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IES BANCO DO BRASIL TOTAL

2. A COGNIÇÃO HUMANA E A APRENDIZAGEM

2.1 A cognição humana

2.1.5 Os processos de raciocínio e tomada de decisões

Os tópicos referentes à solução de problemas, ao raciocínio e à tomada de decisões estão cuidadosamente interrelacionados e podemos identificar diversas similaridades entre os três, na visão de Matlin (2009). Ela assegura que esses assuntos estão incluídos numa categoria geral, intitulada Pensamento. Pensar, ainda nesta perspectiva, consiste em ir além das informações disponíveis e ter objetivos a serem alcançados, tais como soluções, decisões, crenças e opiniões, ou seja, o sujeito inicia a atividade de tomar decisões com vários fragmentos de informação, para posteriormente transformar mentalmente essa informação a fim de que um problema possa ser resolvido, uma conclusão possa ser elaborada ou uma decisão possa ser tomada (MATLIN, 2009; WILSON, KEIL, 2001).

No âmbito da Psicologia Cognitiva, o que é crítico no uso das operações cognitivas é o fato de que elas podem ou não ser exercitadas simultaneamente. Duas dessas operações cognitivas complexas, intimamente relacionadas à Educação, se referem a raciocinar e a tomar decisões, e tratam de ações que o aprendente realiza no seu cotidiano, quer seja na busca de soluções para desafios propostos pelo professor, na redação de textos, quer seja na escolha de estratégias de estudar e na hora de efetuar avaliações.

O raciocínio envolve, conforme Bresciani e Gonzalez (2001) e Matlin (2009), a utilização de informação para se chegar a conclusões a partir de certas premissas, podendo ser dedutivo, indutivo ou abdutivo. Em geral, o que se observa, na visão de Bresciani e Gonzalez (2001), é que o raciocínio dedutivo apresenta princípios normativos gerais e formais para tratar as informações, independentemente de um contexto em particular, no entanto, nem sempre ele é adotado no raciocínio cotidiano.

O raciocínio abdutivo, ou não dedutivo,

inicia-se com a detecção de anomalias e desenvolve-se no sentido de encontrar hipóteses a partir das quais tais anomalias deixariam de ser entendidas com problemáticas. Uma vez encontradas tais hipóteses extraem-se as consequências de se assumi-las como sendo verdadeiras (BRESCIANI, GONZALEZ, 2001, p.216).

Na visão de Matlin (2009), no entanto, o raciocínio dedutivo se manifesta quando há pressupostos, que juntamente com os princípios da lógica, possibilitam

ao sujeito chegar a uma conclusão. Em suma, um problema que exige o raciocínio dedutivo, disponibiliza todas as informações necessárias para que se chegue a uma conclusão.

O raciocínio é influenciado por dois fatores, destacados por Matlin (2009). Ela assegura que o sujeito enfrenta dificuldades quando trata com informação negativa, pois pessoas podem ter problemas, ou levar mais tempo para avaliar o problema na hora de processar palavras negativas, tais como não, nunca e nem. Outrossim, o sujeito evidencia ser mais preciso na hora de solucionar problemas de raciocínio que envolvem exemplos concretos sobre categorias cotidianas e não exemplos abstratos e teóricos. Além disso, a precisão aumenta quando pessoas utilizam diagramas para tornar o problema mais concreto.

A tomada de decisão, por outro lado, se refere à avaliação e à escolha entre diversas alternativas disponíveis, contrastando assim com o raciocínio dedutivo, pois trata-se de uma operação cognitiva mais ambígua. Ou seja, podem faltar fragmentos de informação ou ainda haver informação contraditória, como também podem não haver necessariamente regras claras para prosseguir, a partir da informação, em direção às conclusões. Além disso, as consequências dessa tomada de decisão não aparecem imediatamente, obrigando o sujeito a levar em conta fatores adicionais. Na vida real, como conclui Matlin (2009), as incertezas de tomar decisões são muito mais comuns do que as certezas advindas do processo de raciocínio dedutivo.

Quanto ao processo de tomar decisões, Matlin (2009) atesta que o sujeito não possui regras estabelecidas, como também não necessariamente sabe se as decisões tomadas são certas, em oposição ao processo de raciocinar, que é quando o sujeito fixa regras para tomar decisões acertadas. O processo de tomada de decisões não inclui uma lista de regras que possam ajudar a avaliar os méritos relativos de cada opção disponível, além disso, fatores emocionais geralmente influenciam as decisões cotidianas.

Enganos podem ocorrer quando tomamos decisões, pois esse processo depende de vários fatores e influências. Um dos enganos mais corriqueiros decorre do excesso de confiança, isso significa que a confiança na capacidade crítica do sujeito é maior que deveria ser. Diversos estudos acadêmicos já contemplaram o excesso de confiança e apontaram que seres humanos demonstram ter excesso de

confiança em várias situações cotidianas. Matlin (2009) cita, por exemplo, que pessoas possuem excesso de confiança sobre o tempo de vida que resta a uma pessoa portadora de uma doença fatal. Outros exemplos clássicos incluem as empresas que irão falir e se um acusado é culpado ou não. Excesso de confiança também ocorre quando avaliamos nossa atuação futura, baseada na nossa atuação atual. Apresentamos também excesso de confiança nas habilidades sociais que possuímos, em nossa criatividade, em nossas habilidades de liderança e em uma variedade ampla de habilidades acadêmicas. Estudos mostraram, por exemplo, que físicos, economistas e outros pesquisadores revelam um excesso de confiança no que diz respeito às suas teorias. Em compensação, os sujeitos mostram ter mais confiança nas suas próprias decisões do que nas previsões baseadas em medidas estatisticamente objetivas.

Como motivos para excesso de confiança, podemos assinalar que o sujeito não está necessariamente ciente do fato de que o seu conhecimento é baseado em pressupostos incertos e em informação advinda de fontes duvidosas ou inapropriadas. Além disso, ainda de acordo com Matlin (2009), sempre encontramos exemplos que confirmam nossas hipóteses, enquanto resistimos a pesquisar nós de estrangulamento.

Outro motivo se reporta ao fato de os sujeitos demonstrarem dificuldades para se lembrar de outras hipóteses possíveis, ainda que a tomada de decisões dependa da memória do sujeito. Mesmo quando um sujeito consegue se lembrar de outras hipóteses disponíveis, ele não as considera significativas. Para concluir, Matlin (2009) confirma que, num contexto de tomar decisões em grupo, os sujeitos podem participar do pensamento coletivo, que ocorre quando um grupo coeso está tão preocupado em alcançar uma decisão unânime que cada um do grupo pode ignorar problemas potenciais, tornando-se desta maneira confiante demais no que diz respeito a um resultado favorável.

Em relação ao desenvolvimento das operações cognitivas, podemos confirmar que mudanças no desenvolvimento ocorrem ao longo da vida e que continuamos mudando e nos adaptando ao ambiente e ao contexto no qual estamos inseridos, no decorrer da nossa vida. Porém, algumas habilidades cognitivas diminuem, enquanto outras permanecem estáveis no decorrer da vida.