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4.1 DELINEANDO O CAMINHO PARA A PROPOSTA

4.2.2 Os professores

Os professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental Notre Dame, foram os protagonistas deste estudo, observando os seguintes critérios de inclusão: ser professor do ensino fundamental dessa escola; fazer parte do quadro permanente de professores e a livre adesão na participação desse estudo. Como critérios de exclusão consideraram-se: a previsão ou a situação de estar em licença ou laudo que o afastasse da função de docência no período de coleta de dados; ser professor em contrato emergencial ou professor estagiário.

Quanto ao perfil do grupo de vinte e cinco professores do quadro permanente da escola pode-se identificar: as idades variam entre 30 e 50 anos, tendo uma distribuição homogenia dentro dessa faixa; quanto ao sexo, há apenas um representante do sexo masculino; com relação à escolaridade, a maioria dos professores referiu ser pós-graduada, tendo especialização predominantemente em gestão como supervisão escolar, pedagogia gestora e orientação educacional; as demais em educação

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infantil e educação artística. O tempo de atuação no magistério variou entre quatro e 31 anos, sendo a metade do grupo com atuação acima de 17 anos no magistério. Algumas das professoras iniciaram sua atuação no magistério, atualmente de cinco e seis anos, na referida escola, mas mesmo as professoras que tem uma trajetória profissional de mais de 17 anos, estão atuando a menos de dez anos nessa escola. A maioria leciona para mais de três séries, variando entre uma série e outra a matéria lecionada, ficando, assim, a encargo do mesmo professor desenvolver conteúdos de Matemática e Ciências para as 5ª e 6ª séries e todas as matérias para a 4ª série. Os demais se dividem em Currículo por Atividades e de 5ª a 8ª séries lecionando Educação Artística, História, Geografia e Língua Portuguesa.

O grupo, desde a entrada da pesquisadora no campo, foi receptivo, apesar de alguns mostrarem-se desconfiados com a presença de um profissional da área da saúde na escola, especialmente por estar interessado em discutir ações educativas. Senti reserva por parte de alguns, que aos poucos foi se dissipando e facilitando o entrosamento e a interação entre pesquisadora – agente externo e, pesquisados – agentes internos. Inicialmente, havia uma tensão aparente entre o grupo, sendo que alguns confidenciavam em conversas informais na hora do lanche a necessidade de se trabalhar o estresse e a motivação dos mesmos, o que confirmei nos primeiros encontros para levantamento da realidade, dos problemas e das expectativas do grupo, conforme descrevo no capítulo que relata os seminários desenvolvidos com o grupo.

Todos os professores buscavam cumprir rigorosamente horários e atividades propostas sob pena de represálias verbais por parte da direção que fica a encargo de religiosa da congregação que instituiu a escola. Mas na equipe diretiva formada por alguns professores, segundo informação de outros professores que constituem o grupo, a autoridade fica na figura da vice-diretora, com quem os contatos, ao longo dos encontros, foram feitos. Percebi como positiva e louvável a iniciativa dos professores em reservar um tempo para encontros de estudos e discussões pertinentes ao cotidiano escolar, mas ficou evidente a necessidade de mediação de um agente externo para que sejam efetivos em suas deliberações, fugindo do seu discurso reducionista e inane.

No período que antecedeu o primeiro e o segundo encontros recebi o telefonema dessa professora da equipe diretiva da escola solicitando algum material para leitura prévia, o que me levou a acreditar que os professores estavam ávidos por algo que os ajudasse a encontrar motivação ou respostas as suas angústias. No início me senti entusiasmada, pois parecia haver interesse em refletir sobre o tema, mas

na medida em que o trabalho foi sendo desenvolvido percebi que o desejo se concentrava em receber instruções prontas; regras como uma receita para solucionar as mazelas da vida e ser saudável. Isso me desmotivou um pouco, pois pareceu que discutir e refletir sobre as suas práticas não estava em questão e até incomodava. A racionalidade técnica predominava, impedindo que percebessem o processo reflexivo como um processo de desenvolvimento próprio a partir da mediação coletiva. De início pensei que se tratava do grupo como um todo. A redução do tempo, de uma hora, estipulado inicialmente, para trinta minutos, também foi desestimulante. Mas com o passar do tempo percebi que a situação fora criada por uma única pessoa, a professora da equipe diretiva mencionada. Talvez esta, até tenha influenciado um ou outro professor, mas a maioria avaliou positivamente o trabalho.

No ano de 2009 a escola estava sob nova direção e foi possível perceber a diferença que isto teve no ambiente físico e no das relações intersubjetivas. A nova diretora, também religiosa, mostrou-se mais afetiva com os professores e alunos, refletindo esse cuidado no ambiente ao mantê-lo sempre florido. Pode-se perceber também que exercia sua autoridade conciliando firmeza e sensibilidade. Isso representou um desafio para o grupo que dividiu opiniões quanto à aceitação e adaptação frente a um novo gerenciamento. Apesar de alguns, informalmente confidenciar o desagrado com sua postura condescendente em relação, especialmente, aos alunos e sua indisciplina, a maioria dos professores manifestou aprovação e fácil adaptação ao novo perfil gerencial. A diretora gostou muito da proposta reflexiva que estava sendo desenvolvida, manifestando apoio e incentivo por meio de uma atitude positiva na participação.

4.3 OPERACIONALIZANDO A PROPOSTA COMUNICATIVA

4.3.1 Coleta dos dados

A coleta de dados foi orientada conforme os princípios da estratégia metodológica da pesquisa-ação, considerando a sua flexibilidade, após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) da Universidade Federal de Santa Catarina do projeto de pesquisa n. 128/08 (Anexo A).