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Os programas “Trainee” na empresa: programa de estágios na área de engenharia

3. Enquadramento Teórico da Problemática do Estágio

3.4. Os programas “Trainee” na empresa: programa de estágios na área de engenharia

Nos últimos anos o Grupo XPTO tem promovido a realização de um programa de estágios para recém-licenciados em engenharia, o qual não poderia deixar de ser referenciado no presente estudo.

Estes estágios revelam-se especialmente interessantes, na medida em que se inserem numa vertente trainee.

Bitencourt, Piccinini e Rocha-de-Oliveira (2012:103) sobre esta temática, evidenciam que, “Os Programas Trainee (PGT) representam um investimento das empresas na captação e no desenvolvimento de jovens recém formados, selecionados com o objetivo de prepará-los para assumir posições estratégicas no futuro. (…) Além do investimento financeiro as companhias acreditam que esses jovens irão contagiar os outros funcionários com suas ideias e também gerar inovações.”

Desta forma, através destes estágios realizados no Grupo XPTO, os jovens têm uma oportunidade única para começar a sua carreira e evoluir progressivamente, através de uma formação experiencial, recebendo incentivos financeiros (uma vez que estes estágios constituem

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uma parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional). Além disto, os jovens recém- graduados tem a oportunidade de conhecer vários sectores e departamentos do grupo empresarial, percebendo de certa forma qual a área em que mais gostam de trabalhar, quais são as suas melhores qualidades profissionais e quais as suas grandes dificuldades/limitações. É-lhes oferecida ainda, a possibilidade de construírem uma carreira internacional, pois o grupo atua em vários países.

Tudo isto acontece, numa altura em que

“A transição do período de formação para o mercado de trabalho tem sofrido forte influência das novas condições de trabalho e emprego. Rompe-se a noção de equiparação entre trabalho e emprego, de trabalho permanente, de tempo completo e de longa duração, nos quais o vínculo empregatício praticamente era estendido a toda vida produtiva do trabalhador, tornando, assim, o trabalho objetivamente disforme” (Bitencourt, Piccinini & Rocha-de-Oliveira, 2012:105). Neste panorama atual do trabalho, assiste-se a uma mutação nas relações laborais, o que se traduz na alteração dos percursos profissionais. Existe agora uma reconfiguração desses mesmo percursos, tendo por base que “As mudanças culturais, estruturais e institucionais tiveram forte influência no mundo do trabalho nas últimas décadas, trazendo como consequência uma despadronização do curso de vida e a fragmentação das trajetórias biográficas” (Dib & Castro citado por Bitencourt, Piccinini & Rocha-de-Oliveira, 2012:105).

Em jeito de síntese, compreende-se que neste novo enquadramento económico e social os jovens são cada vez mais impelidos para a flexibilidade na construção da sua carreira. Exigências como a criatividade, empreendedorismo, dinamismo e espirito de persistência são fundamentais para uma afirmação no mundo laboral. Nem sempre é fácil evidenciar essas características e ingressar no mercado. “Assim, buscam nos Programas Trainee a sua chance de ingressar nas grandes empresas, por meio de um processo seletivo muito concorrido e ao mesmo tempo diferenciado, para a construção de uma carreira executiva bem-sucedida” (Bitencourt, Piccinini & Rocha-de-Oliveira, 2012:112).

O programa trainee em vigor no Grupo XPTO tem-se revelado um sucesso, sendo que a maior parte dos jovens que nele ingressam ficam a trabalhar na organização. Os resultados da

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implementação deste programa têm sido bastante positivos, permitindo ao grupo empresarial uma dinâmica movida pelo espirito jovem.

3.5. O “mentoring” na empresa: uma aproximação ao “mentoring” na

formação “One to One”

Ao longo do presente estudo, tem sido muitas vezes mencionado a constante mutação do panorama sócio económico atual que se traduz numa reconfiguração dos currículos. Assim, surgem novos modelos de formação, como é o caso do “mentoring”36.

Sobre este modelo, Silva (2006:299) afirma,

“(…) consiste em aprender (…) trabalhando em colaboração e a dar apoio a um administrador (…) experiente, sénior, que assume o papel de “mentor”; aquele que está a fazer a aprendizagem recebe designações como: “protégé” ou “junior” (…). Normalmente, este modelo inclui a formação teórica em paralelo com o mentoring propriamente dito ou num momento diferente, normalmente anterior.” Entende-se, portanto, que o mentoring é um modelo de formação e desenvolvimento humano onde é criada uma relação entre a pessoa que possui mais experiência ou conhecimento e o sujeito que está a aprender.

Dentro de uma empresa ou organização, esta metodologia pode revelar-se muito eficaz no que concerne à integração, desenvolvimento e crescimento dos participantes, abrindo os seus horizontes com base nos conhecimentos e competências que vão adquirindo.

Deste modo, “(…) o Mentor desempenha um papel de “expertise, modeling”. Figura prestigiada, capaz de ajudar o protegido, gerindo experiências e cargas emocionais intensas e de oferecer um mapa, nova linguagem, um espelho promovendo prática reflexiva e partilha de valores” (Rodrigues & Baía, 2012).

Para Ximenes (2014), o mentoring pode ser uma ferramenta poderosa no apoio à vida profissional pois

36 “A palavra mentoring, que não encontra equivalente em português, é derivada do personagem Mentor, da Odisseia, sábio amigo de Ulisses que

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“(…) é definido como um método formal pelo qual uma pessoa mais experiente e com uma maior sabedoria, exerce um papel de apoio ao supervisionar e incentivar a reflexão e a aprendizagem de uma pessoa menos experiente, de modo a facilitar o seu desenvolvimento pessoal e o desenvolvimento da sua carreira profissional.” (Crisp e Cruz, 2009, citado por Ximenes, 2014:10).

Subjacente à prática de mentoring está o aumento da tendência para a valorização da componente prática e experiencial na formação dentro do Grupo XPTO.

No que concerne a esta temática, Silva (2006:299) menciona que “De facto, no modo como está pensada a técnica de formação pelo mentoring, a formação teórica, embora não estando totalmente ausente, representa um papel se segundo plano.”

O mentoring, com base em Ximenes (2014), constitui uma prática vantajosa para as organizações, para os mentees e para os mentores: promove a comunicação organizacional; acarreta baixos custos, aumenta o compromisso dos indivíduos para com a organização; permite ao mentee uma progressão na carreira; possibilita ao mentee a obtenção de feedback, gerando criticas construtivas; possibilita ao mentor o aumento da confiança no seu profissionalismo; permite ao mentor recompensas monetárias. Acima de tudo, o mentoring também permite à empresa perpetuar os seus conhecimentos e cultura organizacionais, uma vez que estes são transmitidos pelos mentores.

No entanto, a prática de mentoring pode acarretar algumas limitações: criação de uma relação de dependência entre o protegido e o mentor, sendo que o protegido não é capaz de agir autonomamente; conflitos de papeis dentro da organização; falta de tempo do mentor para realizar as suas tarefas; custos inerentes à supervisão do mentee.

Nos seus estudos sobre o mentoring, Silva (2006:299), refere a existência de duas vertentes diferentes: “Sendo o mentoring uma formação de tipo formal, a sua proximidade com a formação informal força muitas vezes os autores de língua inglesa a designá-lo como “formal mentoring”, uma vez que, dentro do contexto teórico justificativo do mentoring, a formação informal recebe a designação de “informal mentoring”.

Esclarecendo um pouco sobre aquilo que é o mentoring formal e informal, Araújo (2010) afirma que, “O Mentoring formal (…), refere-se a um processo estruturado apoiado pela organização (se for o caso) e dirigido a determinados colaboradores. Em programas formais de

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Mentoring, existem metas a atingir, horários, formação (para ambos os mentores e protegidos), e avaliação.”

Já no que toca ao mentoring informal, a autora menciona que “(…) ambas as partes não estão consciente que se trata de uma relação de Mentoring, no entanto, retiram vantagens dessa relação” (Araújo, 2010).

Atentando no caso especifico do modelo de formação de língua inglesa objeto de estudo no presente relatório, é possível enquadrá-lo numa prática de mentoring formal, numa vertente “one- to-one” no verdadeiro sentido da expressão, “um para o outro”.

Trata-se de uma formação em que a formadora ocupa o papel de mentora e o formando o papel de mentee.

O modelo “Formador-Formando, relacionado com o curso One to One, caracteriza-se por ser orientado para a obtenção de objetivos no final da formação, procurando atingir metas previamente definidas e, aproximando-se por isso à modalidade de mentoring formal. No entanto, não existe uma relação total entre este modelo e o mentoring, uma vez que ele obedece a um número de horas específicas de duração (20 horas), o que não acontece num processo de mentoring, pois não existem barreiras temporais pré-estabelecidas.

Em suma, compreende-se que numa altura em que as organizações enfrentam inúmeros desafios num mercado cada vez mais competitivo, é fulcral a implementação de prática capazes de revitalizar a vivência nos contextos de trabalho. O mentoring constitui uma dessas práticas, sendo cada vez mais valorizado.