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5.1 A Formação da Universidade Moçambicana

5.1.3 Os Programas Econômicos e a Evolução do Setor

Na primeira metade da década de 1980 observou-se o início da viragem na situação política econômica do país. De um regime de política socialista centralizada, o país foi passando lentamente para uma economia liberal. Destaca-se nesse período a aceitação de Moçambique

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O PPI definido como guia de ação e instrumento fundamental para a construção de uma economia socialista relativamente desenvolvida. Para esse objetivo eram defendidos três eixos centrais na materialização do PPI: (i) a socialização do campo e o desenvolvimento agrário através do desenvolvimento acelerado do sector estatal agrário (com base na grande exploração agrária e na mecanização, a realizar principalmente através dos grandes projetos) e na cooperativização do campo (transformação de milhões de camponeses num forte campesinato socialista edificado sob novas relações de produção; fortalecer, expandir e apoiar a criação de cooperativas e envolver os camponeses num modo de vida coletiva nas Aldeias Comunais); (ii) a Industrialização, com maior enfoque no desenvolvimento da indústria pesada; e (iii) a formação e qualificação da força de trabalho, através da adoção de normas e metodologias que permitisse a massificação da formação dos trabalhadores, incluindo a alfabetização e educação de adultos (FRELIMO, 1980 apud CHICHAVA, 2008).

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como membro do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, em 1984. Isso permitiu que o país conseguisse uma significativa assistência financeira das instituições internacionais de ajuda ao desenvolvimento. Foi neste contexto que em 1987 o governo lança o Programa de Reajustamento Econômico (PRE), que em 1989 incluiu o componente social passando a designar-se Programa de Reajustamento Econômico e Social (PRES). Estes programas desenhados com forte influência e condicionados pelo Banco Mundial e também pelo FMI tinham como objetivo principal liberalizar e adotar uma economia orientada para mercado. Portanto, era necessário fazer o processo reverso do que aconteceu logo a após a independência. Naquela época, 1974-1975, o governo tomou, ou seja, nacionalizou todas as empresas privadas, escolas, hospitais, etc., então existentes. E na segunda metade da década de 1980 o país assistia ao inicio da privatização das empresas estatais ou de sua reestruturação. Essa medida visava atender às exigências impostas pelas instituições de ajuda financeira internacionais, e os requisitos de uma economia do mercado ainda embrionária no país:

[...] Chegamos numa altura que começamos a analisar a política econômica do país ... depois com a queda dos parceiros, e com os ensaios feitos na época sobre as formas de desenvolvimento, que não deram resultados ... chegamos a conclusão que era necessário fazer a liberalização da economia, naturalmente fizemos a nossa maneira ... foi brusco e também não tínhamos experiência, muitas vezes fomos forçados a fazer coisas para conseguirmos o apoio dos doadores ... então foram tomadas medidas duras ... daí que entramos em situações difíceis ... não houve controle da implementação de algumas medidas ... por exemplo, na privatização de algumas empresas, etc... Entramos nas políticas ou programas de reajustamento influenciados pelas organizações internacionais, Banco Mundial, FMI ... mas também não tínhamos muitas alternativas, era necessário.

Gestor (MCT)

Assim, pode considerar-se que a segunda metade da década 1980 marca o renascer do país. Testemunha-se, nesse período, a mudança do sistema político monopartidário para o multipartidarismo introduzido pela constituição de 1990. Em 1994 assistem-se as primeiras eleições multipartidárias, conforme já referido ganhas pela FRELIMO, que sucessivamente vem conseguindo vitórias, inclusive nas últimas eleições realizadas a 28 de outubro de 2009. Isso demonstra a grande influência que esta força política exerce, nos diferentes níveis da vida do país. No período que vai do primeiro governo eleito democraticamente, em 1994, para o presente momento destacam-se a elaboração, dos planos ou programas governamentais de ação para a redução da pobreza absoluta (PARPA I em 2001-2005 e PARPA II em 2006- 2009) e da agenda 2025 que é plano estratégico da nação elaborado a partir da consulta a todos os atores envolvidos nos esforços de desenvolvimento do país. A agenda 2025 é um

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guião para o desenvolvimento de Moçambique até o ano de 2025. Os PARPA I e II apresentam como áreas prioritárias o

[...] desenvolvimento do capital humano na educação e saúde, melhoria na governação, desenvolvimento das infraestruturas básicas e da agricultura, desenvolvimento rural, e melhoria na gestão macroeconômica e financeira. O PARPA II inclui nas prioridades, uma maior integração da economia nacional e o aumento da produtividade. Em particular, focaliza a atenção no desenvolvimento de base ao nível distrital, na criação de um ambiente favorável ao crescimento do sector produtivo nacional, à melhoria do sistema financeiro, ao florescimento das pequenas e médias empresas enquadradas no sector formal, e a desenvolver ambos os sistemas de arrecadação de receitas internas e de afetação dos recursos orçamentais.

MOÇAMBIQUE. Governo (2003; 2006)

Conforme relatado por um dos entrevistados no decurso da pesquisa, a elaboração desses planos ou programas foi resultado das experiências anteriores de governação, e também dos conselhos recebidos dos parceiros de desenvolvimento, como pode se perceber no seu depoimento citado a seguir:

[...] naturalmente que começamos a receber conselhos de como deviam-se fazer as coisas ... então começamos a fazer os planos de desenvolvimento como o PARPA... Naturalmente para implementar os planos seria necessário termos recursos humanos qualificados ... daí começamos a planificar também a abertura de novas universidades ... e chegamos num certo ponto ... que também seguindo aquilo que estava na moda ... que bom ... o desenvolvimento era baseado no conhecimento ... podemos ter recursos mas se não temos conhecimento não fazemos o uso do recurso [...]

Gestor (MCT)

Deste modo, com a implementação dos PRE/PRES na segunda metade da década 1980 e dos PARPA I e II na presente década, o país tem registrado avanços em todos os níveis de desenvolvimento sócio-político e econômico. Nos últimos 10 anos, a economia moçambicana, registrou um crescimento médio acima dos 6%, com recorde de 8.5% em 2006, tendo fechado o ano de 2008 com uma taxa de crescimento em torno de 6.5%. Nos períodos de implementação destes programas assistiu-se, também, a evolução do setor da educação que é basilar para o desenvolvimento da C&T. Conforme será abordado nos próximos tópicos, de 1985 até o presente, registrou-se um crescimento e expansão acelerado da rede de ensino superior de dois estabelecimentos de ensino superior públicas, o país passou a contar com aproximadamente 40 IES públicas e privadas em 2009, cobrindo praticamente todas as regiões do país (norte, centro e sul).

A melhoria nos índices de crescimento econômico e a evolução verificada no setor de C&T de uma forma geral são resultado da reconfiguração acontecida na dimensão política nacional. Conforme descrito no Modelo II de análise adotada (ver Figura 6), nas duas últimas décadas,

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o país sofreu grandes transformações que permitiram a entrada de novos atores e novos posicionamento nas negociações entre os campos político e científico nacional. Aos poucos o Governo foi reconhecendo a importância da ciência e tecnologia, como elementos chaves para o alcance de um desenvolvimento acelerado e sustentável. A ciência e tecnologia passaram a fazer parte dos planos governamentais principalmente a partir de 2000, impulsionado pelos anseios da comunidade científica, que através de um grupo de representantes das IES e institutos de pesquisa levou as preocupações para discussão com o governo na época. Para melhor compreensão a evolução do setor foi abordada considerando dois momentos distintos: o primeiro que abrange o período antes da entrada em funcionamento da lei que abriu espaço para o estabelecimento de IES particulares, e a segunda fase de abordagem cobre o período posterior à entrada dessa lei até o estágio atual.