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Capítulo II – A POLÍTICA DE ADOÇÃO NO BRASIL

2.7 Os sujeitos do sistema de garantia de direitos

Cabe aos Conselhos Tutelares, Justiça da Infância e Juventude e Ministério Público a fiscalização das instituições de acolhimento.

Estes três órgãos integram o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente – SGD. Conforme o Art. 86 do ECA e o Art. 1º da Resolução 113/2006 do Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes - CONANDA, o SGD,

Constitui-se na articulação e integração das instancias públicas governamentais e da sociedade civil, na aplicação de instrumentos normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção, defesa e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do adolescente, nos níveis Federal, Distrital e Municipal. § 1º - Esse Sistema articular-se-á com todos os sistemas nacionais de operacionalização de políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, educação, assistência social, trabalho, segurança pública, planejamento, orçamentária, relações exteriores e promoção da igualdade e valorização da diversidade. (CONANDA, 2006, p.3).

Conforme Figueiredo,

Esse sistema deverá ser articulado com todos os sistemas nacionais de operacionalização de políticas públicas, especialmente nas áreas da saúde, educação, assistência social, trabalho, segurança pública, planejamento, orçamentária, relações exteriores e promoção da igualdade e valorização da diversidade. (FIGUEIREDO, 2012, p. 68).

O Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente se caracteriza pela relação de profissionais com o objetivo de exigir e defender o acesso aos direitos assegurados por lei a crianças e adolescentes e responsabilizar àqueles que violarem esses direitos. Essa relação articulada dos Conselhos Tutelares, Justiça da Infância e Juventude e Ministério Público, deve garantir a proteção integral dos direitos de crianças e adolescentes, principalmente daquelas que tem seus direitos violados ou ameaçados, sem contudo, desconsiderar os vínculos familiares e comunitários. O Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente valoriza o público infanto-juvenil reforçado pelo ECA no contexto social e comunitário em que estão inseridos.

2.7.1 O papel do Conselho Tutelar

O Conselho Tutelar – CT é um órgão municipal, criado a partir do ECA, especializado na defesa dos direitos da criança e do adolescente, dotado de autoridade, poderes e deveres equivalentes aos da Justiça da Infância e Juventude. O Conselho Tutelar é um órgão autônomo, sua autonomia está descrita no Art. 5º da Resolução nº 75/2001 do CONANDA. É formado por membros eleitos pela comunidade para serem seus

representantes com a finalidade de encaminhar crianças, adolescentes e suas famílias aos serviços e programas de políticas públicas. Para que ele funcione conforme o previsto é necessário que existam programas e serviços capazes de efetivar as medidas por ele aplicadas a crianças e adolescentes.

O Conselho Tutelar é a principal porta de entrada da população para assegurar que os direitos da criança e do adolescente sejam efetivados. É autorizado por lei a receber todas as denúncias de ameaça ou violação dos direitos de criança ou adolescente.

As atribuições do Conselho Tutelar estão previstas no Art. 136 do ECA e têm o objetivo de aplicar medidas que zelem pela proteção dos direitos da criança e do adolescente. O Conselho Tutelar não pode aplicar medidas judiciais e nem correcional.

De acordo com o Art. 95 do ECA, os conselheiros tutelares são responsáveis por fiscalizar as instituições de atendimento de medida protetiva e socioeducativas em que crianças e adolescentes estão inseridas.

Apesar das ações do Conselho Tutelar serem constantemente questionadas, equivocadamente, os serviços prestados por este órgão à sociedade são muito importantes. É considerado um espaço importante no enfrentamento às mazelas sofridas por crianças, adolescentes e suas famílias.

Quando a família não cumpre o seu dever de proteger os direitos, ou ela mesma pratica qualquer tipo de violência contra suas crianças ou adolescentes, ela se torna passível de ação judicial. O Conselho Tutelar é o órgão encarregado de receber as denúncias de violação de direitos, maus tratos e violência e de tomar providencias para que as medidas protetivas sejam realizadas.

É importante que o conselheiro tutelar seja pessoa comunicativa, competente e com capacidade para mediar conflitos.

Cabe ao Governo Municipal fornecer meios para que os conselhos tutelares atuem de acordo com a lei. Não basta somente existir, é necessário que seja eficiente, eficaz e receptivo às demandas da comunidade.

2.7.2 O papel da Justiça da Infância e Juventude

Como vimos no capítulo anterior, o Juiz da Infância e Juventude, antes do ECA, era conhecido por Juiz de Menores, seu poder era ilimitado e suas ações não eram questionadas.

Art. 148. A Justiça da Infância e Juventude é competente para:

I- conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis;

II- conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo; III- conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes;

IV- conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente, observado o disposto no art. 209; V- conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento, aplicando as medidas cabíveis;

VI- aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à criança ou adolescente;

VII- conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando as medidas cabíveis.

Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de: a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;

b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda;

c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;

d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao exercício do poder familiar;

e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais; f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou de outros procedimentos judiciais ou extraconjugais em que haja interesses de crianças ou adolescente;

g) conhecer de ações de alimentos;

h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e óbito.

O Poder Judiciário tem um papel de suma importância na defesa do acesso aos direitos

de crianças e adolescentes. Somente o Poder Judiciário pode tomar a decisão sobre o e acolhimento e somente o Juiz da Infância e Juventude pode colocar a criança ou adolescente em família substituta, através de guarda, tutela ou adoção.

O artigo 95 do ECA prevê a competência do Juiz da Infância e Juventude no sentido de fiscalizar as entidades de atendimento a crianças e adolescentes. Entretanto, essa fiscalização não se resume à observar as instalações. Há que se observar se o atendimento está sendo realizado no sentido de buscar a reintegração da criança ou adolescente ao convívio familiar e comunitário. Este atendimento precisa ser realizado por uma equipe multidisciplinar, inclusive com profissionais da Justiça da Infância e Juventude, além de psicólogos e assistentes sociais.

2.7.3 O papel do Ministério Público

De acordo com o Art. 127 da CF de 88 o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do

regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Tem papel importan- te na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses difusos coletivos.

Foi após a CF de 88 que o Ministério Público ganhou destaque e se fortaleceu. Junto com a Justiça da Infância e Juventude e com o Conselho Tutelar integra o Sistema de Garan- tia dos Direitos da Criança e do Adolescente. Atualmente é responsável por várias ações que antes do ECA era de competência do Juizado de Menores.

Em relação às demandas que envolvem crianças e adolescentes, cabe ao Ministério Público iniciar a apuração do ato infracional cometido pelo adolescente e é responsável pelo acionamento da Justiça sempre que uma criança ou adolescente tiver seus direitos violados.

O Ministério Público pode cobrar do governo a implementação de políticas públicas destinadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes, inspecionar e fiscalizar entidades de acolhimento e ainda regular a aplicação de recursos do Fundo dos Direitos das Crianças e

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