Em Fevereiro de 1999, o BCE publicou uma adenda, incluindo dados de 1997, ao guia descritivo dos sistemas de pagamentos e de liquidação de títulos em funcionamento nos Estados-membros da UE, denominada “Livro
Azul”. Para além disso, de forma a
disponibilizar informação completa sobre os principais sistemas de pagamentos e de liquidação de títulos nos países candidatos à adesão à UE, o BCE divulgou em Agosto de 1999 um relatório intitulado “Payment systems in countries that have applied for membership of
the European Union” (Os sistemas de pagamentos nos países candidatos à adesão à União Europeia). Esta publicação foi elaborada em cooperação com os bancos centrais da Bulgária, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa e Roménia, assinalando um marco importante no aprofundamento da cooperação com os bancos centrais destes países no domínio dos sistemas de pagamentos.
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Política dos sistemas de liquidação de títulos
Avaliação dos sistemas de liquidação de títulos da UE e respectivas ligações
Na sequência da publicação do relatório intitulado “Standards for the use of EU securities settlement systems in ESCB credit operations” (Padrões para a utilização dos sistemas de liquidação de títulos da UE em operações de crédito do SEBC) e da primeira avaliação dos sistemas de liquidação de títulos (SLT) da UE em 1998, os SLT têm feito esforços significa- tivos para melhorar o nível de cumprimento dos padrões, pelo que as condições prévias para a sua utilização foram reduzidas em muitos casos. A avaliação dos SLT foi actualizada em Maio de 1999 e o resultado revelou que existem actualmente cinco SLT
na área do euro que podem ser utilizados sem condições prévias, enquanto que no início da Terceira Fase da UEM existia apenas um, e dez SLT melhoraram substancialmente o respectivo nível de cumprimento. A elegibili- dade dos SLT será revista periodicamente, de modo a tomar em consideração os novos desenvolvimentos.
Alguns SLT da UE criaram ligações entre si para possibilitar, de uma forma geral, a transferência transfronteiras de títulos. Antes dessas ligações poderem ser utilizadas no contexto da política monetária única do Eurosistema e das operações de crédito intradiário do SEBC, devem ser avaliadas com base nos padrões de utilização dos SLT da UE.
Depois da realização dessas avaliações em 1999, o Conselho do BCE considerou que algumas dessas ligações entre os SLT eram elegíveis para a transferência transfronteiras de garantias utilizadas nas operações de política monetária do Eurosistema e as operações de crédito intradiário do SEBC. Em Maio, depois de ter sido efectuada uma primeira ronda de avaliações, o Conselho considerou que 26 ligações cumpriam os padrões do BCE. Depois de uma segunda ronda de avaliações em Outubro, o Conselho do BCE decidiu considerar elegíveis mais 21 ligações. Assim, para além do modelo de banco central correspondente (MBCC), criado pelo Eurosistema, existem agora alternativas de mercado disponíveis em alguns países para a transferência transfronteiras de garantias. Por ora, as ligações podem ser utilizadas numa base gratuita, uma vez que actualmente não existem facilidades de entrega-contra-pagamento numa base trans- fronteiras. Em Fevereiro de 2000, o Conselho avaliou e aprovou outras ligações.
Transferências transfronteiras de títulos O MBCC foi criado como solução provisória para a utilização transfronteiras de garantias nas operações de política monetária do Eurosistema e nas operações de crédito intradiário do SEBC, até o sector privado desenvolver soluções mais abrangentes para a utilização transfronteiras de títulos. A transferência transfronteiras de títulos é uma questão cada vez mais importante para o mercado privado, o qual tenta desenvolver não só ligações mas também novas soluções de mercado para facilitar as transferências transfronteiras. Na área do euro, os participantes no mercado tendem a ser
favoráveis a uma infra-estrutura de liquidação de títulos mais eficiente e integrada. Estão a ser postos em prática vários projectos concorrentes; no entanto, o Eurosistema mantém uma posição neutra nesta questão. O Eurosistema tentará assegurar o mesmo grau de segurança por parte de todas as alternativas propostas, o qual deverá ser compatível com os padrões definidos para garantir as operações de política monetária única do Eurosistema e de crédito intradiário do SEBC.
Barreiras infra-estruturais à integração do mercado dos acordos de recompra da área do euro
O Eurosistema tem grande interesse no fun- cionamento regular dos mercados financeiros da área do euro, nomeadamente para assegu- rar a transmissão dos impulsos de política monetária. Neste contexto, os estudos realizados pelo Eurosistema mostraram que o mercado monetário titulado, contrariamente àquele sem exigência de garantias, não é integrado em toda a área do euro. Uma das questões analisadas refere-se à existência de barreiras infra-estruturais à integração, rela- cionadas, nomeadamente, com a liquidação de títulos. As potenciais barreiras a uma maior integração nesta área são a falta de procedi- mentos de liquidação transfronteiras basea- dos num mecanismo de entrega-contra-paga- mento e em diferentes quadros legais, conce- bidos em função das necessidades dos mercados internos. É óbvio que o Euro- sistema tem um papel a desempenhar no sentido de aumentar a consciencialização para estes problemas. No entanto, deverá ser principalmente o mercado a tomar as inicia- tivas para encontrar soluções.