O hipoestrogenismo (vaginite atrófica e vaginite lactacional), a descamação vaginal excessiva (vaginite citolítica), o uso de agentes irritativos, como cremes e cosméticos (vaginite irritativa), o uso do condom (vaginite alérgica), entre outros, são causas de corrimento vaginal associadas a determinados períodos da vida da mulher e devem ser abordados com naturalidade, tentando mostrar a ela que não se tratam de doença.
Referências
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As mudanças de hábitos são muito importantes para o tratamento e prevenção de recorrência dos corrimentos vaginais. Que mudanças de hábitos você orientaria para as mulheres atendidas em sua unidade?
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Ana Cyntia Baraldi Bruno Ramalho de Carvalho Gilvânia Feijó Patricia Taira Nakanishi Rejane Antonello Griboski Iniciaremos nessa lição o estudo das principais Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) que acometem as mulheres. Não nos aprofundaremos no Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) por esse ser tratado em módulo específico, dentro do estudo das doenças infecciosas.
Objetivos Pedagógicos
• Conhecer a situação atual das DST no Brasil e sua importância na morbidade feminina;
• Capacitar os profissionais de saúde para o atendimento integral aos portadores de DST;
• Saber diagnosticar e tratar as principais DSTs;
• Atuar, junto à sua equipe de saúde, na prevenção dos agravos causados pelas DST.
Introdução
As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) estão entre os problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo, com uma estimativa de 340 milhões de casos novos por ano (WHO, 2005).
As DST estão entre as principais causas relacionadas com abortos espontâneos, natimortos, partos prematuros, baixo peso ao nascer, infecção congênita e perinatal, gravidez ectópica, infertilidades, bem como ao câncer de colo de útero (BRASIL, 2007).
Ainda, causam grande custo direto à economia do país - devido à sua magnitude, pelas internações e tratamento - e indiretos - pelo impacto social e suas consequências.
Lição 7 – Doenças Sexualmente Transmissíveis
Por tudo isso, as DST devem ser priorizadas como agravos de saúde pública que merecem atenção de todas as instâncias de pactuação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sabe-se que as estratégias de prevenção primária (uso do preservativo) e secundária (diagnóstico e tratamento) podem permitir o controle das DST e suas consequências. Entretanto, as ações nessa direção existem no país de forma pulverizada, com importantes diferenças regionais.
As diretrizes para diagnóstico e tratamento precoces, incluindo a avaliação das parcerias sexuais, são pouco conhecidas ou implementadas pelo sistema de saúde.
Não existe disponibilidade contínua de medicamentos padronizados para portadores de DST, bem como de preservativos. A pactuação entre os três níveis de governo estabelece que a aquisição dos medicamentos para as DST é de responsabilidade dos estados e municípios, e a aquisição de preservativos é compartilhada, sendo de 80% de responsabilidade do nível federal nas regiões sul e sudeste e de 90% nas regiões norte, nordeste e centro-oeste. Porém esta pactuação vem sendo cumprida com dificuldades.
Pouco se valoriza a prevenção especificamente dirigida ao controle das DST (educação em saúde, disseminação da informação para reconhecimento de sinais e sintomas, busca precoce por assistência, convocação de parceiros, campanha em mídia, etc). Há ênfase no diagnóstico etiológico, pouco se conhece o manejo sindrômico e os profissionais capacitados são insuficientes.
Outros fatores negativos que contribuem para a dificuldade na assistência à saúde dos portadores têm sido percebidos no contexto da atenção às DST no nosso país:
• São escassos os dados epidemiológicos relativos às DST;
apenas a aids, a sífilis congênita e a sífilis na gestação são de notificação compulsória;
• Os portadores de DST continuam sendo discriminados nos vários níveis do sistema de saúde;
• Populações prioritárias, como adolescentes, profissionais do sexo, homo e bissexuais, travestis entre outros, têm pouca acessibilidade aos serviços;
• O atendimento é muitas vezes inadequado, resultando em segregação e exposição a situações de constrangimento. Tal fato se dá, por exemplo, quando usuários têm que expor suas queixas em locais sem privacidade (recepções) ou a funcionários despreparados. Essas situações contribuem para afastá-los dos serviços de saúde;
• A irregularidade na disponibilização de medicamentos específicos contribui para que desacreditem os indivíduos com DST, dos serviços de saúde;
• Poucas unidades são capazes de oferecer resultados de testes conclusivos, no momento da consulta.
Entretanto, pela sua magnitude, transcendência, vulnerabilidade às ações e factibilidade de controle, as DST devem ser priorizadas. A assistência às DST deve ser realizada de forma integrada pelo Programa de Saúde da Família, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços de referência regionalizados. O primeiro, pelas suas características, pode facilitar o acesso ao cuidado e a busca de parceiros sexuais, enquanto as UBS e os últimos devem exercer um papel fundamental no tratamento adequado e seguimento clínico.
Deve haver participação e controle de ações pelas organizações da sociedade civil no acesso aos serviços, no cumprimento da pactuação para aquisição de medicamentos, na disponibilização de insumos laboratoriais, na disponibilidade de preservativos e outros insumos.