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Parte I: Progressos, desafios e perspectivas para o desenvolvimento

3. Solicitação para financiamento adicional da FTI

3.3 A proposta de financiamento dos programas do FASE 2011-2013

3.3.4 Os programas específicos

Construção Acelerada (Ensino Primário e Ensino Secundário)

O PEEC, bem como a estratégia do ensino secundário, define claramente a construção das escolas cada vez mais próximas das comunidades, através de uma construção acelerada e usando uma abordagem descentralizada, com custos controlados.

As metas indicadas no Plano Quinquenal do Governo (PQG) são de 1.500 salas de aula por ano para o ensino primário, e 200 salas de aula para o ensino secundário.

Como já foi referido no ponto 4.1 (página 29) ainda está em discussão o custo unitário por sala de aula do programa de construção acelerada, bem como as modalidades de implementação do programa.

Quadro 20: Financiamento proposto para o programa de construção acelerada

Despesa 2011-2013

2009 Cenário 1 Cenário 2 Ensino primário

Salas de aula 1.500 1.320

Custo unitário (em 10^3 USD) 14 (70%) e 18 (30%) 18

Custos do Programa (em 10^3 USD) 23.261 22.800 23.760

Ensino secundário

Salas de aula 200 135

Custo unitário (em 10^3 USD) 18 20

Custos do Programa (em 10^3 USD) 1.922 3.600 2.700

Total 25.183 26.400 26.460

A proposta para 2011–2013 para o financiamento deste programa é feita em função do valor executado em 200978 e não necessariamente nas metas anuais. Em 2011, a abordagem de construção será a mesma da de em 2010. Teoricamente isto permitirá atingir as metas do PQG. Dependente da decisão final sobre a futura abordagem, na base dos resultados do piloto, o custo unitário por sala de aula poderá aumentar, possivelmente acompanhado pela redução das metas.

Apoio Directo às Escolas

O programa Apoio Directo às Escolas (ADE) continuará para os diferentes níveis de ensino. Está em elaboração uma revisão dos critérios para alocação de fundos para as escolas, tomando em conta a vulnerabilidade da escola e o seu ambiente, bem como o desempenho da escola e ligado à elaboração e implementação do plano de

desenvolvimento da escola.

Os pressupostos deste programa são:

 Financiamento do ADE apenas para as escolas públicas;

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Deve-se notar que se trata de um programa onde as actividades transitam de um ano para o outro, e não se pode ligar directamente a execução anual com os números de salas de aula construídas anualmente. O valor executado em 2009 também inclui custos de supervisão e de contratação de técnicos provinciais.

 O ADE para o ensino primário é considerado a principal fonte de financiamento das escolas primárias. Neste contexto, o ADE financiará também, para além dos materiais didácticos, despesas de funcionamento como a manutenção da escola, segurança da escola, água e electricidade;

 O ADE para o ensino primário inclui também um valor para protecção social, dirigido às crianças mais vulneráveis, incluindo crianças órfãs que, até 2009, foi tratado como um projecto separado (financiado pelo FASE). Em 2009, este programa cobriu apenas 13 distritos do país. Com uma melhor integração e através de critérios claros, espera-se beneficiar as crianças mais vulneráveis em todo o país, assegurando a sua participação e retenção no sistema.

 O ADE para o ensino pós-primário é apenas um reforço adicional

(complementando o financiamento de bens e serviços do Orçamento de Estado) e deverá ser usado principalmente para materiais didácticos, incluindo livros para as bibliotecas, consumíveis para laboratórios, etc..

Quadro 21: Valor médio para o programa ADE

ADE Unidade 2011 2012 2013 Ensino Primário Aluno 4,5 USD 4,7 USD 5 USD

Ensino Secundário Aluno 2 USD 2 USD 2 USD

Ensino Técnicoprofissional instituição 12.000 USD 12.000 USD 12.000 USD

Livro escolar e materiais didácticos

A prioridade é a continuação do financiamento dos livros escolares gratuitos para o ensino primário. O cálculo de livros a adquirir para o ano n+1 seguiu os seguintes pressupostos:

 uma taxa de reposição, para os títulos de reposição, de 35% sobre o stock de livros estimado como existente no ano n;

 a aquisição em 100% sobre o diferencial positivo entre o número de alunos estimados para o ano n e o ano n+1;

 os títulos de reposição total correspondem ao número de alunos estimado para o ano n+1 nas classes pertinentes (1ª, 2ª, 6ª e 7ª classes);

 uma taxa de segurança de 5% sobre o total de livros. Os pressupostos:

 Livro escolar gratuito para todas as crianças que frequentam a escola primária (no ensino público e comunitário);

 O financiamento da colocação do livro nas escolas será através da fonte interna (cerca de 2 milhões de USD).

Embora o orçamento para os livros escolares pareça mais alto do que em 2009, na realidade o financiamento permanece ao mesmo nível. Em 2009, parte da aquisição dos livros foi financiada por um projecto bilateral em cerca de 6 milhões de USD. Para assegurar a sustentabilidade deste programa, garantindo uma melhor cobertura, está em discussão a sua racionalização como já indicado no ponto 4.3 (página 37). No futuro, serão integrados neste programa os livros para a expansão do ensino bilingue.

Para além dos livros escolares para o ensino primário, serão financiados materiais para a área de Alfabetização, bem como para a expansão do ensino à distância. A abordagem para o programa de alfabetização está em revisão. Neste momento, está em curso uma avaliação do programa de ensino à distância para o ensino secundário com vista a preparar a expansão desta modalidade de ensino, quer ao nível da formação de professores quer ao nível do ensino secundário.

Subsídios para os alfabetizadores

Em 2003 foi introduzido o pagamento de subsídios aos alfabetizadores (550 MT por mês).

O PQG prevê uma redução da taxa de analfabetismo de 48,1% para 30% em 2014. Para atingir esta meta será necessário alfabetizar 1 milhão das pessoas anualmente, através de intervenções do Estado, bem como da sociedade civil79. Uma estratégia está em elaboração que reflectirá este abordagem. Está prevista a continuação do pagamento de subsídios aos alfabetizadores nos programas do Estado, bem como nos de sociedade civil.

Ainda este ano (2010) está previsto um aumento do valor mensal do subsídio de 550 MT para 650 MT (cerca de 18 USD por mês). Este programa é tradicionalmente

co-financiado pela fonte interna. Está previsto um aumento do financiamento por via da fonte interna para o equivalente a 4 meses de subsídios no caso dos programas

existentes do ministério. Os cálculos são baseados num rácio alfabetizandos por alfabetizador de 30:1.

Formação de professores

A formação de professores para o ensino primário permanece uma das grandes prioridades do sector. A responsabilidade pela implementação dos programas de formação dos professores é dos Institutos de Formação dos Professores (IFPs). Tal como nos anos anteriores foram alocados fundos para estes Institutos para a formação inicial (reforço do orçamento dos IFPs) e para a formação em serviço. Estes fundos do FASE são adicionais e não substituem os fundos internos. A fórmula de alocação de fundos considera o número de alunos frequentando os IFPs (formação inicial) assim como o número de professores do ensino primário da zona coberta pelo IFP (formação em serviço).

Está também em reflexão a revisão do programa de formação dos professores que poderá criar a necessidade de obter mais capacidade para formar professores. Neste momento está prevista a construção de mais dois IFPs, um na província de Nampula e outro na província da Zambézia, o que aumentará a capacidade instalada para formar professores a partir de 2012/2013.

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A redução da taxa de analfabetismo beneficia da universalização do ensino primário. A monitoria do desempenho nesta área é feita através de censos e inquéritos demográficos que são conduzidos periodicamente pelo Instituto Nacional de Estatísticos. Ao nível do ministério, em colaboração com os parceiros envolvidos neste área, está em elaboração um sistema que vai começar a ser implementado no próximo ano para melhorar a cobertura estatística destes programas.

Para além do financiamento aos IFPs, está previsto também um reforço do orçamento dos cinco Centros Regionais de Formação de Quadros de AEA e dos três Centros Regionais para Educação Especial que começarão a funcionar em 2011. Este reforço será gradualmente transferido para o orçamento interno.

Saúde escolar

A integração de acções de saúde no ambiente escolar sempre se constituiu num grande desafio. Grande parte das vezes as intervenções são de carácter pontual, através de campanhas ou mesmo como intervenções sobre os alunos que necessitam de algum encaminhamento à Unidade de Saúde. No caso das campanhas, o foco são as acções de busca de condições de higiene e saneamento, a desparasitação e a efectuação do

calendário de vacinação, estas duas últimas em geral em coordenação com o Ministério da Saúde.

Um ambiente escolar saudável, implica portanto, um ambiente escolar limpo e seguro para toda a comunidade escolar, com hábitos de higiene, limpeza e comportamentos saudáveis, aprendendo a alimentar-se adequadamente e a cuidar da sua saúde. O financiamento desta actividade está integrado nos programas existentes como construção escolar (saneamento), ADE e no contexto dos programas de HIV-SIDA.

Prevenção e mitigação do HIV/SIDA

Tradicionalmente as actividades na área de HIV/SIDA foram concebidas como programas especiais. Está em curso uma revisão dos programas existentes na perspectiva de assegurar uma expansão sustentável das intervenções para todas as províncias através da integração das actividades de prevenção e mitigação nos

programas chaves do sector (como sendo o currículo, livro escolar, ADE, formação de professores, desenvolvimento de recursos humanos, processos de planificação). O financiamento das actividades específicas de prevenção e mitigação do HIV/SIDA está garantido com um valor anual de pelo menos 2 milhões USD. No que respeita à mitigação do impacto do HIV/SIDA nos funcionários, o sector está a trabalhar em coordenação com os Ministérios da Função Pública e da Saúde.

Desenvolvimento Institucional

A componente de desenvolvimento institucional inclui vários programas. A maior parte dos fundos são destinados directamente às Direcções Provinciais de Educação e Cultura e aos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia através dos Fundos de Supervisão Provincial e Distrital.

Estes fundos complementam os fundos de bens e serviços da componente interna com o objectivo principal de reforçar a capacidade das DPECs e dos SDEJTs na supervisão, monitoria e acompanhamento da implementação dos programas do sector.

Para além dos recursos descentralizados acima referidos, os fundos do FASE nesta área são usados para o pagamento de assistência técnica80, desenvolvimento de recursos humanos (através de capacitações, premiação, etc.), disponibilização de materiais e meios de transporte, comunicação interna, divulgação de informação, melhoria dos instrumentos de planificação e orçamentação (sistema informáticas, Carta Escolar) bem como o financiamento do diálogo com os parceiros de cooperação.

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