Volume de EDTA gasto para titular = 25,2 mL, então:
3. OUTRAS DETERMINAÇÕES 1 Necessidade de gesso
Quando os sais de sódio dominam o complexo de troca do solo, pode ser realizada sua correção a partir da adição de sais de cálcio para substituição do sódio, retirando-o do sistema por lixiviação. O corretivo mais utilizado para este fim é o gesso e a determinação da quantidade necessária de gesso também é de interesse para quem trabalha com solos afetados por sais.
A partir dos resultados da concentração de sódio no complexo de troca do solo e de sua CTC, pode-se calcular a percentagem de saturação por sódio (PST) do solo, da seguinte forma:
PST = Natroc. X 100
CTC
Onde: PST – Percentagem de sódio trocável, %; Natroc. – Sódio trocável, cmolc/dm3;
CTC – Capacidade de troca de cátions, cmolc/dm3;
Sabendo-se a PST do solo e estimando-se uma PST que se queira alcançar, pode-se calcular a necessidade de gesso a ser aplicado por área e profundidade do solo (FERREIRA, 1998):
ST = (PSTi – PSTf) CTC 100
Onde: ST – Sódio trocável a ser substituído, cmolc/dm3;
PSTi – Percentagem de sódio trocável inicial, %; PSTf – Percentagem de sódio trocável final, %;
CTC – Capacidade de troca de cátions do solo, cmolc/dm3.
No entanto, é preciso determinar a quantidade de gesso para neutralizar este sódio trocável que se deseja retirar do solo, considerando quantos equivalentes de cálcio o gesso fornecerá para neutralizar o sódio, a profundidade da camada a ser corrigida e a massa total de solo, por meio da densidade. Assim, VITTI et al. (1995) cita a fórmula completa como:
NG = [ (PSTi – PSTf) x CTC x 86 x h x d ] 100
Onde: NG – Necessidade de gesso, kg/ha;
PSTf – Percentagem de sódio trocável final desejada, %; CTC – Capacidade de troca de cátions do solo, cmolc/dm3.
h – Profundidade do solo que se deseja recuperar, cm; d – Densidade do solo, g/cm3.
Para a determinação final de quanto de gesso aplicar, deve-se observar, ainda, a pureza do corretivo.
Existem também métodos de laboratório para determinar a necessidade de gesso de um solo. O princípio básico destes é colocar uma amostra de solo em equilíbrio com uma solução saturada de gesso para que o cálcio substitua o sódio no complexo de troca do solo, medindo-se a concentração do cálcio na solução antes e após o contato com o solo, a diferença corresponde à quantidade deste elemento que foi adsorvido, substituindo o sódio.
Richards (1954) descreve o método de Schoonover, que consta de: Reagentes necessários:
• Solução saturada de gesso de concentração conhecida de cálcio:
Dissolver cerca de 5 g de gesso (CaSO4.2H2O) em 1 L de água destilada, agitando
por cerca de 10 minutos em agitador mecânico ou manualmente por 1 hora; filtrar a solução em papel de filtragem lenta e determinar a concentração de cálcio (item 1.2.5). A concentração de cálcio deve ser de, no mínimo, 28 mmolc/L.
Procedimento analítico:
• Pesar uma amostra de 5 g de TFSA e transferir para erlenmeyer de 125 mL;
• Adicionar 100 mL da solução saturada de gesso e agitar manualmente por 30 minutos
ou em agitador mecânico por 5 minutos;
• Filtrar a suspensão e determinar a concentração de cálcio e magnésio no filtrado (item
1.2.5).
Cálculo:
• A necessidade de gesso é determinada:
NG = (CCa – CCa+Mg) x 2
CCa – Concentração de cálcio na solução saturada, mmolc/L;
CCa+Mg – Concentração de cálcio+magnésio do filtrado, mmolc/L.
A necessidade de gesso em solos com carbonatos e bicarbonatos em concentrações maiores que 5 cmolc/kg não é determinada apenas pelo sódio trocável,
tendo a contribuição destes ânions, que precisam ser considerados nos resultados da necessidade de gesso (CHAUHAN & CHAUHAN, 1984).
Por outro lado, ABROL et al. (1975) sugerem que, para a determinação da necessidade de gesso de solos contendo carbonatos solúveis, estes podem ser eliminados pela lavagem com 20 mL de etanol 60 % antes da determinação pelo método de Schoonover.
SCHOFIELD & TAYLOR (1961) propõem um método de determinação da necessidade de gesso com base em medidas diretas da quantidade de cálcio que deve ser aplicada ao solo para restaurar seu estado original, substituindo o sódio no complexo de troca. Entretanto, os autores alertam que a efetividade desta correção é dependente de outros fatores, como a taxa de dissolução do gesso, a eficiência da drenagem e variações na salinidade do solo.
Apesar destas e outras críticas, este método ainda é o mais utilizado no Brasil para a determinação da necessidade de gesso em laboratório.
3.2. Fósforo:
Os métodos para a determinação de fósforo em solos têm sido de suma importância quando se deseja avaliar a fertilidade destes, o que não poderia ser diferente em solos afetados por sais. Apesar das peculiaridades destes solos não serem as mesmas dos de clima úmido e subúmido, com elevado grau de intemperismo e grande fixação do ânion fosfato na matriz do solo, outros fatores contribuem para a baixa disponibilidade de fósforo para as plantas. Dentre estes, o pH e as altas concentrações de cálcio assumem destaque, causando, muitas vezes, deficiências deste elemento nas plantas, mesmo estando presente no solo, mas em forma não disponível.
Muitos métodos existem para determinar o fósforo em solos, variando em princípios e detalhes da técnica (OLSEN & SOMMERS, 1982). Deve-se ter o cuidado na seleção do melhor método para cada solo em especial.
A maioria das determinações de fósforo apresenta duas fases distintas, primeiro a preparação de uma solução contendo a fração de fósforo do solo desejada; e depois, a
determinação quantitativa do fósforo nesta solução. O método mais sensível e mais amplamente usado para determinar a concentração de fósforo é o da formação de um complexo entre fósforo e molibdênio, de coloração azul, que tem a intensidade de cor relacionada à concentração de fósforo e medida por colorimetria (OLSEN & SOMMERS, 1982).
Já os métodos de extração, variam conforme as características dos solos em questão, destacando-se três tipos de extratores: os ácidos fortes diluídos, desenvolvidos para solos ácidos (Mehlich); os alcalinos, desenvolvidos para solos de reação alcalina e, ou, calcários (Olsen) e os de efeito complexante, desenvolvidos para solos de reação neutra a ácida, principalmente aqueles fertilizados com fosfatos naturais (Bray). Em conjunto, esses extratores apresentam características peculiares que lhes dão vantagens e desvantagens relativas.
O método de extração de fósforo indicado para solos com sais é o do bicarbonato de sódio 0,5 mol/L a pH 8,5, desenvolvido para solos calcários, alcalinos ou neutros, contendo fosfatos de cálcio. Este extrator decresce a concentração de cálcio em solução pela precipitação de CaCO3, resultando no aumento da concentração de fósforo em
solução (OLSEN & SOMMERS, 1982; HANDBOOK, 1992; TAN, 1996). Material necessário:
• Agitador; • Centrífuga;
• Espectrofotômetro;
• Vidrarias: balões, bécheres, pipetas.
Reagentes necessários:
• Solução de bicarbonato de sódio (NaHCO3) 0,5 mol/L:
Dissolver 42,0 g de NaHCO3 em água destilada, transferir para balão de 1L e
completar o volume; ajustar o pH desta solução para 8,5 com NaOH 1 mol/L; adicionar óleo mineral para evitar a exposição da solução ao ar; armazenar em recipiente de polietileno e checar o pH da solução a cada mês;
• Ácido sulfúrico (H2SO4) 2,5 mol/L:
destilada; deixar em repouso para esfriar e diluir para 1.000 mL com água destilada;
• Solução padrão 500 mg/L de P:
Secar aproximadamente 2 g de KH2PO4 em estufa a 105oC durante 2 horas;
deixar esfriar em dessecador e pesar 2,1964 g do produto, dissolvendo em água destilada em um bécher; transferir a solução para balão volumétrico de 1000 mL, completando o volume com água destilada;
• Solução 100 mg/L de P:
Tomar 200 mL da solução padrão 500 mg/L de P e diluir para 1000 mL em balão volumétrico com água destilada;
• Solução 10 mg/L de P:
Diluir 20 mL da solução padrão 500 mg/L de P para balão volumétrico de 1000 mL com água destilada;
• Solução 20 mg/L de P:
Em balão volumétrico de 1000 mL, colocar 40 mL de solução padrão 500 mg/L de P e completar o volume com água destilada;
• Solução “725”: para preparar a solução “725” são inicialmente preparadas duas
soluções:
Solução A – Dissolver 1,0 g de carbonato básico de bismuto ou subcarbonato de bismuto [(BiO)2CO3] em um bécher com água destilada (em torno de 200 mL) e adicionar
139 mL de H2SO4 concentrado.
Solução B – Em aproximadamente 500 mL de água destilada dissolver 20,0 g de molibdato de amônio [(NH4)6Mo7O24.4H2O].
Transferir a solução B para balão volumétrico de 1000 mL e adicionar cuidadosamente a solução A sobre a solução B, deixar esfriar e completar o volume com água destilada. Guardar a solução em vidro escuro e bem fechado.
• Reagente de Trabalho (RT): preparar o reagente de trabalho a partir da solução “725”
e ácido ascórbico ou vitamina C, seguindo a relação estabelecida por BRAGA & DEFELIPO (1974), onde para 50 mL de solução de leitura, acrescenta-se 5 mL de “725” e 2 mL de vitamina C 2% [40 mg de ácido L (+) ascórbico]. No caso em estudo, a solução de leitura terá 10 mL (5 mL de alíquota + 5 mL de RT), então cada dose de 5 mL de RT terá que conter: 1,0 mL de “725” e 8,0 mg de vitamina C.
100 mL de “725” e 0,8 g de vitamina C:
Dissolver 0,8 g de vitamina C [ácido L (+) ascórbico] p.a. em aproximadamente 200 mL de água destilada, transferir para balão volumétrico de 500 mL, adicionar 100 mL de solução “725” e completar o volume do balão com água destilada. O RT só deve ser preparado na hora da determinação.
Procedimento analítico:
• Tomar 5 g de TFSA em erlenmeyer de 250 mL e adicionar 100 mL da solução
extratora; agitar por 30 minutos em agitador mecânico; centrifugar a suspensão a 2.000 rpm por 15 minutos, filtrar o sobrenadante com papel de filtragem lenta e coletar o extrato;
• Pipetar 5 mL de alíquota do extrato para um balão de 25 mL, ajustar o pH para 5,0
com H2SO4 2,5 mol/L. A quantidade de H2SO4 necessária é determinada pipetando 5
mL de NaHCO3 em erlenmeyer e titulando com H2SO4 2,5 mol/L até pH 5,0 sob
constante agitação. Esta quantidade de H2SO4 é então medida e adicionada ao extrato
no balão; depois, proceder a determinação de fósforo de acordo com o método do complexo fosfomolíbdico usando vitamina C como agente redutor;
• Solução de leitura: definir a dosagem da solução de leitura e da curva padrão para
calibração do espectrofotômetro, possibilitando a adição do reagente de trabalho (RT);
• Exemplo de preparo da solução de leitura: em tubo de ensaio de 50 mL, colocar 5 mL
de alíquota da solução de equilíbrio, adicionar 5 mL de RT e agitar em agitador de tubos de ensaio; esperar 30 minutos para o desenvolvimento da cor na solução de leitura e ler a absorbância em espectrofotômetro no comprimento de onda de 725 nm;
• Curva padrão de P: para a calibrar o aparelho, precisa-se elaborar uma curva padrão
de concentração conhecida de P, com a qual se procurará correlacionar tais concentrações com a leitura em absorbância, o que permitirá calcular as concentrações de P nas amostras de concentrações desconhecidas; sugere-se preparar uma curva com os pontos 0, 0,2, 0,4, 0,6, 0,8 e 1,0 mg/L de P, lembrando que esta curva deverá conter o RT e o extrator (NaHCO3) nas mesmas concentrações
finais que as soluções de leitura das amostras, para manter o mesmo efeito matriz;
• Leitura no espectrofotômetro: aquecer o aparelho e proceder a calibração segundo o
manual de instruções do mesmo. Utilizando o comprimento de onda de 725 nm, ajustar o espectrofotômetro com o primeiro ponto da curva padrão (zero), depois ler