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Neste capítulo, vamos mostrar por meio da análise de quatro padrões de nominalizaões (CCiCa, CiCuC, hitCCaCut, haCCaCa) como deve ser uma análise em que a informação sobre a estrutura de argumentos é codificada em núcleos funcionais e não nas raízes abstratas. Também mostraremos como se dá a checagem de Caso para os argumentos selecionados e como é derivada a ordem presente na estrutura dessas nominalizações.

Iniciaremos o capítulo, contudo, retomando uma discussão, realizada por Arad (2005), sobre o fato de nomes se comportarem diferentemente de verbos. Para a autora, não é possível encontrar uma sistematicidade nos padrões nominais, uma vez que são muitos e muito diferentes uns dos outro. Entretanto, já mostramos que há uma classe de padrões nominais em que é possível encontrar propriedades semelhantes às propriedades verbais: a classe dos nominais eventivos, ou de ação. Dessa forma, contrariando a ideia de uma assimetria entre verbos e nomes, refletiremos sobre alguns fatos que mostram que os padrões nominais restringem ou licenciam alçamento de nomes, são seletivos quanto à modificação por adjetivos ou por advérbios e possuem propriedades de causatividade tornando-se, portanto, semelhantes aos padrões verbais e, por isso, relevantes para uma análise das nominalizações.

198 Nesta subseção, refletiremos sobre a assimetria entre o padrão verbal e nominal defendida por Arad. Segundo a autora, essa assimetria deve-se a estruturas sintáticas diversas entre esses dois padrões. Além disso, a autora propõe que não existam, de fato, padrões nominais, tais como os padrões verbais. Contrariando a autora, ofereceremos evidências de que há traços gramaticais presentes nos padrões nominais que dão origem às nominalizações e que tais traços são responsáveis por restrições de modificação, por adjetivos ou advérbios, e restrições que diferenciam nomes de alçamento de nomes de controle.

Na seção 5.4.3, em que tratamos das estruturas e da modificação das nominalizações, falamos que havia uma diferença entre a modificação por adjetivos e advérbios em dois padrões de nominalização: CCiCa e CiCuC. Esse fato corrobora a hipótese de que há traços gramaticais, possivelmente traços categoriais, interferindo na estrutura sintática durante a sua derivação. Além disso, tal fato sugere que os traços que compõem esses dois padrões são diversos.

6.1.1. Os padrões e as restrições sobre a modificação dos nominais

Quando falamos das construções com a MO ´et, dissemos que, nessas construções, contrariamente às construções com a preposição alyedey ‘por’, não é possível a modificação por advérbios verdadeiros, ou seja, por aqueles advérbios que possuem uma morfologia própria de advérbio, como vemos em (190)b).

199

(190) a) mexikat ha-maxšev ‘et ha-kvacim

apagamento.CS.fem.sg DEF-computador MO DEF-arquivos

bi-mhirut em-rapidez

‘O apagamento dos arquivos pelo computador com rapidez’

b) *mexikat ha-maxšev ‘et ha-kvacim

apagamento.CS.fem.sg DEF-computador MO DEF-arquivos

maher rapidamente

Contudo, como mostrou-nos Engelhardt (1998), os advérbios verdadeiros, na verdade, podem ocorrer em construções com ‘et, como vemos no exemplo repetido aqui em (191).

(191) ibud ha-mumxim ‘et ha-kolot yadanit

processamento.CS.masc.sg DEF-peritos MO DEF-votos manualmente ‘o processamento manual dos votos pelos peritos’

Tal fato nos levou a perguntar o que de fato provoca essa alteração na possibilidade de modificação por advérbios e chegamos à conclusão de que o fator relevante é a diferença entre os mišqalim. O padrão CiCuC autoriza a modificação, enquanto o padrão CCiCa não a autoriza. Assim, sugerimos que o que provoca o comportamento diferenciado entre esses dois padrões seja alguma propriedade que constitui o próprio padrão. Nossa hipótese é que tal propriedade seja a camada verbal. Assim, o padrão CiCuC deve possuir uma camada verbal, ao contrário do padrão CCiCa, que não contém essa camada verbal.

De fato, encontramos uma evidência morfológica para essa constituição verbal no mišqal CiCuC. Como Glinert (1989) sugeriu, o padrão CiCuC está ligado ao padrão verbal 3 – CiCeC – e portanto, em sua constituição deve possuir um traço verbal, que, de acordo com nossa hipótese, é realizado morfologicamente pela primeira vogal i do padrão nominal, que é a mesma primeira vogal do padrão verbal CiCeC. Por sua vez, apesar a correspondência sugerida, também por Glinert (1989), entre o padrão nominal CCiCa e o padrão verbal CaCaC, não há evidências morfológicas para que se postule uma camada verbal para esse

200 padrão, uma vez que a primeira vogal do padrão verbal é diferente daquela que começa o padrão nominal. A primeira vogal do binyan é a e a primeira vogal do mišqal é i.

Além da diferença entre a realização das vogais do binyan e do mišqal, podemos perceber que a própria configuração das consoantes no padrão nominal é diferente. Enquanto no padrão nominal temos CCxCx, no padrão verbal temos CxCxC. Desse modo, a presença ou não de uma camada verbal nos padrões explica o fato de um mišqal poder ser modificado por advérbios, enquanto o outro não.

Sugerimos que as estruturas sintáticas para os dois tipos de padrões (sem e com a camada verbal), utilizando a teoria da MD, sejam as seguintes:

(192) nP 3 n 3 n √ CCiCa (193) nP 3 n 3 n v CiCuC 3 v AdvP 3 v √ CiCxC

A estrutura do mišqal CCiCa em (192) mostra que esse padrão está diretamente relacionado com uma raiz abstrata e neutra categorialmente, diferentemente do mišqal CiCuC, no exemplo (193), que não está relacionado diretamente à raiz, mas seleciona um núcleo verbal, que, por sua vez, c-comanda simetricamente a raiz. No final da derivação sintática, o

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