CAPÍTULO II CONHECENDO OS AGENTES EDUCACIONAIS DA EAFA: PROFESSORES E PAIS
2.1 Os Professores da EAFA
2.1.3 Os professores e as condições de trabalho.
As condições de trabalho oferecidas pela escola ao seu corpo docente é um aspecto importante para a instituição e manutenção de um padrão de qualidade de ensino elevado e, portanto, uma investigação sobre a produção desta qualidade em escolas consideradas de prestígio é uma exigência.
Para a maioria dos professores investigados, a EAFA se diferencia positivamente das demais escolas em que trabalharam, principalmente, devido a alguns aspectos por eles elencados, dos quais destacam :
- aspectos referentes à carreira, à atuação docente, à relação entre a comunidade escolar e ao clima de trabalho como:valorização profissional, condições de trabalho, qualificação docente, remuneração dedicação dos profissionais envolvidos no processo ensino-aprendizagem; o nível intelectual dos membros da comunidade escolar: alunos, professores e funcionários; parceria entre educadores; liberdade; organização; responsabilidade; apoio da administração e coordenação; preocupação com a atualização e evolução dos professores; busca constante de novas coisas.
(Segundo 9 professores)
- aspectos didáticos e curriculares: critérios de avaliação, como a média 7,0 para aprovação; tempo para planejamento (40 horas, mas apenas 24 horas, em sala-de- aula); a organização pedagógica; a participação efetiva da pedagoga junto ao trabalho do educado. (4 professores)
- aspectos referentes ao corpo discente: aluno em tempo integral, o que permite uma
formação mais completa; a grande maioria dos alunos é educada e disciplinada; o acompanhamento médico exclusivo. (2 professores)
Esses aspectos fazem com que professores afirmem que a EAFA é uma ilha de
excelência na região no que tange ao ensino de segundo grau, devido à sua infra-estrutura e
comparando com a rede estadual é muito diferente quanto à estrutura física, organizacional e
pedagógica, além do aspecto salarial. A ênfase no diferencial fornecido pelas condições
físicas e materiais da escola é ressaltada por vários docentes que destacam o excelente espaço
físico, materiais didáticos disponíveis, recursos financeiros, laboratórios.
Cabe destacar ainda que o fato de ser esta uma escola agrotécnica foi apontado por (3) docentes que declararam ser este o grande diferencial: a formação técnica em agropecuária
apresenta características diferentes das demais em relação às práticas, há uma grande diversidade de atividades e também em relação aos horários (calendário); por ser uma escola da região rural com características completamente diferenciadas de outras em que trabalhou; oferecer cursos técnicos.
Entretanto, (3) professores não vêem diferenças significativas - é um pouco melhor ou
não vê diferença - ou apontam aspectos negativos, como falta apoio didático-pedagógico para o ensino técnico; existe uma grande rejeição pelas atividades (práticas do curso técnico), devido às dificuldades em praticá-las. O que se observa quanto a alguns aspectos
destacados é que há professores do ensino técnico que desejam melhorias em suas aulas e nem sempre têm o apoio, os recursos necessários para concretizar o que planejam.
Em suas representações sobre as condições físicas e materiais da escola que são oferecidas para as aulas, em relação ao espaço pedagógico ser adequado ao número de estudantes: oito professores declaram que sim, em todas as aulas: oito declaram que sim, na maior parte delas, assim sendo 16 professores (76,2%) consideram adequados os espaços ao número de estudantes em todas ou na maior parte das aulas. Representações negativas seriam as apontadas por três docentes que dizem que os espaços não são adequados ao número de estudantes em nenhuma das aulas, um diz que sim, mas apenas na metade delas e outro diz sim, mas em menos da metade delas.
Da mesma forma quanto ao material de consumo utilizado nas práticas com os alunos, a maioria (61,91%) dos professores declaram ser suficiente, seja na maior parte delas (38,1%), seja em todas elas (23,81%). Apenas 4 docentes (19,05%) declaram ser suficiente, mas em menos da metade delas, enquanto outros 4 docentes declaram que o material de consumo utilizado não é suficiente em nenhuma das práticas.
Questionados sobre os equipamentos disponíveis, se eram suficientes para o número de estudantes, os professores em sua maioria, 47,62% declaram que sim, na maior parte das aulas, mas 28,57% declaram que não em nenhuma das aulas, outros 9,52% declaram que sim em todas elas, 9,52% declaram que sim, mas em menos da metade delas e apenas 4,76%
declaram que sim, mas apenas na metade delas. Podemos perceber que a maioria dos docentes (57,10%) considera adequada a quantidade de equipamentos para ministrar aulas. Quanto à atualização e conservação dos equipamentos, a maioria os considera bem conservados (57,15%), mesmo que desatualizados. Seis professores (28,57%) declaram que não há laboratório no curso em que ministram aulas, enquanto 9,52% declaram que os equipamentos são desatualizados e mal conservados, segundo a opinião dos professores, conforme demonstra a tabela abaixo.
Tabela 04 Equipamentos de laboratório utilizados no curso.
Equipamentos de laboratório utilizados no curso? Quantitativo %
Atualizados e bem conservados 4 19,05
Atualizados, mas mal conservados 1 4,76
Desatualizados, mas bem conservados 8 38,10
Desatualizados e mal conservados 2 9,52
Não há laboratório no meu curso 6 28,57
A escola, para atender as necessidades do curso, viabiliza o acesso dos alunos aos microcomputadores, de forma limitada na opinião da maioria (80,95%) dos professores, embora 14,29% declarem que essa viabilização é feita de forma plena (talvez na disciplina de Informática) e apenas 1 docente declara que a escola não viabiliza o acesso aos microcomputadores para os estudantes do curso no qual ministra aulas.
Nesse tempo de globalização, no qual a revolução tecnológica e do conhecimento se interligam, disponibilizar o uso de um bem como o computador, que tem múltiplos significados para a formação educacional, para a comunicação e preparação para enfrentar os desafios no mercado de trabalho justifica a elaboração de políticas públicas que equipem melhor as escolas, a fim de se evitar um quadro de exclusão digital dos alunos do ensino médio e do técnico, que na grande maioria não tem acesso a computadores em suas residências.
Nesta seção, apresentam-se as percepções dos professores respondentes sobre o papel fundamental de uma escola de educação profissional/técnica. Como foram bastante diversas as representações dos docentes, trabalharemos com categorias10.
Nessa perspectiva, trabalharemos com a categoria geral, entre outras, de função do
ensino médio/técnico. Por essa categoria está-se entendendo os pensamentos, concepções e
idéias que os docentes expressam sobre o papel de uma escola de educação profissional/técnica, em resposta à questão Na sua opinião, qual é o papel de uma escola de
educação profissional-técnica? A partir das respostas dos professores, empreendemos uma
tentativa de categorização em que podemos classificar os discursos dos professores no seguinte esquema: