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1.5 Os Procedimentos De Recolha E Tratamento Dos Dados

No documento Dissertação Enfª Ana Reis (páginas 32-35)

Contextualizado o estudo no paradigma qualitativo (indutivo), selecionamos o método de análise conceptual de Walker e Avant (2005), que engloba uma revisão de literatura extensiva sobre o conceito, a comparação de ideias expostas e, eventualmente, a síntese e a elaboração de conclusões próprias acerca do mesmo (Enders et al., 2004). No segundo capítulo deste estudo apresentamos os dados recolhidos na revisão de literatura, realizada nas seguintes fontes:

- Dicionários de língua portuguesa e inglesa, de psicologia, de filosofia e de bioética. - Livros de enfermagem, de medicina, de espiritualidade e de filosofia. Três destes foram considerados pilares para o estudo: um sobre a condição humana, de Armstrong (2011); um de medicina, de Damásio (2010); um de enfermagem, de Chambers e Ryder (2009).

- Publicações académicas em bases de dados eletrónicas, entre outubro de 2012 e fevereiro de 2013. Os termos de busca resultaram de uma pesquisa prévia, livre, em que se procurou compreender a lógica de organização das bases, bem como os respetivos

33 descritores, tendo optado pelos seguintes termos de busca: Compassion; Nursing;

Teamwork; Paediatric Nursing; Concept Analysis, Caring; Burnout; Compassion Fatigue; Empathy. Estes foram operacionalizados através de expressões boleanas AND e OR.

Consideraram-se ainda todos os artigos escritos em língua inglesa, hispânica e portuguesa, que estavam acessíveis no seu formato completo, entre 1998 e 2012.

- Pesquisa eletrónica no Charter For Compassion de Karen Armstrong. - Pesquisa eletrónica nos Guias de Boas Práticas da RNAO.

- Pesquisa na base de dados da Biblioteca Nacional, que permitiu aceder à dissertação de mestrado em enfermagem sobre a compaixão, da enfermeira Teresa Marçal (1994).

- Outras dissertações consultadas na área da psicologia e da medicina.

Uma vez que não encontramos dados obtidos em trabalhos de investigação acerca da compaixão entre pares em ESIP, optamos por encorajar os enfermeiros, que trabalham nesta área de especialidade, a partilhar as suas perceções e vivências, refletindo sobre o conceito e a importância da compaixão na equipa de enfermagem, tendo por base as suas experiências profissionais.

As técnicas qualitativas proporcionam uma oportunidade para as pessoas revelarem os seus sentimentos (ou a complexidade e intensidade dos mesmos): o modo como falam sobre as suas as vidas é importante; a linguagem usada e as conexões realizadas revelam o modo como o mundo é percecionado por elas (Spencer, 1993; Cit. Por Nogueira-Martins e Bógus, 2004). A entrevista permite o acesso a dados de difícil obtenção por meio da observação direta, tais como sentimentos, pensamentos e intenções. A relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde (Lüdke e André, 1986; Cit. Por Nogueira-Martins e Bógus, 2004). Pretendendo obter dados ricos com descrições de pessoas, de situações, de acontecimentos e de vivências, o nosso instrumento de pesquisa consistiu numa entrevista semiestruturada, gravada em suporte áudio. A entrevista semiestruturada é aquela que parte de questões básicas, apoiadas em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferecem amplo campo de questões, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do entrevistado. Este, seguindo espontaneamente a linha do seu pensamento e das suas experiências, dentro do tópico principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. É útil esclarecer que essas perguntas fundamentais, que constituem em parte a entrevista semiestruturada, são resultado não só da teoria que sustenta a ação do

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investigador, mas também de toda a informação que ele já recolheu sobre o fenómeno que interessa (Nogueira-Martins e Bógus, 2004).

O primeiro guião de entrevista foi alterado após a primeira entrevista (pré-teste), por a pergunta aberta, Fale-me, por favor, do seu percurso profissional? , não se ter revelado útil para o estudo. Foi então elaborado um segundo guião da entrevista, validado após nova entrevista teste. Ambas as entrevistas dos pré-testes foram rejeitadas.

As questões abertas do guião da entrevista tiveram o propósito de obter opiniões e histórias pessoais (e como tal subjetivas) dos enfermeiros que livremente narrassem os episódios considerados como os mais marcantes, relativamente à prática da compaixão entre pares, e que evidenciassem os seus pensamentos, sentimentos, motivações e ações, sem interromper quer o curso da narração, quer a sua reflexão. Os enfermeiros foram, assim, questionados sobre: O que é para si compaixão entre pares no âmbito profissional da enfermagem pediátrica? ; Qual a importância que atribui à compaixão entre pares na prática de enfermagem em pediatria? ; No âmbito da sua experiência profissional enquanto enfermeiro de pediatria é capaz de recordar e partilhar: Uma história que considere exemplar de compaixão entre os seus pares? ; Uma outra história em que considere não ter havido compaixão entre os seus pares? (ver Anexo I)

No agendamento de cada entrevista esclareceram-se os enfermeiros relativamente ao tema em estudo, e solicitou-se-lhes um exercício prévio de memória acerca de duas histórias exemplares, uma de compaixão e outra de não compaixão, entre colegas, vivenciadas ou assistidas pelos próprios. No momento da entrevista, esclarecemos a finalidades e os objetivos do estudo, e o que consideramos ser aà elaç oà e t eà pa es : aquela que o enfermeiro estabelece com o outro enfermeiro; com o aluno de enfermagem; com o enfermeiro chefe; com a equipa de enfermagem; ou com as equipas de enfermagem de diferentes serviços.

Os enfermeiros foram entrevistados entre abril e junho de 2013. As entrevistas decorreram no espaço da preferência dos participantes, foram gravadas em áudio, tiveram uma duração entre 8 e 33 minutos e foram depois transcritas. Concluída a transcrição das entrevistas, procedemos à análise de conteúdo das respostas de acordo com a técnica de análise de conteúdo de Laurence Bardin (2002). As fases da análise de conteúdo, segundo a autora, organizam-se em torno de três polos cronológicos: o primeiro, a pré-análise; o segundo, a exploração do material; o terceiro, o tratamento dos resultados - a inferência e a interpretação. Na fase de pré-análise procedemos à leitura flutuante da transcrição das entrevistas dos onze enfermeiros, bem como à organização dos dados obtidos, constituindo-se deste modo um corpus global a ser submetido aos procedimentos

35 analíticos. Nesta escolha, tivemos em consideração as regras de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência da técnica, defendidas pela autora. A pré-análise das transcrições resultou num corpus específico quer para as duas primeiras questões, relativas às características e dimensões da compaixão entre pares, quer para as duas últimas questões que solicitam as histórias de compaixão e de não compaixão aos enfermeiros entrevistados.

A segunda fase da análise de conteúdo - a exploração do material -, que implica a categorização das unidades de registo selecionadas para cada domínio, teve em consideração os princípios estabelecidos por Bardin (2002): a exclusividade, a homogeneidade, a pertinência, a objetividade e fidelidade, e a produtividade. A última etapa destinou-se ao tratamento dos resultados, permitindo a elaboração de tabelas que condensam e destacam as informações fornecidas para análise, culminando nas interpretações inferenciais. Deste modo, a nossa análise categorial irá permitir o agrupamento dos segmentos nas suas respetivas equivalências, a partir dos significados, em função do julgamento da investigadora e da identificação do que havia de comum entre eles.

A análise de conteúdo visou numa primeira fase a identificação dos atributos, dos antecedentes e das consequências da compaixão entre pares, relativamente ao primeiro

corpus estabelecido; numa fase posterior as narrativas dos enfermeiros (segundo corpus)

foram analisadas de forma temática, visando identificar os atributos da compaixão entre pares nas histórias de compaixão e de não compaixão, os quais nos permitiram reconhecê- las como casos modelo e adicionais. Desta forma, a análise de conteúdo das entrevistas contribuiu para a análise conceptual da compaixão entre pares em ESIP, de acordo com os procedimentos estabelecidos pelo método de Walker e Avant (2005).

No documento Dissertação Enfª Ana Reis (páginas 32-35)