Professores Administradores Empregadores
3. Educação a Distância on-line
3.3 Especificidades da EAD on-line
3.3.3 Os professores e alunos no ambiente online
A maioria dos professores que atuam em cursos a distância online são ou já foram professores do ensino presencial tradicional. No entanto, se os ambientes são diferentes, se requer logicamente que a sua ação-docente também deva ser diferente, correto? Errado. Ainda uma parcela minoritária de educadores acredita que trabalhar no ambiente
online seja relativamente fácil e que o único procedimento supostamente trabalhoso seria o de virtualizar os conteúdos, isto é, digitalizar: slides, textos, figuras e postar nos AVAs. Kenski (2007, p.104) reforça que
o professor precisa ter mais consciência de que sua ação profissional competente não será substituída pelas tecnologias. Elas, ao contrário, ampliam o seu campo de atuação para além da escola clássica. O espaço profissional dos professores, em um mundo em rede, amplia-se em vez de se extinguir. Novas qualificações para esses professores são exigidas, mas, ao mesmo tempo novas oportunidades de ensino se apresentam.
Harasim et al. (2005, p.197) complementa que “a adoção das redes de aprendizagem exige que os indivíduos mudem sua visão dos processos e dos papéis educacionais e das oportunidades de utilizar e tirar proveito das redes”.
Nesse novo ambiente, os professores terão que propor a seus alunos novos desafios compatíveis com a sua realidade, propor atividades que eles possam selecionar, descrever, executar, depurar, analisar os resultados e refletir (individualmente ou coletivamente) com ou sem a ajuda do professor.
Levy (1999, p.171) reconhece que o
[...] professor não pode mais ser uma difusão de conhecimentos, que agora é feita de forma mais eficaz por outros meios. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor torna-se um animador da inteligência coletiva dos grupos que estão a seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca de saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem etc. (grifo do autor).
Então, como deve ser o novo perfil do professor no ambiente virtual e como fazer para atingi-lo?
É necessário que o professor:
• primeiramente, crie um ambiente de confiança, de parceria e
comprometimento (em um grupo heterogêneo) na sala de aula;
• seja o consultor, o articulador, o orientador e o facilitador do processo
de desenvolvimento do aluno;
• respeite os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem dos alunos; • estimule a aprendizagem colaborativa;
• desafie o aluno em um nível de pensamento superior ao trabalhado, para
que ele possa pesquisar e se aprofundar cada vez mais nos diversos temas;
• incite o aluno a aprender sempre, desenvolvendo assim suas próprias
estratégias de aprendizagem, seus métodos, suas técnicas, e sua autonomia intelectual.
• além da humildade, não deverá ter inibições ao reconhecer seus
próprios conflitos, erros e limitações em relação ao conhecimento, pois agora não é mais o único detentor do “saber”. Deverá sair da sua “zona de conforto” e mostrar para o seu aluno
que, como articulador, facilitador do processo de aprendizagem e como “ser humano”, também poderá/estará aprendendo simultaneamente ao instigar, ao sinalizar os prováveis caminhos do saber. O aluno, por sua vez, perceberá que além de aprender também poderá compartilhar seu conhecimento e colaborar com a comunidade virtual a que pertence.
O Professor que se coloca como um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que se apresenta com a disposição de ser uma ponte entre o aprendiz e sua aprendizagem – não uma ponte estática, mas uma ponte “rolante”, que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus objetivos. [...] coloca em evidência o papel de sujeito do aprendiz e o fortalece como ator de atividades que lhe permitirão aprender e conseguir atingir seus objetivos; e dá um novo colorido ao papel do professor e aos novos materiais e elementos com que ele deverá trabalhar para crescer e se desenvolver. (MASETTO, 2000, p. 144).
Essa nova ação-docente, indiretamente provocará outras mudanças, principalmente na forma de ensinar:
• a seqüência dos conteúdos deixa de ser linear e passa a ser flexível; • as atividades e exercícios deixam de ser “modelos prontos” para ter
uma análise mais global da realidade;
• o conteúdo não mais gerará o problema e sim o problema irá gerar o
conteúdo dentro de um contexto estabelecido;
• por meio da internet, será possível acessar diversas fontes de consultas:
livros, artigos, apostilas, bibliotecas virtuais entre outros; e também na forma de aprender82:
• o aluno passa a ser um personagem ativo, questionador, conhecedor de
seus direitos e também de seus deveres, participando ativamente do processo de construção de sua aprendizagem e desenvolvimento;
• torna-se responsável pelo seu próprio aprendizado;
• incitado, torna-se independente, iniciando seu processo de
transformação em direção à autonomia intelectual na resolução de problemas e na busca de informação. Percebe que pode aprender por meio da auto-aprendizagem, mas verifica que poderá aprender mais rápido e em maior quantidade/qualidade na EAD por meio da aprendizagem colaborativa. Algumas atitudes e posturas diferenciadas necessitam ser adotadas pelo aluno quando a aprendizagem se faz por meio da Educação a Distância. Exercitando sua autonomia intelectual terá que:
82 Novas formas de aprender – a adoção dessas novas posturas está em consonância com o conceito educacional
• explorar seus pontos fortes e fracos; • conhecer suas limitações;
• fazer as atividades solicitadas em “seu tempo”;
• adequar-se ao seu ritmo e estilo de aprendizagem, respeitando evidentemente os prazos estipulados;
• selecionar o que é interessante ou não para o seu aprendizado. Seu aprendizado terá um melhor rendimento se:
• escolher um local adequado para se concentrar; • procurar horários em que tenha maior produtividade;
• habituar-se a estudar sistematicamente e ter como meta “aprender a aprender”;
• utilizar métodos e técnicas que achar mais adequados;
• ler textos procurando os pontos-chaves, anotando sempre as dúvidas. Comumente, a quantidade de informações disponibilizada e compartilhada com os outros alunos é enorme. Quando não se consegue ler tudo, recomenda-se salvar os arquivos em diretórios devidamente nomeados por assunto, para que após o término da disciplina possa resgatá-los; e
• perseverar e estar sempre motivado.
Para um melhor acompanhamento e aproveitamento do curso no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), recomenda-se ao aluno:
• quando acessar a internet, coloque como página inicial o endereço
eletrônico do curso a distância;
• acesse o AVA de seu curso diariamente, verificando o andamento e
novidades postadas;
• leia cuidadosamente as orientações contidas na Agenda/ conteúdos, pois
elas serão o seu guia/roteiro para cada aula e suas atividades;
• acesse sempre a ferramenta Lição/ atividade/ unidades de
aprendizagem/ tarefa. Nela, os formadores colocarão as tarefas de cada aula e os esclarecimentos necessários para realizá-las, assim como os instrumentos utilizados na avaliação das mesmas;
• organize-se de modo que possa realizar e postar as atividades nas datas
indicadas pelos formadores. Procure realizá-las dentro do prazo. “Não deixar para amanhã o
que pode ser feito hoje”. Disciplina é fundamental!
• acesse a ferramenta Quadro de avisos/ mural: lá, geralmente são
postados links interessantes, curiosidades, recados, divulgação de encontros/simpósios da área entre outros;
• utilize a ferramenta Mensagem/ correio/ comunicação do próprio AVA
para enviar e receber e-mails, pois assim toda comunicação fica registrada para uma posterior consulta. O correio eletrônico é um poderoso instrumento de comunicação do aluno com seus formadores e também entre todos os outros membros do curso (seus parceiros de aprendizagem).