos países, mesmo que não seja a língua nacional, tal como sucede com o inglês e demais línguas. A língua morta (ou extinta) é aquela que é usada artificialmente, mas que deixou de ser empregada no país originário. É o caso do latim, do grego clássico e do sânscrito.

Na cena cultural, foram criadas grandes instituições como a Imprensa Régia (1808); a Biblioteca Pública (1810); o Teatro Real de São João (1813) e o Museu Nacional (1818).

Vale destacar que todos esses empreendimentos, pouco modificaram a situação do Ensino Primário e Secundário no Brasil, já que o rei português, ao cuidar exclusivamente dos cursos superiores, apenas atendia as demandas do “mercado de trabalho” da época, que precisava de profissionais qualificados. Isso porque com a coroa portuguesa morando no Brasil, os ingleses tiveram a permissão de estabelecer casas comerciais na Colônia, iniciando a exploração comercial da Inglaterra em terras brasileiras, gerando mudanças expressivas tais como: o desenvolvimento da imprensa Régia, do telégrafo, do trem de ferro e da iluminação a gás. As companhias inglesas ofertaram vagas para brasileiros, principalmente para engenheiros, técnicos, supervisores e para funcionários, em geral. Entretanto, um grande entrave se interpunha, era necessário saber falar a Língua Inglesa para receber os treinamentos e compreender as instruções recebidas (SOUZA; SANTOS, 2011).

Como se percebe, a educação era voltada para as elites e, consequentemente, o ensino da Língua Inglesa também se voltava para esse objetivo, em especial, para atender os interesses dos ingleses. De acordo com Vidotti (2010) a relação do Brasil do século XIX com os britânicos era tão notória que ultrapassava questões meramente comerciais, influindo na vida do país como um todo:

[..] no mercado, nos investimentos em títulos de empréstimo do governo, em companhias mineiras, em estradas de ferro, nos costumes de moradia, na moda, nos móveis e objetos das casas. Surgiram as carruagens, os machados e serras inglesas. Além disso, houve a influência intelectual, através dos seus livros em prosa ou verso, dos novos métodos de ensino como o de Lancaster, dos livros técnicos e científicos, traduzidos no desejo de aproximação dos grandes mestres da Literatura Inglesa como Byron [...] À influência do mister pode-se atribuir a introdução do chá, da cerveja e do whisky, do beef, do pijama de dormir, do rifle esportivo, do water-closet, dos métodos de ensino de meninos, do gosto pelos romances policiais, dos piqueniques, da louça inglesa, do sandwich, das maneiras do gentleman, do passeio a pé, do bar, do drink gelado, do clube, da moda inglesa de roupa de homem, de gravata e de meia, da calça de flanela, do chapéu inglês, do cachimbo inglês, da governanta, da hora inglesa (exata), da palavra de inglês (palavra de honra), do breakfast, do sal-de-frutas, do poker, do cavalo inglês de corrida, do buldogue, das corridas de jockey, das viagens nos vapores ingleses, da Brazilian Street Railway (estrada de ferro) e muitos outros (VIDOTTI, 2010, p. 37).

Pode-se depreender então que o Brasil, historicamente, estabeleceu uma forte conexão com os ingleses a ponto dessa influência refletir em vários âmbitos – cultura, economia, moda dentre outros e, mais tarde, no ensino da língua.