5. Apresentação, análise e discussão das Experiências de Aprendizagem
5.2. Experiências de aprendizagem em contexto de 1º CEB
5.2.2. Os Reis Magos
A seguinte experiência de aprendizagem surgiu no seguimento das férias de Natal e Ano Novo. O primeiro momento da aula foi dedicado ao diálogo, as crianças tiveram a oportunidade de contar experiências vivenciadas durante as suas férias, contando atividades realizadas que consideraram importantes, tal como o local onde passaram esta época festiva entre outras coisas que acharam pertinente partilhar com o resto da turma. Como a maioria referiu os desejos que pediram para o novo ano que se iniciou, posteriormente refletiram um
Figura 20 - 1ª criança a refletir
Figura 21 - Resultado final da reflexão
pouco sobre os mesmos de forma a escolher apenas um em particular para partilhar com o grupo. Através deste diálogo que fomos desenvolvendo, observamos as reações das crianças ao revelarem os seus desenhos, analisando as suas expressões faciais e orais. Através deste tipo de expressões, muitas vezes as crianças manifestam sentimentos reais, problemas que possam ter eventualmente em casa. O facto de partilharem com o grupo, estes aspectos por vezes ajuda a criança a libertar-se e a afirmar-se. Recordamo-nos de alguns desejos mais emotivos, tais como “desejo que o meu pai ficasse comigo para sempre” isto porque três crianças da turma têm o pai a trabalhar em outro país, sendo que as saudades se acumulam e de certa forma isso atormenta a criança. Outras desejaram amor, paz e alegria. Ouve também um caso um pouco mais cómico, isto porque uma criança revelou que o seu maior desejo era que lhe saísse o euro milhões porque é o que os pais dizem constantemente em casa. Fomos apontando estes desejos no quadro e sempre que algum se repetia colocávamos um X e, assim sucessivamente. Desta forma, organizamos estes dados numa tabela o que permitiu relembrar os últimos conteúdos a serem abordados antes das férias, nomeadamente: moda, mediana, frequência absoluta e o diagrama de caule e folha. Posteriormente colocamos todos estes dados numa cartolina representando-os através de rolhas de garrafas de plástico.
Recordando ainda esta época festiva, foi solicitado às crianças para refletirem acerca das personagens tradicionais que se colocam num presépio para que desta forma descobrissem qual a festa que se comemora em honra de uma dessas figuras. Rapidamente referiram os Reis Magos, isto porque era um assunto que já tinham ouvido falar em casa através dos pais ou outros familiares. Para assinalar este dia, aprendemos uma nova canção
As Janeiras e realizamos coroas em cartolina. Para a criança, a coroa é o elemento que mais fácil se associa aos Reis Magos, neste caso e, a construção de materiais alusivos ao tema em questão ajuda a criança a interpretar mais facilmente o tema. Tal como afirma Sousa (s/d.), “Os acessórios são pequenos objetos que se podem por vezes utilizar para sublinhar e dar mais autenticidade a algumas acções” (p.55). Relativamente à música cantamos um pouco, estrofe a estrofe, de forma a facilitar a memorização da letra e ritmo e, de seguida, inventamos em grande grupo uma coreografia para a mesma. Depois fomos cantar as janeiras pelas restantes salas da escola. A princípio, as crianças estavam nervosas mas correu tudo pelo melhor; conseguimos arrancar vários sorrisos das crianças das outras turmas, o que proporcionou uma grande satisfação às crianças. No final tiveram direito a um lanche como forma de agradecimento ao momento de diversão que proporcionaram.
Regressando à sala de aula, demos início à leitura e interpretação do texto Os Reis
Magos. Aleatoriamente fomos solicitando a uma criança para que lê-se um pouco do texto de forma a percorrer todos os elementos da turma. À posterior foram escolhidos quatro elementos da turma para fazerem uma simulação improvisada dos reis magos a entregarem os presentes ao menino Jesus. Clarificamos o significado de palavras que as crianças
desconheciam e refletimos um pouco sobre o nome dos reis: Belchior, Baltazar e Gaspar. Os três nomes estavam escritos em letra maiúscula, logo questionamos as crianças acerca do porquê, clarificando desta forma o conceito de nomes próprios fazendo a comparação entre os nomes comuns e dando exemplos do texto. Relembrando novamente as personagens do presépio constatamos que existe a presença de vários animais, inclusive um conjunto de ovelhas. As crianças foram questionadas acerca do nome que se dá a esse conjunto, o qual identificaram corretamente como um rebanho, visto que a maioria vive em aldeias provenientes de Bragança e mantêm o contacto com este tipo de animais. Partindo desta situação clarificamos o conceito de nomes coletivos, abordando outros exemplos.
Apelando à imaginação das crianças, foi-lhes dito que, enquanto os Reis Magos estavam a caminho de Belém, passaram por Bragança e ficaram encantadíssimos com a beleza do património local bem como com o artesanato existente nas diferentes regiões de Portugal. Para tal necessitam da ajuda da turma do 3º ano para pesquisarem detalhadamente dos monumentos existentes na zona. Neste sentido, as crianças foram organizadas em grupos, pesquisando em vários documentos que lhes foram fornecidos o significado de alguns destes monumentos. Como cada monumento tem a sua história, inclusive os monumentos de Bragança. Cada grupo ficou encarregue de pesquisar sobre um monumento diferente e de seguida improvisarem uma pequena dramatização para explicar aos restantes grupos o passado de cada monumento. O grupo que ficou com o Castelo de Bragança teve mais facilidade devido ao conhecimento que já possuíam sobre a lenda da “Princesa do Castelo”. Ao circular pelos grupos, apercebemo-nos do empenho das crianças; distribuíram papeis, inventaram falas e apresentaram à turma já com outro à vontade, mostrando mais confiança em si mesmos. Isto comprova a evolução das crianças, as quais inicialmente nas primeiras atividades de ED que realizamos, desde jogos dramáticos e dramatizações propriamente ditas, já manifestavam outro tipo de maturidade e criatividade. Evoluíram nas suas capacidades de improvisação, a dicção das palavras e a colocação da voz já era diferente, manifestavam essa preocupação para que as restantes crianças entendessem a peça, as próprias crianças já começavam a solicitar atividades de ED espontaneamente.
Relativamente ao artesanato, abordamos este assunto através de um PowerPoint, visualizando todas as zonas do País bem como o artesanato típico de cada região. Ao longo desta atividade as crianças mostraram-se muito ativas e participativas, enumerando e fazendo referência a várias peças que possuíam em casa que iam comparando com as imagens que visualizavam. Como o entusiasmo foi tanto, propusemo-nos organizar uma exposição na escola para que todas as outras turmas pudessem ver a quantidade de artesanato diferente que existe em Portugal. Ao longo da semana a aderência foi imediata; todos trouxeram algo para a nossa exposição. No final realizamos então a exposição; colocamos as peças por categorias, nomeadamente cestaria, barro, porcelana, bordados entre outras. Assim que esta estava pronta as outras turmas foram solicitadas para a ir
visitar, e a turma do 3º ano fazia a visita guiada, completamente orgulhosos e entusiasmados, fazendo referência ao seu objeto (Vide fig. 22 e 23).
Fazendo uma retrospetiva e análise reflexiva desta experiência de aprendizagem, as áreas estiveram todas presentes, com especial destaque para a ED, respeitando sempre a interligação entre as mesmas. Este grupo de crianças apresentava, individualmente, ritmos e dificuldades diferentes. Por isso, para atingir os objetivos estabelecidos é necessário respeitar essas diferenças, pois “para atingir os mesmos conceitos não é necessário que
todos os alunos tenham de percorrer os mesmos caminhos. No entanto, pretende-se que todos se vão tornando observadores activos com capacidade para descobrir, investigar, experimentar e aprender” (Ministério da Educação, 2004, p. 102). Foi proporcionado, às crianças, tempo e explicações necessárias para a resolução de atividades, de modo a respeitar o ritmo e as dificuldades de cada uma.