• Nenhum resultado encontrado

Capítulo 2. GARAGENS SUBTERRÂNEAS E O MEIO URBANO

2.3 PROJETO DE GARAGENS SUBTERRÂNEAS

2.3.2 Os Problemas Mais Comuns Encontrados Numa

Subterrânea

Segundo artigo publicado pela Parking Trend International (2001), em um estudo de caso sobre o Park Lane Underground Car Park, de Londres, Inglaterra, diversos são os problemas encontrados numa garagem subterrânea, dos quais podemos citar:

a) busca-se, na concepção de um projeto de garagem subterrânea, a distribuição de vagas de forma a se obter o maior número possível, isto é, persegue-se uma distribuição favorável de forma a facilitar a entrada e a saída dos veículos, tendo como manobristas os próprios motoristas. Desta forma evita-se uma estrutura administrativa de funcionários manobristas, o que encarece de forma significativa a tarifa para o usuário, pois esses custos são repassados. Exceção é feita para os

sistemas que adotam o atendimento Vip (modalidade valet-parking) , onde o efeito do custo administrativo reflete única e exclusivamente sobre a tarifa desse atendimento, ou seja, usuários que procuram este tipo de atendimento estão dispostos a pagar uma tarifa bem mais elevada;

b) um acesso mal localizado pode comprometer todo o desempenho de faturamento de uma garagem subterrânea. Por isso é de fundamental importância que, no momento da definição do projeto, sejam analisados os sentidos das ruas adjacentes ao empreendimento, bem como a existência de vias tronco, onde normalmente o tráfego flui com mais intensidade. Deve-se também observar o efeito do fluxo bairro-centro e vice-versa. Deve-se Ter em mente que a demanda por vagas de estacionamentos está associada à distância existente entre a garagem e o ponto de origem do usuário;

c) a ausência de sinalização informativa nas vias de aproximação da garagem faz com que o motorista passe despercebido pelo portão de entrada. Em alguns casos, o motorista que consegue perceber a existência do portão de entrada, por estar além do ponto de manobra, não consegue retornar por diversos fatores: sentido único existente na via que contem a entrada, tráfego intenso, retornos demasiadamente distantes ou impraticáveis, entre outros;

d) os sistemas de controle de entrada implantados podem ser ultrapassados. A conseqüência direta desse tipo de sistema é o elevado tempo de processamento entre a solicitação de entrada e a liberação para acesso à vaga. Dependendo do número de cancelas ou guaritas de controle que utilizam esses sistemas de processamento moroso, pode-se ter, no momento de alta demanda de fluxo de tráfego (hora do rush), enormes filas, cujos efeitos se refletem até nas vias públicas que contém o acesso, causando congestionamentos nas imediações. Mesmo que sejam previstos “pulmões” para essas demandas elas não suportam a quantidade de veículos nesses momentos de pico. Entre os sistemas que demandam tempo de processamento elevado podemos citar aqueles que utilizam as guaritas de controle operado por funcionário e aqueles que utilizam Terminais de Entrada automáticos com impressoras matriciais. No primeiro sistema, os dados do veículo e o horário de acesso são registrados manualmente em um bilhete que é entregue ao condutor do veículo para posterior abertura da cancela. No segundo sistema, o condutor do veículo aciona um botão no Terminal de Entrada, que emite o bilhete abrindo a cancela. Esse sistema é mais rápido que o

anterior, porém se torna ineficiente por utilizar tecnologia ultrapassada;

e) a exemplo do que ocorre com o sistema de controle de entrada nas garagens, acontece o mesmo com o sistema de controle de saída. Como se verifica na prática, existe a tendência dos usuários saírem simultaneamente, nos horários de final de expediente, principalmente naquelas regiões comerciais. Isso acarreta filas que se propagam dentro dos corredores do estacionamento, fazendo com que decaia rapidamente a qualidade do ar, devido aos motores estarem ligados. Cabe ressaltar que a garagem subterrânea é sempre um ambiente fechado, que depende de um sistema artificial de renovação do ar;

f) aquelas garagens subterrâneas que não possuem um sistema de renovação do ar que funcione de forma eficaz, mesmo em momentos de alta demanda, tendem a afastar os usuários. Os veículos emitem grandes quantidades de gás carbônico por ocasião do seu deslocamento interno e esses níveis aumentam nos horários de pico, normalmente em finais do horário de expediente comercial. Níveis elevados desagradam os usuários;

g) os usuários tendem a se afastar de garagens que possuem ambiente mal iluminado, pois isso acarreta uma atmosfera escura e opressiva, principalmente em se tratando de garagens subterrâneas. As garagens subterrâneas normalmente são

dotadas de um “pé direito”12 relativamente baixo, entre 2,40m e 2,60m, e isto em

grandes áreas pode ocasionar uma impressão claustrofóbica;

h) as garagens subterrâneas, por serem construídas no subsolo das grandes cidades, estão sujeitas à presença de lençóis freáticos elevados, que acabam acarretando infiltrações no seu interior. Mesmo que, essas infiltrações, sob o ponto de vista da engenharia, não possuam importância, aos olhos dos usuários as mesmas podem se tornar desagradáveis. As infiltrações acarretam um ambiente insalubre, além de gerar poças de água que acabam presentes em diversos pontos do piso. Os usuários tendem a se afastar desses ambientes de higiene duvidosa e incômoda; i) a falta de uma sinalização adequada, que oriente o motorista por ocasião do seu

deslocamento interno na garagem subterrânea, também contribui para afastá-lo. A falta dessa sinalização provoca deslocamentos desnecessários, pois implica em procura de lugares, como vagas disponíveis, acesso aos demais pavimentos (quando for o caso), saída, local de pagamento, etc. Como conseqüências diretas deste efeito podemos citar a presença de mais gás carbônico no ar, irritação do

usuário e aumento do tempo de permanência do veículo nos corredores de circulação;

j) a pintura deteriorada tende a criar uma atmosfera negativa e uma pintura mal planejada tende a confundir o usuário, principalmente naqueles casos em que se tem diversos pisos e/ou grande número de vagas por pavimento. Por princípio, o usuário ao retornar para a garagem deve achar facilmente em qual vaga e pavimento deixou o seu veículo;

k) quando o sistema de segurança dentro da área de estacionamento é deficitário, o usuário se afasta. Muitas vezes, o sistema de segurança adotado é ultrapassado ou inadequado, permitindo que marginais atuem dentro da garagem. A falta de seguros contra roubo e incêndio é outro fator negativo;

l) a existência de sanitários dentro das garagens, aos quais o público externo tem acesso, não tem se mostrado uma experiência boa. Pelo contrário, tem contribuído para a decadência do ambiente como um todo. No entanto, quando se disponibiliza um funcionário exclusivamente para a manutenção desse sistema, o resultado melhora de forma significativa. Porém, como isto acarreta um maior custo administrativo, existe um reflexo no valor final da tarifa.