• Nenhum resultado encontrado

6 O TRABALHO NO BENEFICIAMENTO A ÚMIDO DE GRANITOS

6.1 OS PROCEDIMENTOS NORMATIVOS A SEREM EMPREGADOS

Essa dimensão, que Daniellou (2001) chama de trama, engloba o que pode ser conservado, codificado e transmitido como normas, prescrições, leis, procedimentos técnicos, etc. Na presente pesquisa, compõe essa dimensão: 1) as etapas do processo de beneficiamento a úmido; 2) as normas regulamentadoras as atividades e operações insalubres (NR-15), bem como os limites de tolerância para poeiras minerais no anexo XII da NR 15 (ANEXO I), Norma Regulamentadora para Segurança e Saúde Ocupacional da Mineração (NR-22) (ANEXO II), Norma Reguladora da Mineração 22 (NRM-22) (ANEXO III); Norma Reguladora da Mineração 18 (NEM-18) (ANEXO IV), Norma Reguladora da Mineração 9 (NRM-9) (ANEXO V) e Portaria nº 43 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (ANEXO VI); e 3) a ordem de produção prescrita pela diretoria, conforme se explica a seguir.

6.1.1 As Etapas do Beneficiamento a Úmido

O processo de beneficiamento de granitos já explicitado anteriormente pode ser facilmente percebido como encadeado por etapas. A descrição das etapas que utilizam a água em seus processos produtivos com seu caráter de modelização e prescrição se aprenta a seguir, a partir de informações genéricas da empresa e de observações do sistema de produção.

A serragem dos blocos de granito ou mármore ocorre por meio de máquinas de grande porte que cortam os blocos em chapas de 2 a 3 cm de espessura. A TJ Granitos possui um tear

multifio, que possui 32 fios diamantados que realizam o corte, e trabalham em tempo integral, sendo desligados entre uma escala e outra de trabalho, isto é, de 06:00 às 07:00 horas e de 17:00 às 21:00 horas. O multifios realiza o corte a úmido, possuindo sensores que interrompem a serrada caso não haja água. A água que passa pela máquina é contínua durante todo o processo de serragem, e escoa por canaletas com grade de proteção construídas em nível que permita seu escoamento. A água que é utilizada no processo, juntamente com a lama – que é resultado do contato entre o pó da pedra e a água - segue para tanques de decantação e a lama depositada tanto nas canaletas de escoamenteo como nos tanques de decantação deve ser removida ainda molhada, e armazenada para destinação adequada, isto é, o reaproveitamento, enquanto que a água, após ser tratada, é reaproveitada na produção.

Após o corte no multifio, o material é levigado permitindo que as chapas fiquem uniformes e planas. Essa etapa ocorre por meio de maquinário de grande porte que utiliza a água ininterruptamente a fim de evitar a dispersão do pó da pedra no ambiente. A TJ Granitos possui uma Levigatriz, com 16 satélites, e cada satélite possui 6 abrasivos que realizam o desbaste da chapa a medida que giram. Os abrasivos são postos na máquina em sequência, para que, à medida que as chapas passem por eles sejam desbastadas. A água utilizada ininteruptamente escoa por canaletas com grade de proteção para ser tratada e reaproveitada, enquanto a lama é retirada e armazenada e, posteriormente é retirada dali por empresa especializada em reaproveitamento de resíduos.

Na sequência das etapas que utilizam a umidificação, passamos para a etapa de Polimento. Nessa etapa as chapas passam pela politriz, que possibilita controlar a qualidade e o tipo de polimento responsáveis pela textura e brilho final. A TJ Granitos possui uma politriz, maquinário semelhante a levigatriz, que contém 16 satélites, sendo que cada satélite comporta 6 abrasivos, e utiliza água ininterruptamente em seu processo. A água escoa e após ser tratada é reaproveitada, já a lama – resultado do contato entre a resina retirada da pedra pelo polimento e a água - é retirada da água e enviada para empresa responsável pela coleta de resíduos.

6.1.2 As Normas que Regulam o Trabalho

As Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego tomam publicidade por meio de impressão de portarias no diário oficial da união. Estas normas são tidas como prescrições para o trabalho. A Norma Regulamentadora 11 (NR-11) (ANEXO 1) discorre sobre todo o processo de transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais, o

anexo I da NR-11 (ANEXO 1) regulamenta os procedimentos para movimentação, armazenagem e manuseio de chapas. A Norma Regulamentadora 15 (NR-15) em seu anexo XII (ANEXO 2) regulamenta as atividades e operações insalubres, o anexo XII da norma traz os limites de tolerância para poeiras minerais. A Norma Regulamentadora 22 (NR-22) (ANEXO 3) regulamenta os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, e se aplica também, ao beneficiamento de minerais, sinalização de áreas de trabalho e de circulação; e instalaçãoes elétricas e proteção contra poeira mineral, além de outras disposições sobre informação, qualificação e treinamento; comissão interna de prevenção de acidentes na Mineração – CIPAMIN.

A Norma Reguladora da Mineração 22 (NRM-22) (ANEXO 4), prescreve sobre as obrigações que o empregador deve assegurar aos trabalhadores, como a: organização dos locais de trabalho; superfícies de trabalho; operações de emergência e informação, qualificação e treinamento. A Norma Reguladora da Mineração 18 (NRM-18) (ANEXO 5) trata do Beneficiamento de minérios e prescreve, dentre outros, sobre o uso de Equipamentos de Proteção Coletiva e do Equipamento de Proteção Individual. A Norma Reguladora da Mineração 9 (NRM-9) (ANEXO 6) prescreve sobre a prevenção contra poeiras minerais, inclusive no beneficiamento de mármore e granitos, e aponta a umidificação como uma medida preventiva para as operações que possam gerar poeiras.

A Portaria nº 43 da Secretaria da Inspeção do Trabalho e Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (ANEXO 7), proíbe o processo de corte e acabamento a seco de rochas ornamentais, como já esclarecido. Em geral, os trabalhadores desconhecem a literalidade dessas normas. Como não há técnico de segurança do trabalho para fiscalizar a aplicação das normas no trabalho, essa fiscalização ocorre por parte dos sócios da empresa, do encarregado e dos trabalhadores, sendo essas normas repassadas aos trabalhadores por meio do treinamento anual sobre operação de ponte rolante, que também trata de questões relacionadas à saúde e a segurança.

6. 1. 3 Os Pedidos de Produção

Por trabalhar com materiais exóticos a fim de atender ao mercado externo, a produção é determinada pela demanda do mercado. Os sócios repassam diariamente uma ordem de produção para cada etapa do beneficiamento, e caso haja prioridade para processar algum material, esta determinação deve ser cumprida. Nesta ordem constam a quantidade e a

especificação do tamanho das chapas e o tipo de material, podendo ser diferente para cada etapa do processo produtivo.

A ordem ou pedidos de produção como prescrição é diluída no dia a dia, no coletivo de trabalho em debates de valores e na confrontação com o real, constituindo normas essenciais, conforme Schwartz (2010a), as quais contribuem para a determinação dos parâmetros necessários para que o trabalho aconteça.

As informações gerais apresentadas, informações frias (DURRIVE, 2010), contém o que se encontra escrito, o que se pode replicar, e que Schwartz (2010a, 2010b, 2011a) denomina de Registro Um do trabalho real, estas informações são dissolvidas em normas antecedentes, isto é, que são parcialmente postas em prática e parcialmente renormalizadas. Conforme Duraffourg, Duc e Durrive (2010), essas informações constituem o conjunto de procedimentos e meios, fruto das vivências, experiências nos níveis econômico, técnico, jurídico, organizacional que remetem ao que se inscreve na situação de trabalho, que os autores reconhecem como: a trama. De outro lado, os indivíduos únicos e singulares, investem nas situações de trabalho com sua história e suas experiências, seus corpos, seus desejos e expectativas, o que os autores reconhecem por: a urdidura.

A seguir se busca explanar as informações quentes (DURRIVE, 2010), isto é, a urdidura (DANIELLOU, 2001), e o que compõe o Registro Dois (SCHWARTZ, 2010b, 2011a) dos processos de trabalho a úmido do beneficiamento de granitos capturados em campo.